Por Alexandre Matos | 08/07/2016 02:26

A International Fight Week de 2016 começou bem. No UFC Fight Night 90, que abriu oficialmente a programação, Eddie Alvarez passou por cima de Rafael dos Anjos e se tornou o primeiro lutador a conquistar cinturão do UFC e do Bellator.

A luta foi curta, mas sensacional. Rafael foi o primeiro a se impor depois de defender uma entrada de queda do americano e emendar com um triângulo de mão. O golpe não chegou a encaixar perfeitamente, mas foi um aviso para Alvarez se cuidar nas investidas. Com moral, o campeão pressionou o desafiante contra a grade e parecia estar com o duelo sob controle. Foi quando Alvarez percebeu o punho esquerdo de Rafael muito baixo e disparou um violento gancho de direita que passou por cima da guarda e explodiu na têmpora do brasileiro.

Rafael não se recuperou mais. Alvarez entrou em modo de destruição e lançou fogo pesado para cima do campeão. Alguns golpes foram desperdiçados, mas os que entraram deram conta. Alvarez quase perdeu o fio da meada ao mandar uma joelhada voadora de longe. O golpe pegou no queixo de Rafael, mas desequilibrou o americano, que viu o brasileiro cair por cima. Para sorte de Eddie, Dos Anjos estava fora do ar e foi facilmente revertido. O espancamento seguiu em pé, uppercuts e ganchos fizeram Rafael olhar para o além em duas oportunidades até que o árbitro Herb Dean decretasse o fim do combate na marca de 3:49 de ação.

A vitória e o título coroam uma trajetória histórica. Alvarez foi o primeiro campeão dos leves da história do Bellator e tentou assinar com o UFC após perder o cinturão. Depois de uma batalha nos tribunais, Eddie ficou um ano parado e teve que voltar à organização rival. Ele fechou um contrato de uma luta, vingou a derrota para Michael Chandler, reconquistou o cinturão e meteu o pé do Bellator. Na estreia no UFC, perdeu para Donald Cerrone e viu muitos duvidarem de sua qualidade e do próprio Bellator. Pois Eddie subiu o morro mexicano e aplicou uma virada no dopado Gilbert Melendez. Em seguida, anulou Anthony Pettis para ganhar o posto de desafiante. Nesta quinta, fez história.

Do lado do brasileiro, um ano negro. Em março, uma fratura no pé tirou de Rafael o maior pagamento de sua vida quando ele teve que desistir do combate contra Conor McGregor, no UFC 196. Agora, a perda do cinturão marca a primeira vez em 10 anos que o UFC não tem nenhum brasileiro campeão em suas fileiras. Até o fim do mês os lutadores do país têm mais quatro oportunidades para reverter esse quadro.

Derrick Lewis manda toda sorte de bombas, vence, mas não nocauteia Roy Nelson

Roy Nelson definitivamente não é normal (nem Mark Hunt). Na luta coprincipal do UFC Fight Night 90, o vencedor do TUF 10 absorveu uma incrível quantidade de golpes violentos de Derrick Lewis, mas sequer foi a knockdown. O “Big Country” teve suas chances, mas acabou sucumbindo à “Fera Negra”.

Derrick Lewis mandou fogo pesado, mas não conseguiu nocautear Roy Nelson (Foto: Joshua Dahl/USA TODAY Sports)

Derrick Lewis mandou fogo pesado, mas não conseguiu nocautear Roy Nelson (Foto: Joshua Dahl/USA TODAY Sports)

Lewis maltratou a avantajada linha de cintura de Nelson com joelhadas e chutes que deixaram a região roxa. Alguns socos muito pesados entraram no rosto de Roy, mas nada o tirou do equilíbrio. Nelson tentou então parar o oponente com o clinch e a luta mudou de rumo.

Nelson derrubou Lewis com facilidade. Mais fácil ainda foi a tarefa de passar a guarda nula do oponente. Nelson fez peso, mas causou pouco dano e não tentou nenhuma finalização. Serviu para desgastar Lewis, que voltou estático para o terceiro assalto.

O cenário parecia se repetir com Nelson dominando o clinch e fazendo a festa nas quedas. Exausto, mas consciente do que deveria fazer, Lewis partiu para a decisão chutando a linha de cintura e largando couro para cima de Nelson. Derrick então disparou um petardo de direita que teria levado 90% da raça humana a óbito. O golpe explodiu contra o queixo de Nelson de um jeito que fez sua cabeça dar uma guinada para trás, como se fosse cair. sabe-se lá como, Roy se manteve de pé e terminou de absorver o castigo com a dignidade que só ele é capaz. A surra no final fez com que Lewis virasse o round e vencesse a luta por 29-28, na contagem do MMA Brasil e dos juízes Dave Hagen e Glenn Trowbridge, mas Adalaide Byrd deu o mesmo placar a favor de Nelson, tornando a vitória de Derrick uma decisão (a primeira de sua carreira) dividida.

Alan Jouban supera Belal Muhammad na melhor luta da noite

Entre o estilo acelerado de Alan Jouban e o metódico de Belal Muhammad, pior para quem tinha problemas defensivos mais graves. Jouban venceu bem, mas Muhammad deixou uma ótima primeira impressão no UFC.

Alan Jouban mandou Belal Muhammad três vezes a knockdown (Foto: Joshua Dahl/USA TODAY Sports)

Alan Jouban mandou Belal Muhammad três vezes a knockdown (Foto: Joshua Dahl/USA TODAY Sports)

Para conter o ímpeto de alguém como Jouban é preciso que os contragolpes funcionem com fluidez. E, para isso, é necessário também estar com o sistema defensivo em dia. Muhammad falhou feio na segunda parte e enterrou sua estreia no octógono mais famoso do mundo. Alan entendeu o ritmo dos golpes do oponente e leu as inúmeras falhas de sua defesa. Assim, Jouban mandou Muhammad a knockdown três vezes nos 10 primeiros minutos de luta e controlou as ações.

O campeão do Titan FC voltou decidido a virar a luta no terceiro assalto. Finalmente seu boxe funcionou a contento, especialmente com a direita. O sinal do canal Combate caiu no meio do round, mas informações da imprensa internacional deram conta que Muhammad dominou a parcial, deixando Jouban em posição defensiva o tempo todo. Porém, não foi suficiente para virar a luta.

Joseph Duffy finaliza Mitch Clarke em menos de meio minuto

Deu nem para o cheiro. O irlandês Joseph Duffy se recuperou da derrota para Dustin Poirier com uma atuação avassaladora contra o canadense Mitch Clarke.

Com cerca de 15 segundos de ação, um cruzado de direita de Duffy entrou em cheio na têmpora de Clarke, que caiu com o nariz batendo no chão antes do resto do corpo. O canadense se virou para evitar o castigo, mas viu o oponente pegar suas costas e rapidamente encaixar o mata-leão que pôs fim ao combate em 26 segundos.