Dinheiro ou desafios: Para onde devem ir os principais lutadores livres no mercado?

Testar o mercado se tornou uma prática mais usual no mundo do MMA nos últimos anos e uma boa leva de lutadores ficou sem contrato no começo de 2017. Qual será o destino de Marlon Moraes, Ryan Bader e outros desses atletas?

Desde que Scott Coker assumiu o comando do Bellator, em 2014, um dos fenômenos mais interessantes que se formou no meio do MMA foi o vislumbre por parte dos atletas de que poderiam alcançar um bom patamar financeiro mesmo sem chegar no UFC ou mesmo saindo dele. Isto pode ser verificado pelas contratações de nomes relevantes do UFC que Coker fez ao longo desses anos, como Ben Henderson, Phil Davis e Rory MacDonald. Existem outros jogadores relevantes neste mercado, como o WSOF, que paga quantias acima da média para manter seus principais talentos e estava sob rumores de que poderia estar se encaminhando à falência, e o ONE Championship, que contava com Bibiano Fernandes e Ben Askren, dentre outros, com salários elevados em seu plantel.

O momento atual se torna ainda mais intrigante se levarmos em consideração a quantidade de lutadores de bom nível que estão disponíveis no mercado. Uma boa mistura de atletas consolidados e outros em ascensão habita a chamada free agency do MMA no começo de 2017. São eles: o top 5 meio-pesado Ryan Bader, o meio-médio do UFC Lorenz Larkin, os campeões do WSOF Marlon Moraes e Justin Gaethje, o já citado Bibiano. Esta lista também poderia conter Tom Duquesnoy, dono dos cinturões dos pesos galo e pena do BAMMA, considerado por este que vos escreve como o principal prospecto do MMA fora das grandes organizações, mas boatos recentes dão conta de que ele assinou com o UFC e fará sua estreia em abril.

Dessa forma, algumas das questões mais interessantes a serem respondidas nas próximas semanas dizem respeito ao destino que estes atletas terão. A ideia aqui é analisar, com bases nas declarações dos cinco lutadores citados, qual será o final mais provável para cada um deles.

Ryan Bader – Bellator

Ryan Bader negou o wrestling de Phil Davis (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Ryan Bader já venceu o campeão do Bellator Phil Davis (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Lutador mais consolidado na lista, Bader é um dos melhores meios-pesados do mundo e apresenta um retrospecto de oito vitórias e apenas duas derrotas desde o começo de 2013. Já tendo enfrentado os melhores nomes que a categoria pode oferecer e com seu papel de porteiro para a elite no UFC claramente desenhado, o duas vezes All-American da Divisão I do wrestling da NCAA já declarou que considera este o momento perfeito para estar no mercado.

Com 20 lutas no UFC no currículo, Bader pode tentar uma mudança de ares e o Bellator é o lugar certo para tal. Para deixar a escolha ainda mais convincente, ele ainda pode usar como argumento o fato de ter superado o atual campeão da categoria na organização em 2015, podendo se colocar diretamente em uma disputa de cinturão.

Lorenz Larkin – Bellator

Quando estava sob o comando de Scott Coker, Larkin venceu Robbie Lawler (Foto: Esther Lin/Forza LLC/Zuffa LLC)

Quando estava sob o comando de Scott Coker, Larkin venceu Robbie Lawler (Foto: Esther Lin/Forza LLC/Zuffa LLC)

Após fazer carreira como meio-pesado e médio, Larkin finalmente tomou a decisão de descer para a divisão até 77kg no começo de 2015 e, desde então, encontrou sua melhor fase, tendo perdido somente para Albert Tumenov, mas compensando este revés com triunfos sobre Jorge Masvidal e um atropelamento contra Neil Magny. Após a vitória diante de Magny, seu contrato com o UFC se encerrou e ele está a procura da melhor oferta.

Segundo o próprio Larkin, o UFC, Bellator e RIZIN demonstraram interesse em seus serviços, só que nenhum deles ainda lhe fez uma proposta concreta. A expectativa, no entanto, é que a proximidade com Scott Coker, proveniente da época em que os dois trabalharam juntos no Strikeforce, faça com que a organização financiada pela Viacom saia com vantagem nesta disputa. Caso assine com o Bellator, Larkin pode chegar rapidamente a uma disputa de título e terá grandes lutas a realizar em uma das melhores categorias da promoção.

Bibiano Fernandes – ONE Championship

Matt Hume entre o campeão dos galos do ONE FC Bibiano Fernandes e o melhor peso mosca do mundo, o campeão do UFC Demetrious Johnson

Especulado como possível contratação do UFC, em 2012, Fernandes optou por assinar com o ONE Championship e lá se tornou seu mais dominante campeão, tendo defendido o cinturão dos galos em cinco oportunidades, a última delas em dezembro, uma decisão dividida contra Reece McLaren. Especializado em superar adversários jovens e talentosos, mas ainda pouco experientes no cenário asiático, o brasileiro é o lutador mais velho dos elencados.

Esta foi uma das decisões mais difíceis da lista e isso tem a ver com o fato de que o UFC deve ter interesse em contratar Bibiano. Contudo, ele já se encontra na porção final de sua carreira e tem um bom salário na Ásia. Além disso, o ONE recentemente viu sua principal estrela, o japonês Shinya Aoki, perder seu cinturão, o que torna o brasileiro seu nome mais forte no momento, por conta da dificuldade de Ben Askren lutar com frequência. Isto deve levar a organização de Victor Cui a oferecer uma boa quantia para garantir a renovação e o lutador provavelmente aceitará.

Justin Gaethje – Bellator

Um dos lutadores mais empolgantes da atualidade, Gaethje ainda não está livre do contrato com o WSOF, uma vez que ainda tem uma luta por fazer. Todavia, o tempo pelo qual assinou expira em fevereiro e ele se tornará apto a fechar com a organização que quiser.

Aqui temos provavelmente a opção mais surpreendente. Por mais que seja um dos nomes mais fortes do WSOF, Gaethje recebe um salário que dificilmente será mantido – sua bolsa para o WSOF 23 foi de US$100 mil dólares – e não deve ter vida fácil no UFC em uma das categorias mais difíceis do MMA e com um estilo de luta muito franco. Assim, apesar das cinco defesas do título dos leves, ele deverá aceitar uma redução em seus ganhos. Como esse corte provavelmente será muito drástico se fechar com o UFC, a expectativa é de que Justin acabe assinando com o Bellator e proporcione guerras contra Michael Chandler, Ben Henderson, Patricky Pitbull e outros.

Marlon Moraes – UFC

Marlon Moraes, um dos melhores lutadores peso por peso fora do UFC, está sem contrato. E agora?

Nenhum outro nome nesta lista reúne tanto interesse do público do MMA em ser visto atuando no mais alto nível de competição. Maior vencedor da história do WSOF, Moraes está em uma sequência de 13 vitórias, sendo 11 delas na organização de Ray Sefo, incluindo a conquista do título dos galos e mais cinco defesas bem sucedidas. Com triunfos sobre nomes fortes como Josh Hill, Naldo Silva e Sheymon Moraes, o brasileiro já praticamente varreu todos os maiores desafios que a categoria poderia lhe proporcionar e é visto pela maior parte da mídia especializada como um dos melhores lutadores do mundo na divisão.

Na última vez que esteve sem contrato, Marlon optou por renovar com o WSOF e recebeu 180 mil dólares em sua última bolsa declarada, no WSOF 32 (90 mil por aparecer e bater o peso e outros 90 mil pela vitória). Após sua vitória no evento da virada do ano, o brasileiro se tornou agente livre novamente e cada vez mais demonstra interesse em realizar o salto para o UFC. Ele por diversas vezes deu declarações dizendo que venceria Dominick Cruz quando este era o campeão e, agora, já está desafiando o recém-coroado Cody Garbrandt. Caso decida por efetivamente assinar com o UFC, Marlon chegará brigando por uma vaga no top 5 da divisão e pode disputar o cinturão com apenas uma ou duas boas vitorias.

Concordam com as análises ou acreditam em um destino diferente para algum dos lutadores listados? Deixem suas opiniões nos comentários.