Dia Internacional da Mulher: As 5 melhores lutas femininas da história do UFC

Dia Internacional da Mulher: As 5 melhores lutas femininas da história do UFC
MMA

No contexto das lutas femininas por melhores condições de vida, o MMA Brasil presta uma homenagem às mulheres elencando os melhores combates que elas travaram no octógono mais famoso do mundo.

Hoje, 8 de março, é a vez de o mundo celebrar o Dia Internacional da Mulher. Numa sociedade machista como a humana, é necessário fazer as pessoas se darem conta que as mulheres devem ser respeitadas todos os dias. Enquanto acontecerem casos de estupro, assédio, violência doméstica e tantos outros, esse dia será necessário para lembrar a todos da importância delas na nossa sociedade.

Em quatro anos de UFC, as mulheres protagonizaram diversos combates incríveis e que definitivamente prenderam nossa atenção. Neste dia especial, o MMA Brasil relembra as cinco melhores lutas femininas que já aconteceram dentro do octógono. Confira em ordem cronológica.

Cat Zingano vs. Miesha Tate (TUF 17 Finale – Abril de 2013)

Dois meses após Ronda Rousey levar o seu primeiro braço pra casa como atleta do UFC, ficou decidido que a primeira desafiante sairia do duelo entre Miesha Tate e Cat Zingano, realizado no TUF 17 Finale, no dia 13 de abril de 2013, no Mandalay Bay, em Las Vegas.

A emocionada Cat entrou ao octógono e acabou vendo a mais experiente Miesha tomar ação do combate, impondo o seu wrestling e o jiu-jítsu nos dois primeiros assaltos, derrubando, golpeando, passando guarda, chegando à montada e tentando finalizar o combate, abrindo dois rounds de vantagem.

No terceiro, o espírito Rocky Balboa de Zingano deu a sua primeira aparição no UFC. Ela derrubou, passou a guarda e começou a despejar socos e cotoveladas no rosto de Tate, que teve o nariz detonado. Após uma tentativa de se levantar, Tate acabou parando no mortal thai clinch de Zingano, que soltou joelhadas e cotoveladas até a rival estatelar-se no solo. Uma ótima forma de começar uma trajetória no UFC.

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Ronda Rousey vs. Miesha Tate (UFC 168 – Dezembro de 2013)

O plano era Ronda Rousey defender o título do peso galo contra Cat Zingano após as duas serem treinadoras do TUF 18, mas uma grave lesão no joelho acabou retirando a desafiante da oportunidade pelo título. Com uma categoria ainda despovoada, o UFC foi obrigado a recorrer a um segundo combate contra Miesha Tate, derrotada por Ronda na época do extinto Strikeforce (sdds).

Ronda Rousey prepara o bote que finalizou Miesha Tate (Foto: Jayne Kamin-Oncea/USA TODAY Sports)

Ronda Rousey prepara o bote que finalizou Miesha Tate (Foto: Jayne Kamin-Oncea/USA TODAY Sports)

A rivalidade foi muito bem trabalhada no reality show e o palco foi bem escolhido. A MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, abrigou na mesma noite a esperada revanche entre Anderson Silva e Chris Weidman.

Com um nível de adrenalina alto, Miesha partiu para o combate com uma estratégia de brigar com a campeã, que se aproveitou das inúmeras falhas para aplicar belas quedas e trabalhar posições no solo. Tate sempre foi gladiadora e uma das provas foi na revanche contra Ronda, quando conseguiu se defender do explosivo início e chegou a levar a então campeã para o terceiro round.

A inteligência e a genialidade de Rousey prevaleceram terceiro assalto. Apesar de uma queda de Tate, a loira arrumou o seu famoso armlock, tão manjado quanto a cortada pra esquerda de Arjen Robben, mas que sempre dá certo. Oito vitórias e oito armlocks.

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Cat Zingano vs. Amanda Nunes (UFC 178 – Setembro de 2014)

Eu citei que Cat Zingano ganhou um espírito de Balboa em sua estreia no UFC. O capítulo II dessa incrível história aconteceu no UFC 178, no dia 28 de setembro de 2014, na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas.
Além da terrível lesão no joelho, que resultou na perda de sua oportunidade pelo título, Zingano também teve que superar a morte do marido e técnico Maurício Zingano, que cometeu suicídio no início daquele ano.

Amanda não tinha nada a ver com os problemas de Cat e tratou de conseguir uma queda logo no início do combate. Ela começou a bater. Bateu, açoitou, esmurrou, cotovelou a americana, que brigava para sair da posição. Amanda parecia estar perto de vencer e decidiu tentar uma finalização, que acabou não dando certo e abriu uma janela de recuperação para Zingano, que, ainda no primeiro round, aplicou uma queda plástica.

Veio o segundo assalto e o espírito Balboa de Zingano apareceu novamente quando ela conseguiu derrubar a brasileira ainda nos segundos iniciais. Cat mostrou sua superioridade durante o round inteiro, mantendo o controle e aplicando fortes socos e cotoveladas na brasileira.

O terceiro round chegou com Amanda visivelmente cansada, virando presa fácil para outra queda de Zingano, que rapidamente chegou à montada e começou com a escorraçar Nunes com duras cotoveladas, que terminaram de abrir um corte abaixo do olho da brasileira. Sem demonstrar defesa, a “Leoa” viu o árbitro interromper a luta e coroar uma vitória sensacional de Cat Zingano, que não se segurou e foi às lágrimas.

Confesso que nunca chorei com MMA, mas qualquer um que conheceu a história de Zingano pode ter facilmente chorado junto dela naquele 28 de setembro.

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Miesha Tate vs. Holly Holm (UFC 196 – Março de 2016)

Não é muito difícil apontar certos grandes nomes do MMA que nunca foram detentores de cinturão do UFC. Sempre lembraremos de Pedro Rizzo, Urijah Faber, Dan Henderson e, até o dia 4 de março do ano passado, citávamos Miesha Tate como uma grande lutadora que ainda não tinha o título, muito por mérito de uma tal Ronda Rousey, que a finalizou em duas oportunidades.

A história de Miesha começou a mudar quando Ronda foi brutalmente nocauteada por Holly Holm, que virou o novo fenômeno do UFC. Muitos acreditavam que o estilo de Holm era imbatível, a boxeadora ganhou um apelo midiático gigantesco, aparecendo em diversos programas de televisão e ganhando espaço no mesmo card de Conor McGregor vs. Nate Diaz para a sua primeira defesa de título, contra a veterana Tate.

Miesha Tate vibra após finalizar Holly Holm

A luta começou da forma que todos esperavam, com Holly usando os chutes para pontuar e controlar a distância sobre Miesha, que visava a queda, mas não tinha sucesso e era vítima dos diversos golpes aplicados pela campeã. No segundo round, a situação mudou repentinamente. Tate finalmente conseguiu quedar e chegou a ter o domínio das costas de Holm. O mata-leão não veio, mas ficou próximo, bem defendido por Holly.

A campeã decidiu adotar outra estratégia. Passou a ser mais conservadora, lançando diversos golpes longos e retos, passou a ficar mais ligada nas entradas de queda de Miesha, acertava ótimos golpes de encontro. Com o domínio do terceiro e do quarto assaltos, tudo se encaminhava para a primeira defesa de cinturão com sucesso para a “Filha do Pastor”.

Naquela hora, apenas cinco minutos restavam para Miesha Tate. Cinco minutos que poderiam afirmar o status de “vice” ou “nunca serão” para a atleta de Washington, mas o MMA sempre nos traz momentos sensacionais e esse foi um deles. Faltando dois minutos, Tate joga um Hail Mary, finalmente consegue derrubar a campeã, pegou as costas e iniciou o projeto de mata-leão. Holm estava desesperada, tentou ficar de pé e deixou o pescoço totalmente desprotegido. Miesha consegue encaixar o mata-leão e apaga Holly Holm com apenas 90 segundos restantes no combate. Vitória histórica!

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Joanna Jedrzejczyk vs. Cláudia Gadelha II (TUF 23 Finale – Julho de 2016)

Uma das grandes rivalidades do MMA feminino é entre a polonesa Joanna Jedrzejczyk e a brasileira Cláudia Gadelha. A história delas começou em 2014, quando fizeram um bom combate no UFC On FOX 13 e que terminou com uma controversa vitória de Joanna por decisão dividida. As duas já tinham se provocado antes do primeiro combate e as provocações continuaram desde o polêmico resultado.

Joanna Jedrzejczyk aplica soco em Cláudia Gadelha

Com Joanna campeã e Cláudia como desafiante, elas foram escaladas para treinar a 23ª temporada do The Ultimate Fighter, quando os ânimos definitivamente ficaram agitados. O MGM Grand Garden foi o palco da guerra épica que aconteceu no dia 8 de julho de 2016.

Jedrzejczyk é considerada a melhor striker do MMA feminino. Porém, foi surpreendida com apenas cinco segundos de luta com um jab de Gadelha que a levou ao chão pela primeira vez na luta. Cláudia começou a mostrar o seu poder no solo, mantendo as costas da campeã no tablado e aplicando diversas quedas nos dois primeiros rounds.

No terceiro assalto, a situação começou a mudar. Apesar de Cláudia ter acertado uma cotovelada que quase levou Joanna a knockdown pela segunda vez, a campeã viu que a desafiante já tinha perdido parte do gás e começou a aplicar o seu forte jogo de muay thai, com rápidas combinações de socos, chutes frontais e baixos.

O monólogo de Joanna continuou nos últimos dois assaltos, aproveitando de uma Cláudia cansada, que virou presa fácil para a rapidez e precisão da polonesa, que, com placares de 48-46. 48-45 e 48-46, concluiu a sua terceira manutenção de cinturão.

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Menções honrosas

Holly Holm vs. Ronda Rousey (UFC 193)
Rose Namajunas vs. Karolina Kowalkiewicz (UFC 201)
Joanna Jedrzejczyk vs. Cláudia Gadelha (UFC On FOX 13)
Joanne Calderwood vs. Cortney Casey (UFC Fight Night 72)
Leslie Smith vs. Irene Aldana (UFC On FOX 22)
Amanda Nunes vs. Valentina Shevchenko (UFC 196)
Rose Namajunas vs. Tecia Torres (UFC On FOX 19)

  • Bruno Moraes da Costa

    Concordo integralmente com as lutas escolhidas!

    Miesha terá sua ausência muito sentida no octógono, altas lutas maneiras.

  • James sousa

    essas duas lutas da Zingano foram sensacionais principalmente a contra a Amanda por tudo que aconteceu com ela

  • Rafael Oreiro

    Excelente ideia de texto, Biel! Muito importante valorizar as mulheres, ainda mais em um meio totalmente machista como o MMA, não só para lutadoras como para qualquer mulher que queira acompanhar o esporte também. Fica aqui todo o meu respeito para todas as leitoras aqui do site e o desejo de que um dia nossa sociedade consiga ser igualitária como deveria ser faz muito tempo.

  • Leo Corrêa

    A comemoração da Cat Zingano após vencer a Amanda foi uma das cenas mais emocionantes do MMA. Coisa de filme.

  • Malk Suruhito

    Então, por maioria de votos e alegria de Lucas Rezende, Tate é a campeã de grandes lutas.

  • Jessica Bate-Estaca vs Angela Hill poderia estar nas menções honrosas.

  • Digodasilva

    Tentando ler a matéria desde a publicação e só consegui agora. Muito boa 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾