Por Alexandre Matos | 08/03/2015 16:32

Hoje, 8 de março, é a vez do mundo celebrar o Dia Internacional da Mulher. Numa sociedade machista como a humana, é necessário fazer as pessoas se darem conta que as mulheres devem ser respeitadas não só em um, mas nos 365 dias do ano. Enquanto casos abjetos de violência doméstica, estupros, mulheres sendo preteridas profissionalmente por serem… mulheres!, e mais um sem-número de barbaridades que elas vivem diariamente, este dia precisará sempre ser celebrado como um aviso àqueles que insistem em permanecer na Idade Média em pleno século XXI.

Sendo assim, o MMA Brasil faz uma breve homenagem às mulheres que lutam, já que isso é o que elas mais fazem em todos os cantos da sociedade há muitos e muitos anos. Separei cinco das mais importantes lutadoras da história do MMA, usando os mais diversos motivos. Ei-las:

5. Liz Carmouche

Liz Carmouche

Liz Carmouche

A americana Liz Carmouche tem motivos de sobra para integrar a lista. Ela foi a primeira mulher a pisar numa balança do UFC para uma pesagem oficial e a primeira a pisar no octógono para lutar. Além disso, foi a que mais perto chegou de vencer Ronda Rousey, outra integrante dessa lista. Porém, ela foi ainda mais importante que isso.

Carmouche, ex-integrante das Forças Armadas americanas, foi a primeira atleta, homem ou mulher, a defender abertamente a causa dos homossexuais, bem como sua opção sexual, na principal organização do MMA mundial. E ela fez isso na primeira luta feminina da história do UFC, que atraiu interesse e curiosidade de segmentos distantes do mundinho do MMA. Uma mulher entrando para lutar com um protetor bucal com as cores da bandeira LGBT foi um grande aviso ao mundo que todos devem ser respeitados em igualdade de condições e que ninguém tem nada a ver com as escolhas individuais de cada um.

Obrigado, Liz.

4. Cristiane “Cyborg” Justino

Cristiane "Cyborg" Justino

Cristiane “Cyborg” Justino

Esqueça a polêmica do doping, esqueça que muita gente pensa que ela usou substâncias proibidas a vida inteira. Cristiane Cyborg é uma das melhores lutadoras de MMA de todos os tempos, em qualquer categoria, e a que mais causa clamor popular pela contratação do UFC. E ainda venceu a primeira luta feminina a encabeçar um evento de primeira linha, contra Gina Carano, em 2009.

A carreira de Cris no MMA é marcada pelo hábito de estirar gente no chão. Nenhuma lutadora até hoje igualou a força física que a curitibana mostra nos cages. E Cris faz isso com técnica e com uma vontade de trabalhar imensa – enquanto amargou uma suspensão, passou o tempo se dedicando a evoluir também no jiu-jítsu, conquistando diversos títulos nas mais importantes modalidades da arte suave.

Hoje, o nome de Cyborg é unânime como a única capaz de vencer Ronda. A cada nocaute obtido pela brasileira e a cada braço coletado pela americana, os pedidos para casar a luta mais importante da história do MMA feminino (ou do MMA como um todo) só aumentam. Quem sabe em 2015?

As três mais importantes: Ronda Rousey, Gina Carano e Miesha Tate

As três mais importantes: Ronda Rousey, Gina Carano e Miesha Tate

3. Miesha Tate

Miesha Tate

Miesha Tate

Para as mulheres chegarem ao UFC, foi preciso um barulho tremendo e uma promoção muito bem executada sobre uma disputa de cinturão no Strikeforce. Para atrair tanto interesse, não bastava apenas Ronda Rousey. A também americana Miesha Tate foi fundamental no processo de expandir de vez as fronteiras do MMA feminino.

Miesha foi a arquirrival dos sonhos (dos promotores) de Rousey: também bonita, também provocadora, também boa lutadora, agressiva e ofensiva, um produto de marketing de primeira para alavancar as categorias femininas ao conhecimento público. Como todas as outras, Tate sucumbiu perante Ronda, mas foi a primeira que durou mais de um minuto e a única até hoje que levou a rainha do MMA a lutar mais de um round.

Apesar de ter perdido duas vezes para Rousey, Tate pode correr atrás da terceira chance contra sua nêmesis. Ela acumula hoje três vitórias consecutivas, inclusive sobre Sara McMann uma ex-desafiante da categoria. Com mais dois triunfos, aproveitando-se do fato de Ronda ter quase limpado a divisão, Miesha pode se colocar em nova disputa de cinturão, num combate que provavelmente atrairia interesse público, ainda que o resultado seja previsível.

2. Gina Carano

Gina Carano

Gina Carano

Antes de Rousey fazer o mundo prestar atenção no MMA feminino, outra americana abrira o espaço para a loira brilhar. Gina Carano foi a mais emblemática lutadora da década passada, eleita a quinta mulher mais influente de 2008, primeira lutadora de MMA a posar para as capas da Maxim e da ESPN Magazine Body Issue, a terceira pessoa mais procurada no Yahoo! em 2008 e a que mais crescia no Google, no mesmo ano.

A morena abandonou a carreira de lutadora quando se tornou mais uma vítima da fúria de Cyborg, a única derrota em oito lutas profissionais. Carano fez a primeira luta feminina da história do Strikeforce e a primeira a ser televisionada nos Estados Unidos, pelo importante canal a cabo Showtime, que hoje detém os direitos de transmissão de Floyd Mayweather Jr.

Desde que anunciou a aposentadoria, Carano foi insistentemente procurada a voltar primeiro pelo Strikeforce, depois pelo UFC (que detém seu contrato oriundo da compra do Strikeforce) e por fim pelo Bellator. Porém, Gina não parece interessada em trocar uma carreira de sucesso em Hollywood por voltar a tomar soco na cara. Como atriz, Carano atuou em produções importantes ao lado de Ryan Reynolds, Michelle Rodriguez, Michael Fassbender Dwayne “The Rock” Johnson e Michael Jai White, dentre outros. Ela também vai atuar ao lado de Georges St. Pierre na refilmagem de “Kickboxer”, clássico dos anos 80 de Jean-Claude Van Damme.

1. Ronda Rousey

Reparou que, em todas as descrições acima, o nome de Ronda Rousey foi citado? Só isso já justificaria sua primeira colocação, mas a rainha do MMA é ainda maior do que isso.

Dana White disse que jamais colocaria mulheres para lutar no UFC. Isso mudou quando ele conheceu Ronda Rousey na grande promoção para a primeira luta contra Miesha Tate. O presidente do UFC se rendeu a “Rowdy”, abriu duas divisões femininas (e rumores dão conta que está para abrir a terceira) e a colocou para liderar os pay-per-views do UFC 157, UFC 170 e UFC 184, além de ter coliderado os sucessos de bilhereria do UFC 168 e UFC 175.

Ronda é um monstro no octógono (gastou na carreira os mesmos 25 minutos que Chris Weidman precisou para vencer Lyoto Machida e que Robbie Lawler passou para desbancar Johny Hendricks), é bonita, tem um sorrisão, não tem papas na língua, foi medalhista olímpica, é filha da primeira americana campeã mundial de judô, é disputada por grandes produções do cinema, como o terceiro filme da série “Os Mercenários”, estrela comerciais e posa para revistas. Ela é o sonho de qualquer promotor por atrair hordas de veículos que cobrem celebridades, ajudando a expandir a marca do UFC.

Mesmo sendo a mais dominante campeã do UFC na atualidade, Ronda continua atraindo muita atenção para suas lutas. E isso pode tomar um novo patamar caso Cristiane Cyborg consiga bater o peso da categoria dos galos e se juntar ao plantel do UFC. Não duvide que este combate seja um dos mais importantes, senão o mais, da história.

Gostou da lista ou tem mais alguma menina que merecia estar aqui?

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.