Por Idonaldo Filho | 30/10/2019 10:03

O projeto De Olho no Futuro encerra sua passagem pelos meios-pesados ao destacar alguns dos principais prospectos da categoria. A ideia aqui é selecionar atletas que ainda são crus e estão mais na fase inicial das carreira, mas que, no futuro, podem conquistar posições relevantes nos grandes eventos. É importante lembrar que tentamos excluir lutadores que já estão no UFC, no Bellator ou que já ocupam posições de maior importância nos grandes eventos regionais.

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Nessa segunda parte, apresentaremos três lutadores americanos destacados, dois com textos maiores e um deles como menção honrosa.

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Alex Polizzi (5-0) – Estados Unidos – 27 anos

Mais um lutador que vem do circuito de wrestling universitário americano, Alex Polizzi está invicto em sua carreira. Sua vitória mais relevante até qui veio diante de um ex-lutador do UFC em Daniel Jolly. Ele participou da Divisão I da NCAA pela Universidade de Northwestern na categoria até 197lbs (89,4kg), mas não teve tanto destaque. Polizzi treina na Chosen Few Gym, academia que conta com alguns prospectos de bom nível, como o semifinalista da PFL, Alex Gilpin. Atuando pelo Chosen Few FC – evento de sua academia -, se destacou e chamou a atenção da LFA e do FFC, nos quais fez suas últimas aparições. Todas as suas lutas acabaram em interrupção, nunca atingindo o terceiro assalto, e, ao juntar sua carreira amadora e profissional, são 11 vitórias em sequência.

Polizzi é um atleta muito agressivo e que sempre busca colocar o adversário no chão. O wrestling de Polizzi é bem plástico e faz uso da sua grande força física, com habilidade em suplês. Alex geralmente busca se aproximar do adversário e grudar nele, realizando assim as quedas. O seu jogo de transições é muito eficiente, com quadril pesado, o que permitiu manter o controle posicional tranquilamente sobre a oposição que enfrentou. “Eazy” tem como objetivo sempre a montada, o que conseguiu de forma fácil até aqui. Socos são jogados a todo o momento e cotoveladas violentas são a principal arma do americano por cima.

Ainda há muito o que melhorar na trocação. Polizzi é muito verde defensivamente e não movimenta a cabeça, o que torna seu rosto um alvo para jabs. Não só a defesa de golpes precisa de melhorias, mas também é possível perceber que há muito receio por parte do atleta de usar as mãos. Ele golpeia pouco, na maior parte das vezes em linha reta, quando tenta mostrar poder nos punhos. Também ataca com chutes baixos vez ou outra, mas não impressiona em pé.

Mesmo pecando em um fundamento importante como a trocação, o futuro de Polizzi empolga. Com um nível acima da média no atleticismo, resiliência e bom condicionamento, Alex deve se consolidar no cenário regional e receber o chamado de um evento maior. Isto é ajudado pelo fato da categoria ser fraca por natureza, inclusive no cenário americano. Como vem subindo o nível de oposição gradativamente e já teve compromissos mais relevantes, espera-se que siga evoluindo e mostrando de fato seu potencial.

Emilio Trevino (5-0) – Estados Unidos – 23 anos

Mais um jovem americano, Emilio Trevino mostrou muita versatilidade ao longo das cinco lutas de sua carreira. Trevino conta com dois nocautes, uma finalização e duas decisões até aqui, passando pelo Bellator e fazendo sua última luta na LFA. Treinando em Boise, Idaho – onde fez a maior parte da carreira -, Trevino não é um meio-pesado grande e pode muito bem ir para o peso médio, tendo somente 1,83m e não sendo corpulento – pelo contrário já que apresenta certa fragilidade física.

Emilio não é um lutador de muito volume de golpes, atuando na base de carateca e buscando atingir o adversário com contragolpes. Faz bom uso da distância e aplica bem golpes retos, embora não tenha muita potência. Impressiona a velocidade dos golpes, que parece compensar a ausência de poder de definição em um único golpe. A sua defesa ainda é deficiente e ele deve melhorar tanto a guarda, quanto a movimentação, além de aplicar sequências mais longas.

Bastante versátil, Trevino é uma ameaça também no grappling. Ele mostra bom domínio no clinch e seu jogo de quedas foi eficiente contra a oposição que enfrentou, derrubando o oponente inclusive em situações de dificuldade enquanto está sendo pressionado. O controle posicional é bom, mas ainda há espaço para melhorias, podendo ser menos afobado, por mais que faça as transições corretamente – principalmente ao buscar as costas. Ativo no chão, Trevino tem uma boa variedade de golpes para atacar no ground and pound. Até hoje mostrou bom condicionamento e conseguiu atuar tranquilamente em três assaltos completos.

Emilio é de fato um lutador do MMA, já que não domina com perfeição nenhuma área em específico, mas é competente em todas elas. Um dos pontos mais impressionantes sobre ele é que parece saber exatamente o que deseja fazer nas lutas. Ele possui um estilo e entende o passos que precisa seguir e quando misturar as artes. Lutador leve, ágil e novo, Trevino estará no caminho certo se seguir na LFA. Falta seguir para uma academia maior, em que possa desenvolver sua defesa e aperfeiçoar seu estilo, pois tem tudo para surpreender em uma categoria como os meios-pesados.

Menção Honrosa: Nick Maximov (3-0) – Estados Unidos – 21 anos

Wrestler na Divisão I e All-American da NJCAA, Nick Maximov é o mais jovem da lista e também tem tudo para ser um bom valor no futuro. Maximov é parceiro de treino de Nick Diaz e Nate Diaz, além de outros bons lutadores como Jake Shields, Gilbert Melendez e Kron Gracie. O americano, além do histórico no wrestling, é adepto de competições de submission, com participações em seletiva de ADCC e sendo presença frequente no Submission Underground – evento de grappling de Chael Sonnen. Alternando entre a categoria dos médios e meios-pesados, Nick obteve um cartel de 6-0 como amador e segue invicto como profissional em três lutas realizadas. Não há muito material de luta, o que explica o fato de estar classificado como menção honrosa. Contudo, se trata de um lutador bem acima da média na luta agarrada e bastante jovem ainda, tendo muito tempo para evoluir, principalmente ao considerar que está cercado de veteranos de sucesso.