Por Gabriel Carvalho | 09/04/2017

Depois de 22 anos, o UFC voltou à cidade de Buffalo, em Nova Iorque, mas poucas pessoas pensavam que o UFC 210, que atraiu 17.100 pessoas ao KeyBank Center, proporcionaria tantos combates animados, controvérsias, anúncios surpreendentes e até teatro.

Daniel Cormier e Anthony Johnson voltaram a se enfrentar 23 meses depois do combate do UFC 187 pelo cinturão dos meios-pesados, agora com Cormier como detentor do título. A peleja começou com Johnson surpreendendo todo mundo, evitando permanecer muito tempo na troca de golpes e buscando o clinch na grade com o ex-capitão da seleção americana olímpica de wrestling. Cormier chegou a reverter a posição, mas, por falta de ação, o árbitro John McCarthy colocou-os de volta ao centro do octógono. Johnson partiu ferozmente contra o campeão, que conseguiu segurar o seu ímpeto, mas levou uma queda na hora que a buzina tocou. Saímos com 10-9 para o desafiante.

O segundo assalto abriu com Cormier arriscando um chute e levando o combate para o clinch. Johnson tentou surpreender e aplicou uma queda, mas o incansável Cormier quicou, se levantou e conseguiu levar o desafiante ao solo, logo pegando suas costas. Depois de um bom tempo trabalhando socos no ground and pound, DC encaixou o mata-leão, que forçou “Rumble” a batucar pela quinta vez em sua carreira, oficializando a segunda manutenção de título de Daniel Cormier.

A entrevista pós-luta teve um final digno de M. Night Shyamalan. Johnson chamou seu técnico Henri Rooft para o octógono e decidiu anunciar sua aposentadoria oficial do MMA aos 33 anos de idade, deixando um cartel de 22 vitórias e 6 derrotas como profissional. Anthony foi aplaudido pela maioria do público presente em Buffalo.

Quando o microfone foi passado a Daniel Cormier, os aplausos viraram vaias, e o campeão teve o seu momento WWE ao provocar Jimi Manuwa e o “amigão” Jon Jones. Esperamos que o segundo enfrente DC em breve.

Com lambança da comissão, Gegard Mousasi vence Chris Weidman

O peso médio Gegard Mousasi conseguiu a quinta vitória seguida no UFC, com certeza a mais controversa que teve dentro do UFC. Ele derrotou o ex-campeão Chris Weidman em um desfecho que vai dar pano para manga por algum tempo.

Weidman mostrou superioridade no início do combate, controlando bem a distância e acertando boas entradas de queda sobre Mousasi. Apesar de não ter obtido êxito ao controlar o iraniano-holandês-armênio no solo, as três quedas aplicas pelo “All-American” garantiram o 10-9 no primeiro round.

No segundo, Mousasi conseguiu entrar na luta de vez e abalou Weidman pela primeira vez ao conectar um jab e um uppercut, forçando o ex-campeão a recuar. Apesar da blitz, Gegard surpreendeu e decidiu levar a luta para o chão, mas foi bloqueado por Chris. Mousasi então aceitou uma queda de Weidman e viu o americano chegar na montada, mas Chris decidiu abrir mão da posição e retornar para a luta em pé. Ao tentar uma nova queda, Weidman foi bloqueado por Mousasi, que decidiu jogar uma joelhada. Chris foi malandro e deixou as duas mãos no solo no momento da segunda joelhada do europeu. o árbitro Dan Miragliotta interpretou o golpe como ilegal e interrompeu o combate.

Inicialmente, tudo parecia ser apenas um simples golpe ilegal, que não deveria prejudicar o andamento da luta, mas Miragliotta foi informado fora do octógono que a joelhada de Mousasi foi legal. Mesmo com Weidman demonstrando que queria continuar o combate, Miragliotta foi recomendado pelo médico a encerrar a luta, dando a vitória por nocaute técnico para Gegard Mousasi. Os dois mostraram insatisfação com o ocorrido e já manifestaram interesse em uma revanche.

Cynthia Calvillo vence a segunda no UFC em dois meses

Com menos de 10 meses como profissional e menos de dois no UFC, a peso palha americana Cynthia Calvillo deu outra ótima apresentação de grappling e assegurou a segunda vitória seguida na maior organização do mundo, finalizando a estreante Pearl Gonzalez no terceiro round.

Atleta do Team Alpha Male, Calvillo se mostrou superior desde o início, movimentando-se muito mais e conectando mais golpes em Gonzalez, que aparentava certo nervosismo por conta da estreia. Com poucas chances em pé, Pearl decidiu levar o combate para o clinch, mas viu Cynthia derrubá-la e ajustar um belo triângulo, que não conseguiu acabar com o combate por falta de tempo.

No segundo assalto, o ritmo aplicado por Calvillo na trocação se manteve, forçando Gonzalez a procurar uma alternativa no solo. A estratégia momentaneamente deu certo, com Pearl caindo montada sobre Cynthia e tentando um armlock. Calvillo teve calma para escapar da posição e não precisou de muito tempo para chegar nas costas, mas, desta vez, o que faltou foi o ajuste para a luta ser encerrada.

No terceiro round, Pearl veio com senso de urgência e buscou acertar a oponente em pé, mas deu margem para mais uma queda de Calvillo, que, com muita calma, chegou nas costas novamente e conseguiu encaixar o mata-leão, forçando a desistência de Gonzalez.

Thiago Pitbull tem boa apresentação e aposenta Patrick Côté

A volta dos que não foram. Depois de uma tentativa frustrada de baixar para o peso leve, Thiago Pitbull finalmente conseguiu se apresentar bem dentro do octógono, vencendo o veterano canadense Patrick Côté.

A luta começou com o estilo de Thiago na fase pré-GSP, soltando diversos chutes baixos nas partes externa e interna da coxa de Côté, que buscava encurralar o brasileiro e até conseguia acertar um golpe ou outro, mas sempre atrás do ritmo do brasileiro. Já perto do final do round, Alves mandou um belo cruzado de direita, que levou Patrick ao solo. Thiago tentou encerrar o combate, mas o canadense segurou o brasileiro até o fim.

No segundo assalto, Côté mudou a estratégia e buscou o clinch com Pitbull, que conseguiu se desvencilhar da posição e atingiu ótimos socos de esquerda em um dos momentos de troca franca. Continuando a usar os chutes, Thiago acabou engolindo alguns golpes de Patrick, que avançou confiante e levou uma direita no nariz, caindo de joelhos, mas novamente sobreviveu até o fim do assalto.

No terceiro round, o senso de urgência do “Predador” apareceu e ele chegou a conectar uma boa esquerda no brasileiro, que decidiu não se arriscar muito e levou a luta ao solo, ficando na guarda de Côté. Alves conseguiu controlar o combate lá por muito tempo e ficou de pé para o minuto final, quando o canadense decidiu ligar o ventilador para buscar um nocaute, mas não obteve sucesso.

Na decisão oficial, placar triplo de 30-27 a favor de Thiago Pitbull. Emocionado, chorando, Patrick Côté jogou suas luvas no centro do octógono para simbolizar a sua aposentadoria do MMA, aos 37 anos de idade.

Charles do Bronx finaliza Will Brooks e se aproxima de recorde

De volta ao peso leve, Charles do Bronx conseguiu uma importante vitória ao finalizar o ex-campeão do Bellator Will Brooks ainda no primeiro round. Além do importante triunfo, Charles chegou ao impressionante número de 12 finalizações em sua carreira no UFC, empatando com Nate Diaz e Demian Maia na segunda posição, ficando apenas atrás de Royce Gracie como o maior finalizador da história do UFC.

O combate começou com o brasileiro inserindo uma certa pressão com os chutes, uma de suas principais características. Ele não teve muitas dificuldades para colocar Brooks no chão e logo pegou as costas do americano, mesmo com ele em pé. Em movimento parecido com o da sua finalização sobre Efrain Escudero, Oliveira conseguiu forçar a desistência de Will com um mata-leão na exata marca de 2:30 do primeiro round.