Daniel Cormier defende cinturão ao vencer uma guerra contra Alexander Gustafsson

Numa guerra repleta de sangue e hematomas, Daniel Cormier mostrou mais gana e manteve o cinturão dos meios-pesados com uma vitória sobre Alexander Gustafsson, na luta principal do UFC 192.

O cinturão dos meios-pesados do UFC não vai a lugar algum. Neste sábado, diante de 14.622 torcedores no Toyota Center, em Houston, o campeão Daniel Cormier derrotou o desafiante Alexander Gustafsson na luta principal do UFC 192, uma batalha de sangue e hematomas.

Cormier usou o wrestling para vencer o primeiro round, colocando o sueco no chão com uma queda de grande amplitude – Gustafsson chegou a ficar de cabeça para baixo no ar – e seguindo com um trabalho de transições e ground and pound. Parecia que a luta obedeceria um script padrão, mas, conforme o Fator-X da coluna Choque de Titãs havia dito, os atletas mudaram os papéis imaginados.

A partir do segundo assalto, a movimentação lateral de Gustafsson passou a funcionar melhor. Ele conseguiu acertar boas combinações de socos, usar bem o jab e até surpreender o semifinalista olímpico de wrestling derrubando-o em mais de uma ocasião. Vendo que sua principal arma também estava ao lado do oponente, Cormier passou a caçar Gustafsson agressivamente pelo octógono e chegou a virar o segundo round na base do boxe, encurtando a distância para lançar combos ou punir Gustafsson com uppercuts.

Num desses avanços de Cormier, ele sofreu uma joelhada potente, ficou desnorteado, recebeu mais um par de socos e foi a knockdown. Gustafsson cresceu na luta, aumentou a eficiência de seus contragolpes e empatou a luta no final do quarto round. No quinto, Cormier foi implacável na caça ao desafiante, acabando de destruir o nariz do sueco com incontáveis uppercuts. Alex tentou levar a luta para o solo, mas a defesa de Daniel voltou a funcionar.

Ao final do combate, veredito dividido. O juiz Derek Cleary anotou 48-47 a favor de Gustafsson, mas Sal D’Amato inverteu o resultado e Kerry Hatley confirmou a vitória de Daniel Cormier com um 49-46. O MMA Brasil viu o mesmo 48-47 a favor de Cormier marcado por D’Amato. Naturalmente a luta foi bonificada como a melhor da noite e os lutadores receberam um adicional de US$50 mil cada. Os outros dois bônus saíram para o card preliminar, premiando os nocautes de Adriano Martins sobre Islam Makhachev e Albert Tumenov sobre Alan Jouban.

Ryan Bader chega à quinta vitória seguida no retorno de Rashad Evans

Está ficando cada vez mais difícil negar uma chance ao título para Ryan Bader. O vencedor do TUF 8 teve uma atuação segura e afastou o fantasma de não conseguir render em lutas importantes ao vencer Rashad Evans por decisão unânime.

Ryan Bader encontrou poucas dificuldades contra Rashad Evans (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Ryan Bader encontrou poucas dificuldades contra Rashad Evans (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Dois pontos ficaram claros neste combate. O primeiro é que Rashad deveria baixar de categoria depois de ter ficado tão menor que Bader. O segundo é que os quase dois anos de inatividade custaram caro ao ex-campeão. Evans tentou ser ofensivo, mas pareceu que estava limitado a tentar encontrar um Hail Mary salvador.

A situação de Rashad se agravou conforme o tempo passou. Mérito de Bader, que mostrou evolução na troca de golpes, mantendo o oponente sob controle com um sólido trabalho de jabs, alguns petardos de direita, inclusive uppercuts, além de um renovado arsenal de chutes, especialmente os baixos e os que atingiam o corpo, que serviram para minar a resistência de Rashad. Bader ainda aplicou quedas no segundo e terceiro rounds, apenas para garantir o resultado.

Todos os juízes marcaram 30-27 a favor de Ryan Bader, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil.

Kickboxing superior dá vitória a Ruslan Magomedov sobre Shawn Jordan

No único duelo entre lutadores não ranqueados no card principal do UFC 192, deu a lógica. O peso pesado russo Ruslan Magomedov usou o kickboxing e a defesa de quedas para superar o americano Shawn Jordan na terceira vitória por decisão em igual número de lutas no UFC.

Ruslan Magomedov venceu Shawn Jordan (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Ruslan Magomedov venceu Shawn Jordan (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Jordan até teve alguns bons momentos quando conseguiu encurtar a distância, mas o cenário comum da luta foi ele sofrendo com as combinações de socos e chutes do carateca europeu. Circulando pelo octógono, Magomedov fez bom uso de sua envergadura, mas chegou a sofrer uma queda e um contragolpe seco no primeiro round.

No intervalo, o americano disse ao córner que provavelmente tinha fraturado uma costela, fruto dos chutes de Magomedov. Jordan então tentou decidir com um petardo, chegou a acertar Magomedov contra a grade, mas o russo voltou ao controle graças à sua maior técnica.

O terceiro round mostrou Jordan sangrando nos dois olhos, punido pelas combinações de Magomedov. O russo sobrou na parcial, evitando ser pego por alguma marretada do oponente. No final, dois juízes marcaram 30-27 e um anotou 29-28, todos a favor de Ruslan Magomedov.

Joseph Benavidez vence Ali Bagautinov e se mantém na elite dos moscas

Numa categoria onde o campeão sobra, resta aos demais tentar se manter numa elite próxima. É isso que Joseph Benavidez faz entre os pesos moscas. Contra o russo Ali Bagautinov, que retornou de um ano de suspensão por doping, o representante do Team Alpha Male mostrou que, se não consegue vencer Demetrious Johnson, pelo menos não perde dos demais.

Joseph Benavidez vence Ali Bagautinov e se mantém perto de uma nova chance para disputar o título dos moscas (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Joseph Benavidez vence Ali Bagautinov e se mantém perto de uma nova chance para disputar o título dos moscas (Foto: Troy Taormina/USA TODAY Sports)

Mais rápido, Benavidez manteve uma regularidade de entrar no raio de ação de Bagautinov, acertá-lo com algum golpe pesado, especialmente com o punho direito, e rapidamente sair do alcance do daguestani. Bagautinov chegou a abrir um corte em Benavidez com um uppercut no primeiro round e aplicou duas quedas no oponente, mas não conseguiu produzir muito mais do que isso nos 10 minutos iniciais.

Atrás no placar, o russo tentou uma ofensiva no terceiro assalto. Foi o suficiente para um dos juízes laterais lhe conceder o round, mas longe de representar perigo ao americano. Joseph Benavidez venceu com uma justa decisão unânime, com dois placares de 30-27 e um 29-28.

  • Willian

    Gosto do Gustafsson e ele de mole na hora que a joelhada entrou e o DC caiu, ele precisa melhorar no ultimo round em lutas de cinturão… Perdeu pra J.Jones e DC no ultimo round em lutas parelhas e que ganharia se tivesse vencido o ultimo round. J.Jones ganha fácil do DC novamente.

    • Cara, o Jones já não ganhou facilmente a primeira do Cormier.

  • Rafael

    Bader – Nunca ousaria falar isso,mas, o cara merece disputar cinturão haha!
    E pode ser um luta muito interessante hein?! Já que todos derrubam o DC em momentos em que ele não “espera” pela “ousadia” dos adversários, Bader poderia se valer disso.

    AG – Depois dessas duas últimas duas lutas, eu cravo que ele “nunca” vai ser campeão. Mistura de “medo” excessivo, pouquíssimo senso de finalizar as lutas/aproveitar oportunidades, e certa “tolice”, foi o que pude observar nessas últimas duas lutas.

    Alguém pode me explicar como ele “aceitou” tomar tanto jab no clinch? E correr tomando “pohada” por traz? Essas duas coisas deixaram evidente sua “derrota”. Será que a “pegada” do que Cormier com uma “mão” era forte o suficiente para segurar ele? Me parece tão óbvio como sair daquela situação, sem precisar de técnica alguma.

    • rafael

      Upper no clinch***

    • Falamos dessa parada de “aceitar o clinch” no podcast. Vou colocar no ar daqui a pouco.

  • Rafael Maia

    Me surpreendi positivamente com a luta principal. Achei que o DC ganharia amarrando a luta ao estilo Phill Davis… que o Gus não ia conseguir defender o grappling monstro do DC e que a luta ficaria chata… que bom que eu estava errado!

    Apesar do Bagautinov ter perdido, ele foi bem melhor do que eu esperava também! Vi muita evolução no jogo dele, tanto em velocidade quanto em técnica!

  • Bruno Brunet

    Um bom evento, apesar de ter faltado agressividade ao Magomedov, ele venceu bem e mostrou que pode chegar ao top 10 de uma divisão tão rasa.
    Sei que vou ser minoria, mas acho que o Gustaffson venceu os rounds 2,3,4 e venceu a luta, mas aceito de boa vitória do Cormier, acho 48×47 para qualquer lado aceitável.
    E sobre o top 3 ter fechado a porta para o sueco, acho que não é bem assim. O Jones venceu em uma luta que alguns acharam que o sueco ganhou e numa luta espetacular e equilibrada, assim como foi essa com o Cormier. E essa luta me deixou ainda mais com vontade de mais para frente ver uma revanche do Gus com o Rumble.

    • Ouve o podcast que a gente falou sobre a pontuação de Cormier-Gustafsson.

      Sobre Jones-Gustafsson, acho bem mais claro que a de sábado. As duas foram equilibradas, mas as duas tiveram vencedores claros. Repare nas pontuações do MMA Decisions, foi 15-1-1 a favor do Cormier e 13-1 a favor do Jones:

      http://mmadecisions.com/decision/6500/Daniel-Cormier-vs-Alexander-Gustafsson

      http://mmadecisions.com/decision/4518/Jon-Jones-vs-Alexander-Gustafsson

      • Bruno Brunet

        Ouvi o podcast como sempre faço, deixo aqui meus parabéns para vocês pelo excelente trabalho, sempre aprendo bastante lendo e ouvindo o que o site produz.

        Sobre a forma de pontuar, eu concordo que se a luta fosse avaliada como um todo o Cormier iria vencer sem nenhuma dúvida. E acho que essa forma de julgar seria a mais justa. Mas sendo como é hoje, por rounds, acho a de sábado bem discutível. 48×47 para qualquer um dos lados é aceitável. Eu marquei para o Gustaffson, mas para o Cormier é plausível também.
        Na minha visão Jones x Gustaffson deve sim um vencedor claro e até fácil de se marcar os rounds, essa de sábado já acho um pouco diferente! Mas verei a luta uma terceira vez para ter uma opinião final kkk.

        • 48-47 pra qualquer lado é aceitável, mas o resultado não é bem discutível, saca? 48-47 Gustafsson é aquele “ok, beleza, mas dava pra ser melhor”.