Por Edição MMA Brasil | 04/12/2015

Por Rafael Frias (*)

Quem conhece a história de vida do pugilista Sergio Martínez logo pensa que é digna de um bom enredo de cinema. Porém, o documentário “Maravilla” não se trata somente da vida de conto de fadas que viveu um dos maiores ídolos argentinos. Vemos durante o filme passagens de toda a dificuldade vivida por Martínez, desde garoto pobre, quando teve que abandonar os estudos para trabalhar com seu pai e irmãos, à fuga ilegal para a Espanha, onde passou fome e teve diversos empregos.

O grande diferencial do documentário, no entanto, são sobre as dificuldades encontradas por “Maravilla” no mundo do boxe, desde seu início tardio no esporte, problemas para encontrar oponentes, valores baixíssimos de suas primeiras bolsas e, principalmente, a grande batalha contada no filme.

“Um boxeador decide recuperar o título que lhe foi injustamente retirado em uma profissão que muitas vezes menospreza a disputa esportiva em nome do entretenimento”. É com essa breve sinopse que o Netflix apresenta a história desse ótimo documentário.

O filme começa mostrando “Maravilla” como um grande pugilista, campeão dos médios e considerado o terceiro maior lutador peso por peso do mundo. Logo então se inicia a grande história que nos mostra toda a politicagem dos bastidores do boxe, em que Martínez tem seu cinturão retirado injustamente numa manobra que acabou favorecendo Julio César Chávez Jr, filho da lenda mexicana Julio César Chávez. O pugilista argentino teve que travar uma luta fora dos ringues para obter uma oportunidade de readquirir seu cinturão.

O diretor Juan Pablo Cadaveira nos fornece uma visão geral do boxe moderno, revelando a política nos bastidores onde a luta não é somente contra o oponente, mas sim contra todo um jogo de bastidores que muitas vezes coloca o entretenimento acima de tudo. Cadeveira faz isso sem tirar o aspecto emocional, reforçando o motivo pelo qual Sérgio “Maravilla” Martinez é considerado o campeão do povo.

Não contarei mais detalhes e sim convidarei os amigos para que assistam a esse ótimo documentário e venham dar suas opiniões.

(*) Rafael Frias é professor de educação física e um dos mais antigos leitores do MMA Brasil.