Cris Cyborg supera Holly Holm em dura jornada no UFC 219

Por Diego Tintin | 31/12/2017 03:15

Na última vez que as portas do octógono foram fechadas em 2017 no UFC 219, Cris Cyborg precisou de muita estratégia, fôlego, técnica e força física para superar a talentosa e valente Holly Holm, sustentar sua invencibilidade no octógono e, de quebra, o título do peso pena.

A luta começou com Cyborg apostando em golpes singulares com muita potência enquanto Holm buscava acertar a distância, mais cautelosa. Um chute bloqueado pela americana levou a luta ao clinch na grade que não rendeu nada e elas voltaram ao centro da jaula. Holm passou a circular e tentar combinações curtas, mas a resposta da brasileira era sempre mais perigosa e apesar de mais rudimentar, causava mais danos no rosto de Holm. O panorama se manteve até o fim do round e foi o suficiente para Cristiane garantir o 10-9 inaugural.

O segundo round, no que diz respeito à estratégia, repetiu o panorama do primeiro. Mas desta vez, a americana estava mais habituada com a distância e conseguiu aumentar seu volume e evitar uma boa parte dos contraataques da curitibana. Para completar, Holm controlou Cyborg no terço final da parcial, abusando dos clinches. Holly empatou a luta em 19 no soar da buzina.

No round 3, Cyborg buscou uma mudança tática, tomando mais a iniciativa e deixando Holm no papel de contragolpeadora. O ritmo ainda seguia forte de ambas as partes e a tensão só aumentava na arena. Cristiane colheu bons frutos de sua nova estratégia, carimbando mais o rosto da estadunidense, a deixando com um inchaço considerável no rosto. O fim do round foi animador para a brasileira que voltou a liderar parcialmente o placar com 29-28.

No penúltimo capítulo da luta, finalmente o primeiro sinal de desgaste, com uma queda visível no ritmo. Nenhuma das duas queriam deixar golpes adversários sem resposta e as atletas se revezavam no papel de agressora. Menos fixa e apostando mais em combinações, Holm arrancou um round de difícil pontuação. A luta iria para um último ato recheado de suspense e drama, empatada em 38-38.

Outra mudança interessante de Cyborg para a parcial derradeira. Desta vez, o fator surpresa foi uma maior mescla de socos com chutes, confundindo a defesa e a movimentação de Holm. A luta nesta altura estava ótima e já era facilmente a melhor do evento. Crescendo ainda mais no round final, Cristiane deixava nas mãos dos juízes a decisão, mas com uma forte expectativa que conseguiria manter seu cinturão após uma difícil batalha. 10-9 Cyborg no quinto round e 48-47 para ela em nossa contagem.

Os juízes confirmaram a vitória e a manutenção do cinturão com um duplo 48-47 e um 49-46, coroando a grande exibição da brasileira contra a melhor desafiante que pode enfrentar no plantel do UFC.

Filósofo de botequim. Engraçadinho de sofá. Torcedor de radinho. Guerreiro de teclado. Cantor de chuveiro. Jogador de bermudão. E analista de meia-tigela.