Copa do Mundo de Wrestling derruba barreira política em 2017 e consagra David Taylor

Em meio à crise diplomática criada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, o wrestling uniu nações rivais e finalmente consagrou o "Magic Man" David Taylor no cenário internacional.

O wrestling está de volta ao MMA Brasil! Nada melhor para voltar do que o evento que passou por cima de uma barreira política histórica, que ganhou altitude neste ano com a posse do novo presidente dos Estados Unidos. A Copa do Mundo de Wrestling, competição focada no confronto entre países, ocorreu na quinta e sexta-feira da semana passada, em Kermanshah, no Irã, e não aconteceu sem antes rolar uma grande polêmica.

A delegação americana, num primeiro momento, foi proibida de entrar no Irã, como forma de retaliação pela recente proibição da entrada de iranianos e de nacionais de diversos outros países nos Estados Unidos. Alguns dias depois, felizmente o espírito esportivo prevaleceu e foi autorizada a entrada dos americanos, sendo este um tremendo ganho para o esporte e para os fãs, já que Estados Unidos e Irã são os países que mais dão importância à Copa do Mundo de wrestling.

Pelo sexto ano consecutivo, os iranianos saíram com o ouro da Copa do Mundo, sendo que, pela segunda vez em três anos (2015 e 2017), este primeiro lugar foi decidido na última luta pelo mesmo wrestler, o veterano peso-pesado Komeil Ghasemi.

Dando seguimento à linha de destacar as melhores performances individuais, o grande nome deste torneio foi David Taylor, o “Magic Man”, em sua nova categoria de peso, até 86kg. Taylor, apesar de ter “somente” 2 títulos da Divisão I da NCAA, foi considerado por muitos um fenômeno do folkstyle wrestling com sua agressividade e condicionamento impressionantes, mas que até então não tinha gerado muitos frutos no estilo livre, com o título no US Open em 2015 sendo provavelmente seu maior feito na modalidade e consecutivas derrotas para seu arquirrival, Kyle Dake. Taylor subiu de categoria, adequando melhor o peso à sua altura, e pelo jeito fez a escolha certa. O americano teve desempenhos avassaladores contra um campeão mundial júnior, um medalhista de bronze olímpico e dois campeões olímpicos. Ele derrotou Sharif Sharifov por superioridade técnica e encostou o “queridinho” do Irã, o atual campeão olímpico na categoria até 74kg, Hassan Yazdani.

Taylor pode ser a nova cara dos Estados Unidos nessa categoria, já que o medalhista de bronze olímpico J’Den Cox vem mostrando interesse em seguir carreira no futebol americano.

Taylor contra Sharifov:

Taylor contra Yazdani:

Na categoria até 57kg, o desempenho mais dominante foi do campeão mundial e atual bronze olímpico Hassan Rahimi, do Irã. Rahimi, veterano do esporte, atua no “estilo iraniano”, de pressão o tempo inteiro. Em sua primeira luta, contra Sezar Akgul, da Turquia, dá claramente para sentir o clima de batalha e o ânimo que a torcida iraniana leva às arenas (vá aos 7:45 do vídeo para ouvir).

Em seu último embate, Rahimi venceu pela enésima vez o americano Anthony Ramos, desta vez por 6-0, com três quedas em frente à uma barulhenta torcida o apoiando. Não deixe de sentir o clima neste vídeo:

Na categoria até 61kg, o destaque foi o iraniano M. Esmaeilpoorj, tetracampeão asiático e medalhista de bronze e prata em mundiais. Esmaeilpoorj é outro veterano do esporte, mas que dificilmente estava ativo no cenário internacional. Na sexta-feira, colocou seu nome novamente entre os melhores em uma das maiores surpresas do evento, vencendo facilmente o atual campeão mundial até 61kg, Logan Stieber, dos Estados Unidos, por 6 a 2.

Haji Aliyev, bicampeão mundial e atual bronze olímpico, foi o melhor wrestler do Azerbaijão no torneio. Aliyev tem se apresentado muito bem nessa nova categoria, até 65kg. Além disso, continua com o estilo de luta agressivo e técnico, que agrada a grande maioria dos fãs. O azerbaijano venceu suas quatro lutas no evento, duas delas por superioridade técnica.

Aliyev vs. Julakidze (Geórgia):

Melhores momentos da carreira de Aliyev:

Na categoria até 74kg, o wrestler que se destacou foi a lenda Jordan Burroughs, campeão olímpico e tricampeão mundial. O americano foi ovacionado pelos fãs iranianos desde que colocou os pés naquele país. Os persas mostraram um grande respeito por Jordan, mesmo quando este estava lutando contra Peyman Yarahmadi, o atleta da casa. Burroughs, apesar de ter vencido suas quatro lutas, não mostrou o mesmo domínio de outrora, tendo derrotado apenas um oponente com uma margem confortável (10-1 contra o russo Atsamaz Sanakoev).

Já é a segunda vez que o americano não se apresenta como de costume, a primeira foi nas Olimpíadas do Rio. Será o fator tempo pesando? Motivação? Não sabemos. Só sei que ele tem que tomar cuidado, pois terá um adversário de peso pela frente no US Open e World Team Trials (competição que define quem representará os Estados Unidos no Mundial) na pele de Kyle Dake, que já lhe deu um certo trabalho antes.

Burroughs vs. Sanakoev, reparem no respeito e admiração que os iranianos têm pelo americano ao final da luta:

Não poderia deixar de falar de um dos meus wrestlers preferidos, o americano Kyle Snyder, da categoria até 97kg. Snyder saiu com três vitórias e uma derrota do evento. O revés aconteceu por um lapso mental (a famosa bobeira) ao final do combate que lhe custou 4 pontos e o resultado da luta. Lembro de Snyder aqui, pois há menos de um mês ele se tornou o 11º americano a vencer o prestigioso evento Ivan Yarygin Grand Prix. Com 21 anos de idade, campeão mundial, olímpico e uma máquina de quedas (seu jogo em pé é o que o diferencia), como não ser fã dele?

Desempenho dominante de Snyder contra o georgiano Metreveli:

Na “categoria dos ursos”, até 125kg, foram dois os destaques da Copa do Mundo. Primeiro, o georgiano Geno Petriashvili, atual medalhista de bronze olímpico, que saiu vitorioso de suas quatro lutas, a mais significativa delas contra o medalhista de prata no Mundial de 2015, o azerbaijano Jamaladdin Magomedov. Lembrando que Petriashvili foi o único wrestler capaz de colocar uma derrota no cartel da maior força dessa divisão, Taha Akgul, desde 2013, no campeonato europeu do ano passado.

Petriashvili dominando o russo Mukhamagazi Magomedov (13-2):

Komeil Ghasemi, medalhista de bronze e atual prata olímpico, mais uma vez encarnou o papel de “salvador da pátria do Irã” ao vencer a luta que decidiria o sexto título da Copa do Mundo para os persas. Ghasemi superou Zach Rey, em 2015, para garantir o quarto título iraniano consecutivo. Em 2017, a vítima final foi o bicampeão da Divisão I da NCAA, Nick Gwiazdowski, que acabou sofrendo duas quedas e perdeu a luta por 5-0.

Final entre Ghasemi e Gwiasdowski, luta que selou o ouro para o Irã na Copa do Mundo do estilo livre de wrestling de 2017:

  • James sousa

    vi uns vídeos do Jordan Burroughs é ele virou um dos meus lutadores de Wrestling favoritos , desde os jogos do Rio estou tentando acompanhar mais competições de Wrestling gostei muito do esporte

    • Elias Freire

      Foi só no masculino. Feminino é dia 4-5 de março e do estilo greco-romano 16-17 de março. Sempre fui fã do Burroughs, tive a felicidade de começar a acompanhar o esporte em 2011 quando assisti o primeiro mundial, que foi transmitido pelo sportv e estava torcendo pelo americano, que até então era bicampeão da NCAA DI. Ele foi lá e venceu naquele estilo agressivo, double leg all the way.

      Dois que eu recomendo assistir além do Burroughs são: Snyder e Haji Aliyev, estilos dinâmicos, inclusive coloquei um HL deste último no artigo.

      • James sousa

        vou assistir mais do Snyder e Haji Aliyev, aonde eu consigo ver as competições ao vivo ?

        • Elias Freire

          No próprio site da United World Wrestling eles disponibilizam streams ao vivo de várias competições. Como são 3 tapetes diferentes, é bom abrir em 3 abas ou páginas diferentes e ir escolhendo qual luta você mais que ver.

  • Saulo Henrique

    Vi as duas primeiras lutas . Mais tarde, verei as outras. Parabéns pela matéria. Bem dinâmica, Elias. Abraços.

    • Elias Freire

      Não deixe de ver cara, vale a pena. Abraço!

  • Juan Macêdo

    Parabéns, Elias, é muito bom ter material de qualidade falando sobre esse magnífico esporte.

    • Elias Freire

      Valeu Juan!

  • Magic Man é o cara. Sujeito foda pra caralho. Ele é melhor que os resultados da vida dele.

    • Elias Freire

      O cara é muito bom mesmo, o pessoal tem que procurar os HLs dele, é cada coisa que sai de lá, meio que me lembra um wrestler foda do folkstyle atual, Jason Nolf.

    • Elias Freire

      O cara é muito bom mesmo, o pessoal tem que procurar os HLs dele, é cada coisa que sai de lá, meio que me lembra um wrestler foda do folkstyle atual, Jason Nolf.

  • Digodasilva

    Muito bom ver o Wrestling de volta. Sentimos falta Elias!

  • Digodasilva

    Muito bom ver o Wrestling de volta. Sentimos falta Elias!

  • Digodasilva

    Muito bom ver o Wrestling de volta. Sentimos falta Elias!

  • Digodasilva

    Muito bom ver o Wrestling de volta. Sentimos falta Elias!

  • Digodasilva

    Muito bom ver o Wrestling de volta. Sentimos falta Elias!