Por João Gabriel Gelli | 13/08/2019 11:24

Após o UFC ter distribuído mais três contratos na semana passada, incluindo dois para brasileiros, é hora do Contender Series 2019: Semana 8. Os meios-pesados terão destaque, com alguns bons prospectos, além da presença de um dos melhores lutadores da temporada em ação, uma promessa de duelo feminino movimentado e um casamento que promete ação, mas com lutadores menos qualificados.

PESO MEIO-PESADO: HERDEM ALACABEK (5-0) VS. WILLIAM KNIGHT (4-0)

Liderando o card, o sueco Herdem Alacabek é um nome que provavelmente estaria na edição dos meios-pesados do De Olho no Futuro se não tivesse sido chamado para o Contender Series. O invicto atleta fez suas últimas três lutas pela LFA, mas não enfrentou concorrência de alto nível. Sua maior vitória, por enquanto, foi a finalização sobre o brasileiro Antonio Arroyo, que conseguiu contrato com o UFC nesta temporada do programa.

Antigo parceiro de treinos de Ilir Latifi, Alacabek tem um wrestling potente, capaz de erguer oponentes e executar quedas de grande amplitude como principal arma. Uma vez que coloca os adversários de costas para o chão, exibe qualidade no grappling. Ele busca transições constantemente, trabalha com um ground and pound forte e é capaz de atacar em busca de finalizações. De pé, mostra potência, mas sua técnica ainda está em desenvolvimento e pode deixar algumas brechas.

Seu adversário será William Knight, que teve retrospecto de 8-1 como amador, incluindo uma vitória sobre Yorgan de Castro, recém-contratado pelo UFC. Knight se profissionalizou há pouco mais de um ano e enfrentou concorrência muito questionável em quatro aparições, todas vitoriosas. Muito musculoso, usa da ampla potência e explosão para interromper seus combates rapidamente. Ele ataca em golpes singulares e se deixa encurralar com frequência, além de ter uma defesa muito esburacada. Knight tenta quedas e trabalha com golpes poderosos por cima, com a capacidade de conquistar interrupções. Por outro lado, seu wrestling defensivo é questionável, o que não parece um bom sinal para a luta de terça-feira.

PESO MEIO-MÉDIO: BROK WEAVER (13-4) VS. DEVIN SMYTH (9-1)

Inicialmente escalado para lutar no primeiro evento da temporada, Brok Weaver viu seu adversário ser barrado pelos médicos pouco antes da luta. Dessa forma, foi reagendado para o card desta semana. Ele vem de seis vitórias seguidas, incluindo sobre ex-participantes do programa, e com maior parte da carreira feita no Island Fights. Apesar da boa fase, Weaver não é dos mais talentosos. Ele chegou até este ponto na carreira com base no esforço, bom condicionamento físico e queixo resistente. A movimentação em pé é mal executada e constantemente deixa os oponentes em vantagem. Já as quedas são apenas razoáveis, pois sofrem pelo atleticismo limitado.

Graças à situação da primeira semana, Devin Smyth substituiu Leon Shahbazyan como oponente de Weaver. Ele foi derrotado em sua estreia profissional e desde então não sabe mais o que é perder. A grande questão é que sua oposição foi de nível lamentável ou muito inexperiente. Razoavelmente completo, Smyth varia seu jogo de acordo com a luta. É explosivo e solta golpes com a intenção de nocautear, mas poderia trabalhar com mais combinações. Seu wrestling é adequado e dá conta do recado contra concorrência limitada. Já na luta agarrada, mostra bom oportunismo, sobretudo para pegar as costas e finalizar os adversários. Como ainda é jovem e decentemente atlético, pode evoluir, mas não parece ter um teto muito alto.

PESO GALO FEMININO: SHANNA YOUNG (6-1) VS. SARAH ALPAR (8-4)

A necessidade de adquirir talento para as divisões femininas torna Shanna Young um ativo interessante. Ela tem uma vitória sobre a atual campeã do peso pena do Invicta FC, Pam Sorenson. Em sua única luta na organização dedicada exclusivamente ao MMA entre mulheres, ela foi derrotada pela promissora Lisa Spangler. Com um histórico no caratê, Young tem a tendência de querer manter a distância e trabalhar os chutes quando a luta está de pé na trocação. No entanto, esse não parece ser seu caminho de preferência para conduzir os combates – Shanna gosta de pressionar as adversárias no clinch contra a grade. De lá, ataca no dirty boxing e tenta quedas com um wrestling que não é muito explosivo nem particularmente técnico, mas cumpre sua função na insistência.

Sarah Alpar passou por alguma irregularidade a mais ao longo da carreira. Campeã da divisão na LFA, ela enfrentou concorrência experiente, com resultados mistos. Foi derrotada por Carina Damm e Heather Jo Clark e superou Jocelyn Jones-Lybarger. Alpar atua em uma base de canhota e gosta de variar da curta para a média distância. Nesta zona, dispara um bom volume, mesmo que a técnica seja deixada de lado em muitas situações. A defesa no geral cede várias brechas graças a ângulos desleixados e socos desferidos sem cuidado. Ela opta por pressionar e cercar as oponentes, mas também consegue mostrar versatilidade e buscar quedas com frequência. Por cima, exerce um bom controle posicional e ataca com ground and pound para se manter ocupada.

PESO GALO: TONY GRAVELY (18-5) VS. RAY RODRIGUEZ (15-5)

Melhor lutador deste card e um dos principais da temporada, Tony Gravely poderia já estar no UFC. Além de ter ampla experiência, suas derrotas vieram apenas contra adversários de qualidade, como Patrick Mix, Merab Dvalishvili e Manny Bermudez. Atlético e intenso, Gravely ataca com elevado fluxo de golpes em pé, para reduzir a oportunidade de os adversários reagirem. Ele dispara socos potentes com o intuito de encurtar a distância. Uma vez no clinch, é capaz de levar o duelo para o solo com uma boa variedade de quedas. Quando está por cima, apresenta um ground and pound triturador e que pode definir combates. Também pode buscar as costas e trabalhar por uma finalização. No entanto, seu ritmo no geral pode ser acelerado demais e acaba rendendo brechas que oponentes mais qualificados podem explorar.

A difícil missão de lidar com Gravely caberá a Ray Rodriguez. Também muito experiente, ele tem passagens pelo Legacy, LFA, Combate Americas e uma série de outras organizações regionais. O grande problema é que superou muitos adversários de qualidade ruim e falhou em quase todas as vezes que subiu de patamar. Dono de um arsenal ofensivo que lhe permite variar a abordagem, Rodriguez pode ser considerado um lutador completo. Todavia, não apresenta um nível elevado em faceta alguma do MMA. Ele pode trabalhar de pé, com chutes à distância e movimentação constante. Também consegue atacar da guarda ou por cima no solo e ameaçar com tentativas de submissões ou raspagens. Quando sente que precisa levar o duelo para o chão, tentará com intensidade, mesmo sem ser o mais técnico. O grande problema para o duelo de terça-feira é que sua defesa de quedas não parece das melhores.

PESO MEIO-PESADO: KARL REED (6-1) VS. JULIUS ANGLICKAS (6-1)

Karl Reed tinha apenas duas vitórias quando recebeu uma oportunidade no Contender Series, em 2017. Na ocasião, foi derrotado por Cameron Olson. Desde então, foram quatro vitórias no ano passado e uma nova oportunidade. Reed tem histórico no wrestling universitário, modalidade que usa para mudar o ritmo das lutas e para mantê-la de pé. Sua predileção é por atuar na longa distância, com uma base larga de carateca. Dali, desfere uma série de chutes que servem para manter os adversários afastados e para pontuar. Ele não tem o maior poder de nocaute, nem grande instinto finalizador, mas é um lutador sólido, com boas bases e que mostrou evolução desde a última passagem pelo evento.

Curiosamente, o lituano Julius Anglickas tem o mesmo cartel de Reed e sua única derrota também foi contra Olson. Julius rodou por uma série de eventos regionais e, em seu último compromisso, conquistou o título dos meios-pesados da LFA. Com um título da Golden Gloves no histórico como boxeador amador, Anglickas mostra preferência pela nobre arte. Ele tem postura tradicional, com um jab rápido e firme. Por outro lado, tem menos volume de golpes que o ideal e parece se expor demais ao atacar. Além disso, não é um lutador unidimensional, com wrestling razoável, que pode mudar os rumos de um combate. Anglickas tem um ground and pound pesado e boa visão para buscar finalizações. No lado defensivo, pode ser derrubado, mas usa a força física para auxiliar na fuga de posições perigosas.

Quem deve conseguir um contrato?

Alacabek deve conseguir uma queda e finalizar Knight, mas não se surpreenda se William nocautear ao encontrar alguma brecha enquanto o sueco se aproxima. Já Gravely tem grande vantagem sobre Rodriguez e não deve ter muitas dificuldades para dominar. Young é a favorita em um duelo que deve ser divertido e movimentado, então pode se tornar mais um nome em uma divisão que precisa de mais talento.