Por João Gabriel Gelli | 08/07/2019 15:59

Depois de dois cards que não foram dos mais movimentados, a contagem de contratados da temporada do Contender Series em 2019 está em quatro, com Miles Johns e Miguel Baeza sendo os agraciados da última edição.  Nessa semana, após uma de folga, o evento será liderado pelo embate entre os pesos leves Jesse Wallace e Joseph Solecki.

Peso leve: Jesse Wallace (9-2) vs. Joseph Solecki (7-2)

“Jesse” James Wallace fez carreira encarando concorrência de nível baixo em sua maior parte. Em seu cartel constam vitórias sobre oposição de retrospecto 8-16 e 0-4 e nas únicas vezes em que foi para a decisão, saiu derrotado. Sua principal característica é a habilidade de finalizar duelos no solo, com sete dos nove triunfos vindo dessa forma. No entanto, parece um tanto frágil fisicamente e seu atleticismo não se destaca. Além disso, a defesa de quedas é esburacada e, no que pode ser percebido em seus vídeos, é um lutador de muita disposição e volume, mas pouca noção técnica e potência em pé.

Do outro lado do octógono estará Joseph Solecki. Ele é um faixa preta de jiu-jítsu que já participou de diversas competições na modalidade. Ele teve cinco vitórias em igual número de lutas como amador antes de se profissionalizar pouco menos de três anos atrás. Como esperado, a arte suave é seu principal ponto de destaque no MMA, com uma série de submissões no currículo. Solecki fez a maior parte da carreira no CFFC e enfrentou oposição mais qualificada até aqui do que o adversário de terça-feira, com as suas duas derrotas vindo diante de oponentes respeitáveis. Como tem vantagem na luta agarrada, não deve ter problemas para sair vitorioso.

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Peso meio-pesado: Kenneth Bergh (6-0) vs. Antonio Trócoli (11-3)

Um dos principais nomes do card dessa semana é Kenneth Bergh. O norueguês chegou a participar das seletivas do TUF 23, mas foi finalizado por Eric Spicely. Contudo, no cartel oficial nenhuma derrota consta para o lutador, que demonstra boa força, tem potência por trás de seus golpes e é um atleta acima da média. A concorrência que enfrentou não é das melhores, mas passou pelos testes até o momento sem sofrer muito. Ele usa a vantagem física que costuma ter para levar a luta para o chão, onde trabalha em busca de submissões.  Em seu último compromisso, finalizou o francês Norman Paraisy no Cage Warriors. Ele viu seus dois combates agendados para 2018 caírem e não luta há dois anos, então pode sentir o ritmo.

Antonio Trócoli ganhou notoriedade no MMA quando superou o ex-UFC Wendell Negão. Este triunfo o levou ao Legacy FC, mas lá sofreu derrotas seguidas para Jacob Volkmann e Dhiego Lima e acabou voltando para o cenário nacional. Na época, o brasileiro era conhecido como o mais alto meio-médio do mundo, com 1,96m de altura. Como esta vantagens de dimensões físicas não levou a muito destaque internacionalmente, ele decidiu realizar um corte de peso menos drástico. Trócoli ainda perdeu uma terceira luta em seguida ao subir para os médios no Jungle Fight. Atualmente, ele atua entre os meios-pesados e vem de duas vitórias sobre oposição questionável. Seu estilo é difícil de definir, já que tem alguma versatilidade, mas deixa os adversários decidirem como os combates irão transcorrer, o que lhe traz algumas dificuldades, ainda mais sem ser um lutador de nível particularmente alto em qualquer vertente.

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Peso galo: Chris Ocon (4-0) vs. Hunter Azure (6-0)

Invicto em quatro lutas como profissional, Chris Ocon fez sua carreira majoritariamente no cenário do Tennessee, onde conquistou o cinturão dos galos do Attitude MMA em seu último compromisso. Ele tem apenas 23 anos e ainda é um tanto cru, mas possui algum potencial. Sua preferência é por manter o combate de pé e disparar combinações contra o adversário. Ainda se descuida um pouco no aspecto defensivo, mas está em uma trajetória interessante. Mostrou equilíbrio para evitar tentativas de queda e quando é colocado de costas para o chão, é rápido para levantar, o que será importante neste próximo compromisso.

Seu oponente é Hunter Azure. Ele teve ampla carreira como amador, com retrospecto de 8-1 antes de se profissionalizar, há pouco menos de dois anos. Até o momento, Azure não encarou concorrência de nível mais alto nem muito experiente, mas tem passado pelos seus testes de maneira adequada. Ele assinou com a LFA no final de 2018 e já emendou três vitórias na organização. Assim, se posicionou como um lutador que poderia ter algum destaque no futuro antes de receber o chamado do Contender Series. O wrestling é sua principal base e costuma ser a arma a qual recorre na maior parte de seus combates. Por cima, tem um controle posicional sólido e um ground and pound de fluxo constante. Todavia, o resto de seu jogo ainda precisa de ajustes. Ele é o favorito, mas não sei se conseguirá uma interrupção e convencer Dana a contratá-lo.

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Peso médio: Maki Pitolo (11-4) vs. Justin Sumter (7-2)

Veterano de mais de seis anos de carreira no MMA, Maki Pitolo já foi campeão dos meios-médios do Victory FC e já venceu dois dos oponentes que o superaram. Apesar de já ter enfrentado concorrência decente para o cenário regional e ter boa dose de experiência, Pitolo não teve resultados consistentes com a melhoria do nível de seus adversários. Ele vem de vitórias sobre Chris Cisneros no Bellator e Thiago Rela no CFFC. Maki gosta de usar o wrestling para se impor e aplicar ground and pound. Ele tem algumas finalizações no currículo e mãos pesadas, o que rende uma ótima taxa de interrupções.

Após ser derrotado com cotoveladas brutais pelo ascendente Ian Heinisch no Contender Series no ano passado, Justin Sumter retorna para mais uma oportunidade. Ele teve uma carreira amadora de resultados mistos e perdeu logo na estreia profissional para Tim Caron. Então emendou sete triunfos até o já citado embate com Heinisch. Depois do revés do ano passado, venceu uma luta no Bellator e recebeu novo chamado do programa do UFC. Ele tem poder de nocaute e pode impor quedas com ameaças de finalização por cima, mas enfrentou concorrência péssima no geral, então Pitolo pode ser um salto além do que está capaz de dar neste momento.

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Peso leve: Jonathan Pearce (8-3) vs. Jacob Rosales (11-4)

Jonathan Pearce começou sua carreira com quatro vitórias. No entanto, logo se viu em uma sequência de três derrotas diante de concorrência inexperiente. Desde então, venceu mais quatro lutas. Ele é um lutador empolgante, de atleticismo na média, bom volume de golpes em pé e a tendência de preferir a pancadaria franca. Também gosta de se embolar no solo, mas já mostrou alguns problemas para se defender de quedas e pode ser vítima de finalizações.

Outro lutador com bom potencial para duelos de alto grau de entretenimento é Jacob Rosales. Ele teve amplo sucesso com um currículo invicto em oito lutas como amador. Contudo, não conseguiu repetir este feito como profissional, ao perder duas vezes nos três primeiros combates. Ele tem passagens por RFA, LFA e Bellator, mas também já enfrentou muita concorrência sofrível. Em seu último compromisso superou um adversário de cartel 15-25 e sua última derrota veio diante de um que estava 4-7-1 na época. Rosales pode simplesmente cravar os pés no chão e rodar os braços com o intuito de nocautear o oponente, mostra uma série de defeitos técnicos, mas certamente é empolgante. Esta não deve ser a luta mais bonita, mas deve entregar em termos de emoção e violência.

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Palpites para Contrato: Joe Solecki, Kenneth Bergh e Maki Pitolo

Solecki está na posição de destaque do card e deve conseguir uma finalização. Bergh tem boa vantagem física e provavelmente conseguirá se impor para anotar mais uma interrupção, apesar de ainda não estar pronto para o UFC. O mesmo vale para Pitolo, que tem vantagem na experiência sobre seu adversário e bom histórico de lutas empolgantes, mas não é nada de especial como lutador.