Por Edição MMA Brasil | 24/06/2019 15:56

Por João Gabriel Gelli e Idonaldo Filho

Após uma primeira semana polêmica, na qual houve muita discordância sobre a opinião de Dana White sobre as contratações -mais especificamente a não contratação de Brendan Loughnane-, e a aparição de uma zebra no peso pesado, o Contender Series vai para a sua segunda semana e traz um evento bem interessante. Nele, trará um card que contará com atletas promissores, mas que mostra uma notável intenção dos matchmakers de beneficiar alguns lutadores com casamentos desiguais em nível de experiência de competição. O duelo principal acontecerá nos meios-médios, entre o invicto Miguel Baeza e Victor Reyna, que entrou no evento de última hora substituindo Ramiz Brahimaj.

Peso meio-médio: Miguel Baeza (6-0) vs. Victor Reyna (10-3)

A luta principal dessa segunda semana traria o interessante confronto entre Miguel Baeza e Ramiz Brahimaj. No entanto, Brahimaj teve que deixar o duelo e agora Baeza encara Victor Reyna, que teve cerca de uma semana de preparação. Miguel é um lutador que fez a carreira até aqui no cenário da Florida, com passagens pelo Titan FC e, principalmente, pelo Fight Time. Ele demonstra preferência pela luta em pé, acumula bons nocautes e gosta de abusar dos chutes. Também já mostrou alguma capacidade de levar a luta para o solo e trabalhar por cima. Deixa um pouco a desejar no controle da distância e permite que o adversário o encurrale com mais facilidade que o ideal.

Aproveitando a oportunidade de última hora, Reyna passou por uma boa variedade de organizações ao longo da carreira, com uma corrida recente pelo Combate Americas. Ele é capaz de alternar sua estratégia entre quedas e a luta em pé. Não oferece nada de excepcional em termos atléticos e tem uma defesa muito esburacada em todas as vertentes. A maior parte da competição enfrentada era de nível mais baixo e quando subiu de patamar teve resultados mistos, como as derrotas para Marc Stevens e Kevin Holland.

Miguel Baeza vs Victor Reyna odds - BestFightOdds

Peso meio-pesado: Alton Cunningham (7-1) vs. Tony Johnson (7-2)

Consolidado como prospecto devido ao bom retrospecto no cenário regional, Alton Cunningham quer assegurar o contrato com o UFC em sua segunda chance no Contender Series. A primeira foi como peso médio na edição de 2018, quando tinha apenas cinco lutas na carreira e acabou sendo aniquilado por Bevon Lewis – que não vingou no UFC até agora. Já tendo atuado de médio, meio-pesado e pesado, Cunningham é um lutador explosivo e nocauteador, nunca tendo ido para a decisão como profissional. Alton não chegou a conquistar um cinturão até agora em seus oitos combates por atuar por vários eventos, sendo o último a LFA, na qual conseguiu três vitórias. Striker, o atleta da Pura Vida MMA é extremamente agressivo, utilizando chutes e contando com um ground and pound amedrontador, mas esse excesso de agressividade pode acabar com seu gás caso não consiga a interrupção e também expõe alguns problemas defensivos.

Não, esse não é AQUELE Tony Johnson. O mais conhecido é peso pesado e venceu Tim Sylvia, Derrick Lewis, Alexander Volkov, teve passagem sólida pelo Bellator e disputará o cinturão do ACA. O Tony Johnson genérico é meio-pesado – e também lutou no Bellator, mas no card preliminar. Atleta de 36 anos de idade, Johnson obviamente foi colocado no Contender Series para ser atropelado por Cunningham, atleta que os matchmakers do Contender Series certamente enxergam potencial. A maior vitória da carreira de Johnson é sobre um podre Justin Baesman, que foi nocauteado há pouco tempo por um Chris Leben quarentão, e seu cartel é pouco inspirador, tendo vencido seu último adversário apenas na decisão majoritária, sendo que este possuía um cartel de 7-9. Para ficar ainda pior para o lutador da AKA, ele não mantem um ritmo decente de lutas, atuando uma vez em 2018, uma em 2017, uma em 2013 e uma em 2011, ficando alguns intervalos significativos sem compromissos.

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Peso pena: Zach Zane (12-7) vs. Justin Gonzales (9-0)

O UFC tem uma grande oferta de lutadores promissores para dar uma chance no cenário regional, mas decide colocar um de cartel 12-7 para lutar, ou seja algo está errado. Mesmo que Zach Zane esteja com oito vitórias consecutivas e não perca há dois anos, ainda não é do nível do evento. O havaiano lutou por várias organizações, desde o Alaska FC – que é um dos piores de longe para contratar alguém – até o Brave FC. Além disso, a oposição que enfrentou durante essa sequência de oito vitórias é tenebrosa, com a maioria sendo atletas inexperientes, com menos de cinco combates nos respectivos currículos. A maior parte de suas vitórias veio por meio das finalizações e ele geralmente encerra os combates antes do esperado. Entre suas derrotas, se destaca uma no início da carreira contra Chris Avila, lutador horrível que atuou no UFC por ser parceiro dos irmãos Diaz.

Invicto em oito combates como amador e nos nove que fez como profissional, Justin Gonzales venceu oponentes melhores que Zane, mas se manteve apenas em um evento pequeno do Colorado chamado SCL, no qual foi campeão no peso pena. Muito parecido fisicamente com Justin Gaethje, Gonzales luta de forma muito diferente, usando o background no wrestling para colocar a luta no clinch – onde fica bem confortável – e tentar levar o adversário para o solo. Uma vez no chão, apresenta tem um ground and pound bem agressivo quando consegue a posição ideal para golpear. Ele também tem experiência em lutas de cinco rounds, mostrando um condicionamento aceitável nas parciais finais sempre que lutou, continuando com seu jogo de pressão. Preocupa a falta de experiência em eventos regionais maiores, pois já houve muitos casos de campeões invictos de eventos pequenos acabarem se frustrando contra a oposição que oferece um LFA, um Titan FC ou CFFC, mas ele aparenta ter nível de UFC, só não sei se vai conseguir fazer um duelo empolgante o suficiente para que seja contratado, já que o critério de Dana White passa longe de ser talento.

Justin Gonzales vs Zach Zane odds - BestFightOdds

Peso médio: Michael Lombardo (8-1) vs. Kyle Daukaus (6-0)

Um dos vários lutadores que treinam na American Top Team, Michael Lombardo nem de perto tem o mesmo nível que alguns dos grandes atletas que fazem parte da academia. Nômade, nunca se manteve fixo em um evento só, o que é preocupante já que geralmente os melhores lutadores livres no mercado, e que possuem certa experiência, estão sempre nos elencos das organizações mais relevantes que servem de afluente para o líder do mercado. Da Florida, Mike Lombardo é um wrestler bem forte mas bastante limitado, com pouca técnica na luta olímpica e com pobre controle posicional, além de oferecer brechas decorrentes da inatividade em pé, sofrendo quedas, e no chão muitas vezes acaba se enrolando e quase sendo finalizado. O nível de adversários enfrentados é bem baixo também e não empolga muito.

São somente seis lutas, pouca experiência, mas Kyle Daukaus é uma aposta interessante para o Contender Series. O peso médio também não se manteve em um evento só, mas atuava em boas organizações como o CFFC, ROC e KOTC. Especialista em estrangulamentos, sua vitória mais importante veio em fevereiro deste ano, quando o prospecto de 26 anos derrotou Jonavin Webb, ex-lutador do UFC e que já foi campeão do próprio CFFC, só que nos meios médios. Faixa marrom de jiu-jítsu e com bom wrestling, certamente o chão é onde Daukaus se dá melhor, com todas as suas vitórias acontecendo via finalização, três mata-leões e três d’arces. Entretanto mesmo tendo sucesso recentemente, sua carreira no MMA amador foi horrível, acumulando um cartel de 4-5, sendo que quatro dessas derrotas foram antes mesmo da metade da luta, mas ele era muito jovem, começando com 18 anos e continuando como amador até os 23, evoluindo bastante pelo que vimos de seus últimos duelos.

Kyle Daukaus vs Michael Lombardo odds - BestFightOdds

Peso galo: Miles Johns (8-0) vs. Richie Santiago (7-1)

Miles Johns passou no nível mais alto do regional estadunidense antes de assinar com os grandes eventos, ao conquistar o título do LFA. O campeão dos galos do evento que mais revela talentos para o UFC venceu seu título em dezembro do ano passado, derrotando Adrian Yanez por decisão dividida. Vencendo todas as cinco lutas feitas no Legacy e tendo só 25 anos, Johns sempre mostrou versatilidade, aplicando seu bom wrestling na grande maioria das vezes, boxe técnico com mãos rápidas, e habilidade no jiu-jítsu, além de encarar bons atletas desde cedo na carreira. Treinando na ascendente Fortis MMA, no Texas, com vários lutadores bons que estão no UFC, ele tem tudo para se consolidar como bom lutador. O problema é se ele vai passar na peneira do Contender Series, já que a maioria de seus combates acabou indo para a decisão, e seu estilo dificilmente seja atrativo para Dana White, que prefere mais brucutus do que realmente lutadores que dominam a técnica do esporte e tenham talento para alcançar o top 15.

Assim como o já mencionado Daukaus, Richie Santiago teve problemas com sua carreira amadora com cartel de 4-4, mas tendo iniciado com só 23 anos. Ao virar profissional, ele mostrou evolução, e agora é dono de um bom cartel de sete vitórias e uma derrota. Atleta da Lauzon MMA, e com toda carreira feita no decente CES MMA, Santiago estava atuando ultimamente como peso mosca, mesmo que não tenha batido o peso da categoria em seu último combate. O seu nível de adversário é razoável, enfrentando lutadores ao menos com experiência equivalente, enquanto Richie nunca foi pra decisão em sua trilha como lutador profissional de MMA, vencendo inclusive todas suas lutas, excetuando uma, antes mesmo da metade do combate. Embora vença seus combates por finalização, chama atenção que Santiago é muito resiliente, pouco técnico e sem muita velocidade, muitas vezes se envolvendo em brigas empolgantes. O curioso de chamarem ele pro evento é que ele perdeu a penúltima luta que fez, contra Matt Almy, que na hora do duelo possuía modestas três vitórias e duas derrotas.

Miles Johns vs Richie Santiago odds - BestFightOdds

Palpites para Contrato: Miguel Baeza, Alton Cunningham e Kyle Daukaus