Conheça o World Series Of Fighting, evento que estreia neste sábado nos EUA

Por Alexandre Matos | 02/11/2012 13:16

Na última semana de estiagem antes de uma sequência de eventos do UFC, uma nova organização de MMA emerge querendo ser grande. Presidido pelo multicampeão de muay thai e treinador da Xtreme Couture Ray Sefo, o World Series of Fighting (WSOF) assinou contrato de transmissão com a NBC Sports Network, canal a cabo da gigante NBC e que era a antiga Versus, que transmitiu o WEC e o UFC antes do acordo da Zuffa com a FOX.

Sefo resolveu investir pesado. Em sua lista de atletas constam nomes de ex-campeões como Andrei Arlovski (UFC), Miguel Torres (WEC) e Gesias Cavalcante (K-1 Hero’s), conhecidos veteranos do UFC como Anthony Johnson, Ronys Torres, Thales Leites, Gerald Harris e Roger Huerta, além de apostas como Tyson Nam (que nocauteou Eduardo Dantas em evento recente do Shooto Brasil) e da estrela do K-1 Tyrone Spong.

O decágono do WSOF 1 será montado neste sábado no PH Live, auditório localizado no Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas. Além da transmissão das lutas principais pela NBCSN, o card preliminar do evento será exibido ao vivo pelo portal Sherdog.

Arlovski, Johnson e Torres lideram card principal de bom nível

Com três veteranos buscando reconstruir suas carreiras, um Gracie e um interessante prospecto, o card principal de cinco lutas do WSOF 1 deve trazer diversão aos fãs.

O belarrusso Andrei Arlovski (17-9) ouviu de Dana White nesta semana que ele pode voltar ao UFC se vencer um nome realmente bom. Infelizmente para ele, este não é o caso de Devin Cole (20-9-1), seu oponente na luta principal do WSOF 1.

Peso pesado com arsenal ofensivo dos mais versáteis da categoria e estrutura física privilegiada, Arlovski foi campeão do UFC em duas oportunidades e figurou entre os três melhores do mundo por algum tempo. Seu mundo ruiu com um cruzadaço de Fedor Emelianenko, no finado Affliction, em luta que valia o posto de número um do planeta. Desde então o queixo de vidro e a mentalidade fraca ficaram expostos e ele foi violentamente nocauteado por Brett Rogers e Sergei Kharitonov, além de ser anulado por Antonio Pezão, todos no Strikeforce.

O melhor caminho para Cole será derrubar Arlovski e trabalhar o ground and pound, mas a defesa de quedas do belarrusso deverá ser capaz de manter o combate em pé, onde Arlovski tem mais agilidade, habilidade e bom poder de nocaute para chegar à vitória.

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O enorme Anthony Johnson (13-4) prometia uma carreira promissora como peso médio no UFC depois de tanto sofrimento para atingir 77 quilos. Sua primeira oportunidade foi no UFC Rio 2 e ele falhou miseravelmente. Mais de cinco quilos acima do limite de 84, enfrentou Vitor Belfort como meio-pesado, foi finalizado no final do primeiro round e demitido em seguida.

Mais alto que Maurício Shogun e Lyoto Machida, o lutador da Blackzilians tenta recuperar a carreira como meio-pesado, a categoria que lhe parece natural. Johnson já tem três vitórias, as duas últimas com nocautes impressionantes. Ele vai encarar o também grande para a categoria DJ Linderman (13-3), que passou pelo oposto para chegar na divisão de peso atual – ele era um peso pesado que tinha desvantagem física contra a maioria dos oponentes.

Linderman é o atual campeão dos pesados do Cage Warriors e foi semifinalista no primeiro torneio dos meio-pesados do Bellator. É um lutador decente, que sabe se virar em todas as áreas, mas é inferior tecnicamente a Johnson em todas elas, apesar do cartel numericamente semelhante (mas bem distinto qualitativamente). Se resolver trocar com o “Rumble”, Linderman ficará em apuros e exposto a um nocaute violento. Derrubar o adversário pode ser a melhor opção, mas Johnson também deverá ter vantagem no clinch. Ainda que não consiga o nocaute, será difícil Anthony sair sem pelo menos um triunfo por decisão unânime.

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Houve um tempo, quando a categoria dos galos era ainda mais rasa e sequer tinha desembarcado no UFC, que Miguel Angel Torres (40-5) era considerado um dos cinco melhores lutadores do mundo peso por peso. “Galinho mexicano” do mestre Carlson Gracie, graduado faixa preta por Carlson Gracie Jr. e com um muay thai bastante agressivo, Torres chegou a ter duas séries enormes de invencibilidade (20 lutas e 17) e conquistou o cinturão do WEC na segunda.

Em agosto de 2009, Torres perdeu o cinturão e o rumo. Foi nocauteado por Brian Bowles, finalizado por Joseph Benavidez e tentou se reinventar na Jackson’s MMA. Venceu duas lutas (a segunda já pelo UFC), caiu diante de Demetrious Johnson em luta controversa, venceu mais uma e foi demitido por uma piada de mau gosto. Foi recontratado, nocauteado por Michael McDonald e novamente demitido. Juntou-se a Firas Zahabi na Tristar Gym e agora tenta recuperar-se no WSOF.

O adversário de Miguel será o brasileiro Marlon Moraes (8-4-1), ex-campeão nacional de muay thai e parceiro de Edson Barboza na The Armory, na Flórida. Moraes possui variadas e técnicas combinações na trocação, o que deve, apesar do gosto de sangue de Torres, tornar a luta um pesadelo para o americano. Para Torres estrear com vitória, ele precisará levar o combate para o chão, onde desfila seu jiu-jítsu também muito ofensivo, com uma guarda insana. A expectativa é que Torres finalize Moraes.

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O sobrenome Gracie sempre chama atenção. As pessoas querem ver se a primeira família do MMA ainda é capaz de brilhar em alto nível, mesmo que os resultados dos últimos anos mostrem o contrário. Uma das esperanças da família é o meio-médio Gregor Gracie (7-2), que vem demonstrando algum talento no ONE FC. O adversário do carioca será o canadense Tyson Steele (9-1), faixa roxa especialista em mata-leão (pegou seis oponentes deste modo). Devemos torcer para um duelo animado no solo, onde a tarimba de Gregor será suficiente para lhe garantir um triunfo por finalização – antes que ele canse no terceiro round e acabe em perigo.

O card principal será iniciado com a estreia no MMA da estrela do kickboxing Tyrone Spong (foto ao lado). O surinamês carrega um impressionante cartel de 68-6-1 (43 nocautes) nas competições de K-1, inclusive com uma vitória sobre o atual patrão Ray Sefo. Pupilo da lenda Ernesto Hoost, o “Rei do Ringue” cuida da trocação dos Blackzilians, onde treina com gente do porte de Rashad Evans, Vitor Belfort e Alistair Overeem (que o venceu no K-1 World GP), o que aumenta ainda mais o interesse nesta estreia no MMA. Spong vai enfrentar Travis Bartlett (7-2), um trocador decente que não tem muito mais ferramentas do que isso. Ou seja, será esmagado por Spong na trocação e nocauteado provavelmente no round inicial.

Card preliminar do WSOF 1 não deve nada a muitas edições do UFC

Como cansamos de dizer, nome forte não garante boa luta. Mas pelo menos atrai atenção. O card preliminar do WSOF 1, em termos de nomes, não fica atrás de muitos eventos promovidos pelo UFC, principalmente por contar com muitos nomes saídos da maior organização do mundo.

O peso leve da Nova União Ronys Torres (25-4) fará o principal duelo das preliminares. Ele vai encarar o wrestler americano Brian Cobb (19-7). Quando foi demitido do UFC depois de duas derrotas em duas lutas, Ronys ouviu um aviso que poderia voltar caso vencesse umas cinco lutas seguidas. O amazonense perdeu a primeira, mas emendou 11 triunfos consecutivos (9 interrupções no primeiro round) desde então. Cobb, que perdeu sua única luta no UFC, em 2009, será um adversário mais duro do que a maioria que Torres tem enfrentado. Uma vitória do natural de Manacapuru o deixará bem posicionado para uma futura disputa de cinturão.

Com 5-5 no UFC, o meio-médio Josh Burkman (23-9) terá a espinhosa missão de encarar o forte Gerrald Harris (21-4), que só perdeu para Maiquel Falcão em quatro lutas no UFC e foi demitido sem muito nexo. Harris deve se impor pela maior força física para vencer por decisão.

Os pesos médios David Branch (10-3) e Dustin Jacoby (8-2) combinam 6 lutas pelo UFC, com 2-2 para Branch. Wrestler de origem, ele é faixa preta de jiu-jítsu e aluno de Renzo Gracie há mais de dez anos. Esta combinação, somada ao porte atlético, deve possibilitar que Branch conduza o combate ao solo e finalize o oponente.

Considerado um dos melhores pesos leves do mundo há uns cinco anos, Gesias Cavalcante (16-6-1, 2NC) entrou numa fase negra que parece não ter fim. Desde o no contest contra Shinya Aoki no DREAM 1, JZ só venceu duas lutas em oito apresentações, sendo as duas últimas derrotas surpreendentes (foi nocauteado pela primeira vez na vida pelo limitado peruano Luis Palomino). O carioca terá pela frente o ex-UFC T.J. O’Brien (18-5), que teve passagem medíocre no TUF 12 e não menos ruins apresentações no UFC. O’Brien tem no jiu-jítsu sua maior arma, mas ainda assim não tem talento o suficiente para pegar Gesias. Se tiver jogado fora a pena de urubu que o assola, JZ não deve ter dificuldade para vencer.

O card preliminar terá ainda o duelo entre os penas Waylon Lowe (13-4) e o brasileiro Fabio Mello (11-6), além do confronto de meios-médios que juntará o ex-Bellator Steve Carl (18-3) e o quarentão Ramico Blackmon (8-1).

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.