Por Alexandre Matos | 29/09/2014 20:39

Os fãs de MMA viveram um raro momento no último sábado, quando um card cercado de expectativas entregou ainda mais do que era esperado. O UFC 178 sai forte na briga de melhor evento de 2014 com suas diversas histórias de superação, redenção, confirmação, recheadas de nocautes e finalizações.

De todas as histórias, nenhuma foi mais especial do que o retorno de Dominick Cruz, pelo menos para mim. O campeão dominante, de jogo mágico, passou por uma das maiores agruras que um atleta profissional pode passar. Estourou o joelho às vésperas da luta mais lucrativa de sua carreira, viu seu corpo rejeitar o ligamento de cadáver inserido. Esteve perto de voltar numa unificação muito aguardada quando um músculo da virilha cedeu. Mais de dois anos sofrendo com cirurgias e processos de recuperação, ainda viu seu cinturão conquistado dentro do octógono lhe ser tomado numa manobra de bastidor. Ainda que houvesse uma justificativa, poucas coisas devem doer mais num atleta do que ver seu título tão duramente conquistado e defendido ser tomado sem perder uma competição.

Foi assim que Cruz voltou, a uma semana de completar três anos de sua última luta. Além de tudo, o sujeito viu seu auge ser desperdiçado em hospitais e fisioterapias, passando dos 26 aos 29 anos sem pisar no octógono. O adversário do retorno era o terceiro mais duro duelo que a categoria podia entregar, ao lado de Raphael Assunção e atrás de Renan Barão e do campeão TJ Dillashaw. A luta do UFC 178 poderia ser o próximo capítulo do desastre da derrocada de uma brilhante carreira.

Bem, como se viu na MGM Grand Garden Arena, não foi isso o que aconteceu. Para surpresa da esmagadora maioria, o velho Dominick estava lá. O mesmo bailado no octógono, com passos trôpegos, mas com plena consciência do que faz. A mesma velocidade. Até a mesma facilidade em ser golpeado, como alguns apontaram em alerta, mas até isso é usado a favor dele. E não necessariamente é motivo para preocupação.

Pegue o vídeo da luta (está no final desta matéria, se você estiver fora do Brasil, ou neste link, se você for assinante do canal Combate) e vá até entre 25 e 30 segundos de luta. Quando Cruz entra com uma direita, Mizugaki responde e acerta em cheio o rosto do Dominator. Aquilo serviu para o ex-campeão sentir o tempo de resposta do adversário e medir a distância. Segundos depois, Dominick entra com o mesmo direto de direita. O que aconteceu? Na tentativa de resposta do japonês, o americano faz mais uma de suas mágicas transições da troca de golpes para a queda. Quando Takeya largou a mão, o rosto do adversário não estava mais lá, mas sim em sua cintura, levando-o para o chão e dali para o fundo da vala numa artilharia pesada de socos contra a grade.

Certo ou errado, justo ou não, o UFC tirou de Cruz, fora do octógono, o cinturão que ele conquistou com esforço e sangue dentro dele. Em apenas 61 segundos, o ex-campeão mostrou ainda mais do que aquilo que o levara ao topo e mandou um claro recado à elite do peso galo: o Dominador está de volta. Após o evento, Dana White muito justamente oferece ao americano a chance de recuperar o que lhe tiraram nos bastidores. Imagine a obra de arte que tende a ser Cruz vs Dillashaw.

Seja bem-vindo de volta, Dominick. O MMA sentiu sua falta.