Com Yoel Romero vs. Robert Whittaker pelo cinturão interino dos médios, é melhor Demian Maia se apressar

Já que o retorno de Georges St. Pierre não será mais pelo título do peso médio, um balão ameaça subir levando a chance de Demian Maia. E agora o perigo é ainda mais sério.

Nesta terça-feira, 23, o UFC anunciou oficialmente que o cubano Yoel Romero e o neozelandês radicado na Austrália Robert Whittaker lutarão pelo cinturão interino do peso médio. O combate será o coprincipal do UFC 213, no dia 8 de julho, fechando a International Fight Week de 2017. Amanda Nunes defenderá o título do peso galo contra Valentina Shevchenko na luta principal.

A decisão do UFC não pode ser tachada de surpreendente. A ideia inicial era que Nunes-Shevchenko servisse de aquecimento para um confronto entre Michael Bisping, o campeão linear do peso médio, contra Georges St. Pierre, que decidiu encerrar a aposentadoria. A volta do superastro canadense seria a luta de impacto para a data mais importante do calendário anual do UFC, mas os planos foram pelo ralo quando GSP disse que só estaria pronto para lutar em novembro.

Com o novo posicionamento de St. Pierre, Dana White não demorou em anunciar o óbvio: Romero passa a ser o desafiante número um de Bisping. Com oito vitórias em igual número de combates no octógono, seis delas por nocaute, batendo Ronaldo Jacaré e Chris Weidman pelo caminho, não há a menor sombra de dúvida, sob qualquer ótica, que o cubano é o próximo da fila.

Yoel Romero voa para nocautear Chris Weidman no UFC 205 (Foto: Adam Hunger/USA TODAY Sports)

Yoel Romero voa para nocautear Chris Weidman no UFC 205 (Foto: Adam Hunger/USA TODAY Sports)

Então aconteceu o engraçado, para não usar outro termo. Bisping é criticado por ter defendido o cinturão contra o veteraníssimo Dan Henderson e colocá-lo em jogo em seguida contra um meio-médio parado há mais de três anos. Acusado pelos fãs de correr da elite do peso médio, Michael tirou da manga uma lesão, dizendo que não tem data para retorno. Ou seja, nada de Romero por enquanto. E nada de arriscar o cinturão conquistado numa zebra dos infernos. Para completar, o britânico disse ainda que torce para Whittaker acabar com a raça de Romero. Confesso que eu ri.

Ficou feio para o campeão. Novamente Dana foi rápido em anunciar a solução, colocando Romero contra Whittaker pelo título interino. Alguns poderiam perguntar se o posto do neozelandês não caberia a Gegard Mousasi, mas a pendenga pela renovação contratual obviamente impede que o ex-campeão do Strikeforce assuma a posição contra o “Soldado de Deus”. Vencedor das seis lutas que fez como médio, quatro delas por nocaute, incluindo a última, brutal, sobre Jacaré, e com Luke Rockhold fazendo sabe-se lá o que, deixa para o “Ceifador” australiano mesmo.

E onde entra Demian Maia nisso, se nem estamos falando da categoria dele? A questão é que Bisping não era o único campeão de olho nos milhões de dólares envolvidos numa luta contra GSP. Antes de a disputa no peso médio cair, Tyron Woodley foi duro no programa The MMA Hour, no MMA Fighting:

Tyron Woodley:

“Eu sou o melhor meio-médio do mundo e sinto que Georges St. Pierre deveria lutar comigo. Ele deveria voltar para o meio-médio. Eu acho que lutar com Bisping foi um movimento covarde. Ele vai lutar com alguém que não tem a capacidade de lhe dar uma concussão como eu teria, ou Johny Hendricks, ou Robbie Lawler teriam. É por isso que ele vai subir de categoria. Se Stephen Thompson tivesse me vencido, eu garanto que sua luta de retorno seria contra Stephen Thompson, um lutador de estilo de caratê similar ao que ele (GSP) já viu um milhão de vezes. Eles treinaram juntos, GSP sabe que Thompson não tem poder de nocaute em um soco, sabe que ele não vai finalizá-lo, que não vai parar seus ataques. Seria uma luta mais segura para um pagamento polpudo.”

Após todas as decisões para contornar a situação do peso médio, Dana fez o último anúncio: Georges St. Pierre vai lutar pelo cinturão dos meios-médios. O presidente do UFC não falou quando nem aonde, mas já deixou claro que GSP está no bolo. E, pelo modo com que as coisas estão sendo conduzidas no UFC, o gigantesco potencial comercial de St. Pierre terá um peso considerável na equação, ainda mais em tempos de incerteza sobre Conor McGregor e Ronda Rousey, os maiores personagens comerciais do MMA na atualidade.

Georges St-Pierre está de volta para tentar recuperar o que ninguém tirou dele (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Georges St-Pierre está de volta para tentar recuperar o que ninguém tirou dele (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Demian necessita agir rápido. Ele precisa aproveitar que St. Pierre só estará pronto em novembro para agendar um confronto com Woodley para o UFC 215, em agosto. O balão que está sendo formado é claro demais para ser ignorado. E, desta vez, as reclamações perderão força.

Não há dúvida que, na atual conjuntura do peso meio-médio, Maia é o principal postulante ao cargo de desafiante de Woodley. No entanto, também resta pouca dúvida de que o caminho do paulista até este ponto foi, digamos, menos tortuoso. Dos integrantes da elite, Demian só enfrentou um, Carlos Condit, exatamente o de jogo mais acessível. Hendricks (que nem mais na categoria está, mas não se sabe se por muito tempo), Thompson, Lawler, Kelvin Gastelum (que já declarou que vai voltar ao meio-médio) foram passados de lado. Outro integrante da elite que Demian enfrentou, Rory MacDonald, o venceu.

Contudo, noves fora o caminho traçado por Maia, há agora um fantasma bem grande à sua volta. Georges St. Pierre não é só a tábua de salvação para as finanças do UFC, mas é também o campeão do peso meio-médio que jamais perdeu o cinturão. É um cara que, por tudo o que fez e pelo modo como saiu de cena, poderia voltar direto numa disputa de título – o que realmente vai acontecer.

Reforço um detalhe que precisa ficar bem claro: Dana White disse que GSP lutará pelo cinturão dos meios-médios, mas não disse que esta será a próxima luta de Woodley. Pelo cenário, é possível confrontar o atual campeão com o brasileiro e colocar o vencedor para defender contra o canadense no UFC 218 ou UFC 219. Se demorar muito para agir, Demian pode ser ultrapassado por GSP, restando fazer mais um confronto para não ficar muito tempo parado aos 39 anos. E não restará mais um Masvidal, um Condit ou um Matt Brown para este confronto. O risco de acabar ficando sem sua chance será elevado.

É melhor Demian se apressar.