Coluna do Coach: O controle do corte de peso

É melhor lutar mais leve ou mais pesado? Todo o peso perdido pode ser recuperado? O preparador físico Diogo Souza explica nesta nova edição da Coluna do Coach.

Atualmente, no MMA de alto rendimento, ainda é comum encontrarmos equívocos no corte de peso e na recuperação do mesmo horas antes da luta.

Antes de entrar no mérito técnico, gostaria de dizer que acredito que o atleta que não bate o peso, exceto se for por um motivo grave, está desrespeitando a si mesmo, o seu oponente, o evento que o contratou, fora a atitude antiética e antiprofissional.

Isto posto, vamos em frente. Partindo do principio do trabalho em equipe que o MMA de alto rendimento exige, é incorreto que o preparador físico ou qualquer outro treinador prescreva a dieta de um atleta, a não ser que se trate de um profissional também formado em Nutrição. Deste modo, devemos construir parcerias com nutricionistas formados. Estes contarão com o nosso conhecimento, vivência e técnicas de corte de peso dentro de um controle que preserve a integridade da saúde do atleta. Devemos sempre ter em mente que alto rendimento é resultado.

Alguns atletas têm facilidade em baixar até 15 quilos algumas semanas antes da luta. Outros têm dificuldade de perder um terço disso. Depois que a descida de peso começou a ser antecipada em semanas ou até meses antes da luta, o resultado passou a ser melhor, os atletas sobem na balança com mais tranquilidade. Apesar de ser uma prática absolutamente normal para os profissionais do meio, a diminuição do carboidrato e desidratação geram irritação no atleta. Por este motivo, fazer o corte de peso dentro de uma janela de tempo adequada é fundamental.

A reposição de peso recomendada atualmente é de 70 a 80% do peso perdido. A reidratação e reposição de peso deve ser feita em quantidades que não excedam o limite de 400ml de líquido por refeição pós-pesagem e até 250 ou 300g na alimentação.

Todos os dados informados foram retirados dos projetos em conjunto com nutricionistas e profissionais da área da saúde que prestam esse suporte. Porém, ainda existem os profissionais que acreditam que quanto mais pesado, melhor. Eu tenho uma recomendação para estes casos: se o lutador deseja ser mais pesado, que suba para a categoria dos pesos pesados.

Osssss!

  • R

    Uhum muito de acordo, se quer subir tanto assim de peso sobe de categoria. Como tu disse tem pessoas que tem facilidade de perder tanto peso assim, mas mesmo para essas pessoas, é uma atitude desgastante demais não? Por mais que atletas como Gleison Tibau e Ben Henderson consigam, não pode ser que seja saudável.
    Ótimo artigo, parabéns Diogo Souza

    • Com certeza. O esporte de alto rendimento nem sempre é saúde e sim resultado. Ainda vejo equívocos por ai mas o número tem reduzido a cada evento pois a informação tem chegado mais rápido aos atletas. O fator se deve também a expansão do MMA mundial.

  • Paulo Josué

    Muito bom artigo. Uma pergunta: antes da etapa de desidratação, os atletas já vem de forma gradual perdendo algum peso não é? Se for, como isso é feito? Da mesma maneira que as pessoas comuns fazem? Seria possível fazer um corte de peso mesmo que mais brando e depois não recuperar o peso?(refiro-me para o caso de pessoas normais, não atletas de alto rendimento).

    • Sim mas com restrições maiores do que as pessoas normais pois estamos lidando com alto rendimento e este visa resultado. Uma dieta normal visa o bem estar e saúde. O que fazemos é iniciá-la com antecedência e não a alguns dias da luta.

  • Felipe Freitas

    Muito bom o texto. Eu acho muito arriscado essa coisa de cortar peso…

    Mas minha pergunta não é sobre esse assunto, é sobre twitcam. Quando tu vai fazer outra twitcam como aquela com o Rony Jason e o Matt Baker? Foi muito massa.

    • Espero fazer uma aqui do Team Nogueira Orlando no próximo mês meu amigo. Obrigado pela lembrança.

  • Fabrício

    Por que a reposição de peso recomendada atualmente é de 70 a 80% do peso perdido? E a outra pergunta, em termos de desempenho, no geral, é melhor perder bastante peso e recuperar o máximo possível/recomendável ou perder pouco peso e recuperar menos, ficando possivelmente mais leve do que a primeira opção?

    • Boa pergunta Fabrício. Controlamos em até 80% para que o atleta não cai na “Neura” de repor o quanto puder. A reidratação e reposição corretas já amenizam o pós pesagem. Por que amenizam? Porque alguns mineirais do corpo serão repostos apenas dias depois. Se o atleta perder menos peso melhor. Menor o sofrimento e desgaste. Hoje trabalhamos com um média de acordo com o que vemos em alto rendimento.

  • Esse eh um assunto que eu já estava curioso há tempos… mto esclarecedor, ótimo artigo! Tenho duas perguntas:
    1) mesmo fazendo o corte de peso da maneira mais correta possível, pode acarretar algum problema na saúde do atleta a longo prazo? Digo, existem efeitos colaterais?
    2) O atleta leva o desgaste do corte de peso para a luta? Ou independente do desgaste que ele venha a ter ele entra 100% no octógono?

  • Pablo

    Olha o contraste da luta de sábado: Frankie Edgar pesa normalmente 73-74Kg e o Ben Henderson 83-84Kg e os dois lutam na mesma categoria de 70Kg.

    • O Henderson é o atleta mais forte dos pesos leves em termos de massa muscular e descida de peso. Você pôde observar na primeira luta entre ambos, que o Edgar o derrubava mas não evoluia as posições laterais no chão devido a largura do tronco do Henderson e logo a luta voltava em pé. Com isso o Henderson (com mais punch) se beneficiou e venceu a luta claramente. Além da técnica de ambos eu acredito que o físico ajudou muito o novo campeão afinal condicionamento é sinônimo de Frank Edgar.

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