Coluna do Coach: Jones vs Belfort

Como o cancelamento do UFC 151 e as mudanças no card do UFC 153 podem interferir na preparação de Jones e Belfort para a disputa do cinturão dos meio-pesados no UFC 152?

No próximo sábado, dia 22, teremos a disputa pelo título dos meio-pesados no UFC 152, em Toronto, Canadá, onde o atual campeão Jon Jones enfrentará Vitor Belfort, que vinha lutando nos últimos anos pela divisão dos pesos médios e aceitou subir de categoria, especialmente para esta disputa de cinturão. Como preparador físico, passarei uma análise desse ponto de vista específico. Também falarei um pouco sobre as configurações de treino de cada um dos lutadores.

Analisando primeiro as características do desafiante, é importante destacar que Vitor Belfort já estava se preparando para o duelo com Alan Belcher, que estava pré-marcado para o UFC 153, que acontecerá no Rio de Janeiro. Portanto, ele não teve dificuldades em adaptar seu camp de aproximadamente três semanas para o combate com Jones, lembrando inclusive que o lutador brasileiro já declarou estar com 92 quilos, um abaixo do peso limite da categoria dos meio-pesados. Vitor costuma pesar cerca de 95 quilos quando não está se preparando para uma luta e, já acostumado a atingir os 83,9 quilos – limite da categoria de baixo -, não precisou de grandes esforços no quesito “perda de peso”.

Passada a adaptação em relação à mudança de categoria, entramos na questão das valências físicas do atleta. Belfort tem ataques potentes em linha reta através de golpes diretos, devido em grande parte aos treinos de boxe e karatê. Estas características me levam a crer que serão os principais trunfos do atleta na tentativa de conquistar o cinturão.

Já o campeão Jon Jones certamente seguiu sua rotina de treinos prevista para um atleta de MMA de alto nível, algo que gira em torno de 90 dias intensos. Alguns lutadores optam por iniciar o camp antes, com um forte trabalho de base. Jones, como a maioria dos campeões, utiliza seus camps preparatórios para aprimorar e aprender novas técnicas, surpreendendo assim seus desafiantes ao tão cobiçado cinturão. Porém, ele não esconde que parte do seu treinamento foi fundamentado em sua escola de base, retomando as origens do forte jogo de wrestling que possui.

Quando falamos de estratégia para MMA, destacamos que inúmeras variáveis podem acontecer dentro do octógono. Posso arriscar que, por ser explosivo, Belfort usará seu boxe e atacará em linha reta e que Jones aproveitará sua envergadura tentando mais quedas do que nas últimas lutas, evitando assim os ataques de encontro do desafiante, tendo a oportunidade de trabalhar seu forte ground and pound com as já famosas e potentes cotoveladas.

A diminuição da duração do camp não deve prejudicar o brasileiro, pois normalmente os lutadores usam a última semana para treinos estratégicos e para baixar o peso. Como ocorreu a subida de categoria, Belfort provavelmente está no pico máximo da potência em um atleta. No caso de Jones, que estava se preparando para lutar no UFC 151, três semanas antes, provavelmente seus treinadores deram uma queda no ritmo de poucos dias, isto próximo à data anterior para a luta contra Dan Henderson (1º de setembro) e, logo depois, picos de alta intensidade para manter o atleta. Independentemente da melhor condição de cada, a última semana de camp é direcionada a treinos técnicos estratégicos e corte de peso, com treinos intervalados e de menor duração.

Jon Jones já provou a todos que possui credenciais suficientes para manter-se campeão do evento, mas na noite de sábado teremos o confronto da potência dos golpes do boxe com as acrobacias e projeções do wrestling.