Coluna do Coach: Jon Jones e o title shot em 40 dias

A disputa por um lugar de destaque no MMA mundial e no seu principal campeonato, o UFC, cada vez mais torna-se acirrada. Os lutadores superam os limites do corpo humano e muitas vezes são comparados a máquinas. Uma luta normal com duração de 15 minutos, divididos em três rounds de cinco minutos por um de intervalo, pode testar os limites do corpo. A intesidade de tal atividade supera qualquer marcador na escala de variedade de capacidade. Força, velocidade, resistência, agilidade, dentre outras, são testadas quando a porta do octagon é fechada. O que dirá uma disputa de cinturão com duração de até 25 minutos divididos em cinco rounds.

Atualmente o jovem Jon Jones é uma realidade. Largou o título de promessa após uma sequência de vitórias que despertou a atenção de fãs, lutadores e até mesmo dos responsáveis pelo UFC. Em seu último confronto contra Ryan Bader, quando muitos questionavam sua qualidade no chão, Jones respondeu com uma finalização rápida. Ao terminar a luta recebeu na frente de todos o title shot, ou seja, a chance de disputar o cinturão de sua categoria que está em posse de Maurício Shogun. A disputa pelo cinturão acontecerá exatamente 40 dias após a vitória contra Ryan Bader e analisaremos aqui alguns fatores no caminho de Jon Jones.

Muitos questionam o overtraining, ou seja, a fadiga, aquele desgaste do corpo que necessita de uma longa pausa nas atividades de alta intensidade para recuperação total do mesmo. O primeiro fator é: Jon Jones finalizou Ryan Bader antes do término da luta e não sofreu tantos golpes que colocassem sua integridade física em risco. Quando preparamos um lutador de MMA para um combate, a periodização correta do treino permite que ele chegue à luta com 100% de suas condições – ou o mais próximo disso. Quando esse cronograma é feito equivocadamente, ou não é seguido, corremos o risco do lutador entrar em uma curva descendente em um gráfico de desempenho, que provoca queda de rendimento. Mesmo com a excelente condição física de Jon Jones e de uma rápida recuperação por não ter sofrido traumas na última luta, estamos falando de esporte de alto rendimento e de uma disputa de cinturão. Isso sem contar o fator chave: o oponente, Shogun, é um excelente lutador que apresenta uma força fora do comum.

No treinamento de alto rendimento, qualquer detalhe faz a diferença no resultado final. Jones terá 40 dias para alterar o cronograma de treinos, passando o foco para 5 rounds, transferindo a configuração de treino para um combate de maior duração. Os preparadores e treinadores utilizam em seu cronograma o que chamamos de semana de choque, onde levamos o lutador além do limite para que se obtenha uma supercompensação, melhorando assim sua condição física. Após esta semana, o atleta passa por uma semana de recuperação fora de época (em off), que pode chegar até a duas semanas.

O espaço de 40 dias entre as lutas é muito curto e provavelmente não daria muito tempo para configurar o treino de potência, que nesta categoria de meio-pesados faz enorme diferença. No final da preparação os lutadores fazem aqueles trabalhos com “circuitos” para aumento de resistência (lactato). Jon Jones poderá apresentar excelente condição na luta, mas não quer dizer que estará no ápice do desempenho. Seria muito difícil analisar isto para o público que acompanha o MMA, é algo mais de olhar “clínico” e que pode ou não influenciar no resultado final.

A idéia desta matéria foi analisarmos algumas possibilidades físicas para o duelo Maurício Shogun vs Jon Jones pelo cinturão dos meio pesados do UFC. Estes fatores são alguns entre inúmeros e seria complicado apontar a resposta exata, por não saber qual o método que a equipe de Jones aplica, qual a linha de trabalho e, o principal, como ele está no dia a dia.