Coluna do Coach: Como utilizar a corrida na preparação física para MMA

Lutador que corre em intensidade moderada em média ou longa duração está melhorando sua performance física em combate? As variáveis tempo e estímulo respondem a questão da eficácia da corrida nos treinos de MMA.

O MMA já se apresenta como um esporte popular em grande parte do mundo. Suas técnicas, regras e atletas evoluíram, tornando-o um esporte completo e complexo. Por sua vez, a preparação física acompanhou este processo e também evoluiu. Contudo, ainda encontramos equívocos sobre o cronograma de treinos do atleta e sua aplicação. Por exemplo, a média recomendada de sessões de preparação física que não deve exceder o total de três vezes por semana, considerando que outras modalidades precisam ocupar a agenda de treinos.

Analisando a preparação física em si, observamos que devemos desenvolver todas as capacidades físicas exigidas em um combate. Entre as principais, encontramos: Força, Resistência de Força, Potência Muscular, Agilidade e Potência Anaeróbia (popularmente conhecida como “cárdio” ou “gás” do atleta). Para tanto, nada mais é tão questionado quanto a inclusão da corrida na preparação física de um atleta de MMA.

A corrida é associada aos treinos de luta há muito tempo e já foi até explorada no cinema

A corrida é associada aos treinos de luta há muito tempo e já foi até explorada no cinema

As variáveis de tempo e estímulo determinarão se a corrida contribui ou não para o desenvolvimento do preparo físico de um lutador. Se o preparador aplicar tiros de velocidade com duração de 10 segundos e intervalo de 20 segundos, certamente contribuirá; porém, utilizá-la com intensidade moderada como único recurso para o treinamento cardiorrespiratório, seja por hábito do atleta ou cultura do treinador, pode deixar uma lacuna no desenvolvimento desta capacidade, uma vez que o atleta necessita do estímulo potência anaeróbia em membros inferiores e superiores. A corrida não precisa ser excluída da agenda de treinos e, com o tempo e entendimento, notaremos que incluir o trabalho de potência anaeróbia para membros superiores, como a utilização do ergômetro de mão ou a aplicação de um trabalho específico de socos em sacos de bater, também funcionam como estímulos de potência anaeróbia.

Após aplicações de testes (apontarei o Teste de Wingate realizado no ergômetro de mão), podemos analisar através de seus principais indicadores (potência máxima alcançada, potência relativa e índice de fadiga) se o atleta respondeu ao treino aplicado, pois os resultados do teste criam um parâmetro de comparação apontando as capacidades físicas que apresentaram melhora e as que precisam ser desenvolvidas.

O que é mais específico: uma corrida de intensidade moderada de média/longa duração ou um trabalho isométrico de 10 a 15 segundos combinado a um estímulo anaeróbio (tiro de velocidade, manopla, ergômetro de mão, cordas, bike convencional) intervalado? Pode parecer que sou contra a inclusão da corrida nos treinos de MMA, mas não, apenas acredito que, em uma fase pré-luta, devemos direcionar o atleta para estímulos específicos. Até porque, no dia da luta, aquele que suportar repetidas ações de força, potência e resistência nas três fases que podem ocorrer em um combate – em pé (striking), projeção (wrestling) e solo (grappling) –, e não apresentar cansaço excessivo, falta de velocidade na movimentação ou dificuldade para golpear o oponente com o passar dos rounds, provará que está bem preparado fisicamente.

Como em qualquer ciência, a preparação física deve acompanhar a evolução e complexidade de cada esporte respeitando a individualidade do atleta.