Coluna do Coach: Adaptação para baixar de categoria

Por Diogo Souza | 19/04/2011 18:00

O duelo entre Fedor Emelianenko e Dan Henderson, previsto para acontecer em julho no Strikeforce, levanta a questão da preparação para o combate pela categoria dos meio-pesados (com limite de 93kg). Henderson vem de vitória e de conquista do cinturão da categoria sobre Rafael Feijão. Já Fedor viu sua invencibilidade de 10 anos cair pelas mãos de Fabricio Werdum e Antonio Pezão.

A questão levantada é a adaptação dos lutadores ao baixar de categoria. Muitos relacionam a queda de desempenho de Fedor, mesmo sendo um ícone no MMA, a não aceitação de métodos modernos de preparação e do camping pré-luta de acordo com o seu adversário.

Ao analisarmos as características da categoria meio-pesado conseguimos traçar o estilos destes lutadores. Estes atletas tem o punch próximo ao do lutador da categoria pesado e a movimentação de um peso médio. Isto justifica que esta seja a categoria no MMA mundial onde os cinturões mais desfilam, por ser a categoria onde existe o maior número de lutadores em alto nível. Se fizermos uma breve lista observaremos o porque da necessidade do lutador ceder a preparação moderna para o combate.

Jon Jones, Maurício Shogun, Rogério Minotouro, Quinton Jackson, Rashad Evans, Rafael Feijão, Dan Henderson, Lyoto Machida, Randy Couture, entre outros, formam a maior lista de uma categoria quando tratamos de manutenção de um cinturão.

A mudança da arena do ringue para o octagon parece ter sido o maior vilão dos lutadores clássicos como Mirko Cro Cop e Fedor. No ringue você encurralava o adversário no canto e conseguia trabalhar isolando-o da fuga. Além disso havia o uso das cordas, que gerava a interrupção do combate algumas vezes pelo árbitro. No octagon o combate é ativo durante os 5 minutos de round e o mercado do MMA atual pede que os lutadores sejam verdadeiras máquinas. Alguns deles saem de um combate de 5 rounds como se estivessem realizado apenas o aquecimento, apresentando desgaste consideravelmente abaixo do seu limite máximo.

Observando a fundo a área da preparação física, a solução para tal adaptação de pesado para meio-pesado, será configurarmos todo o cronograma de acordo com a disputa de título de 3 para 5 rounds e com a característica da categoria, com força, porém com maior velocidade.

Ao definir juntamente com o Chefe de Equipe (Head Coach) o desenvolvimento deste lutador – no caso deste texto, Fedor -, um trabalho de controle e redução do percentual de gordura e desenvolvimento de potência e velocidade seriam essenciais no cronograma de treinos. A alimentação precisa ser cuidadosa, pois há a necessidade de reduzir gordura e manter o rendimento. Treinos como levantamento olímpico, saltos e arremesso de peso seriam algumas propostas. Próximo ao combate o treino para aumento de lactato entra em evidência. Alguns utilizam circuitos, outros não, mas o objetivo continua o mesmo em desenvolver maior resistência de força do lutador.

Como consideração final, a preparação física é um complemento essencial para o lutador, pois esta permite que o mesmo execute sua técnica por um tempo prolongado durante o combate. Muitas vezes ela faz a diferença em um duelo equiíbrado.

“Se não cedermos às modernidades do MMA, ficaremos para trás, independente se for um grande ídolo.”

Preparador físico de alto rendimento, especializado em esportes de combate. Formado em Educação Física pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) e pós-graduado em Reabilitação Cardíaca e Casos Especiais pela Universidade Gama Filho. Faixa Preta de Brazilian Kenpo, faixa azul de Jiu-Jitsu.