Cine Luta indica: Os 5 melhores filmes com luta de todos os tempos

A nova coluna do MMA Brasil traz um pouco mais de cultura e entretenimento para os nossos leitores. O olhar singular do colunista Pedro Lins recomenda filmes, séries, livros, jogos e qualquer outra coisa que acrescente aos nossos leitores tendo sempre a luta como pano de fundo.

Se os leitores do MMA Brasil descerem até o fim da matéria e olharem para a bio deste que vos escreve, poderão ver que algumas das minhas paixões são o cinema, as séries e a literatura. E não há nada mais satisfatório para um homem apaixonado do que falar sobre o objeto da sua afeição. Vamos começar essa nova coluna, que é quase uma declaração de amor, com uma lista dos 5 melhores filmes de luta de todos os tempos.

Rocky, um lutador, mais conhecido como Rocky I, é o melhor filme de luta (e de esportes) que a sétima arte já produziu. Estrelado e roteirizado pelo mestre Sylvester Stallone, o filme (e a série de filmes) é uma metáfora da história do próprio Stallone. A expressão “filme de luta” sequer cabe aqui, já que a história poderia ser contada sob diversos panos de fundo, incluindo o boxe.

Rocky Balboa é um boxeador sem sucesso que, devido a uma série de fatores, recebe a oportunidade de desafiar o título dos pesos pesados do lendário Apollo Creed, o “Doutrinador”, ou o “Mestre do Desastre”. Contudo, como dito anteriormente, o filme não é sobre luta, é sobre a vida. É sobre como podemos superar os obstáculos que a vida nos traz sem cair na armadilha de nos considerarmos vítimas da nossa própria história. É um filme que mudou a minha vida. “Rocky I” venceu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e melhor edição em 1977. Com um orçamento de apenas US$1,1 milhão, lucrou US$117 milhões. É um marco na história do cinema, daqueles filmes que formam caráter. Se você é como nosso colunista Bruno Fares, que nunca assistiu à série Rocky, saiba que nós do MMA Brasil ainda não te consideramos um(a) homem/mulher de verdade, mas sim um(a) moleque. Um dia pretendo fazer um texto contando os motivos pelo qual Rocky I mudou a minha vida, mas não quero estragar o filme para quem ainda não viu, por isso é a nossa primeira e maior indicação. Enquanto isso, vejam como nosso editor foi influenciado pela obra.

O último filme da série, oficialmente chamado de Rocky Balboa, mas também conhecido como Rocky VI, é um candidato forte ao primeiro lugar dessa lista, ficando em segundo apenas por não ter recebido tantos prêmios. Como disse, a série Rocky é uma metáfora para a vida do próprio Stallone e, assim como o ator, Rocky se encontra velho, solitário e vivendo do saudosismo das glórias passadas transmitidas através de histórias contadas aos clientes no seu restaurante. É aí que o antigo campeão decide resolver seus próprios conflitos internos e a dificuldade de se abster das lutas em um último combate. Mais uma vez, o filme não é apenas sobre lutas, mas sobre a vida e sobre os conflitos que cada um de nós leva dentro do peito. “Rocky Balboa” é estupendo e trouxe mais um ensino para moldar o nosso caráter que estava anos sem as orientações do nosso disciplinador Stallone, que pode ser visto no vídeo abaixo. Assista a toda a série, enxugue as lágrimas e me agradeça depois.

Robert de Niro e Martin Scorsese. Apenas esses dois nomes deveriam ser suficientes para o leitor assistir a Touro Indomável. Estamos falando aqui de um dos maiores filmes da história do cinema e de uma das maiores atuações desde que o primeiro ator surgiu na Grécia Antiga. “Touro Indomável” é uma obra-prima em todos os aspectos. Roteiro, direção, atuações e o uso de cenas em preto e branco intocáveis. Vencedor do Oscar de Melhor Montagem e Melhor Ator, a obra está na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos em quase todas as publicações especializadas, com muita justiça. “Touro Indomável” conta a história real de Jake LaMotta, ex-campeão mundial de boxe, sua rivalidade com o lendário Sugar Ray Robinson e da vida autodestrutiva que ele levava. A história é tão crua e realista que nos faz amar e odiar o protagonista por mais de duas horas. De Niro teve a melhor atuação de sua vida. Ele treinou tanto boxe que chegou a ganhar lutas de verdade no Brooklyn. Para as cenas com o protagonista mais velho, o ator engordou quase 30 quilos.

Sim, amigos, Hurricane, o furacão é o ridículo nome que esse fantástico filme recebeu no Brasil (originalmente se chama “The Hurricane”). Ele nos conta a dramática e revoltante história real do boxeador Rubin “Hurricane” Carter, preso por um assassinato que não cometeu e culpado por ser negro. No dia de sua morte, eu escrevi um texto em sua homenagem, um homem o qual o mundo não é digno. “Hurricane” é estrelado por Denzel Washington e deveria ser exibido nas escolas, obrigação que cumpri com os meus alunos. Como Bob Dylan disse na música que compôs em homenagem a Carter, ele poderia ter sido campeão do mundo.

Para fechar nossa lista, vamos com um documentário. Um documentário, não. “O” documentário. Ganhador do Oscar de 1996, Quando Éramos Reis relata o histórico conflito entre Muhammad Ali e George Foreman, válido pelo cinturão dos pesos pesados, em 1974 (leia aqui nosso artigo sobre os 40 anos da luta). O filme mostra os bastidores da luta, o contexto histórico e a história dos dois mitos, quando somos presenteados com um show da personalidade de Ali. É também obrigação para todos os leitores.

E aí, terminaram de assistir ou de rever todos? Não aceitamos a desculpa de falta de tempo ou qualquer outra porque, como aprendemos com o velho mestre:

“Ninguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não é sobre quão forte se pode bater, mas sim sobre o quanto se aguenta apanhar e seguir em frente. É assim que se consegue vencer. Agora, se você sabe o teu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que estar preparado para apanhar. E nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele ou dela, ou de quem quer que seja. Só covardes fazem isso e você não é covarde! Você é melhor do que isso!”

Depois da lição aprendida, espero a opinião de vocês aqui na caixinha de comentários.

  • Matheus Maliska

    Alexandre, você viu os trailers do creed? Senão olhou não olhe minha expectativa é que seja apenas abaixo do ROCK I

    • Não gosto de ver trailers de filmes que quero muito assistir.

      • Pedro Lins

        sem contar que hoje em dia os trailers tão atrapalhando a experiência e as surpresas dos filmes

  • Fulano de Tal

    Poderiam indicar os 5 melhores documentários também

    Valeu!

    • Pedro Lins

      vou falar de documentários no futuro, be prepared

  • Matheus Maliska

    ótima materia, pessoal se possível quando estreiar o creed seria legal vocês fazerem um podcast sobre o rocky e citar outros filmes também, estou muito anisoso eu particulamente adoro a antologia rocky só não gosto do 5 mas como complemento na metafora do rocky é valido tmabém.

    • Pedro Lins

      estou ansioso e pronto pra pré-estreia! Pode ser o caso da gente gravar um Cine Luta em áudio quando sair o Creed!

      • Rafael Fiori

        Gostei da idéia.

      • Pode esquecer, não tem a menor condição. Creed estreia em 14 de janeiro, no meio da confusão de Dillashaw-Cruz, FOX 18, Werdum-Velasquez 2.

        O Cine Luta pode ser tema de um podcast, mas em outra época.

    • Pedro Carneiro

      Promessa cumprida, hein?

  • Malk Suruhito

    Confesso estar meio decepcionado de só ter filmes de boxe, mas respeito a opinião do Pedro. No mais, só discordo talvez do Touro Indomável. É um puta filme, um baita drama, mas acho que é o filme que menos tem luta realmente de todos os citados. Acho que de todos é o único que tirando a célebre frase “você não consegue me derrubar”, não tem nenhuma outra cena das lutas que fiquem marcadas na memória.

    • Pedro Lins

      os melhores filmes que envolvem a temática são os de boxe, de outros estilos vc tem o warrior, o foxcatcher, algum outro, mas esses da lista são melhores

    • Que filmes sem ser de boxe estariam na lista? Warrior ou Foxcatcher? São dois filmaços, mas não são melhores nem que Menina de Ouro. MMA é um esporte muito novo, ainda não há produções relevantes em quantidade como o boxe, que tem filmes de quase 100 anos. Espero que você não acredite que qualquer filme do Bruce Lee seja melhor do que qualquer um citado na lista do Pedro.

      Touro Indomável é a biografia de um boxeador. A lista não estava falando de filmes no estilo O Grande Dragão Branco.

      • Malk Suruhito

        A questão é que estou tratando filmes de Luta e não filmes COM luta ou sobre lutadores. Mas entendi a proposta do Pedro.
        Exemplo: Operação Dragão é considerado como o melhor filme de luta (artes marciais) de todos e Kickboxer (do Van Damme) apesar do roteiro clichê, um dos mais bonitos sobre o tema.

        No que eu falo, as cenas de lutas são as melhores partes do filme, no caso da lista do Pedro, são essenciais, mas não necessariamente o que o filme tem mais de relevante. Exemplo: Dá para tirar todas as cenas de luta do Touro Indomável que a história e a atuação do De Niro ainda seriam esplêndidas.

        • Então, você tá falando de outra coisa. Se tá falando de outra coisa, a lista não poderia (ou não deveria) ter te decepcionado. Se fosse uma lista como a que você pensou, aí sim. Sacou?

          Eu tenho DVD do Kickboxer, paro pra ver quando está passando, devo ter decorado pelo menos 50% das falas, mas não tem nem como começar a comparar com nenhum dos filmes listados e muitos outros que ficaram de fora.

          Touro Indomável é tão bom que, como você disse, seria um filmaço se não aparecesse um ringue sequer no filme.

  • Danilo Oliveira

    Aguardando a previa do card principal do UFC on Fox: dos Anjos vs. Cerrone II.

    • Pedro Lins

      dsclp

      • Danilo Oliveira

        Vai ter hoje, Pedro Lins?

        • Pedro Lins

          acredito que sim, Alexandre é trabalho

          • Bruno Fares

            João é trabalho (mesmo desempregado).

        • João Gabriel Gelli

          Sai hoje sim.

    • João Gabriel Gelli

      Saiu lá.

  • Hudson Paulo Dias

    “O lutador” com michael jay white e o “boyka” é muito muito bom!

    • Pedro Lins

      realmente

    • O Scott Adkins tem uns filmes de porrada legaizinhos, ele tem boa coreografia.

  • Lucidio Gomes

    Excelente texto, parabéns! Poderia ter citado o filme menina de Ouro e o Documentaria do Bruce Lee, que são muito bons também, mas o texto está otimo mesmo assim. Cara que historia é essa do Hurricane, não conhecia, cliquei no link e li teu texto sobre ele, muito bom também, que historia de vida, muito emocionante, com certeza entrou para minha lista de filmes para ver. Espero que a coluna continue!!

    • Pedro Lins

      todos esses e muitos outros muito bons ficaram de fora pq era um top 5. Assista, é muito bom e vamos continuar sim!

  • Deivisson Teixeira

    Parabéns Pedro, a coluna fez sucesso kk

    • Pedro Lins

      obrigado, fera!

  • Gabriel Castelani

    The Smashing Machine, foi um dos melhores documentarios de 2002!

    • É legal mesmo.

    • Pedro Lins

      não assisti, vou ver se vejo essa semana. É o do Kerr, né?

      • É.

      • Gabriel Castelani

        Pedro, ontem assiti ao Hurricane, acabou o filme e comecei a buscar informacao sobre Rubi Carter! Inclusive li o seu artigo de 2014 fazendo um paralelo com a musica do Dylan, aqui no site! Tem alguns detalhes que Hollywood escodeu a 7 chaves! Da uma olhada nesse site, parece que ele estava para mais pra vilao do que bandido!
        http://www.graphicwitness.com/carter/index.html

        • Olha, cuidado no que você anda lendo e acreditando. Dá uma pesquisada sobre a Lona Manning, por exemplo.

          • Pedro Lins

            pois é, ia começar a ler a matéria quando vi de quem era a autoria. Pode até ser que eu esteja julgando e usando um argumentum ad hominem, mas se tratando dela, perde muito a credibilidade …

            • Gabriel Castelani

              Então Pedro também quase
              desiste de buscar outras coisas pelo pré julgamento; me gera ira essa loucura
              KKK, mas tive paciência, o filme é uma FARSA, disso tenho certeza!

              Alguns fatos ocultos do
              Filmes:

              -Carter era um delinquente juvenil,
              líder de uma gangue, foi preso aos 14 anos e não aos 11!

              -Foi expulso do exército!

              -Não foi roubado da disputa
              de cinturão contra Joey Giardello,

              -Não conheceu John Artis
              naquela noite, o mesmo foi preso depois que saiu da cadeia em 81 por
              envolvimento com cocaína!

              -Algumas testemunhas
              admitiram que mentiram sob pressão de Carter em sua cortada

              -Havia negros na formação dos
              jurados no segundo julgamento e investigadores negros, foi feito um teste com
              40 perguntas para o jure para evitar qualquer tipo de preconceito racial

              -Não existiu o tal DELLA
              PESCA

              -Bob Dylan não toca
              Hurricane desde 76 por motivos não muito claro

              -Ele foi solto em liberdade
              condicional e teve um problema com uma mulher ativista (Carolyn Kelley) que
              ajudava ele na causa FREE CARTER, ela foi parar no hospital retirou os cargos!

              -O julgamento na corte federal
              não teve novas provas como indicado na ficção do filme, por erros técnicos do judiciário
              o tribunal se viu obrigado a soltar CARTER pela incapacidade de julgar o
              ocorrido, Carter não foi absolvido do caso e sim posto em liberdade
              condicional!

          • Gabriel Castelani

            Obrigado pela preocupação Alexandre, pode ter certeza que nao estaria compartilhando algo senao tivesse feito uma pesquisa previa! Mas o filme é bem diferente da história real. Nesse site tem várias documentos e opiniões, não só de Lona Manning, se tiver a paciência de ir a afundo podem mudar de ideia sobre o que realmente aconteceu! Vou deixar um fragmento de outros opinioes : “O filme foi criticado por deturpar muitos dos fatos da vida de Carter e do próprio caso, como documentado em ambos os seus antecedentes criminais e militares, e os relatórios da polícia e documentação tribunal. Tais críticos incluem: Herald-Repórter Cal negócio;[7] Larry Elder;[8] Thomas Clough; Barbara Burns, a filha da vítima Hazel Tanis; George Kimball do The Irish Times;[9] Milan Simonich do Pittsburgh Post-Gazette; Lona Manning;[10] Repórter do The New York Times Robert Lipsyte;[11] Paul Mulshine do The Newark Star-Ledger; e Jack Newfield do New York Post, que afirmou: “Eu sabia que Rubin Carter, participou de suas lutas, cobriu o novo julgamento e eu não vi tanta realidade na tela.”
            Crítico de cinema David Denby do The New Yorker chamou-lhe: “False, evasivo e factualmente muito fina – um conto de fadas liberal.”[12]