Por Pedro Carneiro | 17/12/2015

Se os leitores do MMA Brasil descerem até o fim da matéria e olharem para a bio deste que vos escreve, poderão ver que algumas das minhas paixões são o cinema, as séries e a literatura. E não há nada mais satisfatório para um homem apaixonado do que falar sobre o objeto da sua afeição. Vamos começar essa nova coluna, que é quase uma declaração de amor, com uma lista dos 5 melhores filmes de luta de todos os tempos.

Rocky, um lutador, mais conhecido como Rocky I, é o melhor filme de luta (e de esportes) que a sétima arte já produziu. Estrelado e roteirizado pelo mestre Sylvester Stallone, o filme (e a série de filmes) é uma metáfora da história do próprio Stallone. A expressão “filme de luta” sequer cabe aqui, já que a história poderia ser contada sob diversos panos de fundo, incluindo o boxe.

Rocky Balboa é um boxeador sem sucesso que, devido a uma série de fatores, recebe a oportunidade de desafiar o título dos pesos pesados do lendário Apollo Creed, o “Doutrinador”, ou o “Mestre do Desastre”. Contudo, como dito anteriormente, o filme não é sobre luta, é sobre a vida. É sobre como podemos superar os obstáculos que a vida nos traz sem cair na armadilha de nos considerarmos vítimas da nossa própria história. É um filme que mudou a minha vida. “Rocky I” venceu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e melhor edição em 1977. Com um orçamento de apenas US$1,1 milhão, lucrou US$117 milhões. É um marco na história do cinema, daqueles filmes que formam caráter. Se você é como nosso colunista Bruno Fares, que nunca assistiu à série Rocky, saiba que nós do MMA Brasil ainda não te consideramos um(a) homem/mulher de verdade, mas sim um(a) moleque. Um dia pretendo fazer um texto contando os motivos pelo qual Rocky I mudou a minha vida, mas não quero estragar o filme para quem ainda não viu, por isso é a nossa primeira e maior indicação. Enquanto isso, vejam como nosso editor foi influenciado pela obra.

O último filme da série, oficialmente chamado de Rocky Balboa, mas também conhecido como Rocky VI, é um candidato forte ao primeiro lugar dessa lista, ficando em segundo apenas por não ter recebido tantos prêmios. Como disse, a série Rocky é uma metáfora para a vida do próprio Stallone e, assim como o ator, Rocky se encontra velho, solitário e vivendo do saudosismo das glórias passadas transmitidas através de histórias contadas aos clientes no seu restaurante. É aí que o antigo campeão decide resolver seus próprios conflitos internos e a dificuldade de se abster das lutas em um último combate. Mais uma vez, o filme não é apenas sobre lutas, mas sobre a vida e sobre os conflitos que cada um de nós leva dentro do peito. “Rocky Balboa” é estupendo e trouxe mais um ensino para moldar o nosso caráter que estava anos sem as orientações do nosso disciplinador Stallone, que pode ser visto no vídeo abaixo. Assista a toda a série, enxugue as lágrimas e me agradeça depois.

Robert de Niro e Martin Scorsese. Apenas esses dois nomes deveriam ser suficientes para o leitor assistir a Touro Indomável. Estamos falando aqui de um dos maiores filmes da história do cinema e de uma das maiores atuações desde que o primeiro ator surgiu na Grécia Antiga. “Touro Indomável” é uma obra-prima em todos os aspectos. Roteiro, direção, atuações e o uso de cenas em preto e branco intocáveis. Vencedor do Oscar de Melhor Montagem e Melhor Ator, a obra está na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos em quase todas as publicações especializadas, com muita justiça. “Touro Indomável” conta a história real de Jake LaMotta, ex-campeão mundial de boxe, sua rivalidade com o lendário Sugar Ray Robinson e da vida autodestrutiva que ele levava. A história é tão crua e realista que nos faz amar e odiar o protagonista por mais de duas horas. De Niro teve a melhor atuação de sua vida. Ele treinou tanto boxe que chegou a ganhar lutas de verdade no Brooklyn. Para as cenas com o protagonista mais velho, o ator engordou quase 30 quilos.

Sim, amigos, Hurricane, o furacão é o ridículo nome que esse fantástico filme recebeu no Brasil (originalmente se chama “The Hurricane”). Ele nos conta a dramática e revoltante história real do boxeador Rubin “Hurricane” Carter, preso por um assassinato que não cometeu e culpado por ser negro. No dia de sua morte, eu escrevi um texto em sua homenagem, um homem o qual o mundo não é digno. “Hurricane” é estrelado por Denzel Washington e deveria ser exibido nas escolas, obrigação que cumpri com os meus alunos. Como Bob Dylan disse na música que compôs em homenagem a Carter, ele poderia ter sido campeão do mundo.

Para fechar nossa lista, vamos com um documentário. Um documentário, não. “O” documentário. Ganhador do Oscar de 1996, Quando Éramos Reis relata o histórico conflito entre Muhammad Ali e George Foreman, válido pelo cinturão dos pesos pesados, em 1974 (leia aqui nosso artigo sobre os 40 anos da luta). O filme mostra os bastidores da luta, o contexto histórico e a história dos dois mitos, quando somos presenteados com um show da personalidade de Ali. É também obrigação para todos os leitores.

E aí, terminaram de assistir ou de rever todos? Não aceitamos a desculpa de falta de tempo ou qualquer outra porque, como aprendemos com o velho mestre:

“Ninguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não é sobre quão forte se pode bater, mas sim sobre o quanto se aguenta apanhar e seguir em frente. É assim que se consegue vencer. Agora, se você sabe o teu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que estar preparado para apanhar. E nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele ou dela, ou de quem quer que seja. Só covardes fazem isso e você não é covarde! Você é melhor do que isso!”

Depois da lição aprendida, espero a opinião de vocês aqui na caixinha de comentários.