Cine Luta indica: “Kingdom”, a série que todo fã de MMA deveria assistir

O Cine Luta faz a análise de “Kingdom”, série sobre MMA da Audience Network, estrelada por Frank Grillo, Jonathan Tucker, Kiele Sanchez, Matt Lauria e um surpreendente Nick Jonas.

Crítica SEM Spoilers

Kingdom” é uma série que tinha tudo para dar errado. Ela está em um canal pequeno, trata de um tema de difícil abordagem, lida com um gênero esportivo que é conhecidamente difícil de se filmar e com a grande tentação de recorrer ao clichê de belas histórias de superação. Apesar de tudo isso, a série criada por Byron Balasco conseguiu vencer por 10-8 todas as adversidades.

O enredo começa simples. Alvey Kulina, ex-lutador e lenda do MMA, é proprietário de uma academia de MMA na Califórnia e é o líder da equipe Navy St. A equipe tem como principais destaques o ex-campeão Ryan Wheeler e os filhos de Alvey, Nate e Jay Kulina. Até aqui não há nada de diferente de qualquer outro filme de artes marciais, não? Pois logo no inicio somos apresentados a uma realidade não tão padrão assim.

frank-grillo-2015-kingdom

Alvey é um ex-dependente de drogas que tenta dar a volta por cima, mas redireciona o seu vício no álcool e no dom de destruir suas relações familiares. Ryan é um ex-presidiário, que conheceu o sistema carcerário após agredir o próprio pai, que retorna à academia para reerguer sua carreira e ir atrás da (ex-) namorada, esta que é a atual namorada de Alvey. Nate é uma jovem promessa do esporte que tem problemas com a sua introspecção e sexualidade. E Jay, bem… Jay é praticamente a soma de todos os problemas que alguém pode ter em conjunto com um talento natural absurdo.

Todas essas situações fazem de “Kingdom” uma série dramática que usa as lutas de MMA como um catalizador das reações provenientes de cada um desses históricos. Há tempos não se via uma série que lidava com temas tão profundos como as relações familiares, o alcoolismo, a sexualidade, a prostituição, o uso de drogas e a solidão de modo tão cru e profundo. Não ficam de fora os dramas característicos dos lutadores e treinadores do MMA, como as dificuldades com lesões, corte de peso e falta de dinheiro. Todos esses problemas são apresentados de modo realista e com responsabilidade. O enredo é imprevisível e realista. Essas características são levadas a um extremo que faz com que o telespectador fique preso à trama e em uma montanha-russa de emoções durante a série.

A direção e todo os aspecto visual são básicos, haja vista o baixo orçamento da série. Contudo, isso é compensado com um roteiro bom na primeira temporada e ótimo na segunda, ótima entrega física dos atores, uma atuação excelente e uma das melhores construções de personagens feitas no ramo. Nick Jonas (sim, o do Jonas Brothers) surpreende, entregando uma atuação sólida sobre um assunto complexo e polêmico. Frank Grillo está no melhor papel de toda a sua carreira. E Jonathan Tucker faz um dos melhores personagens dentre todas as séries em atividade. É incrível o seu alcance dramático e como o personagem parece estar em simbiose com o ator. Tucker está merecidamente entre os melhores atores deste ano e espero que as premiações lembrem dele. Jay é um personagem complexo, carismático, um anti-herói que rouba a cena em todos momentos em que aparece. É um dos raros casos em que um personagem coadjuvante é tão bem interpretado que fica mais interessante que a trama de qualquer um dos outros personagens.

Como tudo tem defeito, a série tem problemas como o uso inicial do triângulo amoroso, a diferença de ritmo e episódios entre as duas temporadas, cenas de nudez e sexo gratuitas e a previsibilidade de alguns combates. Porém, os pontos positivos suplantam os negativos e fazem de “Kingdom” uma das melhores séries da atualidade e uma recomendação obrigatória para todo fã de MMA.

Conclusão e Nota

kingdom

“Kingdom” é umas das melhores séries em exibição, concorrendo com todos os outros gêneros. Se chegar ao mainstream, será amada pelos fãs e aclamada pelo público do MMA. Não é à toa que vários lutadores, treinadores, ex-lutadores e jornalistas do meio têm feito participações especiais e as filmagens foram visitadas pelo próprio Dana White. O Cine Luta recomenda fortemente a série e torce para que ela tenha o devido reconhecimento no futuro.

Em virtude da baixa popularidade da série e que muitos dos nossos leitores ainda não a assistiram, não faremos um bloco com spoilers. Todavia, fica a promessa de mais um Cine Luta em áudio com spoilers tratando de todas as temporadas de Kingdom até aqui.

Nota da série: Faixa Preta. É daqueles atletas fenômenos que, em três anos de treino, chegam na faixa preta e geram grande expectativa no público.