Por Alexandre Matos | 23/07/2017 00:13

Finalmente o povo de Nova York comemorou uma vitória de seu principal lutador. Depois de duas derrotas em duas apresentações em seu estado natal, Chris Weidman voltou às origens da luta agarrada e fez Kelvin Gastelum se render na luta principal do UFC On FOX 25, que aconteceu no Nassau Veterans Memorial Coliseum, em Long Island.

Muitas emoções no primeiro assalto. Weidman entrou focado em controlar a distância e achar o momento certo de derrubar e trabalhar no chão. Ele se beneficiou de dois erros de Gastelum para conseguir o intento. No solo, a diferença técnica fez Weidman passar a guarda e tentar uma kimura. Porém, quando Kelvin se levantou, já nos segundos finais, acertou um violento direto de esquerda que mandou Weidman pesadamente a knockdown. Weidman reagiu para agarrar as pernas de Gastelum e foi salvo pelo gongo. Como a vantagem de Chris não era muito contundente, é correto considerar que Kelvin virou o round.

A lição foi aprendida na segunda etapa e o ex-campeão foi mais cuidadoso na busca pela queda, sem se expor. Weidman conseguiu a queda na metade do round, caiu por cima e não teve nenhum trabalho em manter o descendente de mexicanos com as costas no chão. Gastelum tentou travar os punhos de Weidman, mas não teve chance de reagir. Luta empatada.

Weidman aceitou a troca franca no terceiro assalto e levou vantagem. Para completar, conseguiu derrubar e voltar ao passeio no solo. Só que, desta vez, ele não perdeu oportunidade. Vendo que Gastelum não agia na guarda, Weidman fez um movimento perfeito para as costas e dali para o katagatame. O ex-campeão rapidamente fixou o estrangulamento e esperou Gastelum se debater. Ao invés de fazer força, Chris afastou o quadril e manteve a pegada. Era questão de tempo. Kelvin batucou na marca de 3:45 da terceira etapa.

Darren Elkins vence em decisão controversa contra Dennis Bermudez

Segue o pacto de Darren Elkins com o coisa-ruim. Mesmo cansado, mesmo sendo mais atingido, ele usou o velho jogo de sufoco na luta agarrada para vencer Dennis Bermudez por decisão dividida.

O combate parecia sob medida para Bermudez, que foi melhor enquanto manteve o confronto na troca de golpes em pé. Em uma de suas conhecidas afobações, Bermudez escorregou depois de um chute e viu Elkins pegar suas costas. Dennis se safou, mas cometeu outro erro. Elkins aproveitou novamente nas costas e garantiu o assalto com uma queda no final.

O segundo assalto foi quase inteiramente de Bermudez. Ele conseguiu manter a maior parte do tempo na troca de golpes e mostrou maior volume diante da queda de rendimento de Elkins. Porém, como não consegue manter a estratégia por muito tempo, Dennis permitiu que a luta tivesse momentos no clinch, dando chances para Elkins se recuperar, como quando Darren encaixou uma bela queda de grande amplitude. Ainda assim, luta empatada.

Mais do mesmo no terceiro assalto, com Bermudez dominando as ações na troca de golpes em pé e comentendo erros afobados. Como Elkins estava mais desgastado e Bermudez cansa nunca, os erros não foram explorados a ponto de equilibrar as ações e embolar a pontuação. Porém, estamos falando de juízes de MMA. Dois deles discordaram da visão do MMA Brasil e anotaram vitória por 29-28 para Darren Elkins, que chega ao quinto triunfo consecutivo, agora por decisão dividida.

Patrick Cummins acaba estragado, mas vence Gian Villante

Foi menos movimentado que o esperado, mas equilibrado como suposto. Patrick Cummins mostrou mais coração para reagir a um começo pior e venceu Gian Villante em decisão bastante apertada.

Patrick Cummins saiu estragado, mas venceu Gian Villante (Foto: Esther Lin/MMAFighting.com)

Patrick Cummins saiu estragado, mas venceu Gian Villante (Foto: Esther Lin/MMAFighting.com)

Estratégias ficaram claras logo no começo: Cummins buscava as quedas e Villante tentava evitá-las e retaliar o adversário na longa distância. Como é um wrestler de origem, inclusive bem digno, Gian levou a melhor, embora não usasse combinações maiores e ainda corria riscos com chutes em alturas bloqueáveis, que poderiam permitir uma queda a Patrick.

O ritmo caiu demais no segundo assalto, que foi disputado inteiramente na troca de golpes, fora uma rápida tentativa de clinch por parte de Cummins dentro do minuto final. Com ambos cansados e produzindo pouco ofensivamente, Patrick teve volume superior e empatou a luta.

O terceiro assalto foi muito parelho e com alternâncias de vantagens. Os lutadores estavam exaustos, mas mesmo assim mandaram fogo pesado sempre que conseguiram levantar os punhos. Villante começou melhor, Cummins teve uma reação, mas Gian terminou acertando alguns golpes mais contundentes. Na contagem do MMA Brasil, Villante venceu por 29-28, mesmo placar anotado por um dos juízes. Porém, os outros dois marcaram o placar para Cummins, que venceu por decisão dividida.

Jimmie Rivera vence tiroteio contra Thomas Almeida

Superior na curta distância, mais versátil e mais protegido, Jimmie Rivera mandou Thomas Almeida duas vezes a knockdown e conseguiu mais uma importante vitória rumo ao trio de ferro do peso galo.

A dose de nitroglicerina envolvida na luta era tão grande que os lutadores começaram em óbvio estudo e respeito. Conforme foram se soltando, Rivera se aproveitou da movimentação ruim defensiva de Thominhas para mandar o brasileiro a knockdown duas vezes, sempre quando o rival se aproximou sem jogo de cintura e sem movimentar a cabeça. A diferença defensiva foi fundamental para o americano levar vantagem no infighting.

Thomas acertou a distância na segunda etapa e adotou uma postura mais agressiva, de caçador. Frente à nova realidade, Rivera passou a atrair o adversário recuando e, no momento em que Almeida entrava com um direto alongado, o americano dava um rápido passo à frente para pegá-lo dentro do raio de ação. Num assalto parelho, Thominhas empatou o combate em 19-19.

Mediante a mudança de panorama do round anterior, Rivera buscou a queda logo nos segundos iniciais do último assalto. Thomas levou quase um minuto e meio para se livrar e, quando esteve de pé, voltou a errar a distância. O americano conseguiu uma segunda queda quando abafou uma joelhada no corpo que Almeida lançou e foi melhor no tiroteio na curta distância.

A contagem de 29-28 a favor de Jimmie Rivera foi o placar anotado pelo MMA Brasil e por um dos juízes. Outro marcou 30-27, placar válido pelo equilíbrio do segundo round, e o terceiro anotou 30-26, como se estivesse julgando boxe, supervalorizando knockdowns.

Brasileiros vencem três e perdem duas nas preliminares

Havia cinco brasileiros nas oito lutas do card preliminar do UFC On FOX 25. Três deles venceram e levaram bônus para casa. Destaque maior para Alex Cowboy. O entrerriense teve dificuldade com o jogo de Ryan LaFlare no primeiro assalto, mas aplicou um nocaute violento com um uppercut que pegou o americano enquanto avançava. A vitória aconteceu na marca de 1:50 do segundo assalto. Alex recebeu um dos bônus de desempenho da noite e pode aparecer no ranking na próxima atualização.

Na principal preliminar, Elizeu Capoeira e Lyman Good fizeram um duelo muito equilibrado e empolgante. Os três assaltos foram apertados. Good venceu os dois primeiros na contagem do MMA Brasil. O americano conseguiu um knockdown no primeiro round e aproveitou que o ritmo do brasileiro baixou no segundo. Capoeira voltou mais agressivo no terceiro, chegou a passar por um momento ruim, mas acabou a luta forte. O MMA Brasil anotou 29-28 Good, mas dois juízes viram um esquisito 30-27 para o brasileiro, que venceu por decisão dividida. O combate foi bonificado como o melhor do evento.

A outra vitória de um brasileiro veio pelas mãos de um estreante. O peso pesado Junior Baby mostrou inteligência para suportar a pressão de Timothy Johnson no clinch no começo do combate e logo apresentou seu cartão de visitas. Bem mais ágil que um pesado tradicional, Baby encaixou uma sequência avassaladora que começou com um gancho de esquerda, passou numa joelhada no corpo e um par de ganchos que mandaram o americano a nocaute. Junior também recebeu bônus de desempenho.

O peso médio Rafael Sapo sofreu uma derrota dura. Ele encarou o ex-linebacker campeão da NCAA pela Universidade do Alabama Eryk Anders e levou um sonoro atraso na troca de golpes. Uma canhota de Anders fez Sapo cruzar o octógono abalado. Em seguida, o brasileiro foi ao solo debaixo de pedradas no ground and pound. Sapo conseguiu se levantar, mas levou uma blitz que acabou com dois violentos diretos de esquerda no queixo. Rafael caiu apagado.

O outro brasileiro derrotado foi o peso pena Godofredo Pepey, que era o maior azarão da noite. Muito preocupado em acertar golpes plásticos, o cearense foi facilmente dominado por Shane Burgos, striker muito mais técnico. Algumas patéticas tentativas de puxar para a guarda e a quantidade absurda de golpes errados deixaram a impressão que a evolução que Pepey mostrara na troca de golpes tinha muito a ver com referencial. Dois juízes anotaram 30-26 e um teve a pachorra de marcar um assalto a favor do brasileiro, concedendo a vitória a Burgos por 29-28.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.