Brock, Fedor e o futuro dos pesados do UFC

Por Alexandre Matos | 16/12/2009

Tudo corria maravilhosamente bem no Reino dos Gigantes do UFC. Depois de defender seu cinturão pela primeira vez na luta principal do histórico UFC 100, Brock Lesnar já tinha agendado para o UFC 106 sua segunda defesa, desta vez contra o invicto Shane Carwin. Mas o público queria mudanças. Insatisfeito com o comportamento pós-luta de Lesnar, o povo clamava por Fedor Emelianenko no maior evento do mundo. O presidente Dana White assumiu a responsabilidade e tentou contratar o Last Emperor. As negociações deram com os burros n’água e Fedor fechou com o principal rival (Strikeforce). A partir daí, o Reino dos Gigantes começou a viver problemas atrás de problemas.

Uma misteriosa doença do campeão, que muitos falavam se tratar de gripe suína, fez com que a organização adiasse o combate entre Lesnar e Carwin para o UFC 108. O tempo passou, Lesnar não dava sinais de recuperação e passou-se a falar de mononucleose somada à influenza A (H1N1). Triste pelo adiamento, o desafiante mandava estimas de melhora para o campeão, dizendo que também sofrera de gripe suína durante a preparação para a luta. Mas a situação ainda pioraria.

Envolta em mistério, a condição de Brock piorou e o gigante teve que ser hospitalizado com urgência para tratar de uma séria diverticulite (infecção bacteriana intestinal). Notícias vindas dos EUA davam conta que o campeão corria risco de morte. Lesnar ficou internado por 11 dias, passou por uma pequena cirurgia e precisaria descansar por alguns meses antes de voltar à ativa. Mas como desgraça pouca é bobagem, Brock não teve seu quadro estabilizado e está até hoje sob observação para uma eventual nova cirurgia, que pode ocorrer dentro das próximas seis semanas. O presidente da organização disse durante o UFC 107:

“Nós saberemos dentro de um mês a um mês e meio se ele precisará de uma cirurgia maior. Se for necessária esta operação, teremos uma disputa de cinturão interino.”

Shane Carwin é o próximo desafiante dos pesados do UFCShane Carwin (foto ao lado) seria o primeiro – e óbvio – participante da disputa interina. Seu adversário possivelmente seria o vencedor da luta principal do UFC 110 entre Rodrigo Minotauro e Cain Velasquez. Mas a bela vitória sobre Cheick Kongo na co-luta principal do UFC 107 deixou Frank Mir bem na fita para esta luta. O UFC chegou a oferecer a vaga no evento número 110 para Shane Carwin, mas o nascimento da sua filha, previsto para fevereiro, fez com que o grandalhão recusasse a oferta, abrindo caminho para Minotauro. A situação dos pesados no UFC é tão crítica que a luta entre Minotauro e Velasquez teve que ser adiada do UFC 108 para o 110 por conta de uma doença do brasileiro, a mesma que o acometeu e prejudicou sua preparação para a luta do UFC 92 contra Mir. Para completar o quadro entre os tops, Gabriel Napão, que lutaria contra Junior Cigano, também se machucou e está de molho. Além deles todos, o mesmo destino médico levou o novato em ascenção Todd Duffee, responsável pelo nocaute mais rápido da história do UFC.

O reporter John Morgan, do blog americano MMAjunkie.com, apurou e publicou hoje que Dana está pensando em escalar Carwin vs Mir para a disputa do título interino, que seria disputado no UFC 111, dia 27 de março, em New Jersey. Sobre este confronto, Shane publicou em seu blog oficial:

“Uma vitória como a de Frank no último sábado certamente o garante dividindo o topo da divisão com Nog (Minotauro), Cain e eu. Se vencer Kongo foi suficiente para colocar Cain como o desafiante número dois, destruir Kongo deveria tirar a posição de Cain. A principal questão hoje é se eu deveria lutar contra Frank. A resposta é fácil: SIM. Não sou um lutador que decide com quem vai lutar, eu enfrento quem escalarem. Não estou tentando construir um legado, estou tentando lutar contra os melhores do mundo. Mir foi campeão várias vezes, foi deixado de fora mais vezes que Mike Tyson para depois se encontrar e voltar ao topo. Ele é uma LENDA do esporte e eu ficaria honrado em enfrentá-lo. Ele agora merece uma chance. (…) No dia 11 de fevereiro minha esposa Lani dará nossa primeira criança à luz (eu tenho um filho de quem cuidamos), uma garotinha chamada Lexi. Foi uma gravidez bastante difícil que nos manteve no limite. Este é o motivo pelo qual não pude aceitar a luta contra Cain na Austrália.”

Frank Mir

Assim como Mir e Cain atropelaram Kongo, Minotauro o fez contra Randy Couture, integrante do Hall da Fama do UFC e lutador com muito maior relevância que o francês. Contra o brasileiro pesa o fato de ter sido derrotado em sua penúltima apresentação, exatamente contra Mir. E contra Cain pesaria a inexperiência de apenas sete lutas profissionais. Sendo assim, considero justa a escalação de Frank contra Shane na disputa do cinturão interino. E como há possibilidade de Brock Lesnar abandonar a carreira, este título interino pode vir a ser definitivo.

Enquanto isso, Fedor estreou no Strikeforce. Sua luta foi um sucesso de audiência e o povo já esfrega as mãos para vê-lo novamente em ação e, em breve, ostentando mais um cinturão em sua espetacular trajetória.