Bellator NYC: Sonnen vs Silva – Prévia das Principais Lutas

Bellator NYC: Sonnen vs Silva – Prévia das Principais Lutas
MMA

Para estrear no mitológico Madison Square Garden, o Bellator prepara o maior evento de sua história, com dois cards unidos com astros para todo lado, três disputas de cinturão e dois dos mais quentes prospectos da atualidade.

O Bellator aproveitou bem a brecha deixada por seu maior rival. Numa semana em que o UFC promoverá um card no domingo, e leva ao Madison Square Garden, em Nova York, o maior evento de sua história. O Bellator NYC é tão grande que seu card preliminar é outro evento, o Bellator 180, que também terá suas preliminares. A porção principal terá cinco combates transmitidos em pay-per-view nos Estados Unidos. A preliminar terá até disputa de cinturão.

No duelo mais importante, os fãs finalmente terão a oportunidade de ver os rivais Chael Sonnen e Wanderlei Silva resolverem suas pendengas de longa data. Antes deles, o lendário Fedor Emelianenko estreia na organização contra o ex-UFC Matt Mitrione.

Dois cinturões estarão em jogo no pay-per-view. Na primeira delas, o campeão dos leves Michael Chandler reinicia seu reinado contra Brent Primus. Em seguida, o campeão dos meios-médios Douglas Lima defende a coroa contra o ex-UFC Lorenz Larkin. Abrindo a parte principal da noite, o jovem fenômeno Aaron Pico enfim fará sua estreia no MMA.

Pensa que acabou? Na luta principal do Bellator 180, Phil Davis defende pela primeira vez o cinturão do peso meio-pesado contra Ryan Bader, num combate que seria relevante no próprio UFC. O evento terá ainda o retorno do importante prospecto James Gallagher contra Chinzo Machida.

O FOX Sports Brasil fará a transmissão ao vivo de boa parte da programação. O canal vai iniciar os trabalhos a partir das 21:00h, horário de Brasília, com o card principal completo do Bellator 180.

Peso Meio-Pesado: Chael Sonnen (EUA) vs. Wanderlei Silva (BRA)

Por Anderson Cachapuz

Como já é de praxe, o Bellator encabeça seus eventos com freakshows. Desculpem-me os fãs mais saudosos e nostálgicos, mas assim é como melhor se define a luta principal do evento. Desconsiderem qualidade técnica, condicionamento físico e boa preparação. Levem em conta apenas o entretenimento que os lutadores ainda podem proporcionar (se puderem).

Chael Sonnen (28-15-1 no MMA e 0-1 no Bellator) é um mestre. Não é um exímio lutador dentro do cage, apesar de ter apresentado bom nível durante toda a sua carreira. Porém, aos 40 anos, o “Gângster de West Linn” já deveria estar aposentado, mas se recusa a passar o bastão do trash talking para Conor McGregor. Com apenas uma aparição nos últimos quatro anos e punições repetidas por conta de doping, Chael costumava ser um wrestler decente em seus tempos áureos.

Com fama de “mãos de almofada”, Sonnen derrubava bem e ficava por ali, amassando, pentelhando, sem produzir nada muito impactante ofensivamente, mas fez o suficiente para vencer em 16 decisões e em algumas oportunidades pegar algum desavisado desprevenido (como Maurício Shogun, que teve o pescoço apertado pelo americano). No entanto, até suas mãos de almofada são questionáveis, já que o americano possui, além das cinco finalizações, sete nocautes. Foi com esse jogo que quase tirou o reinado de Anderson Silva pela primeira vez e seus maiores méritos foram ter conseguido duas lutas contra o brasileiro e desafiar também o cinturão de Jon Jones. Seu queixo já foi testado e reprovado várias vezes – ele tem fama de chamar a mamãe quando o couro come, batendo ao menor sinal de perigo (deve ter crise de asma).

Wanderlei Silva (35-12-1-1 no MMA e estreando no Bellator) é uma das lendas desse esporte. Também com 40 anos, o “Cachorro Louco” fez história mundo afora e dispensa apresentações. Grande astro do PRIDE, nunca conseguiu repetir tamanho sucesso no UFC. Agora, no Bellator, quer resolver uma treta maligna contra seu rival no TUF Brasil 3.

Também vou falar de Wand no passado. Outrora striker de elite, o brasileiro não tem medo de cara feia. Mais potente do que preciso (embora essa taxa tenha diminuído bastante ao passar dos anos), o brasileiro sabe como ninguém estirar corpos no chão. Os 25 nocautes em 35 vitórias dão as credenciais do muay thai old scholl. Wand gosta de lutar no infighting, trocando porrada como se não houvesse amanhã. Intenso tiroteiro lhe custou metade de suas 12 derrotas por nocaute – e a inatividade pode agravar este quadro. A última vez que Wanderlei pisou num cage foi em 2013.

Chael Sonnen vs Wanderlei Silva odds - BestFightOdds

O que eu mais esperava para essa luta era uma boa promoção e um excelente trash talking, com ofensas, mães xingadas, o tradicional “comi sua irmã” e tudo mais. Como isso não aconteceu e a promoção da luta ficou aquém, eu vou é sentar no sofá e esperar que eles resolvam a treta do TUF no palco principal do Bellator.

Wanderlei, como sempre, deve querer sair na mão, caçar o americano com todo o seu ímpeto de um semiaposentado de 40 anos, e o vovô americano aplicará um double leg que estourará as nádegas do brasileiro no solo, ecoando o barulho pela arena.

É por ali que Chael deve ficar até o final de cada round e o cenário deve se repetir até que a saúde dos dois aguentem. Aposto em uma vitória de Sonnen na decisão.

Peso Pesado: Fedor Emelianenko (RUS) vs. Matt Mitrione (EUA)

Por Rafael Oreiro

O nome de Fedor Emelianenko (36-4 no MMA, 0-0 no Bellator) é uma constante nas mais diversas listas de maiores de todos os tempo no MMA e, unanimemente, o maior campeão da história do PRIDE. Passando 10 anos sem perder, entre 2000 e 2010, ele conquistou 28 vitórias seguidas sobre nomes como Mirko Cro Cop, Rodrigo Minotauro, Andrei Arlovski, Kevin Randleman, Tim Sylvia, Mark Hunt e Mark Coleman. Apesar de claramente não ter mais nada a provar no esporte, o russo resolveu voltar à atividade em 2015, conseguindo duas vitórias, nocauteando o indiano Jaideep Singh e uma decisão muito polêmica em cima do meio-pesado Fabio Maldonado.

Apesar das vitórias, “O Último Imperador” até agora só fez seus fãs mais saudosos sofrerem. Singh não era nada mais do que um adversário dado sob medida para alimentar Fedor, com cartel 2-0 contra oposição ínfima. Quando pegou um oponente de alguma experiência no MMA, o russo passou um sufoco enorme, quase sendo nocauteado no primeiro round por um meio-pesado que poderia lutar de médio, e só conseguiu a vitória com a ajuda amiga da Federação Russa de MMA, entidade que o próprio Fedor preside. Porém, o resultado já foi contestado pela Associação Mundial de MMA (WMMAA) e mudado para no contest (sem resultado).

Quanto às suas armas para o embate, lembramos que, no passado, Fedor era um lutador com uma potência incrível nos punhos para uma pessoa de sua estatura, também contando com muitas ferramentas de finalização no chão, levando perigo em qualquer área da luta. Essas características ainda pulsam no ex-campeão dos pesados.

Do outro lado do cage, Matt Mitrione (11-5 no MMA, 2-0 no Bellator), cria do TUF 10, fez sua primeira luta profissional e todas as 13 seguintes no UFC. Após uma sequência de duas derrotas para Ben Rothwell e Travis Browne, o “Meathead” resolveu mudar de ares e migrou para o Bellator, já emendando duas vitórias em menos de um mês, nocauteando Carl Seumanutafa e Oli Thompson.

Originalmente jogador de futebol americano, passando por times como New York Giants e Minnesota Vikings, Mitrione começou muito tarde no MMA, quase aos 30 anos, com o veterano Chris Lytle. O histórico no futebol americano garantiu um ótimo condicionamento físico para um peso pesado, dando base para uma trocação que utiliza movimentação constante, procurando ângulos para disparar combinações simples. Apesar das qualidades, nunca se pode duvidar na capacidade de Mitrione de fazer burrice, principalmente por sua pouca capacidade na luta agarrada – este foi o motivo de sua nomeação como patrono de uma das categorias do nosso prêmio Barangão Awards, pela lambança que o levou a ser finalizado por Ben Rothwell.

Fedor Emelianenko vs Matt Mitrione odds - BestFightOdds

Muito pouco mudou nas expectativas para a luta desde o Bellator 172, onde Matt Mitrione teve que se retirar do evento poucas horas antes do início por causa de pedras nos rins. A apresentação contra Maldonado deixa poucas esperanças para Emelianenko competir contra um adversário de nível hoje em dia e, apesar da capacidade grande de Mitrione de fazer lambança, este ainda era um top 10 ou 15 em seus tempos de UFC.

A luta pode se tornar muito perigosa caso o americano dê mole para Fedor, especialmente permitindo que as ações cheguem no solo, mas o mais provável é que Mitrione consiga machucar o russo cedo na luta e, capitalizando em cima disso, obtenha um nocaute num dos dois primeiros rounds.

Cinturão Peso Leve: (C) Michael Chandler (EUA) vs. Brent Primus (EUA)

Por Alexandre Matos

Até agora falou-se de lutas para deleite de saudosistas, envolvendo muita gente sem nenhuma perspectiva de futuro. A partir daqui, o negócio fica sério.

Michael Chandler (16-3 no MMA, 13-3 no Bellator) é o clássico caso do modus operandi que a gestão inicial do Bellator tinha de transformar desconhecidos em campeões mundiais. “Iron” Mike está em seu segundo reinado, iniciado após a saída de Will Brooks para o UFC. Em seu retrospecto, Chandler tem vitórias relevantes sobre Eddie Alvarez e Ben Henderson, dois ex-campeões da categoria no UFC, e duas sobre Patricky Pitbull, inclusive um nocaute monstruoso na reconquista do título.

Quando surgiu no Bellator, Chandler era um wrestler técnico, de condicionamento físico privilegiado, mas com pouca variação de jogo e baixos índices de entretenimento. Porém, a evolução o transformou num lutador dinâmico e um dos mais empolgantes de se ver em ação em qualquer organização do mundo. Mike adotou um jogo de striking muito ofensivo, agressivo e potente, que renderam quatro nocautes em suas últimas sete vitórias. Para alegria da garotada, o senso defensivo trocando golpes não tem o mesmo nível da defesa de quedas, o que faz com que Chandler seja acertável bem mais do que ele desejaria, aumentando o grau de entretenimento de seus combates.

Aos 32 anos, um a mais que o campeão, Brent Primus (7-0 no MMA, 5-0 no Bellator) está invicto, mas com muito menos experiência na carcaça. Em seus dois combates mais relevantes, contra Toninho Fúria e Derek Anderson, Primus conseguiu duas vitórias apertadas, embora sem maiores controvérsias fora um estranho 30-27 marcado para Fúria pelo comentarista oficial do Bellator, Jimmy Smith.

A principal arma de Primus é o jogo de solo, graças à sua origem no jiu-jítsu. No entanto, as quedas são básicas, assim como a proficiência na troca de golpes em pé. O desafiante tem bom senso de finalização e não pode ser desprezado quando consegue cair por cima, mas terá neste sábado um confronto bastante enjoado.

Brent Primus vs Michael Chandler odds - BestFightOdds

Se pegarmos a última apresentação de cada um, o negócio fica feio para Primus. Ele teve uma atuação modorrenta contra Fúria, mostrando muita dificuldade em derrubar o brasileiro e mantê-lo no solo. Por outro lado, Chandler obteve uma vitória maiúscula contra Henderson, deixando clara a diferença abissal de talento e ferramentas entre ele e seu desafiante.

Primus terá que contar muito com a sorte para derrubar Chandler. Em pé, Chandler aumentará sensivelmente o trabalho que Fúria deu a Primus. Sem ter muito para onde correr, a expectativa é que o desafiante seja nocauteado ou finalizado até o décimo minuto.

Peso Leve: Aaron Pico (EUA) vs. Zach Freeman (EUA)

Por Alexandre Matos

Finalmente chegou a hora de testemunharmos a estreia do provável prospecto mais aguardado da história do MMA. Quem acompanha o MMA Brasil há alguns anos já está há três esperando por este momento, desde que o então adolescente Aaron Pico foi personagem de nossa série Radar MMA Brasil.

Pico foi tão bom em sua carreira no wrestling que abriu mão de disputar o circuito universitário para se arriscar logo no cenário internacional, batendo de frente com a elite mundial do esporte, incluindo os russos – ainda antes de completar 18 anos, o americano venceu o terceiro do ranking russo. Disputando entre adultos cascudos, o moleque medalhou em torneios de elite como o Alexander Medved International, Cerro Pelado e o Soslan Andiyev Senior, disputado no norte do Cáucaso, no coração do wrestling russo. Pico ainda ficou em segundo na seletiva americana para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ficando na reserva de Frank Molinaro na categoria mais difícil do wrestling mundial.

Estamos dizendo aqui que Pico vai estrear no MMA num nível no wrestling que muito campeão cascudo jamais atingirá – e ele tem experiência tanto no estilo livre quanto no folk style, combinação perfeita para o MMA. De quebra, Pico é incrivelmente talentoso no boxe, modalidade que pratica também desde criança e que coletou títulos enquanto as espinhas estouravam em seu rosto. Como isso não é tudo, a luta agarrada ainda foi expandida em competições de pancrácio, modalidade que ele foi campeão europeu na Ucrânia. Tudo isso antes de ter idade pra comprar cerveja no Brasil.

O Bellator foi cuidadoso ao selecionar o primeiro oponente de Pico. Zach Freeman (8-2) tem certa experiência no MMA, com passagens pela antiga RFA e pelo Titan FC, dois dos principais palcos do cenário regional americano. Na RFA, disputou o cinturão contra o forte prospecto Thiago Moisés. No Titan, encarou o ex-UFC Jake Lindsey, os dois combates mais relevantes de seu retrospecto. Foi derrotado em ambos por margem larga.

Freeman é um lutador com forte tendência de encurtar distância para trabalhar no clinch na grade e buscar as quedas para impor controle posicional misturando ground and pound com transições de jiu-jítsu. Porém, para chegar ao combate corpo a corpo, ele usa uma abordagem perigosa, mantendo o tronco muito ereto, um convite ao desastre contra um oponente com as credenciais e habilidades de Pico.

Prever uma luta de alguém que jamais disputou um combate de MMA é complicado. Dá para tentar imaginar o jogo de Pico juntando as peças do quebra-cabeça que ele exibe há quase 10 anos deixando todo mundo de boca aberta. E este quebra-cabeça montado mostra um sujeito que vai preferir trocar pancadas tendo um sistema de defesa de quedas difícil de penetrar. Ou seja, Pico terá tranquilidade de saber que será difícil colocá-lo com as costas no chão enquanto deixa seus punhos fluírem – e eles fluem naturalmente. Além disso, a postura ereta de Freeman abre espaço não só para Pico trabalhar o boxe, mas também para chapar o oponente no chão com um double leg poderoso.

Contudo, tudo isso apresentado pode ir pelo ralo se Pico for traído pela inexperiência – pelo nervosismo, eu duvido muito que seja. Ainda assim, a expectativa é que o garoto de 20 anos deixe uma primeira impressão digna de quem é aguardado com tanta empolgação. A aposta é num nocaute.

Cinturão Peso Meio-Médio: (C) Douglas Lima (BRA) vs. Lorenz Larkin (EUA)

Por Gabriel Carvalho

O card do Bellator NYC será aberto com a potencial melhor luta da noite, uma disputa de título de uma das categorias mais movimentadas do Bellator. O campeão dos meios-médios Douglas Lima fará a primeira defesa desde a reconquista do título. O desafiante será o ex-UFC Lorenz Larkin, que estreará na organização.

Desconhecido do grande público brasileiro, Douglas Lima (28-6 no MMA, 10-2 no Bellator) se mudou cedo para os Estados Unidos e fez toda a sua carreira no MMA por lá. O goiano chegou ao Bellator em 2011 e conquistou o cinturão da categoria pela primeira vez em 2014, quando espancou Rick Hawn. Acabou perdendo o título logo na primeira defesa, quando foi dominado por Andrey Koreshkov, mas se recuperou com uma dominante vitória sobre Paul Daley e reconquistou o título com um nocaute brutal sobre o mesmo Koreshkov.

A principal característica do jogo do campeão é o forte muay thai. Lima é um atleta bem estratégico e técnico em pé, principalmente usando os poderosos chutes baixos para castigar os oponentes. A parte de socos é bastante interessante quando é usada para ir de encontro ao alvo. Douglas consegue unir essa habilidade à mão pesada para e tornar um dos atletas mais letais do plantel do Bellator. O grande problema do campeão é a parte de defesa de quedas, que lhe causou danos contra Ben Askren e nos dois duelos contra Koreshkov.

Um meio-pesado pequeno e rechonchudo no Strikeforce, Lorenz Larkin (18-5 no MMA, 0-0 no Bellator) não teve um grande começo dentro do UFC, vencendo apenas uma de suas primeiras quatro lutas. Ele tomou jeito, perdeu a fisionomia de Carlton Banks e teve uma grande arrancada no peso meio-médio, vencendo quatro de cinco combates, incluindo um atropelo sobre Neil Magny. Optou por procurar outras organizações e assinou com o Bellator.

Striker de origem, Larkin é um atleta muito preciso nos golpes. Rápido, ele também tem os chutes baixos como elemento surpresa e são tão fortes e rápidos quanto os de Douglas. Lorenz também virou um monstro fisicamente no meio-médio, tornando-se um atleta de poder maior do que mostrava nas duas categorias acima. A defesa de quedas sempre foi um tipo de calcanhar-de-aquiles, mas o “Monção” conseguiu evoluir na descida de divisão, apesar de não ter sido testado contra alguém de nível de wrestling como Tyron Woodley, Johny Hendricks ou Colby Covington.

Douglas Lima vs Lorenz Larkin odds - BestFightOdds

Se não acontecer uma guerra épica ou algum corpo jogado no chão, existe a gigante possibilidade de vermos um combate muito técnico. A estratégia dos chutes baixos deve ser adotada por ambos, com Larkin obtendo uma certa vantagem por conta da sua velocidade. Acredito que os dois sabem muito bem do poder de fogo do outro, portanto, devem se respeitar bastante. Mais competente na defesa e no ataque, vejo Lorenz vencendo por decisão e conquistando o cinturão logo em sua estreia pelo Bellator.

Cinturão Peso Meio-Pesado: (C) Phil Davis (EUA) vs. Ryan Bader (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Era uma vez um prospecto promissor que o UFC trabalhava com cautela, mas que nunca conseguia dar o passo final rumo à disputa de cinturão. Durante cinco anos, Phil Davis (17-3 no MMA e 4-0 no Bellator) parecia promessa de político, que nunca se consolidava. Sempre que era suposto que desse o passo além, tropeçava. Tinha cinco vitórias seguidas quando perdeu para Rashad Evans. Dedo no olho de Wagner Caldeirão, mais três vitórias, eliminatória. É agora! Derrota para Anthony Johnson. Despacha Glover Teixeira e nova eliminatória. Derrota para o mesmo Ryan Bader deste sábado. Como gastar rios de dinheiro com o “cara do quase”? Assim, o “Mr. Wonderful” foi parar no Bellator.

No cage circular, Davis estreou com uma kimura sobre Emanuel Newton e venceu o GP dos meios-pesados contra Francis Carmont. Conquistou contra King Mo, em resultado controverso, a vitória que valeu a chance de disputar o título. No passo seguinte, tomou a cinta de Lian McGeary. Sua primeira defesa ocorre justamente contra o último cara que o venceu, ainda no UFC.

Campeão nacional da Divisão I da NCAA pela Penn State University, Phil é um excelente lutador, com um jogo de grappling poderoso, uma trocação razoável, com poder de fogo decente nos punhos. Habilidoso e ágil, derruba bem e usa bem o corpanzil e os braços enormes para pesar sobre os oponentes. Incrivelmente, possui dificuldades históricas contra bons wrestlers, que conseguem anular seu “plano A”, fazendo-o sair da zona de conforto e mudar de nível de combate. Foi assim com Evans, contra Johnson e contra o próprio Bader. No chão, Davis é astuto e oportunista.

Assim como o campeão, Ryan Bader (22-5 no MMA, estréia no Bellator) também foi outrora considerado um valioso prospecto nos meios-pesados do UFC, antes de a categoria virar a terra desvastada deixada por Jon Jones. Bader não renovou contrato com o UFC exatamente pelos mesmos motivos do adversário: recebia um alto salário e não conseguia dar o passo além para garantir a disputa de cinturão.

Não tão condecorado como Davis, “Darth” Bader também é um wrestler excepcional – eu arriscaria dizer que seu jogo é mais bem adaptado ao MMA do que o de Davis. Com o queixo bem menos confiável do que o de seu adversário, Bader também troca decentemente, com potência e precisão razoáveis, o suficiente para se aproximar e derrubar corpos ao solo, onde trabalha um ground and pound com potência e energia. Foi finalizado duas vezes, por Jones e Tito Ortiz, e nocauteado outras três, por Lyoto Machida, Glover e “Rumble” Johnson, o que mostra que sua defesa ainda é muito esburacada e sem muitas esperanças de melhora já aos 34 anos.

Phil Davis vs Ryan Bader odds - BestFightOdds
 

Temos aqui dois wrestlers de alto calibre dividindo octógono. O que teremos para o jantar? Sopa de tamancos. Minha expectativa é que o duelo se desenvolva em pé, com algumas tentativas de mudanças de nível bem defendidas por ambos lados. Pelos atuais momentos da carreira e pela evolução que já mostrou em pé, minha aposta vai em Davis, por nocaute no quarto round.

Peso Pena: James Gallagher (IRL) vs. Chinzo Machida (BRA)

Por Rafael Oreiro

O irlandês James Gallagher (6-0 no MMA, 3-0 no Bellator) já é um nome conhecido no mundo do MMA mesmo com apenas 20 anos de idade. Ele chegou ao Bellator há menos de um ano e conquistou três vitórias desde então, estreando com vitória sobre Mike Cutting na decisão – primeira luta de sua carreira que chegou aos juízes – e finalizando Anthony Taylor e Kirill Medvedovski em seguida.

Apesar de sempre ser comparado com seu companheiro de treinos, Conor McGregor, seus estilos são bastante diferentes. Gallagher usa a mesma base de caratê que o campeão do UFC, usando muito as trocas de base para lançar chutes de diversas posturas. Porém, o maior ponto forte do jovem prospecto é no chão, onde finalizou cinco de suas seis lutas profissionais. Quando está por cima, ele é incrivelmente rápido e preciso nas transições, sabendo muito bem chegar e controlar a luta nas costas de seu oponente e quase sempre acaba com um mata-leão. Com a juventude, obviamente Gallagher ainda tem muitos pontos para melhorar, como por exemplo seu wresling ofensivo, que deveria ser mais bem desenvolvido para ter mais facilidade de levar a luta ao chão.

Do outro lado do cage estará o brasileiro Chinzo Machida (5-2 no MMA, 2-0 no Bellator). Apesar dos 40 anos, o irmão de Lyoto Machida tem pouca rodagem no MMA, por causa de sua enorme dedicação ao caratê, modalidade em que inclusive é mais valorizado do que o irmão famoso. Chinzo empolgou em sua estreia no Bellator, nocauteando Mario Navarro no primeiro round com um baita uppercut, mas, já em sua segunda luta, passou por apuros contra Jamar Ocampo, contra quem perdia a luta até conseguir nocautear nos últimos minutos do terceiro round.

Chinzo é um carateca da mesma estirpe de Lyoto, controlando muito bem a distância usando chutes potentes e esperando o ataque do oponente para contragolpear com efetividade. Porém, o Machida mais velho ainda não é um lutador de MMA bem trabalhado. Como totalmente exposto por Ocampo, ele tem dificuldades na luta agarrada, na qual até apresenta alguma noção de defesa, mas bastante aquém do necessário para se testar contra competição mais capacitada.

Chinzo Machida vs James Gallagher odds - BestFightOdds

Em um duelo de estilos e de gerações – Chinzo tem o dobro da idade de Gallagher – essa luta é um ótimo teste para a continuidade dos dois lutadores na divisão. Na minha visão, a vantagem pende bastante para o lado do irlandês, que é mais novo, bom no ponto fraco do brasileiro e tem uma gama de caratecas de ótimo nível na SBG para se preparar para o estilo de trocação de Machida.

Se Gallagher não se arriscar na trocação no ínicio da luta, buscando rapidamente a luta de solo, tem tudo para conseguir mais uma finalização por mata-leão até o segundo round.

  • Bruno Moraes da Costa

    Muito interessante o card, vou ficar ligado principalmente entre o fim do 180 e início do PPV.

  • Rafael Maia

    Card muito legal, mas me parece falta de respeito ter 3 disputas de cinturão e o Fedor no card liderado por dois dopados semi-aposentados…

    • O problema é que isso é o que o povão quer pagar pra ver.

  • James sousa

    A luta do Pico me chama a atenção o moleque e um talento no Wrestling e segundo ele o boxe dele e ainda melhor , gosto dessa forma que o Bellator faz os eventos mesclando lutadores já consagrados atraído o público para lutadores mais jovens e com talento

  • bruno carrer

    Eu tinha essa visão da maioria ai, que o Fedor passou sufoco contra Maldonado. MAS…. Comecei a pensar, Fedor passou mal mas aguento o tranco, Maldonado não é qlq pedreiro nao, tem um boxe relativamente bom e maos de pedra. Eu acho que Mittrione tenha maos mais pesadas, mas quando penso em apostar nele, o cara nao QI de luta nenhum….. Acho que alguma hora Fedor derruba ou sei la….. Acho que da Fedor por KO.

    • Mitrione tem muita chance de fazer merda, ser derrubado e finalizado.

  • Binho Vianna

    Fedor tem chances no R1, Igualmente como o elo perdido do Wanderley até R2, depois disso a vantagem é o Sonnen se ele não peidar antes.

    • Quase deu pro Fedor.

      • Binho Vianna

        faltou o punch do passado e do Mitrione estava bem maior, questão matemática.

  • Marcio Rodrigues

    A briguinha entre Wand e Sonnen no TUF ja da uma dica de como a luta deve transcorrer. Wand parte pra cima e é jogado ao solo rapidamente. Ali os dois permanecem até o arbitro coloca-los em pé por falta de combatividade. Repete…

  • Victor Garcia

    As credenciais do Pico são impressionantes