Por Edição MMA Brasil | 26/09/2019 10:00

Com três eventos das grandes organizações neste final de semana, o Bellator 228 se destaca como, provavelmente, o melhor card da ocasião. O palco será novamente o The Forum, sediado na cidade de Inglewood, Califórnia, Estados Unidos, que receberá algumas lutas bem interessantes para o público no sábado.

Encabeçando a noite, o brasileiro Patrício Pitbull retorna ao cage da segunda maior organização de MMA do mundo depois de conquistar o cinturão dos leves nocauteando o ex-campeão Michael Chandler. Agora, ele coloca um de seus cinturões em jogo contra o talentoso Juan Archuleta, que vem obtendo resultados expressivos na organização, dando início ao torneio da categoria dos penas na organização. Já na luta coprincipal da noite, Lyoto Machida reencontra o ex-campeão dos médios Gegard Mousasi após cinco anos do primeiro embate entre ambos, com o brasileiro levando a melhor por decisão unânime. Agora, o vencedor do embate deve disputar o cinturão da categoria dos médios, que pertence ao americano Rafael Lovato Jr.

Completando o card principal da ocasião, o ex-campeão do peso galo Darrion Caldwell sobe de categoria para fazer parte do torneio da divisão dos penas e enfrenta o experiente Henry Corrales. Também pelo torneio, Daniel Weichel Saul Rogers protagonizam um bom duelo entre grapplers. Por fim, o promissor AJ McKee busca aumentar sua invencibilidade contra o veterano Georgi Karakhanyan para definir quem avança do primeiro round do torneio.

O Bellator 228 terá transmissão neste sábado ao vivo e exclusiva pelo canal Fox Sports 2, com o card principal indo ao ar às 23:00h (horário de Brasília).

Cinturão Peso Pena: Patrício Pitbull (BRA) vs. Juan Archuleta (EUA)

Por Gustavo Lima

Patrício Pitbull (32-4 MMA, 17-4 Bellator) é um dos competidores mais dominantes do plantel do Bellator e quiçá um dos maiores atletas de MMA do mundo na atualidade. É surreal pensar que o lutador, atualmente com 32 anos, fez sua estreia na modalidade em 2004 (com 17 anos de idade) e conseguiu seguir relevante nesta transição de gerações, mantendo sua curva evolutiva apontada para cima de uma maneira pouco comum em atletas brasileiros.

O potiguar vive indiscutivelmente o melhor momento de sua longeva carreira. Dono dos cinturões peso-pena e peso leve da organização da Viacom, Pitbull agora é parte do interessantíssimo Grand Prix realizado na divisão até 66kg. Assim como foi como Rory MacDonald ao longo do torneio dos meios-médios, Patrício defenderá sua cinta a cada ronda do torneio. O vencedor do campeonato sairá não só com o título, mas embolsará também a quantia de um milhão de dólares.

O adversário de Patrício (e consequentemente desafiante ao título) na primeira rodada será o eficiente Juan Archuleta (23-1 MMA, 5-0 Bellator), atualmente no estágio da carreira onde precisa se sacramentar como realidade. O “Spaniard” chegou fazendo um certo barulho na atual casa em 2018, sendo contratado junto ao King of the Cage quando era detentor de simplesmente QUATRO cinturões na organização.

Depois de uma trinca de vitórias contra nomes mais modestos, Archuleta despachou Ricky Bandejas no peso-galo e Dudu Dantas nos penas, comprovando que estava na hora do Bellator subir um pouco a barra. Mediante o histórico recente e o cenário atual da categoria, Juan tem em suas mãos um bilhete dourado para fazer história.

Com um desenvolvimento tático e técnico que beira o estado da arte, Patrício pratica hoje um MMA moderno, arrojado e adaptável a diversas circunstâncias, não sendo absurdo dizer que dá para contar nos dedos de uma mão os pesos-pena que seriam favoritos contra o brasileiro em um duelo. Do pano de fundo calcado no jiu-jitsu, Pitbull se tornou um all-rounder com um dos boxes mais justos e precisos da arte marcial mista, mesclado ao caratê, que permite ao natalense um jogo de contragolpes efetivo e letal.

Embora um tanto pequeno para a categoria (especialmente se comparado com Archuleta, 10 cm maior), Pitbull leva a vantagem de ser um atleta muito forte nos 66kg. O empenho aplicado no aprimoramento do wrestling, especialmente defensivo, coloca em consonância todas as características notáveis do jogo de Patrício.

Juan, por sua vez, é quase a antítese de Pitbull em nível estratégico. Apesar do bom boxe, o desafiante tem uma movimentação um tanto quanto não-convencional. Archuleta costuma entrar e sair da distância do adversário, soltando golpes fortes e esparsos num ritmo muito imprevisível. Até aqui, esta rotina tem dado certo, mas é impossível negar as brechas que o estadunidense dá quando avança para o ataque, especialmente pelo footwork que deixa a desejar.

Colocar em prática um jogo tão imprudente contra um atleta tão completo e perigoso como Patrício dificilmente renderá bons frutos a Archuleta. A grande questão é que pouquíssimo repertório foi demonstrado até aqui, o que nos leva a crer que a história não deve terminar com o americano progredindo no chaveamento.

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Mesmo com a vantagem considerável de tamanho, Archuleta continua sendo alvo fácil para os contragolpes de Patrício com seus cruzados abertos. Os riscos não se resumem ao jogo de trocação, mas pela afinidade de Pitbull com o grappling, Juan também pode acabar se complicando dependendo das circunstâncias encontradas no cage.

Por mais que pareça subestimar as capacidades de Archuleta, os números não refletem o que foi mostrado até aqui, cabendo ao atleta surpreender se quiser sair com o braço levantado. No cenário lógico, Patrício Pitbull tem chances muito largas de defender seu título e avançar pra próxima fase. Veredito: Pitbull por decisão unânime

Peso Médio: Lyoto Machida (BRA) vs. Gegard Mousasi (HOL)

Por Diego Tintin

No seu auge, Lyoto Machida (26-8 no MMA, 2-0 no Bellator) era um enigma considerado indecifrável a ponto de o início da “Era Machida” ser anunciado ainda no octógono, após o brasileiro conquistar o cinturão meio-pesado do UFC em nocaute icônico sobre Rashad Evans. Depois de alguns anos integrando a elite daquela divisão e também do peso médio, o enigma não era mais tão intrigante assim, pois a idade chegou para o ex-campeão. O desempenho diminuiu e ele não é mais o temido carateca de outrora, apesar de ainda um lutador relevante e capaz de momentos como o lindo nocaute aplicado em Vitor Belfort na sua despedida do UFC. No Bellator, venceu o ex-campeão Rafael Carvalho e o colega de geração Chael Sonnen.

Lyoto teve sua formação como artista marcial iniciada no berço familiar. O caratê, ensinado de forma rigorosa pelo seu pai, tornou-se uma importante arma para o lutador de MMA profissional. Dedicado, o baiano radicado em Belém adicionou movimentos de diversas modalidades ao seu arsenal, como judô, muay thai, jiu-jítsu e até sumô, entre outras. Contragolpeador preciso, Machida possui alto poder de nocaute e muita inteligência tática. A velocidade, que sempre foi uma arma, diminuiu com o inapelável passar do tempo, assim como o já combalido queixo anda, na falta de expressão melhor, meio coisado. A luta agarrada é de boa qualidade, o condicionamento é bem decente para alguém de sua idade e o sistema defensivo baseado em escape já não funciona mais tão bem como nos tempos de campeão.

Gegard Mousasi (45-7-2 no MMA, 3-1 no Bellator) é um operário do MMA mundial. O veterano lutou no Pride e no UFC, foi campeão do Dream, do Cage Warriors, do Strikeforce e do próprio Bellator. Fez um caminhão de lutas e ganhou de muita gente boa, como Renato Babalu, Dan Henderson, Vitor Belfort, Ronaldo Jacaré, Chris Weidman e Rory MacDonald. Conquistou o cinturão da nova organização contra Rafael Carvalho, defendeu contra Rory e o perdeu em seu último combate contra Rafael Lovato Jr.

Mousasi começou ainda criança no judô, praticou boxe amador e desenvolveu seu muay thai na famosa academia holandesa Golden Glory antes de migrar para o MMA. Sua trocação é técnica, poderosa e criativa, com boas combinações de socos e chutes. A luta agarrada não está em um nível extraordinário, mas é competente o suficiente para lidar com adversários menos versados, além de ser oportunista para aproveitar alguma bobagem de seus oponentes. Os problemas com a defesa de quedas não deve ser uma grande preocupação neste duelo. Tem ótimo condicionamento, é um pouco instável no aspecto estratégico, com alguns lapsos de concentração que já lhe custaram alguns combates. Tem dificuldade com lutadores que imputam muita pressão, mas tem valentia para lidar com situações adversas e um bom histórico de vitórias de virada.

Gegard Mousasi vs Lyoto Machida odds - BestFightOdds

Esta é uma revanche de um ótimo quebra-pau disputado em Jaraguá do Sul há pouco mais de cinco anos, vencida por Machida. Como falamos aqui de atletas históricos e de muita estrada neste esporte, é possível que fatores físicos como velocidade e condicionamento ganhem uma relevância ainda maior. O brasileiro já teve problemas contra gente mais na ponta dos cascos, mas quando teve pela frente veteranos como ele, mostrou-se ainda com combustível no tanque. Mousasi não parece estar neste ponto da carreira. Ele lutou mal contra Lovato, mas ao ter um final de luta em um ritmo crescente, mostrou que não perdeu por falta de gás. Lyoto é perigoso, tem eficiência acima da média e está no topo, quando se trata de atletas da sua idade, mas os sete anos de diferença devem pesar em favor do europeu. A aposta é Mousasi por decisão.

GP Peso Pena: Darrion Caldwell (EUA) vs. Henry Corrales (EUA)

Por Bruno Costa

Darrion Caldwell (13-3 no MMA, 10-2 no Bellator) retorna ao peso pena após sair derrotado em duas ocasiões por Kyoji Horiguchi, uma valendo o cinturão do peso galo do Rizin e a revanche pelo título do Bellator. Muito alto mesmo para a categoria em que lutará no próximo final de semana, os cortes de peso para chegar a 61kg pareciam tirar parte da capacidade física de Caldwell, que pode muito bem se adaptar aos adversários mais imponentes fisicamente dedicando mais tempo ao aprimoramento técnico do que com preocupação relacionada ao corte de peso.

Um wrestler com carreira universitária muito vitoriosa, “O Lobo” foi campeão da Divisão I da NCAA e no cage demonstra boa adaptação às suas habilidades no esporte de origem. Seu jogo é quase integralmente orientado às quedas, clinch, controle posicional e transições. O striking é muito utilizado para estabelecer distância para que ele próprio decida quando encurtar, mas necessita reparos defensivos, principalmente.

Caldwell é agressivo trabalhando com oponentes de costas para o solo, com ground and pound de bom nível e algumas boas finalizações, mas mesmo no estágio atual da carreira pode apresentar dificuldades em se defender no momento em que faz as transições. As quedas são explosivas e em sua maioria de tentativas eficientes, mas por algumas vezes o pescoço ficou exposto e em duas ocasiões o erro acabou custando derrotas por finalização na mesma posição da guilhotina.

Se a chegada ao Bellator foi muito dura para Henry Corrales (16-3 no MMA, 5-3 no Bellator), que acumulou três derrotas consecutivas para adversários do mais alto nível da organização, o experiente lutador da MMA Lab acumula agora cinco vitórias em sequência e chega com boa moral ao torneio do peso pena.

Tecnicamente, Corrales não se destaca muito em qualquer das áreas do MMA, mas a bravura, agressividade e mãos pesadas fazem com que o lutador seja um dos destaques do Bellator na categoria. A defesa de quedas e o grappling parecem ter melhorado desde o momento em que chegou a um nível mais elevado de competição, mas os oponentes desde a última derrota amargada para Patrício Pitbull não tinham capacidade física ou plano de jogo e técnica o suficiente para testar a fundo essa possível evolução.

Em seu último combate, deu amostras do queixo resistente – diga-se que Corrales nunca foi nocauteado –, bom preparo físico para retornar ao combate mesmo após ser castigado por um oponente que bate muito duro, experiência e a capacidade de capitalizar nos erros dos oponentes, levando à lona Aaron Pico numa virada sensacional.

O duelo reserva uma condição muito interessante: mesmo que Caldwell esteja subindo de categoria, terá notável vantagem física contra Corrales. Com uma mentalidade voltada para as quedas, Caldwell costuma deixar algumas brechas para ser pego que provavelmente não serão aproveitadas por Corrales, que não tem finalizações oportunistas no seu leque de habilidades.

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Corrales precisa encurtar a distância trabalhando longe das grades e sem utilizar de chutes baixos para pontuar durante a luta, algo a que está acostumado, até eventualmente tentar buscar a ponta do queixo do oponente.

A aposta é que Caldwell consiga trabalhar de modo cadenciado, mantendo a distância com jabs e chutes baixos até o momento de explodir contra o oponente, trabalhando com tranquilidade no ground and pound e transições sem se expor demasiadamente.

GP Peso Pena: Daniel Weichel (ALE) vs. Saul Rogers (ING)

Por Matheus Costa

Depois de quase um ano sem atuar, o alemão Daniel Weichel (39-11 MMA, 8-3 Bellator) é, de longe, o melhor teste da carreira de Saul, assim como o britânico representa um bom teste para testar o momento do “The Weasel”. Ex-desafiante da categoria por duas oportunidades, o Grand Prix dos penas é uma boa oportunidade para encurtar o caminho para uma terceira tentativa de obter a cinta da divisão de até 66kg.

O pilar do jogo de Weichel é o wrestling, tanto no estilo livre quanto no greco-romano, o que lhe concedeu um vasto leque de quedas. Entretanto, é no jiu-jítsu que Weichel se sobressai frente aos adversários, já que possui gabarito na arte suave e obteve 22 finalizações ao longo de sua carreira. Na luta em pé, Weichel se destaca no boxe, sempre usado para pressionar e encurtar a distância, quando geralmente leva a luta para o clinch – área onde Weichel se sente bastante confortável. Suas mãos são pesadas, tanto é que já aplicou um knockdown em Patrício Pitbull.

Saul Rogers (13-2 no MMA, 1-0 no Bellator) irá enfrentar o primeiro teste de qualidade de sua carreira. Conhecido por chegar a final do TUF 22, Saul foi impedido de competir por não obter um visto para adentrar nos Estados Unidos. Alguns anos depois, o talentoso atleta, enfim, fará sua estreia em solo americano.

O “The Hangman” é um atleta bastante equilibrado, mas que possui base no grappling. Rápido, usa o boxe com eficiência para golpear com precisão, embora sua técnica não possa ser considerada de alto nível. Geralmente, Rogers gosta de adotar a postura do contragolpe, seja em pé somada com um bom footwork ou para buscar uma queda, onde se sente mais confortável. No chão, o inglês possui ótimas transições e é bastante agressivo, sempre buscando finalizações.

Embora possua uma defesa de quedas de bom nível, Saul não tem um grappling defensivo muito bom, tanto é que antes de assinar com o Bellator, foi finalizado pelo limitado Aurel Pirtea (9-8-1 NC) numa guilhotina. Em pé, Saul costuma ter problemas quando enfrenta um adversário que o pressione com um bom volume de golpes.

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Em um confronto entre dois lutadores de estilos parecidos, Weichel tem experiência o suficiente para controlar o oponente e levar a luta para onde se sente confortável. Porém, aos 34 anos e há quase um ano sem lutar, é difícil prever o nível que o alemão irá apresentar. Por outro lado, Rogers parece ser melhor em pé e, caso consiga defender as quedas de Weichel, deve levar vantagem principalmente por seu teor físico, já que é muito mais rápido que seu adversário.

É um combate que pode se desenvolver em qualquer área, mas a tendência é que se desenrole no chão onde o alemão leva vantagem por ser mais experiente e melhor que o adversário inglês. Prevejo um duelo bem equilibrado, mas a aposta fica no triunfo de Daniel Weichel por decisão dividida, que avança para a próxima fase do torneio.

GP Peso Pena: AJ McKee (EUA) vs. Georgi Karakhanyan (EUA)

Por Bruno Costa

AJ McKee Jr (14-0 no MMA, 14-0 no Bellator) é um prospecto de altíssimo nível, que cresceu em academias de MMA sempre próximo ao pai Antonio McKee (que curiosa e infelizmente retorna ao cage no Bellator 228) e tem sido desenvolvido com muito cuidado e inteligência pela organização.

As 14 vitórias em 14 lutas desde a estreia como profissional, todas no Bellator, fazem do prodígio o lutador com a maior sequência de vitórias na organização. Com diversas ferramentas ofensivas e bem treinado em todas as áreas do MMA, McKee tem predileção pela troca de golpes utilizando de excelente movimentação aliada a bom volume de golpes e potência nos punhos e caneladas.

A defesa de quedas foi o suficiente para o nível de oponentes até o momento e não tomou sustos na luta em pé durante a carreira invicta.

O experiente Georgi Karakhanyan (28-9-1 no MMA, 6-7 no Bellator) está na sua terceira passagem pela organização. O “Insano” é um lutador agressivo, oportunista e com bom potencial ofensivo para decidir os combates à base do oportunismo.

Georgi nunca foi um lutador de alto volume de golpes, mas tem encontrado cada vez mais dificuldade em lidar com o fato, até mesmo pelos bons oponentes contra quem tem sido casado nos últimos anos. O cenário ideal para seus combates é conseguir encurralar o adversário contra as grades trabalhando com baixo volume buscando nocautes com perigosos ganchos. O trabalho de clinch já foi melhor utilizado noutra fase da carreira, e a guilhotina ainda é a melhor arma para evitar ser colocado de costas para o solo.

A.J. McKee vs Georgi Karakhanyan odds - BestFightOdds

AJ surge como favorito para o combate, uma vez que já teve a primeira experiência contra lutador de alto nível em fase final da carreira contra Pat Curran. Em que pese Georgi aparente estar menos apodrecido que Curran, nunca teve as qualidades técnicas ostentadas pelo outro.

Caso opte por uma abordagem mais conservadora, McKee tem totais condições de manter a luta na longa distância à base de jabs e chutes baixos para sair vitorioso numa decisão confortável que o leve a avançar sem sustos para a próxima fase do torneio.