Bellator 200: Carvalho vs. Mousasi – Prévia das Principais Lutas

Sem a mesma pompa de quando o principal rival chegou ao mesmo marco histórico, o Bellator 200 acontece nesta sexta-feira, na Wembley Arena, em Londres, com um brasileiro defendendo cinturão contra uma estrela mundial e mais alguns combates intrigantes.

O campeão dos médios Rafael Carvalho terá o mais difícil compromisso de sua carreira quando estiver frente a frente com o desafiante Gegard Mousasi, que busca aumentar sua coleção de cinturões no MMA.

O evento, que perdeu Mirko Cro Cop por lesão nesta semana, terá ainda o retorno do astro local Michael Page, que deve fazer uma animada pancadaria com David Rickels; o ex-top 5 do UFC e ex-campeão do Bellator Phil Davis contra o antigo desafiante Linton Vassell; a ascendente Anastasia Yankova contra Kate Jackson e a estreia do invicto Aaron Chalmers, ex-participante dos reality shows “Geordie Shore” e “De Férias com o Ex” (pois é).

O Bellator 200 será transmitido pelo Fox Sports Brasil. Assim como acontecerá nos Estados Unidos, a emissora brasileira vai exibir o evento em videotape a partir das 23:30h, segundo informa o site oficial do canal. No entanto, fique de olho na programação oficial caso o Fox Sports mude a grade.

Cinturão Peso Médio: C Rafael Carvalho (BRA) vs. Gegard Mousasi (HOL/IRN)

Por Alexandre Matos

Ainda que por meios tortos, o Bellator 200 será liderado por sua verdadeira luta principal. Campeão mais antigo e com mais defesas no atual momento na organização, Rafael Carvalho (15-1 no MMA, 6-0 no Bellator) terá pela frente Gegard Mousasi (43-6-2 no MMA, 1-0 no Bellator), ex-campeão do Strikeforce e do DREAM, este em duas divisões.

Apesar dos quatro nocautes em seis aparições no cage circular, Carvalho não é o mais amado campeão que a organização já viu. Pelo contrário. Com um estilo baseado no kickboxing, embora muito técnico, Rafael gosta de baixar o ritmo dos combates, cozinhando os oponentes em busca de uma abertura para o golpe fatal. Tem dado certo contra o baixo nível de competição que o brasileiro tem enfrentado – os desafiantes Melvin Manhoef e Alessio Sakara sequer mereciam tal posto -, mas será testado ao extremo nesta sexta.

Pode-se dizer que Mousasi saiu do UFC no melhor momento de sua carreira, à beira de disputar o cinturão vindo de cinco vitórias seguidas, com nocautes avassaladores sobre Vitor Belfort, Uriah Hall e Thiago Marreta, além de um importante triunfo, também por nocaute, sobre Chris Weidman. No Bellator, o “Catador de Sonhos” estreou em um duelo intensamente disputado e de resultado contestado contra o ex-campeão Alexander Shlemenko.

Assim como o campeão, Mousasi também se baseia principalmente no kickboxing. Porém, o cidadão do mundo tem uma caixa de ferramentas ofensivas incrivelmente mais vasta, além de ser mais agressivo que o brasileiro e muita coisa mais experiente.

Gegard Mousasi vs Rafael Carvalho odds - BestFightOdds
 

Por incrível que possa parecer, o melhor caminho para Carvalho sair do continente europeu mantendo o cinturão na bagagem é apostar na luta de solo, explorando uma antiga deficiência de Mousasi na defesa de quedas. Além disso, terá que bloquear as investidas do desafiante no solo, tornando a luta chata – o que, aliás, é especialidade da casa.

O grande problema para tal estratégia é sobrepujar o excelente controle de distância de Mousasi e invadir sua produção ofensiva. Isso pode até acontecer uma vez. Manter Mousasi no solo será outra história. Por três rounds, pior ainda. A aposta é em nocaute de Gegard nos dois últimos rounds ou numa decisão por larga margem.

Peso Meio-Médio: Michael Page (ING) vs. David Rickels (EUA)

Por Matheus Costa

Se você acompanha a carreira de Michael “Venom” Page (12-0 no MMA, 8-0 no Bellator) há um tempo, sabe que o cartel deste homão da porra é basicamente final de baile funk em algum bairro de clima duvidoso no subúrbio do meu querido Rio de Janeiro: repleto de barangas. Entretanto, o caldo está começando a engrossar para o lado do britânico. Ainda que em ritmo vagaroso, mas está começando a engrossar.

No Bellator 200, “MVP” enfrentará o duro David Rickels (19-4 no MMA, 13-4 no Bellator), conhecido como “Homem das Cavernas”, o cara que entra no cage do Bellator com um porrete de madeira no estilo de Fred Flintstone. Se não chega a ser a luta que irá realmente testar as qualidades de Page de uma forma séria – o que já deveria ter acontecido há um bom tempo -, é de fato um significante salto de qualidade em relação aos adversários anteriores.

 

Page é um lutador diferenciado em pé. Multicampeão de kickboxing, ele é um matador que tem alto nível de precisão de golpes, movimentação nada ortodoxa e poder de nocaute nato. Ele é muito diferente da grande maioria dos strikers no MMA atual, mas possui arestas que precisam ser corrigidas caso queira chegar a um alto nível. E o Bellator tanto lhe protegeu que fez com que o inglês se tornasse um piá de prédio, que não luta muito e aparentemente rejeita todas as oportunidades de oponentes em alto nível – Paul Daley que o diga.

Com 31 anos, MVP perdeu o status de prospecto há um bom tempo, mas ainda não se tornou uma realidade, o que é triste. A luta contra Rickels, entretanto, não é competitiva o suficiente para responder a pergunta se MVP realmente é isso tudo ou não. Sinceramente, acho que ele realmente é, mas não tenho tanta certeza como tinha há alguns anos.

Rickels é capaz de dar uma luta competitiva a Page. O americano não é expoente em nenhuma disciplina em específico, mas acaba fazendo tudo com decência. Uma de suas maiores armas é cansar adversários no clinch, o que seria vital nesta luta. Rickels possui mãos pesadas e é um lutador atlético, com ótimo preparo físico, mas é mais um daqueles brigadores com péssima defesa de golpes e um queixo duvidoso.

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É simples: se você não tem boas qualidades defensivas no striking, não deveria querer trocar golpes com alguém do calibre de Michael Page, sob pena de ter uma viagem de primeira classe rumo ao quinto dos infernos. O americano precisa amarrar a luta. Trocar golpes não é uma opção, a não ser que consiga atrair Page para a pancadaria, o que é pouco provável. Como Rickels não tem um QI de luta dos melhores, então seu espírito de brigador de baile pode baixar no meio do cage e, obviamente, dar merda numa hora ou outra. Portanto, vou no simples: nocaute de MVP lá pelo segundo round. Mas não se surpreenda se for mais uma decisão dos juízes chatíssima.

Peso Meio-Pesado: Phil Davis (EUA) vs. Linton Vassell (ING)

Por Thiago Kuhl

Phil Davis

Phil Davis (18-4 no MMA, 5-1 no Bellator) sempre se mostrou um ativo interessante na categoria dos pesos meios-pesados no MMA. Seja no UFC ou no Bellator, ele só sucumbiu quando colocado para lutar contra lutadores que encontravam-se no topo da categoria, sendo que suas derrotas no UFC foram justamente em lutas eliminatórias pelo cinturão, contra Rashad Evans, Anthony Johnson e Ryan Bader. O “Mr Wonderful” chegou no Bellator com status de estrela e enfileirou 3 oponentes de bom nível, incluindo King Mo Lawal, até destronar Liam McGeary e se tornar campeão pela primeira vez na carreira. Porém, honrando sua característica de rojão molhado (supostamente tem pólvora, mas nunca estoura) colocado em uma revanche contra Ryan Bader, perdeu em uma chatíssima decisão dividida.

Davis é um dos mais condecorados wrestlers universitários na ativa no MMA. Oriundo da famosa Penn State, ele foi All-American em seus quatro anos competindo e campeão em 2008 da divisão I da NCAA. Entretanto, Davis teve problemas para adaptar seu jogo para o MMA, principalmente quando enfrentou wrestlers de bom nível, mas inferiores a ele, como Evans e Bader. Com uma trocação bastante sólida e o poder de nocaute respeitável, Phil tem condição de eliminar concorrência de baixo e médio nível com extrema facilidade e quando encaixa seu jogo de grappling contra desavisados – como fez com Glover Teixeira – tem condições de passear dentro da elite da divisão.

Linton Vassell

Linton Vassell (18-6 no MMA, 7-3 no Bellator) chegou com uma sequência de 9 vitórias na disputa de cinturão contra Emanuel Newton em 2014, entretanto acabou sucumbindo para o campeão no quinto round após quase finalizar na primeira metade da luta. Com quatro triunfos nas cinco lutas seguintes, com direito à vitória em revanche contra Newton, conseguiu outra chance pelo título contra o atual campeão Ryan Bader. Nada feito, mais uma derrota importante na carreira do inglês, com direito a passada de carro e nocaute no segundo round.

O “The Swarm” tem um bom grappling e uma trocação decente o suficiente para atrair seus adversários para o chão, onde é bem perigoso por cima e em transições para as costas. Entretanto o inglês não tem o mesmo sucesso de costas para o chão, onde encontra-se a maior lacuna do seu jogo. De toda forma, conseguiu mostrar bem sua qualidade no grappling contra McGeary e Carmount, conseguindo finalizar o primeiro e vencer o segundo, ambos bem qualificados na luta agarrada.

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Sem que aconteça nenhuma desgraça, Davis não deve deixar escapar esta vitória. Seria muito impressionante se o inglês conseguisse surpreende-lo em pé e seria um completo absurdo se, no chão, Vassell tirasse uma raspagem ou transição para uma finalização da cartola. Assim, imagino ver mais uma clínica de riding position com socos por baixo do braço aplicada pelo “Mr. Wonderful”, tal qual fez com Glover Teixeira, o que pode resultar em uma interrupção tardia ou, mais provavelmente, uma tranquila vitória por decisão.

Peso Mosca Feminino: Anastasia Yankova (RUS) vs. Kate Jackson (ING)

Por Idonaldo Filho

Na categoria do peso mosca, Anastasia Yankova (5-0 no MMA, 3-0 no Bellator) ainda está em busca de uma atuação convincente no Bellator. Finalizando a inexpressiva Anjela Pink (que hoje ostenta 0-6 no cartel) em sua estreia no evento, as duas outras atuações não demonstraram muita qualidade. Uma foi extremamente controversa, quando a russa foi muito maltratada num primeiro round em que mostrou ter coração e vontade, mas pouco refino técnico, contra Veta Arteaga, em decisão dividida. Na última, venceu Elina Kallionodou num combate muito disputado no clinch.

Anastasia é uma atleta com muita garra, porém pouca técnica e com defesa deficiente, o que a faz levar muitos golpes. O que ela faz de melhor é segurar as adversárias no clinch e executar alguns poucos golpes buscando pontuar. No chão, conseguiu algumas finalizações, mas contra oposição ruim.

 

Sua oponente será a mais experiente Kate Jackson (9-3-1 no MMA, 1-1 no Bellator). A inglesa é faixa-preta de caratê, além de ter base em muay thai e em judô também. Ex-participante do TUF 23, venceu Irene Cabello e Ashley Yoder, até ser finalizada por Tatiana Suarez. Na sua última luta pelo Bellator, foi dominada por Valérie Létorneau, perdendo todos os rounds.

Kate é mais técnica que a russa no striking, com bons chutes retos no corpo e chutes na perna, possui um clinch violento, usando cotoveladas e joelhadas. No chão, a coisa complica um pouco, mas geralmente ela consegue manter a luta em pé.

Anastasia Yankova vs Kate Jackson odds - BestFightOdds
 

Se Yankova não demonstrar uma evolução em relação às últimas lutas, a tendência é sofrer tanto quanto sofreu contra Arteaga. Não que Jackson seja um bicho papão, mas ela é uma striker competente o suficiente para frustrar a defesa frágil da russa, que deveria apelar para manter a adversária que é ex-peso palha na grade. Jackson deve vencer na decisão, mas um nocaute técnico não é descartado.