Por Edição MMA Brasil | 10/05/2018 00:39

Ainda que não seja a principal atração do final de semana, o Bellator realizará um de seus melhores eventos do ano no próximo sábado. A organização voltará novamente para sua casa, no SAP Center, em San Jose, Califórnia, para realizar o Bellator 199, card que vai concorrer diretamente com o UFC 224.

Liderando a noite, a definição do último classificado para as semifinais do GP Peso Pesado para coroar o novo campeão da categoria. Os originalmente pesos meios-pesados Ryan Bader e King Mo Lawal entrarão no cage circular para definir quem será o responsável por enfrentar Matt Mitrione na próxima fase do torneio.

A luta coprincipal do evento trará a estreia de mais um conhecido veterano no Bellator: o inglês Paul Daley receberá o americano Jon Fitch no peso meio-médio, em luta que vem sendo tratada como possível pancadaria (?) pela organização. Fechando o pacote de semi-idosos, o peso pesado francês Cheick Kongo buscará sua sexta vitória seguida – o campeão voltou! – ao enfrentar Javy Ayala, após ter sido esquecido completamente na montagem do GP da categoria.

Voltando os olhos para nomes com potencial para o futuro, o Bellator 199 será palco da quarta luta profissional do super prospecto Aaron Pico, que enfrentará Lee Morrison no peso pena, menos de um ano após sua estreia desastrosa em Nova York. Já no peso leve, teremos um confronto bastante interessante entre Adam Piccolotti e um dos nomes com maior potencial hoje fora do UFC, Carrington Banks.

O card principal completo do evento será transmitido ao vivo pela Fox Sports, começando às 22:00h, no horário oficial de Brasília.

GP Peso Pesado: Ryan Bader (EUA) vs. King Mo Lawal (EUA)

Por Diego Tintin

Grande combate que põe em rota de colisão dois importantes meios-pesados desta década (embora a luta seja no peso pesado) e dois lutadores que estão entre os melhores da atualidade fora do UFC.

Ryan Bader

Ryan Bader (24-5 no MMA, 2-0 no Bellator) conviveu por toda a sua carreira com o peso das derrotas para lutadores de elite, após destroçar adversários do segundo escalão com facilidade. Mais que as derrotas, a decepção vem da pouca resistência oferecida na maioria das vezes em que tentou alcançar o alto da montanha. Mas a atual fase é ótima: nas últimas dez lutas, o constrangedor nocaute sofrido para Anthony Johnson está cercado de vitórias por todos os lados, as melhores delas sobre Phil Davis duas vezes, Ilir Latifi, Ovince St. Preux e os veteranos Rashad Evans e Rogério Minotouro. A revanche contra Davis lhe valeu o cinturão do Bellator, premiando a boa carreira e o talento inegável do atleta revelado no TUF 8.

Muito forte fisicamente, Ryan é dono de um respeitável poder de nocaute no punho direito, mas não é muito polido na nobre arte e deixa espaços defensivos gigantescos. Houve um momento na sua trajetória em que cismou de partir com tudo contra trocadores mais talentosos, como Lyoto Machida e Glover Teixeira. A dura lição parece que foi aprendida, com uma melhora sensível nos resultados.

A recuperação veio quando ele voltou as atenções ao ponto forte: o wrestling, modalidade em que conseguiu duas vezes o status de All-American na Divisão I da NCAA, de quedas tão técnicas quanto explosivas, além do forte ground and pound, tudo amparado em um excepcional preparo físico, que garante o sucesso no plano de arrastar seus oponentes para águas profundas.

King Mo Lawal

Muhammed Lawal (21-6 no MMA, 10-4 no Bellator), o “King Mo”, chegou ao Bellator com a moral de ter sido campeão do Strikeforce e caiu num torneio como favorito. Foi nocauteado na semifinal por Emanuel Newton e, na revanche, perdeu de novo, desta vez valendo o cinturão. Foi garfado de maneira vergonhosa contra Rampage Jackson, iniciando em seguida uma sequência de sete vitórias – que deveriam ser nove sem tal roubo – até ser parado por Phil Davis. Neste meio tempo, foi ao Japão ganhar um torneio de pesados no Rizin e ser nocauteado por um super mega anabolizado Mirko Cro Cop. Fechando a conta, se vingou da injustiça contra Rampage em sua última aparição no cage circular, há pouco mais de um ano.

Assim como Bader, Lawal também cometeu ao longo da carreira alguns erros estratégicos graves. Wrestler de primeira linha, tricampeão do US Open, vice-campeão da Copa do Mundo, dono de um double-leg explosivo e ground and pound infernal, King Mo parece ter bolas de boliche nas luvas. Com esse poder de nocaute muito acima da média, achou de bom tom passar uma enorme parte de sua carreira desafiando seus oponentes na luta em pé. Contra a turma do terrão, ele tirou onda, mas foi só o sarrafo subir que veio o banho de realidade. Nas últimas apresentações, parecia mais disposto a impor o que tem de melhor e, nesse aspecto, é um sujeito muito do perigoso.

Muhammed Lawal vs Ryan Bader odds - BestFightOdds
 

Há uma certa máxima no MMA que diz: quando dois wrestlers de elite se enfrentam, a tendência é que nem tentem se derrubar e troquem porrada por todo o combate. Os fãs agradeceriam e dificilmente chegaríamos a uma decisão caso isso ocorra, dada a potência desses caras, aliada a dois queixos acessíveis e pouco resistentes. O palpite é que Bader conseguirá desgastar Lawal com sua resiliência e tenacidade, crescendo na segunda metade da luta e levando a vitória por decisão.

Peso Meio-Médio: Paul Daley (ING) vs. Jon Fitch (EUA)

Por Diego Tintin

Paul Daley (40-15-2 no MMA, 6-2 no Bellator) é o perfeito contraponto ao seu oponente deste duelo. Habilidoso com as mãos, violento, nocauteador, provocador, polêmico e de caráter duvidoso. Além disso, parece ter alergia de luta agarrada, com histórico de irritação quando fica preso e anulado por grapplers eficientes.

O Semtex chegou a uma eliminatória para o cinturão no UFC, mas jogou sua carreira na organização no lixo após perder esta chance para Josh Koscheck. Foi expulso da empresa e nunca mais voltou a pisar em um octógono. Rumou para o Strikeforce e fez um round antológico contra Nick Diaz, valendo o cinturão e perdeu. Peregrinou por alguns eventos até chegar ao Bellator, deitando alguns corpos no caminho, mas sucumbindo diante de atletas mais habilidosos na luta agarrada. Hoje, perdeu um pouco de velocidade, mas a potência ainda é capaz de fazer estragos.

 
 

Jon Fitch (30-7-1 no MMA) conviveu com a fama de “sonífero” por grande parte de sua passagem pelo UFC. Apesar de esse fato não ser necessariamente uma injustiça, o norte-americano também teve seus bons momentos antes, durante e depois de ocupar o posto de segundo melhor meio-médio do mundo por um bom tempo.

Após sair do maior evento do mundo, Fitch foi finalizado por Josh Burkman e Rousimar Toquinho, no que parecia ser fim de linha para o veterano. Mas quatro vitórias seguidas contra outros veteranos ex-UFC lhe valeram os cinturões do WSOF e do PFL, o que chamou a atenção do Bellator e a chance de voltar aos holofotes.

Jonathan faz o estilo carrapato, sufocando o adversário até conseguir a queda e normalmente só deixa a posição de domínio no solo quando termina o round. Em pé nunca foi dos melhores, a falta de velocidade foi acentuada com o natural declínio atlético e o queixo, que era uma grande virtude, já deu vários sinais de saturação.

Jon Fitch vs Paul Daley odds - BestFightOdds
 

Dificilmente Jon Fitch daria algum espaço a Daley em seus bons tempos, sufocando até conseguir uma decisão unânime em seu favor. O legal deste combate é que Fitch piorou o suficiente para dar uma boa chance de Daley o mandar para a vala, mas não tanto assim para isso ser considerado uma grande barbada. Quem vai conseguir impor sua marca neste duelo é uma questão bem pertinente. A aposta aqui é que Daley consiga seu momento na luta e o aproveite de forma violenta.

Peso Pesado: Cheick Kongo (FRA) vs. Javy Ayala (EUA)

Por Rafael Oreiro

Sim, Cheick Kongo (27-10-2 no MMA, 9-2 no Bellator) continua lutando profissionalmente com 42 anos na carcaça. Não só isso, vem atualmente em uma das maiores sequências de vitórias na organização, com cinco triunfos consecutivos desde 2015, incluindo um sobre Alexander Volkov, atual top 5 do UFC. Com isso tudo, você deve achar que ele estaria entre os selecionados a participar do torneio para definir o próximo campeão da categoria, certo? Não poderia estar mais enganado. Passado para trás – inclusive por meios-pesados – o francês provavelmente pagou a conta pelo sono coletivo que têm promovido em seus últimos combates. Com a tática de fazer uma luta segura, buscando o combate na grade e no solo para não deixar seu queixo já combalido ser testado, ele foi protagonista de alguns dos piores embates dos últimos tempos no Bellator, contra Augusto Sakai e Oli Thompson.

 

Já Javy Ayala (10-6 no MMA, 5-3 no Bellator) ganhou o ticket de ouro para sua carreira ao nocautear o experiente Sergei Kharitonov com um porradão inesperado em somente 16 segundos de luta, em 2016. Nunca tendo sido nada demais em sua carreira no Bellator, ele acabou elevado a um patamar nem um pouco conhecido com o triunfo sobre o russo ex-PRIDE, sendo marcado para receber Roy Nelson no cage circular. Na ocasião, Ayala mostrou seu real nível ao ser dominado por três rounds pelo já deteriorado “Big Country”. Javy é um pesado até relativamente atlético, mostrando movimentação decente e variedades de golpes enquanto seu gás não acaba, o que normalmente acontece em menos de um assalto. Ele tem bom poder de nocaute e noção do que fazer no chão, mas mostrou uma defesa de quedas sofrível em seu combate com Nelson.

Cheick Kongo vs Javy Ayala odds - BestFightOdds
 

Ao meu ver, Ayala não é nem de perto um atleta digno de estar em um card principal de Bellator. E sabe o pior? Ainda assim ele é capaz de mandar Kongo para a vala. Com um queixo incapaz de receber qualquer golpe mais forte e um condicionamento físico não tão bom, o francês pode sofrer bastante caso a luta se mantenha na troca de golpes quando os dois estiverem exaustos, provavelmente já lá pelo segundo round. Porém, não imagino que nada afaste Kongo do plano de seus últimos combates, de levar a luta para o chão o mais rápido possível e segurar posição lá. Assim, Kongo deve conquistar sua sexta vitória seguida novamente na decisão dos juízes.

Peso Pena: Aaron Pico (EUA) vs. Lee Morrison (EUA)

Por Rafael Oreiro

Quem duvidou da qualidade real de Aaron Pico (2-1 no MMA e no Bellator) após uma surpreendente derrota em sua estreia profissional teve que dar o braço a torcer após seus últimos desempenhos. Completando o considerável número de quatro lutas em menos de um ano de carreira, Pico continuou escolhendo o caminho espinhoso de enfrentar adversários muito mais experientes do que ele, e ainda assim conseguiu dois nocautes dignos de highlight contra Shane Krutchen e Justin Linn.

Afastando-se um pouco da AKA, agora alternando treinos de boxe junto com Freddie Roach e de MMA na Bodyshop MMA, na companhia do também prospecto do Bellator AJ McKee, Pico vem demonstrando um boxe afiado e ofensivo, alternando bastante entre golpes na cabeça e no tronco, com um poder de destruição bastante considerável para a categoria. Seu nível técnico no wrestling, modalidade na qual começou seus treinos com quatro anos de idade, não precisa nem ser comentado, e tampouco foi mostrado completamente dentro do cage, já que ele tem usado predominantemente o boxe em suas lutas.

 

Finalmente chegando em uma das maiores organizações do mundo após 26 lutas profissionais, Lee Morrison (18-8 no MMA) teve pouco destaque em sua carreira. Tendo só passado por eventos regionais americanos, ele obteve uma chance no M-1 Challenge, em 2014, quando lutou pelo cinturão peso pena, mas acabou esquecido pela organização russa após sofrer cinco derrotas em sete lutas. Atleta da Fusion X-Cel MMA, na Flórida, Morrison é outro que possui histórico no wrestling desde bastante cedo em sua vida. Sua especialidade é o jogo de quedas aliado com um bom nível no chão, onde busca sempre muitas transições, especialmente a montada. Em pé, o “Bulldog” é um lutador que tenta sempre ser agressivo, mesmo sendo tecnicamente limitado, andando para a frente soltando golpes abertos, misturando com eventuais chutes nas pernas.

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Se o nível de Morrison no wrestling é bom, Pico é bastante superior em qualquer aspecto da luta agarrada. Como o californiano não vem utilizando tanto seu jogo de quedas e controle posicional, o mais provável é que vejamos a maior parte da luta transcorrendo na troca de golpes em pé, onde Pico é bem mais polido e alinhado. Como Morrison é bastante resistente, deve aguentar a pressão do jovem prospecto por algum tempo, mas acabará sucumbindo na segunda metade da luta no que deve ser mais um nocaute para o cartel de Aaron Pico.

Peso Leve: Adam Piccolotti (EUA) vs. Carrington Banks (EUA)

Por Rafael Oreiro

O californiano Adam Piccolotti (9-2 no MMA, 5-2 no Bellator) já chegou a ser considerado um grande talento no Bellator, inclusive sendo destacado pelo MMA Brasil como um dos melhores prospectos da organização para o futuro. Porém, uma série negativa recente com derrotas para Goiti Yamauchi e David Rickels deixaram esse status bastante questionado. Lutador que mistura treinos na Raul Castillo Martial Arts e na AKA, Piccolotti tem um jiu-jítsu bastante agressivo, sempre buscando finalizações, mas possui certa dificuldade para levar a luta para a sua zona de conforto, devido à pouca habilidade no jogo de quedas. Ele chegou a mostrar evolução na troca de golpes em seus últimos compromissos, mas ainda tem um repertório meio pobre de golpes e dificuldades defensivas, principalmente quando é pressionado.

 

Ignorado pelo UFC depois de uma participação de somente uma luta e uma vitória no TUF 21, no qual representou a Blackzilians, Carrington Banks (7-0 no MMA, 3-0 no Bellator) foi definitivamente um achado do Bellator para sua categoria dos leves. Com três vitórias na organização, inclusive tendo encerrado o hype de Steve Kozola em sua última luta, Banks acabou de se mudar da Flórida para o Colorado, passando a treinar na Genesis Training Center junto com Justin Gaethje e Brandon Girtz. Hoje ele está bem longe do atleta unidimensional que se apresentou no TUF 21, que se baseava somente no seu ótimo nível de wrestling para dominar as lutas. Banks mostra uma movimentação decente, que ajuda não só seu sistema defensivo, mas também melhora o timing de suas entradas de queda. Ofensivamente, ele ainda é muito tímido e não tão habilidoso, soltando poucas combinações e sendo pouco agressivo.

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Abrindo o card principal, possivelmente veremos uma tentativa de embate de estilos no cage. Apesar de ser superior no chão, é difícil imaginar que Piccolotti consiga levar a luta para o chão ou arrume qualquer bote em cima de Banks. Com isso, o mais provável é que Adam tenha montado uma estratégia para tentar manter a luta em pé, onde é mais agressivo e capaz de levar vantagem no combate. Porém, imagino que será difícil conter o ímpeto de Banks, que conseguirá ao menos levar vantagem em dois rounds para vencer na decisão dos juízes.

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