Por Edição MMA Brasil | 28/02/2018 19:56

Mais um fim de semana cheio para animar os fãs de MMA. Nesta sexta-feira, véspera do UFC 222, o cage circular da segunda maior organização do mundo será montado mais uma vez no WinStar World Casino, em Thackerville, Oklahoma. O Bellator 195 abre o fim de semana de lutas com uma disputa de cinturão com desafiante brasileiro e uma provável eliminatória na mesma categoria dos galos.

Em sua primeira defesa do título do peso galo, o americano Darrion Caldwell encara o brasileiro Leandro Higo na luta principal, em mais uma edição do clássico wrestling vs. jiu-jítsu. Visando o posto de desafiante número um, o ex-campeão Joe Warren luta imediatamente antes contra Joe Taimanglo, único a ter vencido o atual dono do cinturão.

Completam ainda o card principal o duelo no peso mosca feminino entre as americanas Kristina Williams e Emily Ducote, além do encontro entre os pesos pena Juan Archuleta e William Joplin.

O card principal do Bellator 195 terá transmissão do canal FOX Sports Brasil a partir das 23h, no Horário de Brasília.

Cinturão Peso Galo: C Darrion Caldwell (EUA) vs. Leandro Higo (BRA)

Por Alexandre Matos

Darrion Caldwell

Desde que chegou no Bellator, oriundo do extinto Legacy FC, Caldwell (11-1 no MMA, 8-1 no Bellator) era cercado de forte expectativa. A organização foi trabalhando o prospecto com calma, primeiro no peso pena, depois no galo. Na atual categoria, emendou três vitórias fundamentais, sobre Rafael Morcego, Shawn Bunch e Joe Warren, postando-se numa eliminatória contra Taimanglo. Favorito destacado, Darrion acabou surpreendido por uma guilhotina e teve que vencer a revanche para finalmente desafiar o cinturão de Eduardo Dantas. A disputa aconteceu em outubro do ano passado, quando o americano não teve trabalho para dominar o brasileiro e sair com o título.

Os motivos pelos quais muita gente depositava fé em Caldwell, inclusive o MMA Brasil, que o colocou numa lista de possíveis astros quando ele ainda começava no MMA. Campeão da Divisão I da NCAA batendo o futuro titular da seleção olímpica Brent Metcalf na final, Caldwell tem uma vasta gama de quedas explosivas, desde single leg até o suplê alemão, o popular pilão, que ele aplicou em Dudu na luta do título. Com uma base de wrestling tão forte, seu jogo é praticamente orientado às quedas, clinch, controle posicional e transições. O striking vem se desenvolvendo, mas ainda é muito utilizado para estabelecer distância para que ele próprio decida quando encurtar.

Mais um “Pitbull” representante da potiguar Pitbull Brothers no Bellator, Higo (18-3 no MMA, 1-1 no Bellator) finalmente terá a chance de disputar um título mundial numa organização de primeira linha. Talentoso desde que militava no cenário nacional, ele teve alguns percalços na carreira, mas conseguiu o cinturão da RFA e da LFA antes de fechar com o Bellator. Na atual casa, já chegou disputando (e perdendo) a coroa para Dantas, mas uma vitória sobre Taimanglo o credenciou para uma nova oportunidade.

Higo tem uma base parecida com a dos irmãos Pitbull, centrada no jiu-jítsu e no muay thai. A diferença, que lhe trouxe problemas em algumas oportunidades, é a falta da agressividade e da explosão de Patricio e Patricky. Embora muito técnico, com domínio de todas as vertentes do jogo e boa capacidade de definição no solo, Leandro parece lutar contra a própria confiança e acaba travando nos momentos decisivos – aconteceu contra Iliarde Santos, no Jungle; contra Bruno Korea, no TUF Brasil 4; e diante de Dantas, já no Bellator, todos adversários possíveis de serem batidos pelo potiguar de Mossoró. Nesta sexta, Higo terá a chance de mostrar que superou esta dificuldade.

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Este duelo reserva uma condição muito interessante. Com uma mentalidade voltada para as quedas, Caldwell costuma deixar algumas brechas para ser pego. Se isso acontecer de novo, o cinturão estará em perigo, visto que Higo é muito superior a Taimanglo no jiu-jítsu e com maior capacidade de capitalizar em cima de erros de entrada do americano.

No entanto, a luta começa em pé, condição em que o brasileiro precisa ser mais rápido, impor maior volume e pressionar mais. Se mantiver o ritmo baixo, Higo será controlado pelo bom serviço de jabs e chutes de Caldwell. Porém, o americano costuma trabalhar de modo cadenciado, o que permite que os adversários mapeiem seus movimentos e possam se antecipar. Será pouco provável que Leandro consiga derrubar Darrion, mas, se impuser pressão, pode se embolar e forçar um erro do campeão.

Numa disputa relativamente aberta, provavelmente prevalecerá a mentalidade mais agressiva do campeão, que deve manter o cinturão na decisão dos juízes.

Peso Galo: Joe Warren (EUA) vs. Joe Taimanglo (GUM)

Por Alexandre Matos

Joe Warren

Único na história do Bellator a conquistar cinturões em duas categorias, Warren (15-6 no MMA, 13-5 no Bellator) conta com a camaradagem do matchmaker Rich Chou para viver na boca de uma nova disputa de título. O retrospecto recente é uma gangorra de resultados, com derrotas para todos os integrantes da elite que enfrentou no período (Caldwell, Dantas e Marcos Loro) e vitórias sobre concorrência de menor porte (Sirwan Kakai, Steve Garcia e o recém-demitido LC Davis).

Assim como Caldwell, Warren chegou no MMA precedido de uma carreira no wrestling, porém muito maior do que a do campeão atual. Em três anos na NCAA D1, ele só foi All-American uma vez. Porém, na carreira sênior na greco-romana, foi campeão mundial, da Copa do Mundo, tri panamericano e tri do US Open. Esta base – Warren é um lutador muito forte e de enorme senso de equilíbrio – fez dele um carrapato no MMA, com um jogo incansável de travar, esmagar e pressionar adversários na grade e no solo, dando pouco espaço até para respirar. Porém, o conterrâneo de Floyd Mayweather e James Toney já tem 41 anos e perdeu boa parte de sua capacidade de grinder.

Joe Taimanglo

Até o primeiro semestre de 2016, Taimanglo (23-8-1 no MMA, 6-4 no Bellator) parecia um porteiro do peso galo do Bellator, sem nenhuma vitória que causasse alguma comoção. Porém, em julho daquele ano, ele protagonizou um furdunço na divisão ao finalizar Caldwell e afastar o americano da trilha do cinturão. Como Joe não bateu o peso, o Bellator casou uma revanche e Darrion se vingou. No ano passado, Taimanglo só lutou uma vez, derrotado por Higo.

Faixa-marrom de jiu-jítsu de Renato Charuto e ex-campeão dos penas do PXC, na Oceania, Taimanglo é um lutador dinâmico, de punhos velozes trocando dentro do pocket, defesa de quedas relativamente sólida, habilidade nas transições de solo e capacidade de definição. No entanto, ele possui inúmeras brechas defensivas, em toda sorte de situações, além de ser um tanto atrapalhado quando tenta misturar as vertentes do MMA.

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Taimanglo é o oponente sob medida para ser moído por Warren na grade e no chão por 15 minutos, numa luta modorrenta. Porém, se o americano vacilar no solo, pode ser pego num bote pelo guamês. Infelizmente isso não deve acontecer, então teremos 15 minutos de sufoco até Joe vencer mais uma por decisão.

Peso Mosca Feminino: Emily Ducote (EUA) vs. Kristina Williams (EUA)

Por Rafael Oreiro

Vinda de derrota na disputa de cinturão inaugural do peso mosca, Emily Ducote (6-3 no MMA, 4-2 no Bellator) é provavelmente a lutadora com mais lutas dentro do cage do Bellator, já indo para seu sétimo combate em pouco mais de dois anos na organização. Conhecida pelo singelo apelido de “Gordinha”, a atleta da filial da American Top Team em Oklahoma tem como carro chefe seu jiu-jítsu, sempre buscando finalizações quando por cima e sendo perigosa com raspagens quando acaba de costas no chão. Ainda assim, Ducote ainda é uma lutadora muito jovem e crua, tendo diversos problemas defensivos nas transições entre as artes marciais, tanto no clinch quanto na defesa de quedas. Porém, é na troca de golpes que a Gordinha apresenta mais dificuldades na defesa, apesar de apresentar boa técnica ofensiva.

Somente com algumas lutas amadoras, Kristina Williams (1-0 no MMA, 1-0 no Bellator) foi trazida para fazer sua estreia profissional no Bellator como uma oferenda pouco perigosa para Heather Hardy que acabou virando surpresa, batendo a ex-boxeadora profissional depois de uma interrupção médica causada por um chute arrasador da debutante na face de sua oponente. Williams é uma kickboxer de volume altíssimo de golpes, usado chutes com muita frequência e sendo perigosa com cotoveladas. Ela não teve nenhuma outra área de seu jogo testada ainda, já que Hardy é incapaz de fazer qualquer coisa que não seja trocar sopapos em pé.

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Williams certamente surpreendeu contra Hardy, tendo sua tarefa facilitada talvez por sua oponente ainda não ter entendido a definição de artes marciais mistas, mas o buraco contra Ducote é bem mais embaixo. A Gordinha é muito mais experiente e, apesar de poder passar por algumas dificuldades na troca de golpes principalmente para bater a envergadura de Williams, deve conseguir levar a luta para o chão e expor a inexperiência de sua oponente, conseguindo uma finalização a partir do segundo round.

Peso Pena: Juan Archuleta (EUA) vs. William Joplin (EUA)

Por Rafael Oreiro

Pupilo de Joe Stevenson na Cobra Kai Jiu Jitsu e parceiro de treinos de Cub Swanson e TJ Dillashaw, o californiano Juan Archuleta (17-1 no MMA, 0-0 no Bellator) é uma grande aposta do Bellator. Antes considerado um dos maiores prospectos fora das grandes organizações, o “Espanhol” é conhecido por ser campeão em quatro categorias de peso diferentes no King of the Cage, derrotando nomes como Mark Dickman e Chris Tickle no caminho. Com background no wrestling universitário, inclusive chegando a Divisão I da NCAA em 2010, Archuleta é um lutador excelente no jogo de quedas e pressão no chão, tendo bastante fôlego para golpear por cima por quanto tempo for necessário, não deixando seu adversário respirar em nenhum segundo. Ele vem evoluindo na troca de golpes, desenvolvendo movimentação e jogo de pernas, mas ainda pode ser exposto contra oposição com qualidade para explorar suas brechas.

O veterano William Joplin (17-14 no MMA, 0-0 no Bellator) entrou no evento na última hora, substituindo Zac Church. O americano de 39 anos nunca teve grande brilho em sua carreira, acumulando um cartel completamente irregular e passagens ruins pelo Titan FC, RFA e LFA. Joplin é um lutador deficiente em todas as áreas do MMA, mas que tem o chão como sua principal arma, com dez de suas 17 vitórias vindo por finalização. Em pé, é um lutador pouco habilidoso e lento, oferecendo inúmeras oportunidades para seus oponentes aproveitarem.

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Archuleta recebeu uma baita oportunidade para estrear bem no Bellator. Joplin é um lutador que chega na luta mais importante de sua carreira sem mérito absolutamente nenhum e, com três nocautes sofridos nas últimas cinco lutas, deve ter imensas dificuldades para aguentar a pressão que o californiano trará ao cage. Apostando que William ainda apresentará alguma resistência no chão no primeiro round, a expectativa é que Juan Archuleta derrube a vontade e consiga uma interrupção por nocaute técnico até o final da segunda parcial.