Bellator 172: Fedor vs. Mitrione – Prévia do Card Principal

De volta ao seu principal palco, o Bellator 172 tem a estreia da lenda Fedor Emelianenko puxando nomes de peso como Josh Koscheck, Josh Thomson, Patricky Pitbull e outros.

Desde a entrada de Scott Coker no Bellator, a organização vem apostando cada vez mais em grandes estrelas do MMA puxando audiência para seus eventos. A tendência continua neste sábado dia 18 de fevereiro para o Bellator 172, que acontecerá no SAP Center, em San Jose, Califórnia, normalmente palco dos melhores eventos da organização.

O evento marca o retorno da lenda russa Fedor Emelianenko para os cages americanos depois de quase seis anos da malsucedida experiência no Strikeforce, antiga casa de Coker. Um dos maiores nomes da história do esporte, Fedor terá pela frente um integrante da nova geração de pesos pesados, o ex-UFC Matt Mitrione, um dos maiores garotos-propaganda do Bellator e candidato a disputar o título que está vago.

Outros nomes conhecidos de fãs de MMA também competirão no evento, como Josh Thomson, que enfrenta o brasileiro Patricky Pitbull com o objetivo de garantir uma oportunidade de lutar contra Michael Chandler. Nos outros dois duelos da parte principal do evento, Cheick Kongo busca sua quarta vitória consecutiva na organização encarando o inglês Oli Thompson, enquanto o veterano do TUF 1 Josh Koscheck finalmente estreia no Bellator enfrentando o brasileiro Mauricio Alonso.

O card principal será exibido ao vivo no Brasil pelo FOX Sports, começando a transmissão à meia noite no horário de Brasília, lembrando que este pode ser alterado pelo término do horário de verão na mesma hora.

Peso Pesado: Fedor Emelianenko (RUS) vs. Matt Mitrione (EUA)

Dez anos sem perder. Vinte e oito vitórias seguidas sobre nomes como Mirko Cro Cop, Rodrigo Minotauro, Andrei Arlovski, Kevin Randleman, Tim Sylvia, Mark Hunt e Mark Coleman. Maior campeão da história do PRIDE e por muito tempo (por alguns ainda hoje) considerado o melhor lutador da história do MMA. Apesar de claramente não ter mais nada a provar no esporte, Fedor Emelianenko (36-4 no MMA) resolveu desistir da aposentadoria em 2015 e conseguiu duas vitórias, nocauteando o indiano Jaideep Singh e conseguindo uma decisão muito polêmica em cima do meio-pesado Fabio Maldonado.

Apesar das vitórias, “O Último Imperador” até agora só fez desapontar quem ainda esperava um bom nível de competitividade dele depois de todo esse tempo. Singh não era nada mais do que um adversário dado sob medida para alimentar Fedor, com cartel 2-0 contra oposição ínfima. Quando pegou um adversário de alguma experiência no MMA, o russo passou um sufoco enorme, quase sendo nocauteado no primeiro round por um meio-pesado que poderia lutar de médio, só conseguindo a vitória com a ajuda amiga da Federação Russa de MMA, entidade que o próprio Fedor dirige. Porém, o resultado já foi contestado pela Associação Mundial de MMA (WMMAA) e mudado para no contest (sem resultado).

Quanto as suas armas para o embate, temos que nos lembrar do passado, para ressaltar que Fedor era um lutador com uma potência incrível nos punhos para uma pessoa de sua estatura, também contando com muitas ferramentas de finalização no chão, levando perigo em qualquer área da luta. Essas características ainda pulsam no ex-campeão dos pesados.

Do outro lado do octógono, Matt Mitrione (11-5 no MMA, 2-0 no Bellator), cria do TUF 10, fez sua primeira luta profissional, assim como as treze seguintes, na maior organização do MMA mundial. Após uma sequência de duas derrotas para Ben Rothwell e Travis Browne, o ‘Meathead’ resolveu mudar de ares e migrou para o Bellator, já emendando duas vitórias consecutivas em menos de um mês, nocauteando Carl Seumanutafa e Oli Thompson.

Originalmente jogador de futebol americano, passando por times como New York Giants e Minnesota Vikings, Mitrione começou muito tarde no MMA, começando a treinar quase aos 30 anos, com o veterano Chris Lytle. O histórico no futebol americano garantiu um ótimo condicionamento físico para um peso pesado, dando base para uma trocação que utiliza movimentação constante, procurando ângulos para disparar combinações simples. Apesar das qualidades, nunca se pode duvidar na capacidade de Mitrione de estragar tudo, principalmente por sua pouca capacidade na luta agarrada – este foi o motivo da nomeação dele para patrono de uma das categorias do nosso prêmio Barangão Awards, pela lambança que o levou a ser finalizado por Ben Rothwell.

Fedor Emelianenko vs Matt Mitrione odds - BestFightOdds

A tendência que Mitrione tem de sempre fazer lambança é um perigo, ainda mais contra um adversário experiente como Emelianenko, que tem a manha para capitalizar em cima de qualquer besteira feita pelo americano, principalmente no solo. Ainda assim, a apresentação contra Maldonado deixa poucas esperanças para o russo competir contra um adversário de melhor nível hoje em dia. O mais provável é que Mitrione consiga machucar o russo cedo na luta e, capitalizando em cima disso, conseguir um nocaute nos dois primeiros rounds.

Peso Leve: Josh Thomson (EUA) vs. Patricky Pitbull (BRA)

O nome de Josh Thomson (22-8 no MMA, 2-0 no Bellator) é um dos primeiros que vêm na cabeça quando pensamos em talentos que nunca atingiram seu potencial máximo. Com muito azar em suas passagens no Strikeforce e no UFC, bastante por causa das lesões que sempre atormentaram sua carreira e chegaram a fazê-lo querer parar, Thomson chegou a um acordo com o antigo chefe e amigo Scott Coker, em 2015, e entrou para o Bellator, onde até agora emendou duas vitórias contra Mike Bronzoulis e Pablo Villaseca.

O “Punk” é um produto da AKA, onde desenvolveu um arsenal bastante completo, com uma trocação eficiente baseada no kickboxing e um jogo de luta agarrada muito forte, com base desde adolescente no wrestling universitário, e ainda mais incrementado pelo seu tempo de treino em jiu-jítsu com Dave Camarillo, fazendo com que Thomson conseguisse 10 finalizações em suas 30 lutas profissionais.

Chegando no Bellator para o torneio dos leves da quarta temporada, Patricky Pitbull (16-8 no MMA, 9-7 no Bellator) era apenas o “irmão de Patricio Pitbull”. Ele já deixou o cartão de visitas no mesmo torneio, só parado por Michael Chandler na final após nocautear seus dois adversários anteriores. Nos anos seguintes, no entanto, Patricky não conseguiu uma série de lutas consistente, alternando entre vitórias e derrotas, mas sempre trazendo medo para seus adversários por causa do muay thai poderoso, que usa bastante as joelhadas, e com a potente mão direita sempre como especialidade.

Apesar de temido na luta em pé, Pitbull é muito mais versátil do que a maioria das pessoas pensa, já que ele tem origem na luta de solo e, assim como seu irmão, ostenta faixa preta de jiu-jitsu. Apesar de ter melhorado bastante a defesa de quedas durante a carreira, Pitbull ainda apresenta alguns defeitos nesse aspecto, além de alguns problemas defensivos na trocação, dando muitas brechas para os adversários, como a que Chandler aproveitou no Bellator 157.

Josh Thomson vs Patricky Freire odds - BestFightOdds

O brasileiro é o primeiro adversário de nível que Thomson enfrenta em quase dois anos – e o americano só lutou duas vezes nesse período. A inatividade pode custar caro se Josh entrar sem ritmo no cage. Patricky é muito perigoso em pé, podendo nocautear a qualquer momento, mas Thomson deve evitar entrar no raio de ação do brasileiro, trabalhando chutes para evitar a aproximação do Pitbull. Mesmo assim, o plano do “Punk” não deve ser trocar com o brasileiro, que é muito menos perigoso com as costas no chão do que em pé. Thomson deve alternar momentos de pressão na grade e quedas para levar a vitórias na decisão dos juízes.

Peso Pesado: Cheick Kongo (FRA) vs. Oli Thompson (ING)

Antes considerado um dos melhores lutadores da categoria dos pesados, Cheick Kongo (25-10-2 no MMA, 7-2 no Bellator) chegou ao Bellator com bastante expectativa, sendo um dos primeiros lutadores a migrar do UFC para o rival. Derrotas para Vitaly Minakov e para King Mo Lawal, um meio-pesado de origem, freiaram o caminho do francês na organização.

O veterano francês vai mostrando recuperação ao vencer nomes como Alexander Volkov, que foi para o UFC, e Tony Johnson, mostrando seu bom nível na trocação, com base no savate e no caratê. Ainda assim, Kongo já é um senhor de 41 anos e demonstrou faz muito tempo que seu queixo não chega perto de ser resistente como foi contra Pat Barry em 2011.

O britânico Oli Thompson (17-9 no MMA, 0-1 no Bellator) é mais um caso de lutador que começou a treinar com uma idade muito avançada (29 anos), após carreira em eventos de strongman, na qual conquistou o título de Homem Mais Forte do Reino Unido. No que tange ao MMA, sua carreira não foi nem de perto tão bem sucedida. Ele chegou a ter uma passagem no UFC marcada por duas derrotas seguidas, além de resultados também frustantes no BAMMA e KSW.

Thompson é um lutador de baixa qualidade técnica que gosta bastante de levar seus oponentes para o clinch na grade, trabalhando o dirty boxing, e que depende basicamente da potência de seu punho direito para vencer lutas.

Cheick Kongo vs Oli Thompson odds - BestFightOdds

O britânico pode surpreender e nocautear, mas, como diz nosso editor Alexandre Matos, se sua maior esperança é a mão entrar, às vezes é melhor nem sair de casa. Kongo tem completa vantagem técnica e deve misturar bem as quedas com momentos de trocação na longa distância rumo a uma vitória na decisão dos juízes ou até em uma finalização na metade final da luta.

Peso Meio-Médio: Josh Koscheck (EUA) vs. Mauricio Alonso (BRA)

Depois de um ano e meio desde a contratação, finalmente veremos a estréia do veterano Josh Koscheck (17-10 no MMA) no Bellator. Um dos poucos participantes da primeira temporada do The Ultimate Fighter em atividade, Koscheck já foi um ótimo wrestler, campeão da Divisão I da NCAA, mas está atualmente nos últimos momentos de sua carreira.

Antes explosivo, Koscheck ficou lento com a idade, não conseguindo mais replicar o jogo que o levou a desafiar Georges St. Pierre, e acabou emendando uma sequência de cinco derrotas antes de sair do UFC. Além do wrestling, ele também ficou conhecido pelo boxe bem alinhado, mas agora se limita ao poder de nocaute de sua mão direita, demonstrando a decadência técnica pela qual passou nos últimos cinco anos, nos quais não venceu nenhuma vez.

Mauricio Alonso (12-7 no MMA, 0-1 no Bellator) é um meio-médio gigante, com 1,88m de altura, somente três centímetros menor que Neil Magny e 10 maior que Kos. O brasileiro é um veterano de 36 anos, mas quase sem experiência nenhuma no MMA de alto nível. Ele chegou no ano passado ao Bellator após sequências inconstantes em eventos pequenos, como o Dragon House, e não obteve sucesso no cage circular, perdendo para o infame Nick Pica na decisão.

Alonso é um ótimo lutador de jiu-jítsu, mas não possui um jogo de quedas bom o suficiente para capitalizar em cima disso e, quando está em pé, troca muito plantado, dando muitas brechas para o adversário. Mais acostumado a atuar nos médios, é capaz que o corte de peso de última hora possa atrapalhar seu condicionamento físico.

Josh Koscheck vs Mauricio Alonso odds - BestFightOdds

No auge de cada um, pode-se dizer certamente que o melhor Josh Koscheck foi muito melhor do que o melhor Mauricio Alonso, mas hoje o nível dos dois é equilibrado. É muito difícil prever como Koscheck voltará depois de quase dois anos parado; porém, é improvável imaginar que ele voltará melhor do que o lutador que foi finalizado por Erick Silva, em 2015. Sendo assim, Alonso pode usar sua superioridade física para levar a luta para o chão na marra, dominando pelo menos dois rounds e levando uma decisão unânime, mas o brasileiro dá muitos vacilos defensivos em pé e, em um desses, Koscheck deve capitalizar e conseguir o nocaute.