Bellator 133: Shlemenko vs. Manhoef – Prévia do card principal

Os ex-campeões Alexander Shlemenko e Pat Curran tentam retomar o caminho de volta ao cinturão contra o nocauteador holandês Melvin Manhoef e o finalizador alemão Daniel Weichel, respectivamente.

A maratona das três maiores organizações do MMA mundial segue nesta sexta-feira com o Bellator 133, segundo evento do vice-líder no ano, que acontece no Save Mart Center, em Fresno, Califórnia.

As duas lutas principais trazem ex-campeões em busca de recuperação em suas primeiras lutas após a perda do cinturão. Entre os médios, o russo Alexander Shlemenko terá o violento nocauteador holandês Melvin Manhoef como oponente. Já entre os penas, o americano Pat Curran corre atrás de nova chance para o título contra o finalizador alemão Daniel Weichel.

Na renascida divisão peso pena feminino, a experiente Julia Budd encara a jovem Gabrielle Halloway. Abrindo a programação, o forte prospecto Chris Honeycutt faz duelo de invictos contra Clayton MacFarlane.

O card principal do Bellator 133 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal FOX Sports Brasil a partir da meia-noite de sexta para sábado, no horário oficial de Brasília.

Peso médio: Alexander Shlemenko (RUS) vs Melvin Manhoef (HOL)

Alexander Shlemenko

Alexander Shlemenko

Desde 2006 sem perder duas vezes consecutivas, Shlemenko (51-9 no MMA, 11-3 no Bellator) recebeu um duro golpe ao ser derrotado em sequência por Tito Ortiz, como meio-pesado, e por Brandon Halsey, que lhe tomou o cinturão dos médios. O recado era claro: o russo é pequeno demais para a categoria, mas insiste em competir até 84 quilos.

O holandês Manhoef viveu os dois lados da moeda da dor no Bellator. Ele estreou em setembro fazendo aquilo que mais sabe, que é deitar corpos no chão em colapso. Depois de nocautear Doug Marshall, voltou ao cage circular dois meses depois para acabar violentamente nocauteado por Joe Schilling, em combate que lhe valeria uma chance contra Halsey.

Na teoria, este combate deve se desenrolar como uma disputa de kickboxing, principal especialidade de ambos. No entanto, Manhoef tem um recorde incrível ao seu lado: a maior porcentagem de vitórias por nocaute da história do MMA (a via rápida dolorosa rendeu 27 dos 29 triunfos do holandês). Shlemenko até tem a capacidade demonstrada por Schilling e Robbie Lawler de encarar o furacão e nocautear Melvin, mas o melhor para ele é minimizar a roleta russa e usar suas habilidades com o sambô de combate, buscando levar o adversário ao solo e puni-lo no ground and pound ou até mesmo encaixar uma finalização. Seja como for, é difícil imaginar que a luta chegará ao fim do tempo regulamentar. A aposta recai sobre Shlemenko.

Peso pena: Pat Curran (EUA) vs Daniel Weichel (ALE)

Pat Curran

Pat Curran

Um belo retrospecto de nove vitórias em 10 apresentações de Curran (20-6 no MMA, 11-3 no Bellator) no cage circular do Bellator rendeu ao americano títulos em torneios nos leves e penas, além do cinturão desta última categoria. Nos três combates mais recentes, porém, perdeu a coroa para Daniel Straus, perdia a revanche a 10 segundos do fim, quando encaixou o mata-leão salvador, e voltou a perder o título, desta vez para o atual campeão Patricio Pitbull.

O alemão Weichel (34–8 no MMA, 3-0 no Bellator) já deveria ter sua chance de disputar o cinturão garantida, uma vez que ele conquistou o GP da 10ª temporada. Com o fim do sistema de torneios, o ex-campeão do M-1 Global viu a popularidade do trio de ferro Pitbull-Curran-Straus monopolizar a disputa nos últimos dois anos. Agora, um triunfo sobre o ex-campeão deve garantir ao representante da Team MMA Spirit um encontro com Patricio.

Apesar de a origem de Weichel ser o jiu-jítsu (ele conquistou 21 vitórias por submissão e vários títulos na arte suave), ele tem base também na luta olímpica, tanto no estilo livre quanto no greco-romano, além de um boxe bastante útil para encurtar a distância. Estas habilidades terão que estar afiadas contra Curran, contragolpeador nato com boxe de elite, muita versatilidade e instinto matador tanto no chão quanto em pé.

O caminho para o europeu é travar Curran na grade e de lá levá-lo ao chão, onde terá vantagem mesmo com o belo retrospecto do americano. O problema é que Pat é muito forte para ficar preso na grade, sem contar que a mudança para a Team Takedown, de Johny Hendricks e Jake Rosholt, certamente será útil no aprimoramento da já sólida defesa de quedas. Sendo assim, a aposta é em nocaute de Curran.

Peso pena feminino: Julia Budd (CAN) vs Gabrielle Halloway (EUA)

Derrotada apenas por Ronda Rousey e Amanda Nunes, Budd (6-2 no MMA) fez carreira no Strikeforce (venceu duas de quatro lutas) e Invicta FC (venceu todas as quatro) antes de ser uma das apostas do Bellator para reconstruir suas fileiras femininas. Em sua última apresentação, venceu Charmaine Tweet, atual desafiante de Cristiane Cyborg no Invicta.

Halloway (4-1 no MMA) é uma jovem de 24 anos, de carreira inteiramente feita no circuito menor norte-americano. Ela substituiu de última hora a brasileira Talita Treta, adversária original de Budd.

As duas derrotas de Budd não somaram um minuto (14 segundos no nocaute sofrido contra Amanda e 39 na finalização diante de Ronda), mas isso não significa que a praticante de muay thai seja uma lutadora ruim. A substituição de adversárias foi benéfica para a canadense, visto que Talita, campeã de jiu-jítsu, poderia trazer problemas no ponto fraco de Julia do que a também trocadora Halloway. Ainda que Gabrielle tenha mostrado muita disposição em seus combates anteriores, dificilmente ela conseguirá dar conta da pressão da “Joia”.

Peso meio-médio: Chris Honeycutt (EUA) vs Clayton MacFarlane (EUA)

Chris Honeycutt

Chris Honeycutt

Abrindo o card principal, um duelo entre dois wrestlers de sucesso em suas carreiras universitárias. Honeycutt (5-0 no MMA, 1-0 no Bellator) foi vice-campeão e duas vezes All-American da Divisão I da NCAA pela mesma Edinboro University que consagrou Josh Koscheck. Já MacFarlane (4-0 no MMA) foi campeão nacional da Divisão II pela Lindenwood University.

O passado na Edinboro não é a única aproximação de Honeycutt com o ex-desafiante do UFC. Chris, um dos principais prospectos americanos na categoria, é pupilo de Kos na Dethone Base Camp, na mesma cidade de Fresno que sediará o Bellator 133 – eles foram ainda companheiros de equipe na American Kickboxing Academy até o dia que Koscheck deixou o time após a saída do técnico Dave Camarillo.

Mesmo com belos pedigrees, Honeycutt é superior e mais fortemente testado na luta olímpica. Além disso, sua evolução no boxe é notável, o que dá um largo favoritismo para “The Cutt”. A expectativa é que Chris anote sua terceira vitória consecutiva por nocaute.