Beat The Streets 2016: as estrelas do wrestling voltam a brilhar nas ruas de Nova York

Campeões mundiais e olímpicos estiveram pelo sétimo ano consecutivo no tapete armado em plena Times Square para o Beat The Streets, mais uma oportunidade de acompanhar as estrelas rumo ao Jogos Olímpicos Rio-2016.

Seguindo com a missão de mostrar aos leitores do MMA Brasil os resultados de alguns dos maiores nomes do wrestling mundial a caminho dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, trazemos neste mês o Beat the Streets, evento ao ar livre que acontece anualmente na Times Square, em Nova York, para aproximar os fãs de seus ídolos.

Pelo sétimo ano consecutivo, mais um evento que fez os fãs de wrestling se sentirem sortudos em acompanhar esse esporte tão maravilhoso e dinâmico. O Beat the Streets: United in the Square aconteceu na quinta-feira passada e reuniu alguns dos melhores wrestlers dos Estados Unidos contra oponentes de alto nível de algumas potências do esporte. No ano passado, como você pode verificar aqui, os americanos enfrentaram wrestlers de Cuba. Em 2016, foram atletas do Irã, um da Coréia do Sul e duas do Canadá.

O evento abriu com um duelo no estilo greco-romano. O americano Andy Bisek, possivelmente o melhor wrestler do greco do país, duas vezes medalhista de bronze em mundiais e campeão dos Jogos Pan-americanos de 2015 na categoria até 75kg, enfrentou um baita teste na figura do sul-coreano Kim Hyeon-Woo, que vem a ser o campeão olímpico de 2012 e mundial do ano seguinte.

Como esperado, o sul-coreano superou Bisek. Com uma linda projeção usando um arm throw logo no começo do embate e um step-out, Woo anotou 3-0 no placar, confirmando cada vez mais o seu lugar como um dos favoritos nas Olimpíadas do Rio.

Vídeo da luta (a projeção acontece aos 24 segundos):

https://www.youtube.com/watch?v=29PC6mZsSWg

As duas lutas seguintes foram de wrestling feminino. Primeiro, Helen Maroulis, campeã mundial em 2015 na categoria até 55kg e já garantida nas Olimpíadas de 2016, apresentou a performance mais dominante do evento ao enfrentar a canadense Samantha Stewart, atual campeã pan-americana. Com várias quedas, como um contra-ataque de arm-drag, um snapdown com go-behind, um pancake e dois inside trips mudando para o double leg – o último de 4 pontos, levando ao encostamento – Maroulis destruiu sua oponente, levantando a torcida americana. Essa é a quinta vitória consecutiva de Helen no Beat the Streets.

https://www.youtube.com/watch?v=vydTRXhuqgk

A também americana Adeline Gray, tricampeã mundial, principal rival da brasileira Aline Silva e outra já garantida nas Olimpíadas na categoria até 75kg, teve pela frente a canadense Justina di Stasio, atual bicampeã pan-americana. Adeline, com um pouco mais de dificuldade do que o esperado, bateu a canadense por superioridade técnica, 11-0 no placar. Gray conseguiu quedas como um high single (ou snatch single) mudando para o double leg, um high crotch e um go-behind partindo do front headlock, tentando um crotch lift no final. Além das quedas, Adeline converteu dois turns usando sua famosa cruzeta que destruiu Aline no Pan de Toronto, no ano passado.

https://www.youtube.com/watch?v=JbkkZw6pXy0

A novidade do evento neste ano veio nas quatro lutas seguintes, com as estrelas americanas na categoria dos juniores (17 até 20 anos). Esta foi a primeira vez que o Beat the Streets contou com lutas principais entre wrestlers juniores.

Para quem acompanha o cenário americano de wrestling, já são familiares os nomes que lutaram, como Daton Fix, Mitchell McKee, Zahid Valencia e o candidato a fenômeno Mark Hall. Eles foram escolhidos para enfrentar os iranianos depois de vencerem o campeonato nacional americano júnior no estilo livre.

Na primeira luta, na categoria até 55kg, Daton Fix, medalhista de bronze no mundial cadete de 2015, bicampeão nacional júnior e membro da equipe americana no mundial júnior deste ano, em Paris, lutou contra o iraniano Kheyrollah Ghahramani, medalhista de bronze no mundial cadete de 2013. Fix, que sempre está ligado no 220, lembrando bastante o peso pena do UFC Clay Guida nesse aspecto, não deu chances ao iraniano, conseguindo a superioridade técnica por 14-3. Como sempre, Fix usou seu famoso slide by para derrubar Ghahramani duas vezes. Outra queda veio de um high crotch modificado para um sweep single. Os demais pontos foram quatro turns usando um gut wrench com o braço preso – este detalhe deixa o movimento praticamente indefensável.

https://www.youtube.com/watch?v=P46V8DA7dlY

Mitchell McKee, atual campeão nacional júnior na categoria até 60kg, bateu de frente com o iraniano Peiman Biabani, campeão asiático júnior no ano passado. Ambos proporcionaram aos fãs a melhor luta do evento, decidida nos últimos segundos. O americano conseguiu uma queda usando um slide by, depois vieram um step-out, um lindo contra-ataque expondo as costas de seu adversário que rendeu quatro pontos a McKee e uma reversão depois de um turn de Biabani, que salvou o americano, finalizando o placar em 8-8. McKee venceu pelo critério de ter conseguido o movimento com mais pontos (4).

https://www.youtube.com/watch?v=xcUPFv26BkY

Na luta seguinte foi a vez de um dos melhores wrestlers da equipe júnior americana, além de promessa da Penn State University no ano que vem. Mark Hall, campeão mundial cadete em 2014 e que representará seu país pelo segundo ano consecutivo no Mundial Júnior, enfrentou o iraniano Ahmad Bazrighaleh, medalhista de bronze do campeonato asiático cadete de 2014.

O americano mostrou o porquê de sua defesa e habilidade de pontuar em scrambles serem tão bem faladas, conseguindo 6 pontos somente em exposição das costas em situações de scrambles contra o iraniano. Outros dois pontos vieram de uma queda. Hall fechou a luta em 8-5.

https://www.youtube.com/watch?v=xKiZX6-QtjI

Na última luta entre os juniores, o americano Zahid Valencia, atual bicampeão nacional da categoria até 84kg e titular da seleção pelo segundo ano consecutivo no Mundial Júnior, bateu de frente com o melhor wrestler iraniano do torneio, o monstro Mojtaba Goleij, atual campeão mundial júnior. Goleij, como faz com todos os adversários que enfrenta, acabou com o gás do americano utilizando sua pressão frenética que não deixa o adversário ficar nem na área de luta. Por esse motivo, muitos dos pontos que ele consegue vêm através de step-outs. Foram três contra Valencia, além de três quedas, sendo que, na última, ele conseguiu sem resistência nenhuma do americano, de tão cansado que este estava. Goleij venceu Zahid por 10-1 e mostrou que vai com tudo para conseguir o bicampeonato mundial júnior neste ano.

https://www.youtube.com/watch?v=WDu2T2Un4Mc

Nas lutas entre os adultos (homens), a promessa americana J’Den Cox, bicampeão da Divisão I da NCAA e campeão da seletiva americana para as Olimpíadas na categoria até 86kg, enfrentou o primeiro grande teste de sua carreira internacional no estilo livre internacional e surpreendeu a todos ao vencer sem muitas dificuldades o iraniano Meisam Mostafa Joukar, número 10 no mundo, campeão dos Jogos Asiáticos e do Mundial entre universidades. Cox conseguiu derrubar o iraniano repetidas vezes, principalmente no segundo período, usando single legs (sweep singles e high single), fechando a luta com uma queda num contra-ataque, marcando 10-5 no placar. Na minha opinião, o americano merecia ter marcado mais duas quedas (4 pontos), que os juízes não deram. J’Den mostra com essa vitória que será um competidor de respeito nas Olimpíadas e que tem reais chances de sair com uma medalha de lá.

https://www.youtube.com/watch?v=ge1U-n7DSPE

Para fechar o evento, quem seria melhor que um dos melhores wrestlers do mundo? Jordan Burroughs, tricampeão mundial e campeão olímpico na categoria até 74kg, teve em seu caminho o iraniano Peyman Yarahmadi, campeão asiático de 2015. Usando seu movimento mais famoso, o double leg, Burroughs conseguiu converter três quedas no iraniano (uma de 4 pontos) quando ficava na média para a longa distância sem usar collar ties. Com mais três step-outs, ele encerrou a luta em 11-2.

O americano não pareceu tão satisfeito com o resultado, talvez por não ter conseguido a superioridade técnica, mas ele sabe que o que mais importa agora é conquistar o segundo título olímpico consecutivo. Sem dúvidas ele é o favorito a levar a tão sonhada medalha de ouro olímpica para casa na categoria. Essa foi a sexta vitória consecutiva de Burroughs no Beat the Streets. Em outras oportunidades, venceu quatro oponentes russos e um cubano.

https://www.youtube.com/watch?v=BUQQfb7IiJE