Por Edição MMA Brasil | 20/09/2018 01:04

Por Idonaldo Filho e João Gabriel Gelli

Depois do sucesso comprovado em seus dois anos iniciais, o Dana White’s Tuesday Night Contender Series teve sua primeira leva de cards compostos por lutadores internacionais. Nos dias 10, 11 e 12 de agosto foram gravados em Las Vegas uma série de três eventos que contaram apenas com atletas brasileiros.

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Transmitidos ao longo das últimas três semanas, os cards renderam muitos nocautes e finalizações e onze novas contratações para o UFC. Agora, com o término da temporada, não poderia faltar a cobertura do MMA Brasil sobre os lutadores e o que esperar de seus futuros na organização.

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Rogério Bontorin (14-1) – Peso galo – 26 anos

O que fez antes do Contender Series: Rogério Bontorin teve uma ótima carreira no cenário nacional antes do Contender Series. Ele venceu um torneio de uma noite no Imortal FC 5 e conseguiu um contrato com o Pancrase, mas fez apenas uma luta na organização japonesa após não bater o peso, finalizar Takeshi Kasugai e ver o combate ficar sem resultado. Depois, venceu um duelo no Brave FC, nocauteou Rildeci Escorpião e sofreu a primeira derrota da carreira ao ser superado pelo ex-UFC Michinori Tanaka. Bontorin então conseguiu mais um triunfo no Imortal FC e recebeu a luta contra Gustavo Gabriel.

Como foi contratado: Em um dos duelos mais interessantes da temporada, Bontorin foi colocado para enfrentar o bom prospecto Gustavo Gabriel na luta principal do primeiro evento. Ele passou por algumas dificuldades na luta em pé e esteve em sérios apuros no final do segundo round, quando ficou com as pernas bambas e não caiu por mistério da natureza. Após um ótimo trabalho de sobrevivência, aplicou um belo suplê e tratou de avançar para as costas de Gabriel, para de lá aplicar o mata-leão que encerrou a contenda e garantiu seu contrato em uma grande virada.

Estilo de luta: A luta em pé não é o forte de Bontorin. Muito estático, ele golpeia ocasionalmente e demora no movimento ao acrescentar potência, o que o torna a defesa mais fácil para os adversários. Forte fisicamente, usa esse fator como arma para arrastar os adversários para o solo. Consegue aplicar algumas belas quedas a partir do clinch e até mesmo alguns suplês. Uma vez no chão, é bastante oportunista, com ótimo instinto finalizador, o que é facilmente verificado em seu cartel, que conta com 11 das 14 vitórias vindo por este método.

Expectativa: Apesar da maior parte de suas lutas ter sido disputada no peso galo, Bontorin tem espaço para baixar para os moscas, onde já competiu algumas vezes. Sua falta de velocidade será um problema em qualquer uma das divisões, mas seu bom jogo no chão deve lhe garantir algumas vitórias no UFC, por mais que se espere que exerça mais uma função de porteiro para novos atletas e não fique por tempo muito prolongado na organização.

Mayra Bueno (5-0) – Peso mosca – 27 anos

O que fez antes do Contender Series: Lutadora da Chute Boxe Diego Lima,  Mayra fez poucas lutas antes de entrar no Contender Series – apenas quatro- e em eventos relativamente pequenos, só que mesmo com poucas lutas ela enfrentou duas oponentes bem mais experientes em Daiana Firmino e Marilia Santos.

Como foi contratada: Praticamente nem teve luta, após poucos golpes em pé, Mayana Kellen levou Mayra para o clinch na grade, e lá Mayra conseguiu um triângulo de mão em pé mesmo, e apagou a oponente, obtendo uma rápida vitória por finalização.

Estilo de luta: Ela prefere lutar em pé, já que é treinada em uma academia que tem nítida preferência pelo striking, e Mayra mostra muito disso, já que chuta bastante nos seus combates, tanto na perna quanto na cabeça, o seu muay thai é notável. O problema é que não se sabe muito ainda de seu grappling. Ela já quedou oponentes e conseguiu controlar, mas como as suas duas finalizações antes do Contender Series foram contra oponentes estreantes, ainda é uma incógnita como ela se mostraria de costas para o chão. Em lutas da Sheetara você pode esperar muitos chutes, definitivamente.

Expectativa: Ainda é pouco pra saber, são apenas cinco lutas, e nas três que encontramos não passou do primeiro assalto, a melhor oponente que enfrentou ela levou para a decisão. Ela tem luta marcada para o UFC São Paulo contra Gillian Robertson, que é uma grappler arisca, que tem finalizações na cartola, mas não muito jogo de wrestling, será um confronto de estilos que definirá onde ela se situará na categoria do peso mosca, que ainda é nova. Minha aposta é que fique de fora do ranking por enquanto.

Sarah Frota (9-0) – Peso mosca – 31 anos

O que fez antes do Contender Series: Com uma carreira já consolidada no cenário nacional, Sarah Frota acumulou vitórias sobre concorrência ainda jovem no geral, sem testes muito experientes. Entre os nomes de destaque que enfrentou estão Mayra Cantuária e a própria Maiara Alves, que foi sua adversária no Contender Series.

Como foi contratada: Ao contrário da primeira luta entre as duas, na qual Sarah triunfou com base na luta agarrada, nessa ela trabalhou o tempo todo em pé. Com postura de canhota, Frota cercou Maiara com calma durante todo o combate e foi acertando golpes potentes, sobretudo diretos e cruzados. Dominando o duelo, Sarah atordoou a adversária e acionou seu instinto assassino, com diversos socos pesados diante de um passivo Mark Smith, que apenas interrompeu a peleja quando um violento cruzado derrubou Alves na marca de 3:26 do round inicial.

Estilo de luta:  Sarah mostra sempre bastante agressividade em suas lutas, muitas vezes se defendendo mal, mas conseguindo alguns golpes também. Ela é primeiramente uma grappler, que tem inclusive três vitórias por triângulo no cartel. Embora  tenha mostrado um wrestling ruim, no chão ela consegue bem as transições, mesmo ainda sendo um pouco afobada. Em pé, é dotada de muita potência nos golpes – que não são lá os mais técnicos – e mostrou em alguns momentos que tal opção a leva a diminuir o ritmo no final das lutas. Enfim, ela mostrou evolução a cada luta e pode sim render bem no UFC, mas ainda tem que ajustar aspectos como o cardio e a defesa.

Expectativa: O peso mosca é recém nascido no UFC e Sarah tem as habilidades para se manter no top 15, já que é uma lutadora versátil, que possui habilidades em pé e no solo, onde prefere lutar muita das vezes. Eu diria que ela se mantêm no top 15 por enquanto, provavelmente não subindo tanto, considerando que já passou dos 30 anos também.

Augusto Sakai (11-1) – Peso pesado – 27 anos

O que fez antes do Contender Series: Sakai é o mais conhecido e mais rodado dentre os atletas no Contender Series Brasil. Ele foi durante três anos atleta do Bellator e chegou a enfrentar Cheick Kongo, saindo derrotado nessa oportunidade. Em compensação, venceu outras três lutas que fez com atletas de nível mais baixo, como o caso do veterano da PFL Daniel Gallemore.

Como foi contratado: Enfrentando Marcos Conrado Jr, que estava fazendo lutas nos meios-pesados antes do Contender Series e que cansou rapidamente no combate. Sakai dominou completamente na luta em pé, mostrando técnica superior à do adversário, conseguindo anular o grappling e acertando fortes chutes na perna, além dos socos que sacramentaram a vitória por nocaute.

Estilo de luta: Quando se fala de um striker no peso pesado, muitos lembram daqueles mata-cobra telegrafados e de punhos lentos, mas Augusto pode ser uma surpresa. Ele usa bastante os jabs e dificilmente solta um overhand, priorizando golpes mais velozes, e tem boa técnica, sendo que sua base é o muay thai. Ele também é adepto das joelhadas, tanto na distância, quanto no clinch. Outra característica é o foco nos ataques ao tronco, inclusive com socos, o que é raro no peso pesado que geralmente focam mais a cabeça. Entretanto ainda há algumas dúvidas no seu grappling, mas como ele é um peso pesado grande e conta com certa defesa natural de quedas – a gravidade – isso já ajuda um pouco.

Expectativa: Ele já vai estrear nesse UFC São Paulo e não poderia ter melhor oponente: Chase Sherman é um indivíduo que adora engolir socos e não mantem um ritmo forte – assim como Sakai – e a técnica e potência são favoráveis ao brasileiro. Se o horrível Adam Wieczorek está no ranking dos pesados, podemos esperar que Augusto chegue lá, uma vez que tem bom nível para a divisão. Como é jovem (27 anos), pode evoluir e entrar no top 10, aproveitando que a geração da época do Pride vem pouco a pouco se aposentando.

Taila Santos (15-0) – Peso mosca – 25 anos

O que fez antes do Contender Series: Taila venceu bastante em sua carreira – ostentando um cartel invicto com 15 triunfos. Entretanto, temos que fazer uma ressalva para uma prática vergonhosa de fabricação de cartel que acontece no Brasil. Não é questão de duvidar do nível de Taila, mas seu cartel de 15-0 foi feito contra atletas sem nenhuma experiência e qualidade duvidosa. Tal prática infelizmente ainda existe. Enfim, a lutadora da Astra Fight Team fez quase toda a carreira no Aspera FC, atropelando oposição de baixa qualidade no primeiro round.

Como foi contratada: Contra Estefani Almeida, Taila não teve muitos problemas e venceu na decisão dos juízes, chegando ao final de um combate somente pela terceira vez em sua carreira. Ela teve total controle sobre a oponente em todas as áreas da luta, conseguindo frustrar Estefani em pé com chutes baixos e socos,  também fazendo uso de uma movimentação efetiva, que evitou a aproximações e ajudando na defesa de queda. O resultado da luta foi um unânime 30-27.

Estilo de luta: Taila é uma boa trocadora, de muay thai técnico, dotada de bons jabs e chutes baixos fortes. Embora tenha atuado em ritmo baixo na única luta competitiva de sua carreira, ela mostrou talento também na movimentação e na esquiva. Para fechar, Taila tem boa noção de luta agarrada, alcançando boas posições e possuindo um bom ground and pound.

Expectativa: É inegável que Taila é talentosa. Porém, provavelmente estaria em um estágio melhor se tivesse enfrentado oponentes mais desafiadoras. Finalmente no UFC, ela irá enfrentar adversárias de nível compatível daqui pra frente. Como ela passou bem no teste no Contender Series, tem a possibilidade de desenvolver seu talento e construir carreira sólida na organização.

Johnny Walker (14-3) – Peso meio-pesado – 26 anos

O que fez antes do Contender Series: Durante sua passagem pelo cenário regional de MMA, Johnny Walker fez o mesmo que seu xará escocês: deixou inúmeras pessoas desacordadas. Ele nunca havia antes chegado a decisão dos juízes até o Contender Series. Duas de suas derrotas no Brasil vieram contra boa oposição, como Wagner Caldeirão e Klidson Farias, além de uma surra que levou de Henrique Montanha. Nas três lutas que fez na Europa, contra oponentes decentes, venceu todas.

Como foi contratado: Contra Henrique Frankenstein, que tentava voltar para a organização após ser demitido, Walker fez o que geralmente faz. Soltou um monte de pirueta em forma de chutes giratórios, joelhadas voadoras e chutes altos, até cansar. Ele se saiu bem com a pouca mobilidade de seu oponente, também tendo vantagem no solo, dominando o combate e assinando com o UFC.

Estilo de luta: Walker mesmo disse que pegou pilha pra lutar por causa do videogame, e basicamente isso o representa. Sabe quando você vai jogar algum jogo de luta e não está nem aí pra se defender? É desse jeito que Johnny se desempenha, lutando de forma totalmente irresponsável, sem se defender, somente preocupado em dar show. Walker é um lutador grande para a categoria, com 1,96m de altura e 2,06m de envergadura, tem poder de nocaute e prefere jogar na longa distância, principalmente com golpes plásticos. No solo, já mostrou que tem um ground and pound pesado, mas nada além disso. Listando seus defeitos, sua defesa é muito ruim, seu queixo já o deixou na mão, e seu condicionamento físico não é suficiente para as loucuras que geralmente tenta em seus combates.

Expectativa: Walker irá enfrentar Khalil Rountree no UFC Fight Night 139, em luta na qual é quase garantido que não se passe do primeiro round, e deve ser complicada para o brasileiro, já que o americano é mais disciplinado e bate que nem um caminhão. Na minha opinião, se Johnny for ter longa vida no UFC, será por causa de seus desempenhos divertidos, e só. Por mais que possa vencer algumas barangas que existem nos meios-pesados, ele deve ser aquele lutador que vai ser nocauteado de forma engraçada ou o contrário, não tendo nível para realmente competir na categoria.

Marina Rodriguez (11-0) – Peso palha – 31 anos

O que fez antes do Contender Series: Uma das melhores revelações do MMA feminino brasileiro, Marina Rodriguez finalmente chegou ao UFC. Sua trajetória foi traçada em conhecidos eventos do Brasil, como no Aspera FC, Shooto Brasil, Thunder Fight e Fight2Night. Seu cartel de 11 vitórias e nenhuma derrota foi construído contra oposição decente em sua maioria.

Como foi contratada: Marina enfrentou Maria Oliveira, mostrando qualidades, se movimentando muito bem. Ela teve vantagem na troca de golpes durante o combate, conseguiu derrubar e acertou bons socos na luta de solo. Voltando em pé, ela conseguiu o clinch do muay thai, desferiu potentes joelhadas e cotoveladas, fazendo com que Oliveira pedisse para o árbitro parar o combate.

Estilo de luta: Grande para o peso palha, Rodriguez mostrou evolução no boxe em confrontos mais recentes.  Ela é extremamente violenta e, além de usar bem as mãos, seus chutes baixos são eficientes, pois quebram a base de suas adversárias. Também é forte e habilidosa no clinch, com cotoveladas e joelhadas pesadas, tanto no corpo quanto na cabeça.

Expectativa: Ela irá lutar no UFC São Paulo deste sábado, e o confronto é difícil, contra uma wrestler famosa por estar envolvida em decisões difíceis para os jurados. A canadense Randa Markos será uma oponente dura e um verdadeiro teste para a faixa azul de jiu-jítsu. Se vencer Randa, Marina terá uma expectativa de sucesso no UFC. Acredito que Rodriguez integrará o top 10 no futuro, pois conta com interessantes recursos nesta divisão.

Raulian Paiva (18-1) – Peso mosca – 22 anos

O que fez antes do Contender Series: O Brasil é realmente um ótimo fornecedor de pesos mosca para as grandes organizações. Fora do UFC, Raulian conseguiu boas vitórias contra alguns oponentes de nível decente, sendo o atropelo sobre Iliarde Santos a mais impressionante. Ele foi campeão do NEC, e já disputou lutas em três categorias: nos pesos mosca, galo e pena.

Como foi contratado: O confronto contra o mais conhecido Allan Puro Osso – que já lutou no RIZIN – prometia muito e os lutadores cumpriram as expectativas. Em um dos melhores duelos do Contender Series Brasil, os atletas mediram forças em pé, no chão e no clinch, com muita entrega e movimentação de ambos. A luta foi apertada e a vitória foi dada para Raulian, embora um triunfo de Allan também fosse compreensível.

Estilo de luta: Paiva prefere lutar em pé, tem combinações de socos bem dinâmicas e velocidade mesmo sendo um peso mosca grande. É capaz de causar estrago tanto na curta distância, quanto na longa, além aplicar joelhadas ocasionalmente. O peso mosca brasileiro também tem um jogo de quedas razoável, um pouco acima da média do que temos aqui no Brasil. No chão, ele já finalizou alguns oponentes e mostrou segurança na defesa de submissões.

Expectativa: Temos uma boa promessa no MMA brasileiro, pois além de talentoso, Raulian tem apenas 22 anos e apresenta boa experiência. Os seus oponentes no cenário regional foram de nível aceitável e o talento está nítido. Raulian tem futuro no UFC e não duvido que possa fazer parte do top 10 em alguns anos. Porém, fora do ranking da categoria, temos atletas cascudos como Jared Brooks e Joseph Morales, por exemplo, e esses casamentos devem ser evitados por enquanto. Outra coisa que preocupa é sobre o corte de peso, ele teve que cortar 6 quilos em pouco tempo antes da luta e já lutou de peso pena. A dificuldade pode forçá-lo a migrar para o peso galo.

Vinicius Mamute (9-1) – Peso meio-pesado – 29 anos

O que fez antes do Contender Series: Mamute fez cinco lutas no Brasil, conseguindo interrupções e sofrendo um nocaute. Entretanto, depois de algum tempo decidiu partir para a Índia, onde fez parte de um dos eventos mais loucos do mundo do MMA, o Super Fight League. Lá, Mamute venceu alguns usuários de indianos usuários de esteroides – tinha um que tinha o biceps do tamanho de um melão – e foi chamado para o Contender Series.

Como foi contratado: Contra John Allan, Mamute sofreu um pouco com alguns golpes duros na etapa inicial, levando a pior na trocação, porém conseguiu abafar a luta e levar para o clinch, conseguindo uma queda no segundo assalto. Lá, ele mostrou um pouco de seu jogo de chão, montando, encaixando uma chave de braço e conseguindo finalizar no triângulo.

Estilo de luta: Se mostrando um pouco unidimensional em seus combates, Vinicius é extremamente lento e pesado em pé, chegando a ser praticamente imóvel. Porém, ele é muito resistente e, para conseguir chegar na sua área, vai protegendo a cara andando pra frente, tentando jogar o adversário na grade, já que possui muita força. Suas quedas são mais na força que na técnica, sendo feitas quase sempre no clinch na grade, sendo um aspecto deficiente de seu jogo. No chão, Mamute mostrou que é bom, preferindo chegar logo na montada para fazer uso do ground and pound e tentar finalizar, tendo um repertório bacana.

Expectativa: Vinicius Mamute é um grande candidato a perder feio os combates que fizer no UFC. Com todo respeito, mas ele não tem nível para o evento. Extremamente lento, e com um jogo muito previsível, Mamute provavelmente vai protagonizar alguns combates unilaterais. Por mais ruim que seja a categoria dos meios-pesados, não vejo ele tendo sucesso nenhum.

Luana Carolina (5-1) – Peso galo – 25 anos

O que fez antes do Contender Series: Luana Dread foi derrotada em sua estréia no MMA, mas depois se recuperou em alto estilo conseguindo dois nocautes, um no ground and pound e outro apagando a oponente no clinch com cotoveladas no rosto, após diversas joelhadas no corpo. Ela tem como seu principal background o muay thai.

Como foi contratada: Em uma luta não tão empolgante, Luana enfrentou Mabelly Lima e se deu melhor bastante por ser fisicamente superior, já que a diferença de tamanho estava muito que nítida no combate. Ela era melhor na troca de golpes, principalmente na longa distância, enquanto a oponente levava a melhor na disputa de força no clinch. No fim das contas, Luana levou na decisão dos juízes.

Estilo de luta: Uma atleta esguia, que poderia ser até peso pena se quisesse, Luana mostrou em combates anteriores ser agressiva e ter potência nos golpes, apesar de ter faltado com volume em sua luta no Contender Series. Ela é uma atleta boa, que tem preferência pela longa distância, mas sabe bem golpear em situações de curta também, e no chão não mostrou muito de seu trabalho até agora. Luana ainda é inexperiente e suas performances são as vezes confusas de se analisar.

Expectativa: Olha só, a categoria do peso galo no UFC tem um total de 17 atletas. Sendo que Juliana Peña está afastada e Amanda Lemos foi pega pela USADA, sobram 15, o que é o total de atletas que estão no ranking do UFC. Ou seja, se Luana ganhar uma luta, ou até mesmo se perder mas mostrar alguma coisa, vai entrar lá por pura falta de atletas na categoria. Se o futuro dela é bom eu não sei muito bem. Ainda existem muitas brechas para serem corrigidas, principalmente defensivas, mas ela se movimenta bem e tem poder de nocaute. Não acho que ela se viraria bem contra as atuais top 10 do evento.

Thiago Moisés (11-2) – Peso leve – 23 anos

O que fez antes do Contender Series: Moisés fez cinco lutas no Brasil e logo partiu para o cenário regional dos Estados Unidos, onde fez seu nome. Ele perdeu uma luta para Jason Knight, entrou na finada RFA, virou campeão e defendeu seu título, inclusive conquistando um pouco antes disso uma finalização absurda de chave de braço “helicóptero”. No LFA, não conseguiu manter o título que tinha na organização anterior, mas ainda sim venceu duas vezes, e entrou no Contender Series depois de alguns atletas terem problemas com visto.

Como foi contratado: Enfrentando Gleidson Cutis, que assim como ele entrou para salvar o evento, Moisés mostrou muita agressividade e plasticidade, conseguindo um knockdown com um soco no início. Depois de grande domínio na luta, sempre andando para frente, Thiago conseguiu um chute alto espetacular que mandou Cutis ao chão. Uma vez no chão, socos terminarem o combate, em um desempenho espetacular para o brasileiro.

Estilo de luta:  Moisé não é um lutador que trabalha em um ritmo alucinado, e isso pode ser bom para seu estilo, pela baixa taxa de desperdício de golpes, mas ruim também, quando ele enfrentar lutadores que impõem mais volume. Sua trocação tem potência, com socos poderosos que são jogados na hora certa e chutes muitas vezes plásticos. Moisés também é faixa preta de jiu-jítsu e tem muitas qualidades no chão, sendo um lutador oportunista e para quem não se devem ser dadas brechas. Aqui, temos um lutador muito talentoso de apenas 23 anos, que se melhorar no wrestling – que por sinal não é ruim – e na defesa, tem tudo para ter sucesso.

Expectativa: Thiago Moisés é jovem e tem muito talento. O problema maior é quando enfrentar lutadores de mais pressão e volume, que coloquem ele fora do centro do cage e o pressionem na grade, ou até mesmo wrestlers de bom controle posicional e com boa defesa de finalização, o que temos de sobra no peso leve. Ele pode chegar ao top 15 da selva da categoria, mas ainda deve demorar um pouco, pois ainda precisa amadurar contra oponentes mais fáceis.

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