Por Edição MMA Brasil | 03/09/2018 08:00

Por Rafael Oreiro e Idonaldo Filho

Com uma fórmula inovadora, o Dana White’s Tuesday Night Contender Series estreou em 2017 e fez grande sucesso ao gerar a oportunidade de lutadores de destaque no cenário regional conquistarem um contrato com o UFC. O evento retornou em 2018 e teve resultados ainda mais empolgantes, ao provocar que os atletas lutassem de maneira ofensiva, em busca de um nocaute ou finalização que impressionasse Dana White ou os matchmakers da organização.

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Dando continuidade ao cronograma de análises dos atletas contratados pelo Contender Series, o MMA Brasil traz a segunda e final parte de toda a apresentação, qualidades e defeitos dos últimos onze contratados através do programa para o UFC.

Edmen Shahbazyan (7-0) – Peso médio – 20 anos

O que fez antes do Contender Series: Antes de entrar no programa e ganhar seu contrato com o UFC, Edmen Shahbazyan era conhecido principalmente por ser um dos primeiros atletas agenciados por Ronda Rousey. Atleta da Glendale Fight Club, onde é treinado pelo folclórico Edmund Tarverdyan, o lutador de apenas 20 anos fez cinco de suas seis lutas no California Xtreme Fighting, construindo um cartel invicto sem nenhuma grande conquista ao enfrentar adversários de baixíssimo nível – inclusive um de cartel atual 18-40 – todos por nocaute.

Como foi contratado: Começado o combate com Antonio Jones, ambos foram diretamente para a troca de golpes na curta distância. Demonstrando mais rapidez e habilidade que seu adversário, Shahbazyan logo conseguiu encaixar dois fortes uppercuts que levaram seu adversário para o chão, só precisando de alguns golpes no chão para forçar a interrupção do árbitro em apenas quarenta segundos de luta.

Estilo de luta: Shahbazyan treina jiu-jítsu desde seus dez anos de idade, foi competidor de wrestling durante seu periodo na escola, é faixa preta de karatê shotokan e já competiu no boxe amador. Assim, ele construiu uma baita caixa de ferramentas para um lutador de apenas vinte anos. Sua especialidade é claramente a troca de golpes, área onde ainda precisa de retoques, deixando de soltar golpes tão abertos para melhorar sua defesa. A qualidade de sua luta no chão ainda não foi verdadeiramente testada, tanto por seu poder de nocaute em pé, quanto pelo baixo nível de seus adversários até o momento.

Expectativa: O futuro de Shahbazyan no UFC irá depender muito de como a organização irá gerir a escolha de seus adversários. Ainda muito novo, ele precisa de tempo para amadurecer e aumentar seu nível de competição aos poucos e, caso seja jogado a lutadores bons logo de cara, a tendência é que tenha uma passagem rápida pelo octógono, sendo mandado de volta para o circuito regional para pegar mais experiência. Porém, caso seja tratado com paciência, será um lutador de alto nível de entretenimento na organização e, atingindo uma boa curva de evolução, poderá chegar a elite da categoria no longo prazo.

Jeff Hughes (10-1) – Peso médio – 30 anos

O que fez antes do Contender Series: Jeff Hughes é um de muitos campeões do LFA que conseguiu fazer a transição para o UFC pelo Contender Series. Ele conquistou seu cinturão ao vencer Richard Odoms no final de 2017, e se tornou o primeiro lutador a conseguir defender o título dos pesados da organização satélite batendo Maurice Green. Hughes possui somente uma derrota em seu cartel, tendo sido nocauteado pelo atual lutador da PFL, Dan Spohn, no IT Fight Series.

Como foi contratado: Para garantir o contrato com o UFC, Hughes enfrentou o veterano ex-Bellator Josh Appelt. Com uma grande vantagem técnica, o campeão da LFA variou bem seu jogo, controlando a distância em pé com golpes retos e evitando o tiroteio proposto por Appelt, misturando as ações com quedas. Foi depois de uma ida ao chão, onde castigou bastante com ground and pound, que Hughes encaixou um potente uppercut que mandou seu adversário para o chão, interrompendo o combate ainda no primeiro assalto.

Estilo de luta: Parceiro de treinos de Stipe Miocic no Strong Style Fight Team, em Ohio, Hughes se distingue por ser um peso pesado móvel e com uma condição cardiorrespiratória respeitável. Ele lutou cinco rounds em seus dois últimos combates na LFA, levando clara vantagem nos últimos assaltos de cada luta ao usar sua melhor condição física para levar o combate ao chão, onde controlava combate sem tanta habilidade já que ainda é iniciante no jiu-jítsu, sendo faixa azul na modalidade. Hughes é um atleta que lembra um pouco Miocic em seu estilo, usando bem os golpes retos para controlar a distância em pé, misturando bem as ações com quedas e punindo bastante com ground and pound no chão. Porém, ele imprime um ritmo muito lento durante seus combates, por vezes dando espaço demais para seus adversários, o que não lhe resultou grandes problemas até agora lidando com concorrência de pior nível.

Expectativa: Hughes não é um lutador com nada realmente especial, mas que se destacaria no atual pelotão dos pesados do UFC por conseguir lutar três assaltos sem ter uma grande queda de ritmo. Porém, não se engane pelo rápido nocaute no Contender Series, pois ele é um lutador com pouca capacidade para conseguir interrupções, com cinco de suas últimas sete vitórias por decisão dos juízes. No peso pesado, temos diversos lutadores com condições para perder para Hughes, mas a tendência é que o ex-campeão da LFA se complique ao não conseguir emendar uma sequência de vitórias e produzir somente lutas chatas, sendo demitido ainda antes do término de seu primeiro contrato com o UFC.

Sodiq Yusuff (7-1) – Peso pena – 25 anos

O que fez antes do Contender Series: Antes de chegar ao Contender Series, Sodiq Yusuff passou por diversas organizações conhecidas do circuito regional de MMA americano, lutando no Shogun Fights, Cage Fury e Victory FC. Assim, ele chegou no Titan FC já em uma disputa de cinturão, na qual acabou nocauteado por Luis Gomez ainda no primeiro assalto, sofrendo a primeira derrota de sua carreira. Porém, Yusuff se recuperou logo em seguida ao nocautear Dylan Tuke em outra boa organização, o Brave CF.

Como foi contratado: Chegando no combate contra Mike Davis como grande azarão nas casas de aposta, Yusuff roubou completamente a cena durante o combate, conseguindo variar os golpes e punindo bastante as pernas de seu adversário com chutes, o que abriu mais espaços na troca de socos. No final, o combate se tornou um dos melhores da temporada – senão o melhor – com ambos demonstrando grande potência nos golpes.

Estilo de luta: Por seu estilo completamente agressivo, Yusuff será praticamente incapaz de ser responsável por um combate ruim no UFC. Com um boxe muito bem alinhado, de boa movimentação de cabeça, troca de postura e grande potência nas mãos para um peso pena, o nigeriano é ameaça para nocautear grande parte da divisão. Seu único defeito é a parte defensiva, com tendência a se empolgar a entrar na troca de golpes franca e se abrir completamente no processo, mas nada que não possa ser corrigido com o tempo. A defesa de quedas cumpriu seu trabalho até agora – menos no icônico nocaute que sofreu para Gomez, quando foi arremessado de cara no chão -, mas pode acabar deixando a desejar contra oposição de melhor nível. Sua capacidade no chão é desconhecida, não tendo sido exigido na área em sua carreira até o momento.

Expectativa: Yusuff chega para ser mais um lutador empolgante dentro da excelente categoria dos penas, com capacidade para realizar combates animados e ganhar bônus de desempenho. Porém, para competir na elite da divisão, precisará demonstrar evolução em outras áreas do MMA além da troca de golpes, se tornando um lutador mais completo. Por enquanto, com sua habilidade atual, ele será um atleta para habitar uma área próxima do top 15 do peso, sempre sendo uma baita fonte de entretenimento.

Jim Crute (8-0) – Peso meio-pesado – 22 anos

O que fez antes do Contender Series: No patético cenário regional australiano de MMA, o pupilo de Sam Greco de apenas 22 anos, Jim Crute, deitava e rolava. Enfrentando o melhor do que tinha por lá (o que não significa que isso seja algo bom) venceu fácil seus combates e conquistou o cinturão do Hex Fight Series, evento no qual fez toda sua carreira, defendendo o título por duas vezes, ambas em decisões.

Como foi contratado: Um atleta ainda jovem e verde que foi colocado para enfrentar um adversário de nível semelhante ao que estava acostumado. Contra o fraco Chris Bichler, Crute mostrou um pouco mais do seu striking, mas teve sua guarda bastante vazada durante a luta. Após circular diversas vezes e conseguir alguns golpes não tão pesados, uma das sequências terminou com uma calibrada mão esquerda que colocou o americano para sambar, fazendo juiz interromper a luta com o adversário ainda em pé, visivelmente sem condições de luta.

Estilo de luta: Crute é faixa marrom de jiu-jítsu e também mostrou eficiência nas quedas sobre a concorrência que venceu. Ele é primordialmente um grappler que busca quedar o oponente e fazer as transições até chegar na montada. Uma vez na posição de maior vantagem, ele tem um bom arsenal, que envolve chaves de braço e katagatames, mostrando também um bom e bastante ativo ground and pound, que é seu carro chefe. O striking vem se desenvolvendo e ele tem bom poder de nocaute, mas ainda é muito fraco defensivamente e se expõe bastante. Crute deveria tentar não gastar muito a energia com golpes vagos, que o farão cansar, já que é um atleta agressivo.

Expectativa: Aqui a questão é evolução, pois o australiano tem que evoluir muito ainda como lutador. Ele mostrou bom desempenho em suas lutas, mas a oposição que enfrentou é longe de ser qualificada, o que coloca dúvidas sobre como irá desempenhar contra atletas maiores e também mais capacitados no UFC, principalmente os que podem defender suas quedas. Embora ele possa entrar no top 15, isso deverá ocorrer apenas a longo prazo, depois de sofrer algumas derrotas de aprendizado no meio do percurso.

Juan Adams (4-0) – Peso pesado – 26 anos

O que fez antes do Contender Series: O Kraken, como é conhecido, fez sua carreira profissional toda no LFA, evento no qual atropelou tudo e todos que foram colocados na sua frente, conseguindo dois nocautes violentos e só não emendando um terceiro pois o adversário batucou para não apanhar mais. Ele também tentou entrar na WWE, porém não conseguiu, felizmente para o UFC.

Como foi contratado: Após seus desempenhos avassaladores no notório território de desenvolvimento, Adams foi chamado para o Contender Series para enfrentar o jiujiteiro Shawn Teed, que mostrou muita resiliência, sendo o oponente que o Kraken mais demorou a vencer em sua carreira (embora ainda tenha sido no primeiro assalto). O que impressionou em Adams, além de sua força, foi que ele não teve muitos problemas na luta, conseguindo dominar o oponente facilmente.

Estilo de luta: Juan Adams pesa em off pra mais de 300 libras (136kg) e é um dos defensores de que o UFC passe a ter o peso super pesado. Isso é relevante, pois o cidadão é enorme mesmo e sem a comum barriga da maioria dos pesos pesados que batem cravado os 120kg. Um atleta muito forte que consegue levar a luta para o chão com facilidade, e possui boa defesa de quedas. Uma vez no chão, Adams tem um poder de definição gigante no ground and pound. Em pé ainda é verde, deixando algumas brechas perigosas, mas obviamente ele é dotado de potência nos punhos também. Ainda falta um pouco de velocidade, mas nada que seja anormal para um peso pesado.

Expectativa:  A categoria peso pesado do UFC tem vários lutadores horríveis que Adams venceria com facilidade, portanto, embora ele ainda seja um atleta em desenvolvimento, isso não deve ser um problema. Se trabalhar constantemente no seu striking, ele tem tudo para virar uma estrela do evento, levando em conta também sua habilidade com o microfone. Não irei me espantar se ele chegar ao top 5 ou ao título em alguns anos, pois não é todo dia que aparece um lutador desse tipo.

Jordan Griffin (17-5) – Peso pena – 28 anos

O que fez antes do Contender Series: Lutando profissionalmente desde 2011, Griffin fez diversas lutas por eventos menores até chegar ao KOTC, evento no qual conseguiu o título, posteriormente perdido para o eterno multicampeão – agora no Bellator – Juan Archuleta. Ele fez ainda dois combates no LFA e saiu vitorioso em ambos, finalizando os dois adversários. Ele enfrentou adversários decentes nos últimos tempos, treinando no bom time que é a Roufusport.

Como foi contratado: Em sua luta enfrentou Maurice Mitchell, que era campeão do cômico Alaska FC. Contra Mitchell, que é um lutador de nível bem duvidoso, ele deu show, conseguindo uma performance até bonita, ao acertar um bom soco para atordoar o oponente e pegar uma guilhotina, garantindo a vitória ainda na etapa inicial do combate.

Estilo de luta: É um lutador experiente e com estilo calmo, possuindo um bom número de combates para a idade que tem, e que evoluiu bastante com o decorrer do tempo. É possível dizer que ele é razoável em todas as áreas, sendo um striker rápido e com poder de definição, que ao mesmo tempo que sabe finalizar no chão e consegue algumas quedas. Ele geralmente só é agressivo quando atordoa o adversário. Vale lembrar que suas derrotas mais recentes foram para um lutador contratado do UFC (Dan Moret) e para um do Bellator (Juan Archuleta).

Expectativa: Ele pode se criar na parte baixa da tabela, sendo um bom porteiro para enfrentar estreantes ou lutadores mais novos, já que seria um adversário experiente e competente em qualquer área. Não vejo ele chegando no top 15 e pode até mesmo ser cortado em pouco tempo, mas a aposta é que fique no meio de tabela do UFC, trabalhando como porteiro de estreantes.

Ian Heinisch (11-1) – Peso médio – 30 anos

O que fez antes do Contender Series: O peso médio Ian Heinisch teve duas oportunidades para conquistar o título da LFA, evento do qual saiu com cinco vitórias e uma derrota. Na primeira foi surpreendido por um katagatame do brasileiro Markus Perez, atualmente no UFC, mas na segunda não perdoou. Contra o também brasileiro Gabriel Checco, um overhand seco levou nosso compatriota ao chão, terminando a fatura no ground and pound. Por fim, vale lembrar que ele também já lutou no card preliminar do WSOF.

Como foi contratado: O seu adversário no Contender Series foi de um nível abaixo do que estava enfrentando no LFA. Logo no primeiro round, ele venceu Justin Sumter, com cotoveladas brutais que apagaram o adversário e decretaram o nocaute técnico para o ex-campeão do LFA. Ele foi um dos quatro campeões da organização a ser contratado agora pelo UFC.

Estilo de luta: Aquele famoso estereótipo de wrestler com overhand está presente na figura de Ian Heinisch, que também tem background na curiosa Lucha Canaria. Um atleta com biotipo favorável para o wrestling, Heinisch é um cara bem forte e que tem muita potência em seus socos, garantindo boa parte de suas vitórias por conta disso. Ele também mostrou um ground and pound furioso, que é capaz de causar danos consideráveis aos adversários. A imposição de pressão é outro ponto que devemos ressaltar, já que sempre está andando para a frente e buscando deixar o oponente de costas para a grade. Ele pode melhorar ainda no jiu-jítsu, já que cede algumas posições que não deveria, ponto que para um wrestler é muito importante.

Expectativa: Heinisch tem condições de vencer alguns lutadores do UFC, considerando que é um atleta que pressiona muito e tem boa potência tanto nos golpes quanto no jogo de wrestling. Se vai chegar ao top 15 é outra história, já que tem 30 anos e alguns nomes novos estão surgindo na categoria com bom potencial também. Heinisch deve ficar na fronteira entre o top 15 e o meio de tabela, podendo adentrar ao ranking futuramente.

Roosevelt Roberts (6-0) – Peso leve – 24 anos

O que fez antes do Contender Series: Atleta ainda inexperiente, o quase xará de dois ex-presidentes estadunidenses fez lutas em alguns eventos pequenos dos EUA, participando também de um card do Bellator nas quase sempre ignoráveis postlim (lutas que acontecem após o evento acabar e o público todo praticamente sair). A concorrência que enfrentou foi de nível condizente com sua experiência, o que não significa que foi boa. Ele também tentou participar do TUF 27, de lutadores invictos, mas não foi escolhido na ocasião.

Como foi contratado: Em uma luta contra Garret Gross, que foi inexplicavelmente contratado para o Contender Series ostentando um cartel de 11-7, Roberts mostrou que é um lutador bem capaz, dominando o oponente em todas as áreas em que a luta se transcorreu e conseguindo um mata-leão na segunda etapa, que sacramentou a vitória.

Estilo de luta: Um cara alto para a categoria com 1,85m de altura e envergadura, Roosevelt não tem muito conteúdo disponível de sua carreira profissional para análise em vídeo, mas no pouco que existe, ele se mostrou um bom lutador em pé, bastante agressivo e que sabe usar sua envergadura com potência nos golpes. No chão é um faixa roxa de jiu-jítsu e tem uma perigosa guilhotina. Ele nunca foi para a decisão dos juízes e pouco se sabe sobre seu wrestling, então esses são alguns pontos ainda mais desconhecidos.

Expectativa: É aquilo, não dá para termos muita certeza de um lutador ainda em início de carreira e que ainda é um pouco verde. Ele pode muito bem vingar em algum tempo e se mostrar um bom atleta, mas a aposta é que por enquanto ele não irá encontrar sucesso, já que no UFC – e principalmente na forte categoria que é o peso leve – existem atletas mais experientes e prontos, que provavelmente não irão deixar seu desenvolvimento continuar no evento.

Bobby Moffett (13-3) – Peso pena – 28 anos

O que fez antes do Contender Series: Sempre batendo na trave ao tentar conquistar um título regional importante, Bobby Moffet perdeu na decisão para Raoni Barcelos quando tentou buscar o ouro na RFA, e foi nocauteado por Thahn Le na disputa do cinturão vago na LFA. No mais, quando não perdeu, enfrentou alguns lutadores razoáveis, indo para a decisão nas maiorias dos combates mais competitivos.

Como foi contratado: Considerado muito favorito nas bolsas de apostas e enfrentando um adversário inexperiente e de nível muito duvidoso (na verdade é ruim mesmo), Jacob Kilburn, Moffett conseguiu um estrangulamento d’arce no segundo assalto após estar melhor que seu adversário no combate, conseguindo o contrato com certa facilidade.

Estilo de luta: Moffett é um cara bem desengonçado em pé, que não tem muita defesa e manejo na área do striking, nunca conseguindo um nocaute e na maioria das vezes sendo facilmente alvejado pelo adversário, como foi visto em seu combate contra Thanh Le. Na verdade, ele é um grappler, que tem base no wrestling e é faixa preta de jiu-jítsu, sendo especialista no estrangulamento d’arce, que já vitimou quatro adversários. Ele consegue quedas na maioria das vezes a partir do clinch.

Expectativa: Não deve ficar muito tempo no UFC. Moffett deve ser constrangido em pé na maioria dos combates que fizer no UFC, principalmente na boa categoria dos penas. Ele também não é uma ameaça o suficiente no wrestling para causar algum problema aos mais desavisados nessa área. O que ele pode fazer é pegar um ou outro oponente de nível baixo numa finalização, mas duvido que permaneça por muito tempo no evento.

Kennedy Nzechukwu (6-0) – Peso meio-pesado – 26 anos

O que fez antes do Contender Series: Kennedy fez a maior parte de sua carreira em uma promoção chamada Xtreme Knockout no Texas, onde também treina na ascendente Fortis MMA com outros atletas do UFC como Carlos Diego Ferreira, Steven Peterson, Geoff Neal, Alonzo Menifield, entre outros. Também lutou no LFA e fez uma luta na primeira temporada do Contender Series, que não merece ser lembrada pois: terrível.

Como foi contratado: Nzechukwu não teve trabalho algum em seu combate contra Dennis Bryant, que veio do horroroso cenário regional do Alasca. Foi dominante no controle do cage e quase conseguiu o nocaute com um chute alto, terminando no ground and pound em uma atuação esperada pelo nível do adversário.

Estilo de luta: Primeiro devemos ressaltar que Nzechukwu tem o físico ideal para um lutador de MMA. Um cara esguio e atlético, que tem 1,95m e 2,08m de envergadura, que vai muito bem utilizado em jabs e chutes altos. Entretanto, o seu jogo costuma ser no clinch, oportunidade da qual ele abusa de cotoveladas e joelhadas. É um lutador ainda um pouco verde e sem o grappling ter sido testado, mas que tem muito potencial.

Expectativa: Ele ainda está verde e a oposição que enfrentou não é do nível do UFC. Por mais que tenha mostrado evolução, deve ser casado com cautela pelo matchmaker. Nzechukwu no momento ainda precisaria de umas três lutas contra gente de baixo da tabela para termos maior noção de onde ele irá parar, mas é uma possível opção para o top 10 no futuro.

Devonte Smith (8-1) – Peso leve – 25 anos

O que fez antes do Contender Series: Smith nocauteou muita gente pra chegar no UFC, num total de seis oponentes abatidos e um finalizado antes de ganhar a oportunidade no Contender Series. Lutando por eventos pequenos dos Estados Unidos e contra oposição bem mediana. Entre as suas vitórias, uma intrigante derrota para o duro – porém limitado – John Gunther, que também é atleta do UFC.

Como foi contratado: Sua luta foi curta contra Joseph Lowry, em uma batalha entre dois lutadores empolgantes vindo do cenário regional estadunidense. Devonte bloqueou uma tentativa de queda com cotoveladas avassaladoras, que fizeram o oponente ficar atordoado e consequentemente nocauteado, garantindo a interrupção do combate por parte do árbitro central e seu contrato com um bom desempenho.

Estilo de luta: É predominantemente um striker, possuindo 1.93m de envergadura, que gosta de se movimentar bastante em círculos e tem muita potência em seus golpes. Possui também uma técnica até que razoável, que garantiu todos esses nocautes prévios ao contrato com o UFC. Entretanto, em sua luta contra Gunther no ano passado, Smith mostrou que pode ser facilmente quedado e também cansou significativamente após sofrer com o jogo físico do adversário. Ou seja, ainda é uma área que pode ser mais lapidada.

Expectativa: Devonte irá, provavelmente, apenas compor plantel no UFC, na missão de garantir bons combates por ser um lutador empolgante e que consegue interromper seus combates com nocautes. No entanto, se casado com grapplers, há um risco significativo de ser cortado, mas acredito que vai ficar certo tempo no evento como lutador de ação para animar alguns cards preliminares.

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