Por Edição MMA Brasil | 20/08/2018 15:31

Por Gabriel Carvalho e João Gabriel Gelli

Com uma fórmula inovadora, o Dana White’s Tuesday Night Contender Series estreou em 2017 e fez grande sucesso ao gerar a oportunidade de lutadores de destaque no cenário regional conquistarem um contrato com o UFC. O evento retornou em 2018 e teve resultados ainda mais empolgantes, ao provocar que os atletas lutassem de maneira ofensiva, em busca de um nocaute ou finalização que impressionasse Dana White ou os matchmakers da organização.

Ao longo de nove semanas, foram oito cards de cinco lutas cada, todos com um ótimo ritmo, que geraram 22 novas contratações para o UFC, além de garantir a vaga de outro para o TUF e um acordo de desenvolvimento para Greg Hardy. Assim, o MMA Brasil decidiu passar por todos os nomes que acabaram de chegar no UFC por meio do programa e analisar quais são seus estilos de luta e suas perspectivas para o futuro na organização. Nesta parte estarão onze atletas, enquanto os outros serão dissecados em um texto posterior.

Alonzo Menifield (7-0) – Peso meio-pesado – 30 anos

O que fez antes do Contender Series: Alonzo Menifield iniciou a carreira profissional em 2015, com 28 anos de idade, no Bellator. Anotou seis vitórias nas suas seis primeiras lutas, todas por interrupção, sendo uma delas no Contender Series 2017, sobre o ex-UFC Daniel Jolly. Ele também passou pela LFA antes da oportunidade no UFC.

Como foi contratado: Enfrentou Dashawn Boatwright na luta principal da primeira semana do programa e anotou um nocaute brutal em apenas oito segundos. Foi o único contratado daquela semana, com Kevin Holland Montel Jackson assinando posteriormente.

Estilo de luta: Oriundo do muay thai, Alonzo é um atleta agressivo e explosivo, que está sempre andando pra frente e em busca do nocaute. Porém, também é um lutador de tendência a cair de ritmo e que deve se complicar com atletas mais inteligentes e que podem abafar o seu estilo.

Expectativa: Com Menifield, você pode esperar cenas como nocautes fulminantes, mas caso enfrente casamentos complicados, ele pode não durar muito no UFC. Para sua estreia na organização, foi colocado para enfrentar Saparbek Safarov no UFC Fight Night 139.

Dwight Grant (8-1) – Peso meio-médio –  33 anos

O que fez antes do Contender Series: Profissional há mais de sete anos, Dwight Grant desenvolveu uma boa carreira no cenário regional antes de receber a oportunidade no Contender Series. Ele enfrentou concorrência qualificada e inclusive teve passagem pelo Bellator.

Como foi contratado: Depois de mais de um ano e meio parado, com seis lutas que caíram, Grant voltou à ação ao encarar Tyler Hill. Ele não teve muita dificuldade para triunfar após controlar o primeiro round e conseguir um violento nocaute na segunda parcial.

Estilo de luta: Dwight é um atleta da AKA que tem preferência pela parte em pé, com combinações explosivas, de grande poder de nocaute, mas com golpes muito abertos, que deixam avenidas para um adversário mais técnico. Nos poucos vídeos disponíveis de seus combates, a defesa de quedas quase não foi testada e os duelos não chegaram ao solo.

Expectativa: Muito atlético, mas já em um estágio um pouco mais avançado na carreira, Grant pode proporcionar nocautes explosivos no UFC. Contudo, em uma categoria complexa e sem grandes perspectivas de evolução, dificilmente deve avançar muito, se consolidando como um lutador de ação que fará volume nos cards até a eventual demissão no médio prazo.

Ryan Spann (14-5) – Peso meio-pesado – 26 anos

O que fez antes do Contender Series: A trajetória de Ryan Spann fora do UFC é curiosa, já que ele é um lutador experiente e que sempre bateu na trave nas oportunidades que teve. Ele perdeu disputas de cinturão contra Léo Leite Robert Drysdale no Legacy FC e foi nocauteado em 15 segundos por Karl Roberson no Contender Series 2017. Porém, a sorte de Ryan mudou em 2018, com uma vitória sobre o ex-UFC Alex Nicholson, conquistando o cinturão dos meios-pesados da LFA.

Como foi contratado: Enfrentou o argentino Emiliano Sordi na segunda semana da temporada e conquistou uma finalização por guilhotina com apenas 26 segundos de combate. Foi a terceira interrupção mais rápida da temporada, atrás apenas de Alonzo Menifield e Greg Hardy.

Estilo de luta: Spann pode se tornar um lutador legal de assistir dependendo dos casamentos em que for jogado. Ele gosta bastante de utilizar o jiu-jítsu, apresenta transições boas e um leque de finalizações, apesar dos vacilos defensivos que deixa no solo. Em pé, mostra bastante poder de nocaute, mas é outro lutador com tendência a cair bruscamente de nível conforme o tempo passa.

Expectativa: Em termos de técnica, Spann tem condições de ficar por algum tempo no UFC uma vez que está inserido em uma divisão frágil. Contudo, seu queixo é problemático e ele teve dificuldades contra os melhores nomes que enfrentou. Assim, provavelmente não terá vida muito longa na organização. Ele está marcado para enfrentar o brasileiro Luis Henrique KLB, no UFC Fight Night 137.

Anthony Hernandez (7-0) – Peso médio – 23 anos

O que fez antes do Contender Series: Anthony Hernandez começou no MMA em 2014 e emendou uma sequência de cinco vitórias consecutivas no primeiro assalto, que chamaram a atenção da LFA. Na organização satélite, anotou uma vitória em cinco rounds sobre Brendan Allen e se tornou o novo campeão dos médios da organização.

Como foi contratado: Fez um duelo de invictos com Jordan Wright – que inclusive tinha mais experiência que ele – no evento da segunda semana, mas não tomou conhecimento e nocauteou com apenas 40 segundos de luta.

Estilo de luta: Apesar de seis vitórias no primeiro assalto, o que poderia caracterizar Hernandez como uma Porsche de freios defeituosos, ele é um lutador muito oportunista. Anthony sempre inicia os combates com calma e se aproveita muito bem do primeiro vacilo do adversário para explodir e utilizar seu poder de nocaute absurdo.

Expectativa: Como ainda tem apenas 23 anos e está em uma divisão envelhecida, não será nada surpreendente caso o ex-campeão da LFA apareça no top 15 no futuro, com boa possibilidade de alcançar um patamar ainda maior.

Matt Sayles (7-2) – Peso pena – 24 anos

O que fez antes do Contender Series: Matt Sayles iniciou sua trajetória aos 20 anos, em 2014, e acumulou um cartel de 6-1 antes de receber sua oportunidade, passando pelos extintos WSOF e RFA, além de ter feito uma luta pelo CFFC, evento regional de Nova Jérsei.

Como foi contratado: Na semana dois, enfrentou o invicto Yazan Hajeh e conseguiu o nocaute com menos de dois minutos de luta. Por conta do pouco dano que teve no duelo, logo foi marcado para estrear no UFC contra o brasileiro Sheymon Moraes, no UFC 227, sendo derrotado por decisão unânime.

Estilo de luta: Adepto do kickboxing, Sayles é um lutador bem interessante de se assistir. Tem uma escolha interessante de golpes, buscando pressionar e encaixar o soco certeiro, sem tentar se desgastar muito, sendo um lutador de boa durabilidade.

Expectativa: Matt comete alguns vícios na hora de se defender, que podem ser bem trabalhados pelos oponentes, mas com 24 anos e um estilo bacana, deve durar bastante no octógono, sem alcançar voos maiores e com a necessidade de se provar rapidamente.

Te’Jovan Edwards (6-1) – Peso leve – 27 anos

O que fez antes do Contender Series: Te Edwards não se estabeleceu em uma única organização ao longo de sua carreira. Fez lutas no Tachi Palace, na RFA e no Bellator contra concorrência de nível duvidoso até receber a oportunidade no Contender Series.

Como foi contratado: Em combate no terceiro evento da temporada, Edwards precisou de menos de trinta segundos para obliterar Austin Tweedy com um explosivo overhand de direita, que lhe garantiu a vitória mais importante da carreira e o contrato com o UFC.

Estilo de luta: Com histórico como wrestler da Divisão I da NCAA, Edwards tem talento no aspecto e é capaz de executar ótimas quedas, além de se defender bem. No entanto, em quase todos os momentos parece esquecer que esta é sua melhor característica e opta por se testar na luta em pé, na qual apresenta um volume de golpes baixo, com abordagem cautelosa e mãos muito pesadas.

Expectativa: Como é um atleta dinâmico e explosivo e treina em uma academia forte na MMA Lab, ele ainda pode se desenvolver em diversos aspectos, mas por enquanto ainda é muito cru. Se o UFC lhe favorecer nos confrontos, pode durar algum tempo na organização e virar uma adição promissora, mas se seu caminho for apressado, tende a ser engolido pela excelente divisão dos leves.

Antonina Shevchenko (6-0) – Peso mosca feminino – 33 anos

O que fez antes do Contender Series: Irmã mais velha de Valentina Shevchenko, Antonina Shevchenko tem uma carreira de respeito no muay thai, com diversos títulos conquistados. Já no MMA, ela começou em 2002, mas tirou um grande hiato entre 2005 e 2017, quando retornou e dominou duas adversárias no Phoenix FC, mas sem enfrentar concorrência de alto nível.

Como foi contratada: Em um duelo contra Jaymee Nievera, que entrou de última hora na luta principal da terceira semana do programa em 2018, Shevchenko aplicou uma aula de thai clinch, ao abusar das joelhadas para punir as investidas de queda da adversária. Ela chegou a ser derrubada no final do primeiro round, mas não passou por nenhum perigo e encerrou o duelo com um nocaute técnico na metade do segundo assalto, após uma verdadeira surra.

Estilo de luta: Assim como Valentina, Antonina tem o muay thai como especialidade óbvia. Muito precisa, ela utiliza o bom alcance de maneira ideal para manter sua ofensiva e se expor pouco. Faz um excelente trabalho no clinch, mas em muitas situações apresenta um volume abaixo do ideal. Sua defesa de quedas depende muito da movimentação e da envergadura, sendo transponível por oponentes mais insistentes ou fortes.

Expectativa: No peso mosca, Shevchenko provavelmente conseguirá se aproveitar de uma categoria ainda em formação para logo invadir o top 10 e terá boas chances de se estabelecer por ali durante um longo período. No entanto, a idade já avançada e o fato de que a irmã será a próxima desafiante e provável campeã podem obrigá-la a subir ao peso galo, onde terá ainda mais chances de crescer, visto que é uma divisão arrasada. Dessa forma, a expectativa é que fique no UFC por um bom tempo e, no melhor dos casos, se torne uma futura desafiante, embora o palpite seja de que se consolidará como uma top 10.

Jordan Espinosa (13-5) – Peso mosca – 28 anos

O que fez antes do Contender Series: Após começar a carreira de maneira irregular, Jordan Espinosa, com cartel de 4-4, mostrou evolução e teve retrospecto de 6-1 nas lutas seguintes antes de ser chamado para a edição de 2017 do Contender Series. Ele saiu vitorioso na ocasião sobre Nick Urso, mas não recebeu um contrato. Então, superou o sólido Cee Jay Hamilton para garantir mais uma oportunidade no programa em 2018.

Como foi contratado: Em um duelo bastante movimentado, Espinosa aplicou e sofreu um knockdown no primeiro round e tentou algumas finalizações. O restante da luta se passou de pé durante a maior parte do tempo e terminou com mais dois knockdowns por parte de Jordan, com o último encerrando o duelo a dois segundos do fim.

Estilo de luta: De pé, Espinosa se movimenta intensamente e gosta de chutar com frequência, mirando em todos os níveis. Sua defesa tem poucos cuidados e depende basicamente do trabalho de pés e esquiva, mas que raramente são suficientes e fazem seu bom queixo trabalhar. A preferência de Jordan está pela luta de solo, com constante busca por finalizações, principalmente o triângulo de mão invertido, sua maior arma.

Expectativa: Apesar de toda a evolução pela qual passou, Espinosa ainda tem diversas limitações. Ele pode servir como um bom teste para outros lutadores que estão chegando no UFC e fazer duelos empolgantes com frequência, mas dificilmente encontrará sucesso prolongado na organização.

Bevon Lewis (6-0) – Peso médio – 27 anos

O que fez antes do Contender Series: Um participante da edição de 2017 do programa, Bevon Lewis nocauteou Elias Urbina na época e recebeu um contrato de desenvolvimento do UFC, tendo realizado mais uma luta na LFA, na qual superou Colin Huckbody, e foi chamado para fazer o duelo coprincipal da quarta semana do Contender Series em 2018.

Como foi contratado: Ao encarar Alton Cunningham, Lewis demonstrou paciência e instinto assassino para dominar as ações. Com um bom trabalho no clinch encontrou espaço para acertar joelhadas que explodiram contra o rosto do adversário e forçaram a interrupção do combate ainda no primeiro round.

Estilo de luta: Dono de uma boa envergadura e ótimo atleticismo, Bevon se move bastante durante suas lutas. Sua preferência é por ficar de pé, usando um boxe explosivo e de boa potência, mas que ainda precisa de refino técnico. Apesar do porte meio magro, é forte fisicamente e capaz de controlar adversários no clinch e possui um sólido dirty boxing. Além disso, consegue realizar a transição para a luta de solo com eficiência e tem um ground and pound ativo e poderoso. No geral, lhe faltam mais cuidados defensivos para minimizar os riscos, o que em algumas situações interpreta como a necessidade de lutar com o freio de mão puxado.

Expectativa: Treinando na Jackson-Wink, com grandes atributos físicos e um pacote técnico razoavelmente completo, Lewis é uma boa aposta para escalar uma divisão que peca pela falta de talento na parte de baixo e no meio de tabela nos pesos médios. Como ainda aparenta estar em um processo de evolução, espera-se que habite a região próxima ao top 15, podendo chegar na fronteira do top 10 em um cenário otimista.

Domingo Pilarte (8-1) – Peso galo – 28 anos

O que fez antes do Contender Series: A maior parte da carreira de Domingo Pilarte aconteceu contra concorrência de qualidade duvidosa. Quando enfrentou adversários mais robustos, passou por dificuldades, inclusive na única derrota até aqui, em uma guerra contra Caio Machado.

Como foi contratado: Pilarte passou por muitas dificuldades em sua luta com Vince Morales na quinta semana do Contender Series. Ele foi duramente castigado na parte final do primeiro round, mas foi salvo pelo gongo, quando Morales estava próximo de conseguir uma interrupção. No segundo assalto, ele segurou um chute, derrubou Vince e trabalhou no solo até conquistar a finalização com um mata-leão.

Estilo de luta: Dono de um estilo de luta muito agressivo, Pilarte tem ótima envergadura para o peso galo, mas prefere atuar na troca de golpes franca, soltando seus socos e chutes com potência máxima. Seu wrestling é razoável e serve para mudar o patamar da luta ocasionalmente. No aspecto defensivo, ele pode ser derrubado sem maiores dificuldades, aceita a luta de solo com pouca resistência e de pé depende demais do queixo.

Expectativa: Dificilmente Pilarte terá uma carreira prolongada no UFC. Seu estilo de luta promete entregar momentos de alto grau de entretenimento, mas ele não aparenta estar preparado para o salto no nível de competição e é forte candidato a ser cortado rapidamente. Sua estreia no UFC está marcada para o UFC 230, diante de Brian Kelleher, em um confronto que já promete ser bastante complicado.

Maycee Barber (5-0) – Peso palha feminino – 20 anos

O que fez antes do Contender Series: A carreira de Maycee Barber antes do Contender Series foi toda realizada na LFA, com duas finalizações, um nocaute técnico e uma decisão em uma guerra contra Mallory Martin, mas sem enfrentar concorrência muito experiente.

Como foi contratada: Depois de controlar a luta com longos períodos de vantagem no clinch e algumas quedas, Barber parecia rumar para uma vitória tranquila por decisão até aplicar uma violenta série de cotoveladas no ground and pound que abriram um intenso sangramento em Jamie Colleen e forçaram Herb Dean a interromper o combate a menos de um minuto do fim.

Estilo de luta: Maycee gosta muito de chutar, algo que faz sem muito disfarce e abre espaços para levar quedas ou ser contragolpeada. Ela ataca com volume elevado, consegue trabalhar bem no clinch, de onde usa o dirty boxing e também aplica rasteiras para levar a luta para o solo, onde apresenta um sólido ground and pound. Seu wrestling defensivo ainda precisa evoluir e ela costuma aceitar o jogo de guarda, mas ameaça constantemente com finalizações.

Expectativa: Com pouco mais de um ano como profissional e apenas 20 de idade, Barber demonstrou um bom nível de atleticismo e ritmo de luta, mas ainda peca em muitos aspectos de experiência. Caso ela receba um tratamento cauteloso por parte do UFC e possa se desenvolver com calma, possui um futuro promissor. No entanto, se for jogada aos leões no curto prazo, ainda não parece estar pronta e pode ter vida curta na organização. Ela tem sua estreia no UFC agendada contra Maia Stevenson no UFC Fight Night 139.