Por Alexandre Matos | 29/01/2012 20:41

O kickboxing viveu um momento especial no último sábado. A 55ª edição do evento holandês It’s Showtime foi o palco da aposentadoria de uma lenda do esporte. O holandês naturalizado marroquino Badr Hari venceu Gökhan Saki e se retirou oficialmente das competições de kickboxing.

Profissional desde 2000, o “Golden Boy” era pupilo do lendário Mike Passenier na Mike’s Gym. Aos 27 anos, ele deixa um cartel de 78 vitórias, 64 por nocaute, e apenas 11 derrotas, 7 delas pela via rápida. Ele ostentou os cinturões do K-1 e It’s Showtime, além de ter sido vice-campeão do K-1 World MAX em 2009. Em sua lista de vítimas constam nomes como Semmy Schilt, Peter Aerts, Glaube Feitosa, Alistair Overeem e Ray Sefo. A grande pedra no sapato do bad boy foi o holandês Remy Bonjasky, que saiu vitorioso nas duas vezes que se enfrentaram.

Badr Hari (MAR) venceu Gökhan Saki (TUR) por nocaute (2:14, R1)

Lutando no WTC Expo, na cidade holandesa de Leeuwarden, Hari deu mais um show. O gigante de 1,97m e 106kg aproveitou a maior envergadura para ocupar o centro do ringue. Incentivado pelos berros de “Hari! Hari!” da torcida, o marroquino viu o turco começar mais agressivo, mas logo tratou de despejar suas bombas. Um uppercut violentíssimo de direita explodiu contra o queixo de Saki e o mandou a knockdown pela primeira vez na metade do primeiro assalto. Gökhan se levantou, tentou um chute rodado e caiu novamente, desta vez vítima de dois velozes ganchos de Hari. Novamente Saki voltou ao combate, mas foi alvejado por um upper no abdômen. O terceiro knockdown decretou o fim da luta – e da carreira de Hari.

Gênio nos ringues, o “Golden Boy” causou também muitos problemas, dentro e fora da vida esportiva. Na derrota para Bonjaski no K-1 World Grand Prix 2008 Final, Hari foi desclassificado com um cartão vermelho por conduta antidesportiva. O fato se repetiu no It’s Showtime 2010 Amsterdam, quando Hari chutou o egípcio Hesdy Gerges, que estava no chão, e perdeu o cinturão. Além disso, o marroquino já foi preso algumas vezes, sempre acusado de agressão.

Apesar do lado bad boy, a lembrança que fica de Badr Hari no kickboxing será a do lutador implacável, que atacava o corpo dos adversários como poucos e não descansava enquanto não visse o oponente nocauteado. Foi exatamente o que aconteceu na noite de ontem:

“Esta era uma luta que não poderia terminar por pontos, então é maravilhoso que tenha terminado com um nocaute no primeiro assalto. Este é o modo que as pessoas queriam ver e era assim que elas queriam lembrar de mim. Minha taxa de nocautes no primeiro round é muito alta e mostrei mais uma vez contra um dos melhores lutadores do mundo.”

Hari disse estar satisfeito com a carreira no kickboxing e explicou a próxima meta:

“Estou muito feliz com o que fiz no kickboxing. Tive alguns altos e baixos e cometi alguns erros, mas fiz algumas grandes lutas e, de modo geral, foi muito bom. Estou realmente feliz em terminar esta carreira porque eu já estou com um pé nos EUA. Nunca mais vou voltar ao kicboxing porque não tem mais nada que me motive a continuar. Eu realmente quero focar meus sonhos no boxe e realmente estou ansioso para levar a vida nos ringues de boxe. Este capítulo está encerrado e estou pronto para o próximo. Lógico que vou sentir falta dos fãs, mas os fãs poderão continuar me assistindo no boxe. Gosto de aprender e estou ansioso para aprender. Os EUA precisam de um bom pugilista na divisão dos pesados e acho que posso preencher esta lacuna.”

Badr Hari e Gökhan Saki se abraçam após o combate

Mais resultados do It’s Showtime 55: Daniel Ghiţă, Errol Zimmerman, Tyrone Spong e Anderson Braddock vencem

Outras estrelas do esporte estiveram em ação no evento. O romeno Daniel Ghiţă nocauteou o egípcio Hesdy Gerges no primeiro assalto, conseguiu vingar a derrota de março do ano passado e, de quebra, tomou do oponente o cinturão dos pesados do It’s Showtime.

Valendo o cinturão da categoria até 73kg, o marroquino L’houcine Ouzgni bateu o então campeão, o francês Yohan Lidon, e ficou com o título. O surinamês Errol Zimmerman nocauteou o holandês Rico Verhoeven no round inicial. Também natural do Suriname, Tyrone Spong, que participou do camp de Rashad Evans para o UFC 133, venceu o holandês Melvin Manhoef, veterano do DREAM e Strikeforce, por decisão unânime.

Único brasileiro no card, Anderson “Braddock” Silva, parceiro eventual de treinos de Lyoto Machida, venceu o holandês Michael Duut também por decisão unânime.

Completaram o card do It’s Showtime 55:

Robin van Roosmalen (HOL) venceu Murat Direkçi (TUR) por decisão
Harut Grigorian (ARM) venceu Chris Ngimbi (CON) por nocaute técnico (R1)
Ben Edwards (AUS) venceu Ricardo van den Bos (HOL) por decisão unânime
Sahak Parparyan (ARM) venceu Mourad Bouzidi (TUN) por decisão
Andy Ristie (SUR) venceu Hinata Watanabe (JAP) por nocaute técnico (R1)
Hafid el Boustati (MAR) venceu Henri van Opstal (HOL) por decisão unânime

Fotos: Divulgação/It’s Showtime