Antecipar a pesagem criou um cenário melhor para os lutadores?

O MMA Brasil analisou dados de pesagens antes e depois da antecipação do horário oficial e pergunta: o maior tempo de reidratação tem sido benéfico no fim das contas para a saúde dos lutadores?

Em junho de 2016, a Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC) adotou uma medida que mudaria todas as pesagens de eventos do UFC, Bellator e outras organizações: os lutadores se pesariam 30 horas antes da luta, não mais 24, como era de costume, visando melhorar a reidratação dos atletas.

De início, a proposta deu certo e o UFC 199, o primeiro sob as novas regras, foi um dos melhores eventos da história da organização. No entanto, mais de um ano depois, ficou uma dúvida: será que a pesagem 30 horas antes do combate é realmente mais saudável para os lutadores?

O MMA Brasil pegou estatísticas de 53 eventos realizados após a regra da pesagem antecipada e bateu com 53 eventos disputados antes da nova regulamentação. O que se viu foi um grande aumento na incidência de lutadores que não bateram o peso e, por este motivo, de lutas canceladas.

Lutadores que não bateram peso na pesagem normal

Paul Redmond (contra Mirsad Bektic, no UFC On FOX 24)
Kelvin Gastelum (contra Tyron Woodley, no UFC 183)
John Lineker (contra Ian McCall, no UFC 183)
Patrick Walsh (contra Dan Kelly, no UFC Fight Night 60)
James Moontasri (contra Cody Pfister, no UFC Fight Night 60)
Daron Cruickshank (contra Beneil Dariush, no UFC 185)
Yancy Medeiros (contra Dustin Poirier, no UFC Fight Night 68)
Leonardo Morales (contra Teco Quiñones, no UFC Fight Night 68)
Lewis Gonzalez (contra Leandro Buscapé, no UFC Fight Night 70)
Jeremy Stephens (contra Dennis Bermudez, no UFC 189)
Maximo Blanco (contra Mike de la Torre, no TUF 21 Finale)
Ray Borg (contra Geane Herrera, no UFC Fight Night 74)
Frank Trevino (contra Sage Northcutt, no UFC 192)
Charles do Bronx (contra Myles Jury, no UFC On FOX 19)
Augusto Tanquinho (contra Cody Garbrandt, no UFC Fight Night 83)

Lutas canceladas na pesagem normal ou em decorrência da pesagem

Wendell Negão vs. TJ Waldburger (UFC Fight Night 61)
Rose Namajunas vs. Nina Ansaroff (UFC 187)
Johny Hendricks vs. Tyron Woodley (UFC 192)

Lutadores que não bateram peso na pesagem antecipada (nova regra)

Randa Markos (contra Jocelyn Jones-Lybarger, no UFC Fight Night 89)
Johny Hendricks (contra Kelvin Gastelum, no UFC 200)
Chad Laprise (contra Thibault Gouti, no UFC On FOX 21)
Michael McBride (contra Nik Lentz, no UFC 203)
Michel Trator (contra Gilbert Durinho, no UFC Fight Night 95)
Hacran Dias (contra Andre Fili, no UFC Fight Night 96)
Alex Cowboy (contra Will Brooks, no UFC Fight Night 96)
John Lineker (contra John Dodson, no UFC Fight Night 96)
Felipe Sertanejo (contra Erik Perez, no UFC Fight Night 98)
Charles do Bronx (contra Ricardo Lamas, no UFC Fight Night 98)
Thiago Alves (contra Jim Miller, no UFC 205)
Zak Cummings (contra Alexander Yakovlev, no UFC Fight Night 99)
Justine Kish (contra Ashley Yoder, no UFC Fight Night 102)
Anthony Pettis (contra Max Holloway, no UFC 206)
Valerie Létournéau (contra Viviane Sucuri, no UFC 206)
Rustam Khabilov (contra Jason Saggo, no UFC 206)
Johny Hendricks (contra Neil Magny, no UFC 207)
Ray Borg (contra Louis Smolka, no UFC 207)
Marcos Rogério Pezão (contra Jeremy Kimball, no UFC on Fox 23)
Bec Rawlings (contra Tecia Torres, no UFC Fight Night 104)
Gina Mazany (contra Sara McMann, no UFC Fight Night 105)
Marcos Rogério Pezão (contra Ovince St. Preux, no UFC Fight Night 108)
Darren Till (contra Jessin Ayari, no UFC Fight Night 109)
Chan Mi-Jeon (contra JJ Aldrich, no UFC Fight Night 110)
Carls John de Tomas (contra Naoki Inoue, no UFC Fight Night 111)
Johny Hendricks (contra Tim Boetsch, no UFC Fight Night 112)
Jared Gordon (contra Michel Quiñones, no UFC Fight Night 112)
Joanne Calderwood (contra Cynthia Calvillo, no UFC Fight Night 113)
Alexa Grasso (contra Randa Markos, no UFC Fight Night 114)
Michel Trator (contra Mads Burnell, no UFC Fight Night 115)

Lutas canceladas na pesagem antecipada ou em decorrência da pesagem

Donald Cerrone vs. Kelvin Gastelum (UFC 205)
Ian McCall vs. Neil Seery (UFC Fight Night 99)
Ian McCall vs. Jarred Brooks (UFC 208)
Khabib Nurmagomedov vs. Tony Ferguson (UFC 209)
Ian Entwistle vs. Brett Johns (UFC Fight Night 107)
Jared Gordon vs. Michel Quiñones (UFC 211)
Thibault Gouti vs. Dong Hyun Kim (UFC Fight Night 110)
Jessica Eye vs. Aspen Ladd (TUF 25 Finale)
Demetrious Johnson vs. Ray Borg (UFC 215)
Felipe Sertanejo vs. Luke Sanders (UFC Fight Night 116)
Mizuto Hirota vs. Charles Rosa (UFC Fight Night 117)
Will Brooks vs. Nik Lentz (UFC 216)

Conclusão

Percebemos que a incidência de lutadores que não bateram o peso dobrou – o número passou de 15 para 30 e as lutas canceladas foram de 3 para 12. Afinal, os lutadores estão realmente preparados para a antecipação da pesagem, tirando-lhes seis horas para completar o processo de corte?

O corte de peso sempre foi um dos assuntos mais polêmicos do MMA justamente pelo planejamento nem sempre ideais de atletas e equipes para lidar com o peso nas semanas que antecedem a luta. Com o processo diminuído em seis horas, esperava-se que as equipes antecipariam também a fase final, que leva uma porcentagem do peso maior a ser eliminada, mas parece que isso não tem acontecido.

O MMA precisa atentar para os males do corte de peso, mas, mesmo que não seja possível controlá-lo em definitivo neste momento, é fundamental conscientizar lutadores e equipes para um corte mais saudável, antecipado, que evite cenas como a de Mizuto Hirota, no UFC Fight Night 117, quando precisou ser amparado por seus treinadores na hora de descer da balança.

A ideia do maior tempo de reidratação é muito boa, mas a execução não está sendo ideal no momento.

  • James sousa

    Uma vantagem na nova regra da pesagem e que os lutadores que conseguiram bater o peso bem lutaram melhor e as lutas principalmente no início melhoraram com os lutadores lutando mais saudável

  • Márcio Braga

    O problema é colocar na conta da mudança de regras a irresponsabilidade de lutadores que deveriam ser profissionais e fazer o corte de acordo com as novas regras, o problema é da irresponsabilidade dos lutadores e não da regra modificada, então quem tem que se adaptar são os ditos profissionais da luta, se não pode colocar qualquer regra que vise ajudar de alguma forma a amenizar os danos causados pelo processo de corte que ainda sim não surtirão efeitos.

    • Raphael Pinheiro

      Mas alguém está colocando na conta da mudança? O texto fala justamente que a falta de hábito ou traquejo dos lutadores em reprogramar seu corte de peso para se adequar ao novo prazo de pesagem é que é o fiel da balança (sem trocadilho…).

      • Márcio Braga

        não, mas eu imagino um futuro cenário, onde os atletas podem vir a culpar as mudanças por causa do seus insucesso ao bater o peso.

    • Marcio Rodrigues

      O problema é 100% dos lutadores. Lembro de uns debates sobre uma regra nova onde haveria 2 pesagens, a atual e outra alguns dias antes onde a diferença de peso entre as duas deveria estar dentro de um percentual seguro. Beleza, seria uma ótima idéia…se os lutadores não fossem dementes. Na prática o que iria rolar é que os caras fariam dois cortes e se ferrariam ainda mais.
      E fica todo mundo preocupado com a saúde dos caras quando eles mesmos não dão a mínima.

  • William Oliveira

    A questão é que teve um período de adaptação onde a ocorrência disso era maior, não? A longo prazo acho que teremos dados mais equilibrados, senão até vantajosos para a mudança. Foram muitos anos com um hábito ruim, normal que de início muitos tiveram problema com isso.

  • Fabiano Silva

    Acho que a comparação simplista de 53 eventos antes da mudança da regra e 53 eventos depois da mudança não é o bastante para determinar se o aumento do número de lutas canceladas e casos de peso não batido foi causado pela antecipação da pesagem para 30 horas antes do evento. Uma coisa a se levar em conta é que dos 53 eventos realizados antes da alteração do horário da pesagem é que 19 deles foram disputados antes do UFC incorporar as regras de controle antidoping da USADA, que com certeza melhora bem os números para essa “amostra”. O controle da USADA no UFC começou oficialmente em 1/7/2015 (http://sportv.globo.com/site/combate/noticia/2016/07/levantamento-mostra-desempenho-das-equipes-no-ufc-pre-e-pos-usada.html) e antes disso muitos lutadores estavam acostumados a se reidratar com soro, sem falar em substâncias diuréticas que podiam ser usadas para facilitar a perda de líquido e provavelmente foram deixadas de lado após a USADA, e é evidente que muitos lutadores com muita experiência em sua categoria de peso subiram algum tempo depois, dada a dificuldade de cortar peso (Hendricks, RDA, por exemplo). Apesar de parecer que já faz uma eternidade que temos a USADA no UFC, acho que estão todos ainda se adaptando a essa nova cultura, e isso leva tempo. Sobre a questão toda do corte de peso drástico que os lutadores de MMA fazem, acho bem-vinda essa alteração de regra que dá mais tempo para os lutadores se recuperarem após a pesagem e algumas outras que já foram feitas, mas não foram implementadas (https://www.mmafighting.com/2017/5/16/15648532/csac-passes-ground-breaking-package-of-weight-cutting-regulations). Infelizmente, para que se tomem medidas drásticas é necessário que uma grave ocorrência. Isso claramente aconteceu na Fórmula 1, que só se preocupou em colocar a segurança dos pilotos em 1º lugar após a morte de Senna e Ratzenberger no GP de Ímola em 94. Sabemos que em eventos menores já aconteceram muitos casos graves (não tenho certeza se de mortes) devido ao corte de peso, mas espero que no MMA não se espere uma estrela morrer pelo corte de peso para que medidas mais eficazes sejam tomadas pelos organizadores e reguladores do esporte.

    • Gabriel Carvalho

      Então, a comparação simplista foi apenas para dar uma pequena base ao ponto de vista que os lutadores ainda não aprenderam e não se adaptaram a este tipo de procedimento. Se a pesagem foi antecipada em 6h, o certo seria começar o processo de corte de peso um pouco antes para conseguir chegar certinho na hora da pesagem, mas tem muita coisa que pesa contra isso, um exemplo é a logística, já que tem lutador que chega na cidade do evento apenas na semana da luta. Acho que poderia rolar um seminário do próprio UFC pra ensinar tal coisa, antes que o pior aconteça.

  • Marco antônio

    Não quero imaginar que estão tentando cortar a mesma quantidade de peso com 8 horas a menos. Porra, o mínimo que eles tem que fazer é antecipar corte final na mesma quantidade de horas que a pesagem foi antecipada.

  • Marllon

    Para mim é bem simples:
    1-Você tem condições de cortar o peso de forma saudável?
    Sim – Beleza
    Não – Suba de categoria

    Fim.

    • Gabriel Carvalho

      O mundo seria bem mais simples.

    • Bruno Coelho

      Mas o que diferenciaria um corte de peso saudável de um corte de peso não saudável? Quais seriam os critérios para a diferenciação?
      Não sou fisiologista, mas na minha ignorância penso que a desidratação, em qualquer nível, nunca é saudável.

      • Igor Vovchanchyn

        Só se corte de peso for como o do Johnny Hendricks, ou seja, uma dieta na verdade, nesse caso vai ser até bom para a saúde dele.
        Agora, se for por desidratação, como 90 % dos lutadores fazem, também acho que não tem como fazer isso de forma saudável.

        • Ricardo Sedano

          A galera que faz desitratação também faz dieta. A desidratação é a parte final de um corte de peso, mas antes eles passam 1 mês ou mais fazendo dieta.

  • Bruno Coelho

    Sou muito pragmático e, na minha opinião pessoal, os caras deveriam lutar no peso natural. Caso nego fique muito baixo, com a envergadura muito curta e não aguente o tranco, que vá fazer outra coisa da vida. Ponto.

    Bem, mas minha opinião pessoal é apenas minha opinião pessoal e nenhuma Comissão vai soltar um comunicado do tipo “olha, gente, decidimos colocar a pesagem no dia da luta porque um rapaz chamado Bruno disse isso ou aquilo”.

    E sinceramente, mesmo que coloquem a pesagem no dia da luta, é possível que haja idiotas que decidam lutar com peso cortado na esperança de hidratar um pouquinho entre os rounds. O mini-documentário de péssimo gosto protagonizado pela Cyborg e o vídeo do maluco cambaleando na balança são provas cabais de que não dá pra esperar nada de atletas e respectivas equipes no que diz respeito a um corte de peso não tão agressivo. Pelo visto, correr o risco de morrer fazendo cortes de peso brutais vale muito a pena…
    Enquanto o UFC e as Comissões não tomarem medidas sérias (aplicando sanções às equipes ou dando ganchos nos caras, por exemplo), o máximo que teremos serão ações isoladas como a do RDA que, por conta própria, decidiu cuidar da própria saúde e subir de categoria.

    Infelizmente acho que vai ter que morrer alguém bem famoso para que as coisas mudem radicalmente. E uma “morte mainstream” seria terrível para o esporte.

    • Igor Vovchanchyn

      Discordo que os lutadores tentariam cortar peso se a pesagem fosse na hora da luta. Quanto mais distante e pesagem for realizada da hora da luta, mais peso os lutadores vão cortar.
      – Por que os lutadores cortam peso? – É senso comum que é para conseguir uma vantagem física sobre o adversário!
      Qual é a vantagem que o lutador teria de lutar desidratado contra um adversário saudável? Não há sentido algum em cortar peso num cenário onde não é possível recuperar sua vantagem física sobre o oponente!
      Eles deveriam fazer a pesagem na hora da luta, na entrada do cage, sim na entrada do cage! Para dar nenhum tempo para ele tentar se reidratar.
      Se o lutador for burro o suficiente para tentar corta peso nesse cenário, ele é quem ficará em desvantagem, ele aprenderá da pior maneira o quanto sua decisão foi estúpida.

  • Fernando

    Gabriel (ou quem souber responder), vc viu sobre a cirurgia de menisco do erick silva?

    Segundo a notícia que eu li ele retirou o menisco. Vc sabe dizer se é isso mesmo? Até onde eu sei nem se fazia mais esse tipo de procedimento. Hj em dia se faz sutura, que p preservar a função do menisco que é de reduzir o impacto no joelho.

    Se fez mesmo, pode estar vindo uma aposentadoria por ai.

  • Marcio Rodrigues

    Nunca tinha me passado pela cabeça que os lutadores haviam encarado a mudança na regra como 6 horas a menos pro corte. Qualquer ser com dois neurônios concluíria que deveria antecipar o início do processo. Isso mostra o quanto os caras são boçais nesse aspecto.

    Tem cara de quase 100 kg querendo lutar de peso leve. E eu tenho certeza que quando criarem as novas categorias de peso, vai ter muito mais gente descendo de 77 pra 75, do que subindo da 70. Os caras sempre vão tentar cortar o máximo que der.

    Por isso me irrita quando a imprensa e fãs ficam bolando n regras para melhorar o corte de peso, tratando os lutadores como crianças que precisam ser educadas, conscientizadas e protegidas de si mesmo.

    Ninguém é obrigado a cortar 1 grama sequer. O atleta deve saber melhor que ninguém o quanto pode cortar. Acho bizarro cogitar que as organizações controlem o peso em off dos atletas. O cara assinou o contrato para lutar na categoria x e deve bater o peso no dia da pesagem e só. O peso dele durante o camp não é da conta da organização.

    Sou da filosofia de que as pessoas só aprendem com punição, leia-se (nesse caso) multa em dinheiro. Se tiver multa pesada pra quem não bate o peso e principalmente pra quem cancela luta, duvido que o lutador não reveja sua dieta ou sua categoria.

    • Bruno Fares

      Concordo!

    • Ricardo Sedano

      Sobre a parte da multa, o lutador já perde 20% da bolsa caso não bata o peso. E em caso de luta cancelada, ele não recebe absolutamente nada. Uma prática onde essa multa aumento poderia resultar em atletas simplesmente saindo desse evento. Não seria tão simples.

      Fico na dúvida quanto a questão da organização controlar o peso… Por um lado concordo com seu ponto de vista de ser responsabilidade do atleta, por outro lado, é importante a organização ajudar a preservar a integridade fisica do atleta… Topico complicado.

      Sobre a questão das hora, também acho que seria começar antes a cortar o peso, mas tenho zero ideia de como isso funciona e do quão “fácil” é de fazer isso.

  • Pedro Vytor

    Aumentar a quantidade de categorias e fazer uma espécie de reordenação não contribuiria para resolver o problema? Imagina que se criassem uma situação onde todas as categorias ficassem “zeradas”, apenas os campeões e chama os top 20 para definirem qual categoria eles querem, isto posto, quem não bater o peso, a multa dobra ou triplica. Isso conscientizaria os lutadores, que não querem perder money e os “forçaria” a entrar na categoria adequada. Esta solução não seria útil?

    • Ricardo Sedano

      O negócio é que lutadores podem – e com novas categorias mts deles provavelmente farão – lutas em mais de uma categoria. SEm contar que dobrar ou triplicar uma multa por não bater o peso pode ser um risco que o atleta não queira ficar correndo sempre e optar pode mudar de organização… é um movimento arriscado.

      • Pedro Vytor

        Transitar em novas categorias não é um problema, desde que eles atinjam o peso determinado. A questão da multa é educativa, pois para estar na maior organização de MMA do mundo, você tem que ter comprometimento e responsabilidade o suficiente. É um método seletivo, mas concordo contigo que envolvem riscos.

    • Eu acho que seria válido pelo menos tentar.