Andrea Lee é vítima de caso de violência doméstica

Por Matheus Costa | 14/08/2018 21:00

Mais um triste caso de violência doméstica veio à tona e, desta vez, a vítima faz parte do plantel do UFC. Trata-se de Andrea Lee, atleta parte da categoria feminina dos moscas da organização, que acabou sendo agredida pelo marido Donny Aaron após uma discussão na residência do casal em Shreveport, Louisiana, Estados Unidos. O caso policial foi divulgado com exclusividade pelo site “MyMMANews“.

Tudo começou logo após o término da luta coprincipal do UFC 227 entre o então campeão dos moscas Demetrious Johnson e o desafiante Henry Cejudo. O casal teria começado a discutir por discordarem do resultado, mas a briga perdurou durante a noite e acabou em mais um covarde caso de agressão. Toda a cena foi testemunhada pela lutadora Andy Nguyen, melhor amiga de Andrea que também vive na mesma casa que o casal.

Andy contou todo o caso para a polícia em um depoimento bem detalhado, que também foi obtido com exclusividade pelo site “MyMMANews”. Confira:

“Eu estava no meu quarto, tentando dormir na casa deles. Eu conseguia ouvi-los reclamando sobre como o ‘Mighty Mouse’ [Demetrious Johnson] havia sido roubado [no UFC 227]. O evento já tinha acabado e eu ouço o Donny gritando. Eu sentei na minha cama e eu pensei ‘o que está acontecendo?’. Eu recebo uma mensagem de texto da mãe de Donny perguntando se ela precisava vir para a casa, mas respondi que não. Então eu escuto mais gritos e ouço o Donny xingando a Andrea. Então abri a minha porta e vi ela correndo para o quarto de sua filha. O Donny estava tentando queimá-la no braço e no corpo usando um cigarro. Ela estava gritando para ele parar de queimá-la. A única pessoa que tentou me ajudar para impedi-lo foi o pai do Donny, que tem 70 ou 80 anos. Havia outro cara chamado Kendrick, que era um cara grande e forte, mas que não quis sair do quarto dele para me ajudar. Ele colocou os fones de ouvido e ficou agindo como se isso acontecesse toda hora. Ele simplesmente ignorou a cena.

Na hora eu não fiquei em choque com o que estava acontecendo, mas eu entrei em pânico. Eu corri de volta para o meu quarto e mandei uma mensagem para a mãe dele ‘Não quero chamar a polícia. Você pode vir aqui?’ e isso já era por volta das 1:30 da manhã. Eu voltei a dormir, mas acordei por volta das 4:30. Eu ainda ouvia o Donny. Quando foi 4:30, os pais dele já tinham ido. Eu liguei a luz do meu quarto e abri a porta, para que Donny soubesse que eu já estava acordada. Ele costuma fazer as besteiras dele atrás de portas fechadas. Eu fui para a cozinha e ouvi eles brigando, mas o silêncio surgiu de repente. Eu achei que poderia ter terminado. Então do nada eu ouvi um gemido, e o cachorro que estava no canil começou a latir. Eu ouvi ela pedindo para ele parar. Eu abri a porta e falei ‘Donny, deixe-a em paz’. Ele parecia estar totalmente perdido. Ele não dormia há dois dias e estava bebendo direto. Eu não sabia se ele estava tomando alguma coisa. Eu ando para trás quando ele começa a vir na minha direção. A Andrea começou a abotoar seu short e fugiu descalça pela porta dos fundos.

Então, o Donny começou a gritar ‘Ela está me traindo há três anos’ e eu respondi ‘Não, ela não está. Você pode achar que ela está te traindo, mas ela não fez nada.’ Então ele viu que ela saiu correndo e foi atrás dela. Eram 5:30 da manhã e ela estava correndo. Eu coloquei as minhas roupas de ginástica para correr atrás dele se eu tivesse que fazer, mas ele voltou para casa e disse ‘eu fiz de novo, eu fiz de novo’. Eu perguntei ‘O que você fez? Você matou ela?’, já que ele já matou outra pessoa antes. Eu não sabia se ele tenha pego uma pedra e batido na cabeça dla. Eu estava com medo de ir para fora da casa. Então, ele respondeu que fez ela correr descalça de novo. Eu falei para ele me dar as chaves do carro, mas ele negou dizendo que ela iria pensar que era ele e não iria parar.

Eu sabia que não tinha gasolina no carro porque eu busquei o Donny e o levei para casa, pois ele estava embriagado no bar. Ele finalmente me deu as chaves do carro e o sol já estava nascendo. Eu dirigi até o posto de gasolina, saí do carro e chamei os policias que estavam lá. Eu disse que minha amiga estava sendo agredida pelo seu marido. Dei o nome e o endereço, e cerca de seis policiais apareceram no local. Ela tinha pego um Uber para um hotel. Eu fui até o hotel para encontrá-la e lhe dei todos os pertences, até que os policias vieram ao hotel para interrogá-la e fazer a investigação.”

Nguyen também falou sobre o comportamento padrão do marido de Andrea Lee. Segundo a lutadora, Donny não demonstrava um bom estado de saúde mental nos últimos tempos, mantendo a peso mosca presa em casa e tentando forjar uma possível traição da atleta. Ela também afirmou que já haviam acontecido outros casos de agressão por parte de Donny contra Lee nos últimos anos, mas que foi a primeira vez que ela presenciou o fato.

“Não estava na casa quando os policiais chegaram, mas o Donny viu que os carros da polícia estavam chegando e acabou fugindo com seu pai. Eles estão sumidos desde então. Eles já devem estar com um mandado de prisão para ele. Isso é uma merda porque o Donny era um policial. Ele está com a cabeça fodida. Ele estava tentando fazer com que ela fizesse algumas coisas e forjar evidências que ela estava lhe traindo. Ele estava tentando fazer com que ela abaixasse as calças para que ele pudesse enviar fotos para um cara, fazendo parecer que ela que tinha mandado. Ele está com a cabeça fodida. Os dois discutiram durante toda a semana. Ela não conseguia treinar porque ele estava mantendo ela em casa. Ele não estava deixando ela sair de casa. Eu não chamei a polícia até que chegou num patamar físico e eu não podia fazer mais nada.

Ele estava tentando enforcá-la, mas ela estava se defendendo bem. Ela não chegou a levar uma surra. A polícia tirou fotos das marcas em seu pescoço. Não foi tão ruim dessa vez. Sem olho roxo ou algo assim, mas ele já tinha batido nela antes. Eu não estava lá quando aconteceu. Ele era meu treinador e meu amigo. Essa foi a primeira vez que aconteceu na minha presença e eu não iria deixar isso passar. A violência doméstica vem acontecendo há anos. Eu simplesmente nunca tinha visto.”

O marido de Andrea já foi preso em 2009 por homicídio culposo com arma de fogo, mas essa não foi a última polêmica do indivíduo antes do caso de agressão. Donny Aaron foi alvo de uma polêmica na comunidade do MMA em maio, quando surgiram fotos na internet de uma tatuagem em seu cotovelo de uma suástica, famoso símbolo da Alemanha nazista. Andy falou sobre o caso e disse que ele teve oportunidade de cobrir a tatuagem de graça, algo oferecido até pelo UFC, mas ele rejeitou e quis manter a marca estampada em sua pele.

“Outra coisa importante também. O UFC e várias outras pessoas ofereceram ao Donny para que ele cobrisse a tatuagem da suástica de graça, mas ele nunca quis fazer. Todo mundo viu online a pequena suástica que ele no cotovelo. Eu tenho uma foto maior de uma tatuagem maior que ele tem no ombro, mas ninguém sabe disso. Tudo o que ele tinha que fazer era cobrir a pequena, mas ele não fez. Eu teria feito para salvar a carreira da minha esposa, mas ele não quis fazer. Isso é uma merda. Não é culpa da Andrea. Ela é doce e gentil, além de sempre acabar perdoando ele. Mas dessa vez, acabou.”