Por Alexandre Matos | 10/07/2016 05:47

Por 48 horas, o Brasil ficou sem nenhum campeão no UFC. Ao final da International Fight Week, o país saiu com mais cinturões do que entrou. No histórico UFC 200, que encheu a T-Mobile Arena, em Las Vegas, Amanda Nunes passou o trator sobre Miesha Tate e se tornou a primeira lutadora do país a conquistar o mais importante título do MMA mundial. Além dela, José Aldo levou para casa o cinturão interino do peso pena após bater Frankie Edgar pela segunda vez.

A “Leoa” justificou o apelido com uma atuação implacável. Depois um tempo de estudos, Tate avançou numa tentativa de queda que foi facilmente defendida por Amanda. Quando definiu a distância, a desafiante soltou um direto de direita que fez Tate recuar. Nunes sentiu o cheiro de sangue e surrou a americana até mandá-la à lona com mais uma direita. Sem perder tempo, a baiana pegou as costas e tentou um mata-leão. A posição não estava muito bem encaixada, mas, com o rosto sangrando e o nariz destruído, Tate não resistiu e batucou na marca de 3:16 de luta.

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O resultado entrou para a história por ter sido a primeira conquista de cinturão de uma brasileira no UFC. Amanda é a terceira campeã do peso galo feminino da organização desde que Holly Holm colocou fim ao reinado de Ronda Rousey, em setembro de 2015. A baiana faturou ainda um dos quatro bônus de desempenho distribuídos no evento.

Wrestling e atleticismo conduzem Brock Lesnar à vitória sobre Mark Hunt

Num duelo tenso e limitado tecnicamente, Brock Lesnar voltou depois de quatro anos e meio mostrando o poder de seu jogo de queda e controle posicional. O americano naturalizado canadense bateu o artista do nocaute neozelandês Mark Hunt.

Brock Lesnar não perdeu posição sempre que caiu por cima de Mark Hunt (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Brock Lesnar não perdeu posição sempre que caiu por cima de Mark Hunt (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

O combate levou um bom tempo sem nada acontecer. Lesnar, com o tempo das quedas prejudicado pela inatividade, parecia temer o poder de nocaute de Hunt, que, por sua vez, não queria ser derrubado. A dois minutos do fim da primeira parcial, o ex-campeão botou o oponente para baixo e o castigou no ground and pound.

O segundo assalto foi bem fraco. Os dois demonstraram cansaço e Lesnar não conseguiu completar quedas, enquanto Hunto mal conectou alguns golpes, mas fez o mínimo suficiente para empatar a luta. No terceiro, Lesnar aplicou uma queda cedo e chegou até a montar, mas estava tão cansado que não conseguiu a interrupção. Ainda assim, os três juízes anotaram um 10-8 e concederam a vitória ao gigante com um triplo 29-27.

Daniel Cormier domina Anderson Silva inteiramente, mas é vaiado

Num combate fácil como previsto, Daniel Cormier derrubou e amassou Anderson Silva por 15 minutos. No entanto, o público não gostou da atuação do campeão meio-pesado e vaiou o combate insistentemente.

O primeiro round foi unilateral. Cormier sentiu a (falta de) velocidade de Anderson e partiu para o single leg. Sem dificuldade, o americano venceu a limitada defesa de queda do astro brasileiro e desceu o sarrafo com socos e cotoveladas, tirando sangue do nariz do “Spider” e saindo na frente com 10-8.

O ritmo caiu a partir do segundo, mas a facilidade encontrada por Cormier para derrubar e trabalhar no chão continou. Aos 41 anos, Anderson mostrou forma física digna para quem não tinha se preparado para o combate. Ele até tentou alguns socos e chutes, mas nenhum pareceu incomodar o campeão dos meios-pesados. Cormier é mais forte, mais pesado e mais capacitado no wrestling do que oponentes que deram trabalho a Anderson no passado, como Chris Weidman e Chael Sonnen. Longe de seu apogeu, Silva não conseguiu escapar das armadilhas de Daniel e foi derrotado por um triplo 30-26, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil.

Na entrevista ao fim do combate, vaiado, Cormier explicou que havia se preparado por oito semanas para enfrentar um oponente totalmente diferente e que não poderia menosprezar as artimanhas do striking de Anderson, então ele “fez o que tinha que fazer”. Ao contrário, Anderson foi muito aplaudido pela dignidade com que encarou a substituição a Jon Jones e por ter durado até o fim, quando o senso comum apontava para uma interrupção.

Capacidade de retaliação garante cinturão interino a José Aldo contra Frankie Edgar

Com o mesmo placar do primeiro confronto, José Aldo voltou a vencer Frankie Edgar, quebrou a série invicta do americano e, de quebra, conquistou o cinturão interino do peso pena.

Totalmente adaptado ao peso, Edgar começou o combate com mais volume de jogo, mas com pouca contundência nos golpes, talvez por estar jogando-os de longe. Aldo esperou os ataques do rival para contragolpear com bem mais potência. Frankie tentou algumas vezes mudar o nível usando quedas, mas Junior defendeu todas as 12 tentativas durante a luta.

Conforme o tempo passou, Aldo causava danos no rosto de Edgar, que seguia com mais volume, mas acertando cada vez menos e raramente com contundência. Sempre que Edgar tentava apertar o ritmo e fazer a luta descambar para a pancadaria, Aldo retaliava com contragolpes duros, que quebravam o ritmo do rival.

Sem perder a calma em nenhum momento, Aldo seguiu firme na tática de retaliar os ataques de Edgar até o americano sentir que não tinha mais o que fazer, uma vez que suas entradas de quedas foram todas negadas, algumas com duras joelhadas de encontro, outras com saídas laterais ou sprawls.

Edgar acabou o combate com o rosto coberto de sangue. Na leitura das papeletas, dois juízes marcaram 49-46 e um anotou 48-47, exatamente os mesmos placares concedidos a favor de Aldo no duelo do UFC 156, em 2013. O brasileiro disse no fim que aguardava a hora de “bater naquele merda”, se referindo a Conor McGregor, que assistiu ao combate atentamente.

Conor-McGregor-Jose-Aldo-Frankie-Edgar-UFC-200

Cain Velasquez massacra Travis Browne

No combate que abriu o card principal do UFC 200, o ex-campeão dos pesados Cain Velasquez fez aquilo que mais sabe fazer: vencer por espancamento. A vítima da vez foi Travis Browne.

Velasquez errou uma tentativa de queda no começo do combate. A partir dali, não errou mais. Ele ignorou a vantagem na envergadura do rival e, muito mais veloz, encurtou a distância como quis e espancou Browne a três por quatro, com direito até a um chute alto rodado que acertou em cheio a cabeça do adversário, que foi lançado contra a grade.

Variando entre a cabeça e o corpo de Browne, Velasquez foi implacável. Com uma direita, o ex-campeão mandou o adversário, que já estava com as pernas bambas e com os braços moles, à lona. O árbitro John McCarthy decretou o fim do martírio de Browne a dois segundos do fim do round