Por Alexandre Matos | 12/05/2018 02:09

Não comprou ingresso para o UFC 224 e não tem assinatura do canal Combate? Não fique triste, pois o melhor lutador do mundo estará em ação também neste sábado. No Madison Square Garden, em Nova York, Vasyl Lomachenko tenta o terceiro cinturão mundial em categorias diferentes contra o campeão dos leves versão WBA, Jorge Linares.

O SporTV 2 vai transmitir o duelo entre Linares e Lomachenko ao vivo. Além deste combate, a disputa do cinturão mundial dos médios-ligeiros entre Sadam Ali, que desbancou Miguel Cotto na despedida do portorriquenho, e Jaime Munguia, também será exibida ao vivo no canal. Pelo site oficial da emissora, a transmissão deve iniciar às 20:00h, no horário de Brasília.

Cada vez que Lomachenko (10-1, 8 KOs) sobe ao ringue é uma oportunidade de ver a história ser escrita diante de nossos olhos. O ucraniano é daqueles atletas raros, tamanhas as capacidades técnica, física, tática. Campeão mundial amador em duas categorias diferentes, campeão olímpico em duas categorias diferentes, Loma se profissionalizou e, apenas na sétima luta disputada, conquistou o cinturão mundial na segunda categoria. Prestes a disputar seu 12º compromisso, Lomachenko pode se tornar o boxeador que chegou ao título em três divisões de modo mais rápido na história da nobre arte.

Ganhar cinturões em três categorias não é novidade para Linares (44-3, 27 KOs). O venezuelano conquistou seu primeiro título mundial antes mesmo de Lomachenko vencer a primeira Olimpíada como amador. Em 2007, Jorge faturou o cinturão WBC dos penas. Menos de um ano e meio depois, subiu de categoria para levar a coroa dos superpenas da WBA, que estava vaga. Em 2011, ele sucumbiu na primeira tentativa no peso leve, mas conseguiu o feito no penúltimo dia de 2014 pelo WBC. Linares então iniciou uma sequência de triunfos que o colocou como o número um do mundo na categoria (considerando que Mikey Garcia vai se manter nos superleves), incluindo duas vitórias sensacionais sobre Anthony Crolla e uma sobre o campeão olímpico Luke Campbell.

No ano passado, após Loma destruir Guillermo Rigondeaux, escrevi que a melhor saída para o ucraniano seria desistir do peso superpena pela dificuldade imensa de arrumar um oponente de elite. Subindo aos leves, o cenário seria promissor com uma luta com Linares, mas eu não acreditava que o acordo pudesse sair por conta das desavenças eternas entre a Golden Boy Promotions, que cuida dos interesses do venezuelano, e a Top Rank, que gerencia o ucraniano. Felizmente parece que vivemos dias melhores e o combate vai se materializar.

Lomachenko ostenta o mais vasto arsenal ofensivo que já vi na vida. Sua movimentação não tem paralelo. Ele é uma máquina capaz de atacar de absolutamente qualquer ângulo imaginável – inclusive naqueles que um ser humano comum não consegue conceber. E Loma o faz com velocidade e precisão incríveis. Nem mesmo Rigondeaux, top 10 peso por peso na atualidade e dono de um dos melhores sistemas defensivos de todos os tempos, foi capaz de anular sequer por um minuto a produção ofensiva de Lomachenko. O jogo de pernas é tão genial que faz dele também um dos melhores lutadores defensivos do mundo. Como nunca está no mesmo lugar por mais de alguns segundos consecutivos, Lomachenko torna-se um alvo muito difícil de ser acertado e mais difícil ainda é a missão dos oponentes de evitar que seus punhos os atinjam.

Linares é um contragolpeador muito talentoso e inteligente, daqueles capazes de virar a tendência de uma luta com uma combinação bem executada. Com o passar do tempo, desde que passou a trabalhar com Ismael Salas, ex-técnico da seleção cubana, Linares deixou de ser um lutador inconsistente para se tornar um sujeito de muita velocidade nos punhos e capacidade atlética acima da média. Seu principal problema é o queixo não muito confiável, embora ele tenha evoluído defensivamente para minimizar sua exposição aos golpes dos oponentes.

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A expectativa é que o venezuelano pelo menos faça um papel melhor que os quatro últimos oponentes do Hi-Tech, que desistiram de continuar nos combates. “El Niño de Oro” não é daqueles que vai se sentir envergonhado por uma eventual diferença técnica brutal em relação a Lomachenko.

Para bater Lomachenko, é fundamental que Linares consiga antever a movimentação do oponente e acertar sua linha de cintura para diminuir a fluidez do desafiante. O campeão é alguém capaz de executar a missão, especialmente se conseguir transitar entre os papéis de contragolpeador e agressor. O problema é quem estará do outro lado do ringue. Antecipar a movimentação de Lomachenko deve ser a coisa mais desesperadora no boxe atual.

Isto posto, espere por Lomachenko sentir o ritmo e a potência de Linares no primeiro assalto. Ele não precisa de mais que isso para estabelecer seu padrão de ataque. A partir do segundo round, a vantagem de Lomachenko tende a aumentar paulatinamente até que ele consiga a interrupção pelo nono ou décimo assalto.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.