Alerta de Boxe: Prévia de Gennady Golovkin vs. Daniel Jacobs

Dois dos três melhores boxeadores do mundo peso por peso estarão em ação no encerramento do super sábado de lutas. No duelo principal, Gennady Golovkin defende os cinturões do peso médio contra Daniel Jacobs.

O sensacional sábado de lutas será encerrado com dois dos três melhores pugilistas da atualidade, peso por peso. O Madison Square Garden, meca do boxe mundial, será palco de um evento capitaneado pela unificação do cinturão do peso médio entre Gennady Golovkin e Daniel Jacobs. De quebra, Román González, número um do mundo entre todas as categorias pela Ring Magazine, volta ao ringue após uma tragédia pessoal para encarar Srisaket Sor Rungvisai.

Sujeito mais temido do boxe atual, número dois no peso por peso da Ring Magazine, Golovkin (36-0, 33 KO) coleciona cinturões mundiais. Estão na casa de GGG as coroas da WBA (supercampeão), WBC e IBF. Das principais organizações, apenas a WBO tem um campeão diferente do demolidor cazaque. Desde 2010, quando abocanhou o cinturão da WBA, já são 17 defesas, todas por nocaute, um reinado menor apenas que o de Bernard Hopkins na história do peso médio. Falando em nocaute, o Triplo G tem 23 consecutivos, a maior sequência dentre todos os campeões mundiais no momento. Ele jamais disputou 12 assaltos completos na vida.

Todos querem ver Golovkin contra Canelo Álvarez. Enquanto o blockbuster não acontece, o cazaque não se furta a enfrentar os melhores possíveis. Se ele é o número um no peso médio, o adversário de sábado é o segundo. Jacobs (32-1, 29 KO), também campeão mundial da WBA (cinturão regular), é outra máquina de nocautear. Desde que perdeu a disputa do título da WBO para Dmitry Pirog, em 2010, Jacobs deitou todos os 12 oponentes que dividiram o ringue com ele e nenhum passou do sétimo assalto. Neste intervalo, Jacobs venceu um oponente muito mais duro que GGG ou qualquer outro pugilista.

Em 2011, Jacobs sentia fortes dores que o impediam de ficar em pé ou andar. Em maio daquele ano, um mês depois da morte de sua avó, Daniel foi diagnosticado com osteossarcoma, um raro câncer que ataca os ossos. O tumor estava envolto em sua coluna vertebral, danificando os nervos e causando paralisia nas pernas. A previsão inicial era sombria: dificilmente ele voltaria a andar, imagine lutar. Pois os médicos foram certeiros nas duas cirurgias feitas em três dias e Jacobs venceu a mais cruel batalha de sua vida. Por causa disso, ele ganhou o merecido apelido de “Miracle Man”. Entre o diagnóstico e a recuperação – Jacobs teve que reaprender a andar – foram 19 meses longe dos ringues. Desde então, ele venceu as 10 lutas que disputou e conquistou o cinturão da WBA em 2014.

Esta luta não é especial apenas por representar o maior momento da carreira de Jacobs. O americano é um pegador nato, mas mais talentoso que David Lemieux, por exemplo, o último power puncher que Golovkin enfrentou. Jacobs tem punhos rápidos e os usa mais bem distribuidamente que GGG. No último combate, Golovkin deu a impressão de ter menosprezado o poder de Kell Brook, algo que ele não poderá repetir de modo algum neste sábado.

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Por ser uma força da natureza que destrói tudo aquilo que encosta e por ter um queixo dos infernos, Golovkin se acostumou a avançar por cima dos golpes dos oponentes para pegá-lo com algo ainda mais forte. Esta atitude acaba gerando momentos perigosos, quando o cazaque acaba engolindo alguns socos potentes, o que ele próprio chamou de “drama show”. Se GGG adotar o drama show contra Jacobs, a zebra pode sair do Madison Square Garden galopando triunfante. Dono de um alcance cerca de oito centímetros maior, Daniel pode ser o primeiro a atingir o alvo numa troca simultânea e tem potência para testar queixos.

Jacobs provavelmente dará trabalho nos rounds iniciais com movimentação constante, jogo de pernas fluido e ataques rápidos e potentes, evitando deixar que Golovkin sinta-se à vontade no ringue, como uma versão mais poderosa de Kell Brook. Podemos esperar uma luta equilibrada por uns quatro ou cinco rounds. Porém, se Jacobs é um grande lutador e o mais duro teste da carreira de Golovkin, o cazaque já mostrou ser um tipo de boxeador especial. A expectativa é que as pancadas de GGG vão paulatinamente quebrando o ritmo do americano – principalmente os ganchos na linha de cintura – até que uma bomba definitiva coloque fim no combate lá pelo nono ou décimo assalto.