A farra do peso

Por Alexandre Matos | 31/10/2009 19:00

Cortar peso para bater o limite de uma categoria é algo corriqueiro nos esportes de combate e no MMA não é diferente. Normalmente lutadores ostentam peso natural da categoria de cima, mas com trabalho de preparação física, fisiologia e nutrição específicos, baixam para o limite da divisão na qual o acordo foi assinado para lutar. Sendo assim, é normal lutadores baixarem e subirem de categoria. Um exemplo é Diego Sanchez, que começou como peso médio e será o próximo adversário de BJ Penn pelo cinturão dos leves (duas categorias abaixo).

UFC 104 Anthony Johnson não bateu o peso e foi multado

Este sobe-e-desce de peso por vezes é exagerado e acaba trazendo complicações para a saúde do lutador. Por este prisma, não temos como esquecer o bizarro caso do americano Anthony Johnson, que lutou (ou deveria lutar) como meio-médio no UFC 104. No início da preparação para o combate Rumble pesava inacreditáveis 100kg, 23 acima do limite máximo permitido pela categoria, que é de 77kg. Como era de se esperar, Johnson não conseguiu cortar todo o excesso, apresentou-se na pesagem com 80kg e teve que convencer seu adversário a lutar em categoria intermediária. Isso custou ao americano um corte em sua bolsa, além da negação ao bônus de Nocaute da Noite.

Dr. Johnny Benjamin, colunista médico do site MMAjunkie e especialista em esportes de combate, deu algumas recomendações aos lutadores que precisam cortar peso para competir o façam saudavelmente, sem riscos futuros para a saúde. Prestem atenção ao que ele diz e pensem quantos lutadores se encaixam neste perfil de conduta.

  • Os acordos (contratos) devem ser assinados pelo menos 45 dias antes da data marcada para o evento.
  • Nenhum lutador deveria assinar um contrato pesando mais que 10% acima do limite da categoria acordada. Por exemplo, numa luta de meio-médios, em que o limite é de 171lbs/77,5kg (contando a margem de tolerância), cada lutador poderia pesar não mais que 188lbs/85,2kg para assinar o contrato.
  • Trinta dias antes da luta, nenhum lutador poderia pesar mais de 5% acima do limite da categoria acordada. No exemplo acima, o lutador deveria entrar no mês final de preparação com, no máximo, 180lbs/81,6kg.
  • No dia oficial da pesagem, se um lutador estivesse com mais de 1% acima do limite, a luta não poderia ocorrer. Uma vez que o promotor é o empregador, ele seria multado pelo órgão sancionador (Comissão Atlética, Confederação, etc.).
  • No dia oficial da pesagem, se um lutador estiver com menos de 1% acima do limite, poderia ser dado a ele(a) tempo adicional para perder o excesso e bater o peso. Se na segunda pesagem o lutador continuasse acima do peso, uma penalidade financeira poderia ser atribuída e paga ao adversário que bateu o peso.
  • Se, durante a disputa de um cinturão, o campeão se apresentar para a pesagem oficial acima de 1% do limite da categoria, a luta não seria realizada e o desafiante passaria a ostentar o cinturão como campeão interino.
  • Se, durante a disputa de um cinturão, o campeão se apresentar com menos de 1% de sobrepeso e não conseguir bater o peso na segunda oportunidade, a luta poderia ocorrer. Se o campeão vencer, o título ficaria vago. Se o desafiante vencer, ele assume o título.
  • Todas as datas de pesagem (dia de assinatura do contrato e verificação de 30 dias antes da luta) deveriam ser monitoradas por vídeo e gravado. Cada equipe veria a outra calibrar a escala e fazer a pesagem ao vivo. O órgão sancionador monitoraria estas pesagens intermediárias também.

Como o próprio Dr. Benjamin disse, não são sugestões fáceis nem rápidas de implementar, principalmente pelas diferenças entre os regulamentos dos diversos órgãos sancionadores, mas acho que são válidas para preservação da saúde dos atletas. E eu ainda acrescentaria mais uma: a pesagem oficial deveria ser realizada no dia da luta, para evitar as bizarrices de lutadores que chegam a recuperar 10kg de um dia para o outro. Acho que seria mais justo e equilibrado.