A encruzilhada de um legado

A encruzilhada de um legado
MMA

As duas derrotas de Ronda Rousey foram traumáticas e geraram comentários pedindo a sua aposentadoria. Será que essa é a única alternativa para a ex-campeã do UFC?

Em 48 segundos, o triunfal retorno de Ronda Rousey se desmantela pelos punhos da brasileira Amanda Nunes num filme de terror e drama cuja trilha sonora foi composta por gritos desesperados de seu treinador ao lado do octógono. A mulher indestrutível com um reinado à frente do MMA feminino que parecia ser eterno, sucumbindo como uma criança assustada, sem nem esboçar reação. Como chegamos até aqui?

Falar do legado dessa mulher é fácil, todos puderam ver o domínio na maior organização do mundo por quase três anos. Os atentos acompanharam ainda mais cedo, lá em 2011, um furacão chegando no finado Strikeforce, vindo de três vitórias no esporte amador que, assim como os quatro primeiros triunfos no profissionalismo, não viram a casa do minuto sair do 00 no relógio. Não que Rousey tenha vindo do nada esportivo. Judoca de alto gabarito, foi bronze nas Olimpíadas de 2008, prata no Mundial e ouro nos Jogos Pan-Americanos em 2007, feitos já consideravelmente notáveis no âmbito das artes marciais. Isso sem mencionar a revolução comercial pela qual foi responsável, que fica para outra coluna.

Após todo domínio e obliteração causado pela sequência de DOZE vitórias por interrupção, das quais apenas UMA viu o segundo round, dois cinturões conquistados e de ser lançada ao status de estrela esportiva mundial, a menina outrora invencível é implacavelmente nocauteada duas vezes seguidas, gerando pedidos de aposentadoria por parte de críticos e fãs, inclusive preocupados com sua saúde mental, uma vez que já declarou sofrer de crises depressivas, além de ser filha de um pai vítima de suicídio.

Para onde vai Ronda Rousey? E mais: para onde poderia ir a maior campeã feminina de todos os tempos? Coloquemo-nos no lugar da americana, dentro de sua cabeça, num exercício de reflexão pessoal, e não numa vontade de fã, para tentarmos prever.

A opção mais lógica seria assumir a conclusão de seu legado. Todo grande campeão, em qualquer esporte, passa por isso. Para usarmos dois exemplos no próprio MMA, tivemos Fedor Emelianenko dominando o cenário global dos pesos pesados por 10 anos até sofrer três derrotas acachapantes no Strikeforce e ser destronado; ou que tal Anderson Silva, dono do maior reinado da história do UFC, destruindo tudo e todos até ser violentado duas vezes seguidas pelo ascendente Chris Weidman e cair para o já veterano Michael Bisping? É a passagem de trono clássica do esporte, que não se limita ao mundo das lutas apenas. Aparecem novos valores, novas táticas, novas técnicas, que derrubam um domínio, por mais que parecesse intransponível.

Treino Aberto UFC 190 Ronda Rousey

Problema financeiro não deve existir para quem já faturou facilmente mais de 20 milhões de dólares (pelo menos um quarto disso apenas no UFC 207) durante sua brilhante carreira. Futuro profissional também não. Ronda Rousey é uma celebridade estadunidense, um nome conhecido de jovens a donas de casa. Pode não ser uma grande estrela do cinema, como alguns dizem, mas já participou de quatro filmes, seriados de televisão, lutas dramatizadas (WWE), além de ter mais dois longas já engatilhados para o futuro: 22 Mile e o reboot do filme Matador de Aluguel, estrelado em 1989 por Patrick Swayze, no qual inclusive será a personagem principal. Ou seja, oportunidades ainda continuam aparecendo no mercado do entretenimento.

E se um dia essas oportunidades se esgotarem, que tal abrir sua própria academia na Califórnia? Seria um sucesso garantido, fazendo o que gosta e, como sua mãe apontou, sem levar soco na cara. Mas e a cabeça de atleta? De quem treina judô desde os 11 anos de idade e há quase 20 só sabe o que é treinar, lutar, treinar, lutar, treinar, lutar? Será que ela não sentirá falta da emoção? Da adrenalina? BJ Penn está aí para servir de exemplo.

Isso nos leva à segunda opção, a renovação e ressurgimento. Por que não alçar um novo voo? Em fevereiro, serão 30 anos completados, uma idade ainda bastante competitiva, que não a impediria de lutar por mais alguns anos – até porque o jogo da ex-campeã não é baseado em velocidade e movimentação, mas sim no encurtamento, na força física e na luta agarrada. Uma troca de academia principal para trabalhar com um grande treinador, um retorno do apoio de sua mãe para ajudar com a parte psicológica, um aprimoramento na defesa de golpes retos. Um retorno no segundo semestre de 2017 contra um adversária de meio de tabela, uma vitória para restabelecer a confiança e a chance de disputar o título para uma última volta, em 2018. Ou que tal uma última luta com Miesha Tate?

Claramente Ronda, outrora um enigma indecifrável, parece um livro aberto de previsibilidade dentro do octógono. A incapacidade técnica de seu péssimo treinador Edmond Tarverdyan impede adaptações em sua abordagem de luta de uma maneira que possibilite que ela volte a por em prática o jogo agarrado mais mortal já visto no MMA, pelo menos nos últimos tempos. Mas, sim, é possível uma reviravolta mesmo diante de tal quadro, como bem diagnosticou o lendário treinador de boxe Freddie Roach após o UFC 207:

“Ela (Rousey) não faz muito bem a parte em pé e todo mundo agora tem seu número (expressão em inglês que significa que todos conhecem seus pontos fracos). A questão é, quando você é surrado daquele jeito, às vezes você consegue voltar, às vezes não consegue. Depende da pessoa.

E aqui não se trata em fazer uma alta renovação técnica aos 30 anos de idade, mas sim uma adequação sistemática de sua abordagem. Imaginem Rousey sendo auxiliada por grandes estrategistas do MMA mundial, como Greg Jackson, Firas Zahabi, Matt Hume, entre outros. A americana aparentemente não teria dificuldade em apresentar novamente forma física invejável, necessária para a sua proposta de luta. Uma aproximação menos ortodoxa, um jogo de pernas mais fluido, uma guarda para golpes retos efetiva. Alguém duvida que essa soma não a impulsione de volta ao trono?

Não sabemos se é sonhar muito. Será já passou o tempo da judoca e é melhor ela se resignar com isso? Difícil concluir. Mas eu gostaria de ver um ressurgimento para um último voo de Rousey, para que a última imagem da maior campeã da história do MMA não seja um espancamento inerte de uma lutadora assustada, seguido de uma saída rápida e silenciosa do octógono que a consagrou.

No entanto, se quiser parar, já somos todos gratos, Ronda. Coloque um sorriso no rosto.

  • Franklin Stein

    Excelente texto Bruno! Só agora li que sua primeira memória no MMA é do Cro Cop correndo do Bob Sapp ahahahah. A própria Ronda já declarou que planeja sua vida em ciclos e antes mesmo de perder o cinturão pra Holm, ela já falava que esse ciclo do MMA estava acabando. Provavelmente ela esperava terminar invicta mas o fato dela ter retornado após perder a cinta para a luta contra a Amanda e de não ter falado nada sobre um ponto final até agora, eu acho que ainda veremos a Ronda mais algumas vezes. Ela pode ter colocado esse novo ciclo na cabeça, buscar novamente o cinturão ou pelo menos buscar algumas revanches (Holm?) Enfim, já faz parte do Panteão do MMA e espero que ela consiga entender que todas as vitórias que ela conseguiu na vida foram muito maiores do que essas duas derrotas dentro do octógono.

    • Bruno Fares

      Valeu Stein! Baita memória né?

  • Gabriel Carvalho II

    Tivemos o encerramento de duas eras: a Era Rousey no peso galo feminino e a Era Sader de vampetagem.

    O texto ficou muito bom, assino embaixo!

    • Bruno Fares

      Agora vai!

  • Lucas Natan

    Porra, que texto massa! Belo retorno, cara…

    Acho que seria muito bonito ver a Ronda lutar mais uma(s) vez(es). Ia ser triste que a última imagem dela no octógono fosse a de sábado, como se fosse uma versão piorada de Zidane deixando os gramados com a taça da Copa do lado. Grandes nomes merecem mais que isso e a Ronda tem talento pra dar a volta por cima.

    Infelizmente, o cenário em que ela esteja muito abalada psicologicamente, onde não conseguiria se afastar do seu “técnico” e fazer o necessário pra ao menos deixar uma última impressão que não seja essa horrível que ficou, parece mais provável.

    De qualquer forma, o legado ficou e é gigante. Que ela faça o que achar melhor…

    obs.: Será que, na história do MMA de nível médio/bom/elite, existe uma sequência de finalizações e nocautes tão grande como as da Ronda? 12 é MUITA coisa. Puxei aqui na cabeça grandes finalizadores de luta e o máximo que achei foi 9.

    • Bruno Fares

      Valeu Natan!

      Ai é com a memoria de Alexandre Matos!

    • Acho que não teve. É difícil achar alguém com 12 vitórias seguidas no alto nível, imagine todas em finalizações. Royce teve 11 e é o recorde do UFC.

  • Gabriel Fareli

    Muito bom texto, Brunão !

    E bela reflexão que você propôs também ? Porque não a Ronda tentar de novo ? Se ela quiser continuar, ainda deve ter por baixo mais uns 5 anos de luta em alto nível. Espero que ela tenha maturidade e psicologico suficiente pra ver que com o Edmond as coisas nao vao evoluir.
    Sou um dos que imediatamente após a luta, passou a achar que ela deva se aposentar, lendo esse texto até mudei um pouco de ideia, mas se for pra ela voltar que seja com um treinador novo, taticas novas e tudo mais.
    Tentar lutar de novo, do jeito que ela está, acho melhor ela ir fazer filme mesmo.

    • Bruno Fares

      Valeu Gabriel! É bem por ai mesmo, concordo exatamente com o que você falou.

  • Marcio Rodrigues

    Eu voto pela aposentadoria. Seria um fim de carreira melancolico e até injusto pela importancia dela no esporte, mas acho inevitável.
    Ronda se mostrou sempre arrogante (não convivo com ela, então me baseio pelo que ela passa na mídia). Ao mesmo tempo, mostrou uma trocação de quem treina mma a poucas semanas. Sendo assim, não consigo imaginar a grande Ronda Rousey, descendo do seu trono de melhor peso galo da história, para ter aulas de iniciante com algum outro treinador. Acho, que foi até por essa arrogancia que continuou com o Tarverdian. Com ele, ela era estrela; com outro seria tratada como uma atleta cheia de falhas (algo que ela não parece aceitar muito bem).
    A auto-imagem de diva, não a deixará buscar novos treinamentos. Se continuar onde está, será humilhada mais vezes. Então pra mim é mais um beco sem saída que uma encruzilhada.

    • Bruno Fares

      Eu acho que ela é mais COMPETITIVA que ARROGANTE Marcio.

      Treinou a vida toda, esporte individual de luta, mãe super exigente. É normal que exista na cabeça dela uma auto-cobrança enorme de “vencer ou ser um lixo”.

      Mas concordo que sair do treino com o Edmond, seria deixar de ter muitos privilégios, e isso não deve ser fácil para quem já foi a rainha do esporte, né?

      abs!

      • Marcio Rodrigues

        Sem dúvida ela é mais competitiva que a média, mas acho que isso não a impediria de reconhecer seus defeitos e procurar corrigi-los. Pelo contrário, a gana de vencer a impulsionaria a isso.
        Pra mim, o que mais atrapalha sua evoluçao é que ela se acha boa demais pra admitir que tem falhas.

    • Olha, ela tem nada de arrogante. Estive por perto em duas situações e ela é um amor de pessoa. E todos que eu conheço e estiveram mais próximos confirmam.

  • IMPERADOR

    Ótimo texto, Bruno!
    Penso que tudo vai depender de como o psicológico dela esta e vai reagir e evoluir com o passar dos meses. Se a verve de lutadora vai continuar falando mais alto, como bem indica o texto. Se ela continuara a ter vontade de correr riscos e se expor no mundo da luta.
    Essa derrota pode servir para, alem de uma constatação de que o jogo dela precisa de revisão urgente, que ela se veja como um ser normal e plante seus pés no chão. Alguém que ganha, perde e pode ganhar outra vez por ser uma atleta brilhante.
    Questionamentos: para alem das questões ditas, será que ela aceitaria interagir com outros treinadores? Será que entraria em outra academia? Viraria soldado? Será que ela sairia de um ambiente ja conhecido e moldado as suas excepcionalidades, de estrela do esporte, para um ambiente maior, competitivo e que exigisse dela humildade e vontade de aprender e reciclar seus conhecimentos, com risco de tomar alguns sacodes de colegas de treino?
    Ficam as questões.
    Um abraço!

    • Bruno Fares

      Obrigado cara!

      Concordo com você, o psicológico é o mais importante.
      Seus questionamentos são válidos e acho que diante desse quadro, não apostaria numa ida dela para uma nova academia agora. Infelizmente.

      abraço!

      • IMPERADOR

        Por nada, Bruno!
        Que pena, hein? Ja pensou que super lutadora não sairia de um camp multidisciplinar e bem feito?
        Com a compleição fisca e um background de atleta olímpica, seria difícil encarar essa moca…

    • Só ela pode responder suas perguntas, mas acho todas possíveis de acontecer.

  • Rafael Maia

    A Ronda não sabe lutar em pé. Isto é fato. Tem alguns vídeos muito engraçados dela fazendo sombra de boxe que demonstram isso!

    Vejo as derrotas dela como uma evolução natural do MMA feminino, assim como houve no masculino – atletas unidimensionais não conseguem ficar no topo mais. Claro que a Ronda ainda venceria a maior parte da divisão, mas não dá pra ficar no topo.

    Se a Ronda conseguir mudar esta realidade, como meu xará RDA fez, uma volta dela seria um acontecimento para ser recontado em cinemas.
    Caso ela não consiga se desenvolver na luta em pé – e eu acho esse cenário mais provável – torço por sua aposentadoria.

    • Bruno Fares

      Fala Rafael!
      Cuidado para não ficar com as ultimas impressões apenas na hora da análise.

      A Ronda sabe alguma coisa de pé sim, tanto que nocauteou a Beth no Rio, a Alexis Davis em 16 segundos e a Sara McMann com uma joelhada no clinch.

      Mas ela não é grande coisa mesmo, principalmente na parte DEFENSIVA. Mas como eu disse, a última luta não serve para análise técnica nenhuma.

      No mais, concordo com você, acho que ela não vai querer se reinventar agora, e que o fim de seu reinado faz parte da evolução do esporte.

      abs!

      • Ela pode seguir o rumo do Demian.

      • Rafael Maia

        Há controvérsia… acho que ela tem potência sim, mas, mesmo nos nocautes, ela foi completamente estabanada – sem noção de distância, de jogo de pernas, de combinação de golpes…

    • Dá uma olhada no combo que derrubou a Alex Davis e nos nocautes sobre a Sara McMann e a Bethe Correia. O que vemos: ofensivamente ela não é nula mesmo, mas defensivamente é.

      A solução da Ronda está mais pro caso do Demian Maia (amplificar suas potencialidades) do que pro do Rafael dos Anjos (evoluir em pontos fracos).

  • il Quasímodo

    1) Ninguém, a não ser a própria pessoa, pode dizer se é ou não chegada a hora de se aposentar. Ponto.

    2) O mais irônico de tudo isso é que se a Ronda sobrevivesse à blitz da Holm, encaixasse um arm-lock e se aposentasse em seguida ninguém perceberia suas deficiências na troca de mão e o Tarvedyan, hoje hostilizado por todos, estaria sentado à direita de Deu… digo, de Rafael Cordeiro no panteão dos super treinadores.
    Mas aconteceu o que aconteceu e, de repente, os engenheiros-de-obra-pronta vieram à público com o típico “eu já sabia!” para jogar pedras e definir o futuro da Ronda como se dela fossem os empresários ou melhores amigos. Tsc, tsc, tsc…

    3) Lendo alguns comentários aqui e em outros sites (inclusive gringos!) tem-se a impressão que a única salvação é que a Ronda aprenda a trocar mão como a Laila Ali. Isso, além de ser impossível, não adiantaria de muita coisa, pois a Ronda luta MMA e não Boxe. O que é claro e notório é que ela deveria, a la Demian, virar uma lutadora de MMA especialista em jogo de chão, pois hoje não passa de uma judoca que – tenta – lutar MMA. O Demian durante muito tempo foi um competidor de jiu-jitsu que lutava pelo UFC. Até ele entender como poderia lutar MMA usando seu jiu-jitsu monstruoso, demorou algum tempo… alguém aí lembra do Demian Boxeador? Tomou cada cacete que dava dó.

    4) Muito se falou que o Cordeiro ou o Greg Jackson dariam jeito na trocação dela, mas como o Alexandre pertinentemente comentou, a Gabi Garcia treina na King’s MMA e consegue ter um boxe mais “ridículo” que o da Ronda.
    Penso – e agora é meu momento de dar conselhos que não valem droga nenhuma – que ela deveria treinar MMA com um equipe grande e com alguém que tivesse cacife para repreendê-la quando ela estiver fazendo algo de errado, pois ficar rodeado de bajuladores só funciona quando você é invicto e está no topo do mundo.

    Em tempo: Excelente texto, Brunão! Quando você volta a ancorar o podcast?

    • Bruno Fares

      Valeu Quasí! Volto junto com a Central3, daqui duas semanas no estúdio. Quanto aos comentários:

      1) Concordo.
      2) Concordo, com um adendo que o MMA Brasil sempre apontou o jogo de trocação da Ronda como frágil.
      3) Pessoal é imediatista e esquece que ela tem três nocautes na carreira.
      4) Treinador não faz milagre mesmo.
      Penso – concordo!

    • 1) vdd

      2) O striking ofensivo da Ronda funcionou algumas vezes (Davis, Correia, McMann). O defensivo funcionou nunca, até mesmo nessas vitórias (Correia, McMann).

      3) Concordo.

      4) Esse item foi o que o GSP fez depois de perder pro Matt Serra. Acho fundamental.

    • Ricardo Sedano

      Comentário tão pertinente quanto o texto.

      1) Concordo. Mas não pode se fechar a ouvir pessoas que estão preocupadas com você…

      2) Vi algumas pessoas falando isso, mas também vi muita gente sempre criticando a defesa dela, que sempre foi muito baseada na absorção, como na luta contra a Beth. Inclusive mais ou menos dessa época vejo gente criticando o Edmond…

      3) Concordo. Ela tem que saber trocar o suficiente para se aproximar do adversário e fazer o que ela sabe.

      4) Concordo 100% com o que você falou no seu conselho, porém discordo da parte de comprar ela com a Gabi. A Gabi treina para lutar em lutas freak, dificilmente terá uma adversária do porte dela e tudo mais… Não sei se ela tem motivação grande o suficiente para treinar no limite para melhorar pois ela não precisa. A ronda – se quiser se desenvolver – tem por que treinar nesse nível. Sem contar que a Ronda tem a disciplina e obsessão de uma atleta de nível olimpico.

      • il Quasímodo

        Entendi o seu contraponto com relação à Gabi e a minha comparação se deu para alertar que treinadores, por melhores que sejam, não fazem milagres, afinal é o atleta que entra no cage para trocar porradas com o adversário.
        Eu, sinceramente, acho que a Gabi sim se dedica aos treinos. Embora não queria dizer muita coisa, mas se você acompanhar as redes sociais dela, ela sempre tá na academia e em forma.
        Quanto ao nível de adversárias dela não há muito o que se fazer. Ela pesa 100kg e tem quase 1.90m de altura. Não há Mike Dolce na terra que a faça bater 66kg para lutar no UFC ou em outro evento mais sério que o Rizin. Na boa, acho que nem cortando uma perna!
        Ela infelizmente está em uma espécie de “limbo genético” – não há categoria feminina com adversárias de nível em nenhum evento do mundo. Ou ela para de lutar (coisa que apenas a Gabi e a conta bancária dela podem decidir) ou segue lutando contra donas-de-casa para se manter ativa e ganhar uma grana. Eu não vejo o Rizin nem que me paguem, mas se há público e a mulher precisa trabalhar e não tem outra lugar para lutar… que mal há nisso?

  • Roberto Edificações

    Sem mais, ótimo texto

    • Bruno Fares

      Obrigado Roberto!

  • Rafael Alves

    Ronda treinou pra se tornar atleta olímpica, acho que até instintivamente ela raciocine em ciclos. Acho que, pra ela voltar, a abordagem não pode ser:
    “Vamos fazer uma luta em nome de um legado” o ciclo se fechou. A abordagem talvez devesse ser:
    Vamos retomar o treino, fortalecer a defesa e abordagem, recomecar pra parar em xx tempo.

    • Bruno Fares

      Interessante essa análise. Bate com algumas declarações dela.

    • Pode ser mesmo.

  • James sousa

    ae Sader Voltou , se a Ronda quiser volta a primeira coisa que ela tem que pensar em fazer e sair de perto da mãe do treinador e desse namorado dela que já ficou claro que não estão fazendo bem pra ela de preferencia que vá para uma academia fora da califórnia

    • Bruno Fares

      Pra resumir, mudar tudo né James

    • Sobre a mãe dela, é uma questão bem delicada pra gente, de fora, palpitar. Ir pra longe do Tarverdyan é fundamental. Sair da Califórnia seria bom pra tirar da zona de conforto.

  • Alex Silva

    muito bom o texto e as possibilidades q sugere para a carreira da Ronda, será q a Miesha voltaria da aposentadoria pra fazer a trilogia? eu gostaria de ver essa luta.