10 Anos Sem PRIDE: As 10 maiores rivalidades da história do PRIDE

10 Anos Sem PRIDE: As 10 maiores rivalidades da história do PRIDE
MMA

Rivalidades são importantes para popularizar lutadores, organizações e o próprio esporte. O PRIDE FC foi pródigo em criar e alimentar rixas que fizeram a alegria dos fãs na década passada.

Um dos motivos que transformam um lutador em sucesso comercial é o carisma, para o lado do “mocinho” ou do “vilão”. O outro motivo é o envolvimento em algum tipo de rivalidade. A WWE e outras organizações de telecatch calcam seus enredos em torno das rivalidades criadas (as feuds). O PRIDE FC foi pródigo em criar e alimentar rivalidades, o que catapultou a fama da organização e de suas principais estrelas, especialmente porque as rixas não eram jogadas de marketing.

O especial 10 Anos Sem PRIDE relembra agora 10 das principais rivalidades criadas e/ou alimentadas durante a década de vigência da saudosa organização japonesa. Nem todas possuem tempero de ódio, algumas são meramente rivalidades esportivas. E a lista não obedece uma ordem específica, além de um encadeamento de fatos. Ela tampouco objetiva ser uma lista definitiva, ou seja, nossos leitores estão convidados a complementá-la na caixinha de comentários.

Fedor Emelianenko vs. Rodrigo Minotauro

Num misto de herança do boxe e dos primórdios do próprio vale tudo, a divisão dos pesados foi considerada por muito tempo como a mais nobre também no MMA. Na década passada, o ringue do PRIDE abrigou a disputa para ver quem era o número um do mundo confrontando Fedor Emelianenko e Rodrigo Minotauro.

Oriundo do RINGS, Minotauro chegou primeiro no PRIDE, logo alcançando status de estrela e mostrando ao mundo sua faceta inquebrável. Ele conquistou o cinturão inaugural dos pesados e bateu nomes como Mark Coleman e Dan Henderson, além de ter sobrevivido a uma série de bate-estacas brutais do gigantesco Bob Sapp. Pupilo de um ex-adversário de Minotauro, Fedor seguiu os passos do brasileiro, do RINGS para o PRIDE e para a disputa do cinturão, que aconteceu no PRIDE 25, em março de 2003.

Azarão por larga margem, Emelianenko balançou Minotauro e fez o campeão puxar para a guarda. A decisão não rendeu os frutos esperados. Fedor defendeu as tentativas de finalização sem maiores problemas e bombardeou o brasileiro no ground and pound, tomando o cinturão na decisão dos juízes.

Os caminhos de Fedor e Minotauro voltariam fatalmente a se cruzar quando eles mostraram ser os melhores do mundo – Emelianenko bateu Coleman e Kevin Randleman, enquanto Minotauro aplicou virada sensacional sobre o ascendente Mirko Cro Cop – na final do GP dos pesados de 2004. A esperada revanche então aconteceu no PRIDE Final Conflict 2004, em agosto. Nogueira usou uma guarda mais fechada para minimizar o ground and pound de Emelianenko e conseguiu manter o combate equilibrado até uma cabeçada acidental abrir um rombo no rosto do russo e transformar a luta em no contest.

O duelo foi reagendado para o PRIDE Shockwave 2004, no último dia do ano. Fedor adotou uma estratégia que anulou as virtudes de Minotauro. Mais rápido e mais forte, Emelianenko dominou o boxe, mandou o desafiante à lona e usou uma sólida defesa de quedas para impedir que Minotauro caísse por cima e que ainda abrisse oportunidades para ele próprio derrubar o brasileiro. Sem conseguir igualar o duelo na capacidade atlética, Minotauro teve dificuldades até para puxar para a guarda. Como o brasileiro era “inocauteável” e “infinalizável”, Fedor venceu numa larga decisão unânime, manteve o cinturão (que ele nunca perdeu), conquistou o título do GP e mostrou que a divisão dos pesados tinha um rei incontestável.

Wanderlei Silva vs. Quinton “Rampage” Jackson

Você verá o nome de Wanderlei Silva algumas vezes nesta lista. Afinal, ele não ficou conhecido como o Mr. PRIDE à toa. Wand é um mestre em criar rivalidades e alimentá-las não só com discursos aguerridos, mas também com agressividade ímpar dentro do ringue. Sua história com Rampage Jackson provavelmente é a rivalidade mais violenta da história do MMA.

Eles se enfrentaram pela primeira vez na final do GP dos médios (equivalente ao peso meio-pesado nas Regras Unificadas de Conduta do MMA) de 2003, em novembro. Invicto no PRIDE, com oito nocautes em 10 lutas, Wand era o campeão da categoria desde 2001 e Rampage eliminara o representante do UFC Chuck Liddell com um nocaute violento na semifinal. O Cachorro Louco mostrou habilidade no jiu-jítsu, mas sofria socos e joelhadas de Rampage quando o árbitro mandou a luta ficar de pé, sob protestos do americano. Silva não perdeu tempo, pegou o desafiante no thai clinch e moeu seu rosto com uma sequência avassaladora que deve ter alcançado o bizarro número de umas 20 joelhadas. Rampage caiu, levou uns tiros de meta e teve a vida salva pelo árbitro.

A revanche aconteceu um ano depois e acabou de modo ainda mais aterrorizante. Novamente as joelhadas no thai clinch foram decisivas. Wand travou Rampage e foi recuando enquanto cravava o rosto do americano em seus joelhos. Ao se aproximar das cordas, Wanderlei largou Jackson desacordado pendurado nas cordas. A cena é perturbadora.

A trilogia teve seu fim no UFC 92, quando foi a vez de Rampage mandar seu nêmesis para as profundezas da vala. Em muito melhores condições físicas e técnicas, Rampage acertou um violento gancho que fez Wanderlei acordar com a lanterninha do médico no olho.

Kazushi Sakuraba vs. Família Gracie

Esta rivalidade começou há muito tempo, no século passado, e mexeu com o orgulho dos brasileiros. Quando o MMA nasceu, ainda chamado de vale tudo, a família Gracie era considerada uma espécie de sumidade. Até que um japonês chamado Kazushi Sakuraba começou a enfileirá-los, batendo inclusive o Gracie que é considerado o primeiro ídolo da história do MMA.

O primeiro passo da conquista do apelido de “Gracie Hunter” aconteceu no PRIDE 8, em 1999. Sakuraba encarou o recém-coroado tetracampeão mundial de jiu-jítsu e um dos melhores praticantes da história da arte suave, Royler Gracie, e chocou o mundo ao pegar o rival na kimura, mesmo golpe utilizado pelo lendário Masahiko Kimura sobre Helio Gracie, pai de Royler e único japonês a vencer um Gracie até então.

Cheio de moral, Sakuraba desafiou Rickson Gracie, o algoz de seu mestre Nobuhiko Takada. Como não chegou-se a um acordo, a segunda vítima da família número um do MMA foi Royce Gracie, irmão caçula de Royler e Rickson, no histórico torneio sem limite de peso, o PRIDE Openweight GP 2000. A luta, que está no Guinness como a mais longa da história do MMA, acabou aos 90 minutos quando o córner do brasileiro jogou a toalha, dando fim à semifinal do torneio.

Renzo Gracie, primo de Rickson, Royler e Royce, foi o terceiro da família a encarar Sakuraba. O wrestling do japonês rendeu diversas quedas, mas Sakuraba sofreu com o jiu-jítsu defensivo de Renzo. A poucos segundos do fim, Renzo finalmente conseguiu botar o asiático com as costas no chão, mas foi raspado e pego numa kimura. Assim como o tio Helio e o primo Royler, Renzo também não se rendeu. Foi necessária a intervenção do árbitro, que não impediu uma lesão no ombro do brasileiro.

No mesmo card, Ryan Gracie nocauteou Tokimitsu Ishizawa e desafiou Sakuraba para vingar o irmão Renzo. O duelo aconteceu ainda em 2000, no PRIDE 12, mas foi disputado em apenas um assalto de 10 minutos por causa de uma lesão no ombro de Ryan. Sakuraba venceu por decisão.

A primeira derrota do Gracie Hunter para um membro da família aconteceu apenas em 2007, após o fim do PRIDE, no Dynamite!! USA. Royce venceu uma luta disputada em ritmo lento por decisão unânime, resultado contestado pela imprensa especializada na época. Para piorar, Royce foi flagrado pela Comissão Atlética do Estado da Califórnia no antidoping por nandrolona.

Em 2010, aos 41 anos, Sakuraba perdeu para Ralek Gracie no DREAM 14, na primeira das quatro derrotas seguidas que encerraram sua carreira em 2011 – o lendário japonês retornou em 2015 para um combate contra Shinya Aoki no evento inaugural do Rizin FF.

Wanderlei Silva vs. Kazushi Sakuraba

Enfileirar representantes da família real do MMA fez de Sakuraba uma espécie de inimigo dos fãs brasileiros. Alguém precisava defender a honra da nação que criou o esporte. Quem seria o chapolin colorado dessa história? Wand, claro.

Favorito na primeira luta, apesar da desvantagem de peso, Sakuraba conseguiu um knockdown logo no começo, mas não aguentou o ritmo doentio de Wand, que liquidou a fatura com um quedão seguido de uma série de joelhadas e tiros de meta contra a cabeça do adversário caído – doces regras do PRIDE. Isso tudo durou 98 segundos suficientes para Saku sair do ringue com o rosto lavado de sangue.

O bagulho também foi selvagem nas duas vezes seguintes. Meses depois, Sakuraba desafiou o cinturão de Wand, mas acabou derrotado quando quebrou a clavícula numa queda. Na terceira vez, o japonês foi enviado para a mais profunda das valas quando um cruzado de esquerda seguido de um direto de de direita dos infernos produziram um highlight repetido à exaustão até hoje.

Wanderlei Silva vs. Dan Henderson

A trinca de nocautes sobre Sakuraba transformaram Wanderlei em mito. Antes, ele deu as boas-vindas a Dan Henderson, outro sujeito que habita o olimpo do MMA e teve caráter igualmente forjado em batalhas épicas. O encontro de dois dos mais brutais lutadores de todos os tempos rendeu um par de combates históricos.

O PRIDE 12, último evento do século passado, colocou Wand e Hendo frente a frente pela primeira vez. O americano tinha vencido Minotauro na semifinal do torneio do RINGS 10 meses antes. Estrela em ascensão, Wand partiu daquele jeito para cima de Hendo e mandou o oponente à lona. Dan usou o wrestling para cair por cima e despejar um ground and pound furioso. Com um olho fechado, o Cachorro Louco não arrefeceu e venceu por decisão.

Na segunda luta, Hendo entrou para a história. Ele havia conquistado o cinturão dos meios-médios (equivalente ao peso médio ocidental) contra Murilo Bustamante no réveillon de 2005. Em fevereiro de 2007, Henderson desafiou o título de Wand na categoria de cima. Os lutadores voltaram a trocar socos ferozes, Hendo balançou e foi à lona de novo, aplicou queda mais uma vez, deu ombrada, defendeu armlock, mas terminou o combate de maneira épica quando um tiro saiu de seu punho esquerdo e mandou Wand estirado ao chão. Pela primeira e única vez até Conor McGregor, um lutador conquistava dois cinturões simultaneamente em uma organização de grande porte.

Chute Boxe vs. Brazilian Top Team

Se há uma rivalidade que resume o PRIDE é a entre as academias Chute Boxe e Brazilian Top Team. A primeira, de Curitiba, defendia as raízes do muay thai. A segunda, do Rio de Janeiro, protegia os interesses do jiu-jítsu como uma dissidência do time de Carlson Gracie. A própria rivalidade entre o muay thai e o jiu-jítsu serviu de trampolim para a criação do UFC e de tudo o que vivemos para chegar até aqui.

A tensão começou de um modo, digamos, um tanto infantil, quando os promotores do PRIDE convidaram a BTT para uma sessão de treinos abertos junto com Yoshihisa Yamamoto, que seria adversário de Assuério Silva no PRIDE 16. Rudimar Fedrigo, líder dos curitibanos, sentiu sua academia desprestigiada e, de posse de um jornal japonês, acabou pilhando seus pupilos: “Olha lá, esses filhos da puta estão treinando com nosso adversário!”. Com a conhecida postura radical da linha de frente da Chute Boxe, isso não tinha como acabar bem.

A rivalidade explodiu de vez com o duelo entre Zé Mario Sperry, campeão mundial de jiu-jítsu e do ADCC no peso e absoluto, e Murilo Ninja, pupilo de José Pelé Landi, no PRIDE 20, em 2002. As emoções estavam afloradas. Este foi o primeiro confronto entre as equipes no PRIDE. Pelé enxergou a luta como uma oportunidade para mostrar que a Chute Boxe era a melhor academia do mundo e usou palavras de baixo calão, o que acabou irritando Minotauro, que chorou de raiva no córner do derrotado. Após a luta, Zé Mario foi ao vestiário da Chute Boxe para cumprimentar os vencedores e dizer que a rivalidade só fazia parte da luta. Adiantou absolutamente nada.

Os japoneses ficaram maravilhados com aquele clima e tiraram proveito da rixa, marcando o segundo confronto para sete meses depois, quando a BTT deu o troco com a vitória de Ricardo Arona sobre Ninja. O negócio foi ficando tão intenso que os promotores do PRIDE tinham que mandar o pessoal das academias em voos separados, uns via Estados Unidos, outros via Europa, para evitar que as lutas começassem no avião. Conflitos em cafés da manhã no hotel – tiveram que combinar horários diferentes depois de uma baixaria entre os representantes da próxima rivalidade -, ameaças de bastidores, clima tenso o tempo todo. Nem pensar em pegar um elevador ao lado dos inimigos, mesmo se tivesse espaço. Representantes de uma equipe torciam contra os atletas da outra. E o PRIDE capitalizava com aquela situação.

Wanderlei Silva vs. Ricardo Arona

Se há uma rivalidade que resume o confronto BTT x Chute Boxe é a entre Wanderlei e Arona. Eles se enfrentaram em dois momentos essenciais no formidável ano de 2005.

O GP do peso médio (equivalente ao meio-pesado das Regras Unificadas) daquele ano escalou 16 dos melhores lutadores da categoria no mundo. A BTT foi representada por Arona e Rogério Minotouro, enquanto a Chute Boxe mandou Wand, que era o dono do cinturão da categoria e invicto havia cinco anos na divisão, e o jovem Maurício Shogun ao campo de batalha. Esperava-se que a decisão fosse disputada entre atletas das duas academias.

Quatro anos após a confusão no café da manhã, Arona e Wand disputaram uma das semifinais do GP, alimentados ainda pelo confronto de proporções bíblicas entre Rogério e Maurício, na fase anterior. Arona venceu, com direito a falar impropérios para o oponente no soar do gongo, quando estava por cima trabalhando o ground and pound. Porém, a alegria de Arona durou pouco, pois ele foi brutalizado por Shogun na final.

No tradicional evento de revéillon, Wanderlei colocaria o cinturão da categoria em jogo contra o vencedor do GP. Como ele não enfrentaria o amigo Shogun, o PRIDE escalou o vice-campeão como desafiante. O Cachorro Louco então teve a chance de vingar sua derrota para o Tigre – o revés no torneio tinha feito com que o status de campeão de Wand fosse posto em xeque. No PRIDE Shockwave 2005, Wand venceu por decisão dividida, resultado que Arona contesta até hoje.

Chute Boxe vs. Hammer House

Chute Boxe de novo? Wanderlei Silva de novo? Pessoal adorava uma treta mesmo.

A confusão dos curitibanos com os americanos aconteceu quando Shogun enfrentou Mark Coleman, líder da Hammer House, no primeiro combate após a histórica conquista do GP de 2005. No dia 26 de fevereiro, no PRIDE 31, Maurício subiu de categoria – ele pesou um quilo a mais que o oponente – para encarar o ex-campeão do UFC e do GP absoluto do PRIDE.

Logo nos segundos iniciais, Coleman aplicou uma queda. Shogun caiu de mau jeito e acabou quebrando o braço. O árbitro percebeu a lesão e se meteu no meio para interromper o combate. Porém, Coleman não quis parar e empurrou o mediador para seguir socando Shogun. Murilo Ninja e Wand, que estavam no córner de Shogun, pularam no ringue para acudir o lesionado. Coleman sentiu hostilidade no ato e começou a gritar com o irmão de Shogun. Pra quê? A porrada estancou. Parceiro de Coleman, Phil Baroni chegou pisando e dando bica na cara de Wanderlei. Apareceu gente do nada, até organizadores do PRIDE, no meio da baderna. Era corpo voando pra todo lado. Sobrou até para o quase septuagenário pai de Coleman.

Após o combate, nos bastidores, Coleman tentou pedir desculpa para a Chute Boxe, mas Rudimar e seus pupilos não estavam nem um pouco interessados na paz. Wand chegou com o dedo em riste, apontando para Baroni e dizendo: “You kick my face in the ground!” Sobrou até para Rampage quando Wand saiu arrastado gritando “You too! É, you too!”

Obviamente o PRIDE não perderia a oportunidade de capitalizar em cima da baderna e, na luta coprincipal do PRIDE 32, escalou Shogun contra Randleman. O chuteboxer foi brilhante e pegou o também ex-campeão do UFC sem precisar acertar um único soco ou chute, apenas trabalhando o jiu-jítsu.

Não foi só o PRIDE que tirou proveito da briga. No UFC 93, Shogun voltou a enfrentar Coleman, que tinha se tornado já um farrapo de lutador. Num combate lamentável, o brasileiro nocauteou os restos mortais do americano no fim do terceiro assalto.

PRIDE vs. UFC

Não poderíamos lembrar das rivalidades da época do PRIDE sem falar da que o próprio presidente da organização tratou de alimentar pessoalmente. Nobuyuki Sakakibara criou uma rixa com Dana White, presidente do UFC, que mudou a história do MMA para sempre.

Como mostra de força, Sakakibara trouxe alguns campeões da organização americana para lutar sob seus domínios. Foi assim que ícones como Mark Coleman, Oleg Taktarov, Mark Kerr, Marco Ruas, Vitor Belfort e até mesmo Royce Gracie atravessaram o mundo para lutar no PRIDE depois de terem conquistado torneios ou cinturões no UFC. Com o UFC vivendo tempos sombrios de perseguição política, o caminho oposto não era tão interessante.

O cenário que colocava o PRIDE como a principal organização do mundo e o UFC como seu maior rival rendeu um fato que, nos dias de hoje, com o quase monopólio do UFC, tenha se tornado inviável. Para “defender a honra de sua organização”, Dana White enviou uma de suas principais estrelas para atravessar o mundo e lutar no PRIDE. Já há alguns anos, é objeto de cobiça o duelo entre os melhores lutadores de organizações rivais. Porém, isso só acontece se o UFC contratar ou dispensar um dos seus. Crossover, nem pensar.

O poderio do PRIDE chegou ao ápice com a rivalidade que apresentaremos a seguir. Sakakibara tentou inclusive trazer Matt Hughes, então campeão do peso meio-médio no UFC, para disputar um GP no PRIDE. Porém, o mundo do MMA foi surpreendido quando o UFC deu o maior troco que poderia ser aplicado. No fim de março de 2007, os americanos compraram os japoneses e deram fim às atividades do ex-maior do mundo. A pá de cal foi jogada com requintes de crueldade: a coletiva que anunciou a compra do PRIDE pelo UFC teve direito a icônica announcer Lenne Hardt anunciar a entrada de Lorenzo Fertitta ao som da música de abertura do PRIDE, com a frase: “Senhoras e senhores, nós estamos orgulhosos de apresentar o novo dono do PRIDE, Lorrrrrrenzo Fertitta!” Confira logo no começo do vídeo abaixo.

Rampage Jackson vs. Chuck Liddell

Fruto da rivalidade entre o UFC e o PRIDE, os duelos entre Rampage e Chuck Liddell podem ser considerados os principais dessa briga, ainda mais porque o desenrolar dos acontecimentos fez com que o verdadeiro crossover ansiosamente aguardado pelos fãs, entre Liddell e Wand, demorasse demais para acontecer.

Liddell foi enviado para defender o UFC no GP do peso médio (equivalente ao meio-pesado nas Regras Unificadas de Conduta do MMA) que o PRIDE organizou em 2003. A ideia, que deixou os fãs ouriçados, era que a final fosse disputada entre o Iceman e o Cachorro Louco. Wand fez sua parte e chegou à final. Porém, Liddell parou numa batalha brutal contra Rampage, na semifinal. Depois de ser abalado por inúmeros petardos de Rampage, um exausto Liddell foi derrubado e vitimado por um intenso bombardeio que forçou seu técnico a jogar a toalha em desistência. O evento teve Dana White como comentarista da transmissão americana e Liddell entrando com agasalho do UFC. A vitória de Rampage, que foi brutalizado por Wand na decisão, mostrou que os astros do UFC não eram páreo para os do PRIDE.

Rampage, com sua agressividade crua, logo se tornou um lutador popular sob as regras do PRIDE. Porém, ele meteu o pé do Japão antes de o barco afundar de vez e assinou com a World Fighting Alliance. Isso fez com que a fome de comprar organizações rivais levasse o UFC a adquirir também a WFA, apenas para ficar com o contrato de Rampage – de quebra, levou ainda Lyoto Machida. Já no octógono, Rampage e Liddell voltaram a medir forças. Jackson precisou de menos de dois minutos para tomar do rival o cinturão dos meios-pesados do UFC. Este evento, o UFC 71, inclusive marcou o começo de verdade da cobertura extensiva dos veículos de mainstream ao MMA, capitaneados pela ESPN americana.

Menção honrosa: Takanori Gomi vs. Hayato Sakurai

Naquele tempo, a amizade e a união entre companheiros de equipe era algo muito valorizado, a ponto de lutador que procurava treinos em outras academias ser chamado de traidor – ou “creonte”, personagem da mitologia grega que Carlson Gracie adotou pejorativamente. Dentro desse espectro, imagine o que foi a luta entre os ex-parceiros de equipe e amigos Takanori Gomi e Hayato Sakurai.

Os japoneses eram parceiros de equipe nos tempos de Shooto e treinavam juntos na Kiguchi Wrestling Dojo, com Sakurai competindo como meio-médio e Gomi, na época um jovem prospecto, de leve. Em 2005, Sakurai se mandou para os Estados Unidos a fim de treinar com o “Mágico” Matt Hume, que tinha feito Rich Franklin campeão do UFC, na AMC Pankration. O treinador o ajudou a recuperar a carreira na rota de disputar o GP dos leves no PRIDE, torneio que Gomi também estava escalado.

Conforme o torneio evoluiu, Sakurai e Gomi foram despachando oponentes perigosos – o primeiro passou pelo ex-campeão do UFC Jens Pulver e Joachin Hansen, enquanto o mais jovem eliminou Tatsuya Kawajiri e Luiz Azeredo. Com a possibilidade de os ex-companheiros se enfrentarem, Gomi e Sakurai adotaram o silêncio, o que elevou o clima de tensão. No PRIDE Shockwave 2005, o “Fireball Kid” nocauteou “Mach” em quatro minutos e conquistou o cinturão inaugural da categoria.

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  • Leonardo Paz

    olha que texto!!!

    é muito bom ler e rever esses acontecimentos, ver o quanto o esporte evoluiu e tbem relembrar oq marcou.
    um text muito bem escrito e com muita emoção!!
    todas essas rivalidades tinham um cunho emocional que parece ter se acabado com a maior profissionalização dos atletas e do esporte.
    muito bom ler e relembrar do PRIDE.

    parabens a equipe

    • Pra quem só viveu o MMA de 2011 pra cá, deve até estranhar algumas coisas de mais de 10 anos atrás hahaha

      • Leonardo Paz

        Quem assistir vai ver um ritmo de luta diferente, e vale para saber a evolução do esporte!!

  • James sousa

    a rivalidade chute boxe e BTT terminou com o Zé Mario Sperry falando com o piloto do avião e colocando o Murilo Ninja que estava com algum tipo de lesão não lembro qual na primeira classe

  • Gabriel Carvalho II

    – Puta que pariu, que isso? –

    ARONA, Ricardo.

    • Danilo

      Contra o Shogun foi: Porra, que azar mano, que isso?

      • Gabriel Carvalho II

        Tem o épico ”Tomar no cu, Murilo Ninja. Sou guerreiro”

        • Danilo

          “Sou guerreiro, rapá. Tomar no cu, Murilo Ninja… sou guerreiro, porra… vai tomar no cu… vai se foder, porra”

          Arona, grande produtor de quotes desde 1978.

  • Lucas Santana

    “You too! É, you too!”

    Silva, Wanderley.

    • Bruno Fares

      Que quote!

    • felipe

      too too too too. Hahjahahaha

    • Hahahaha

    • Vinicius Martiniano

      O melhor é que as ameaças era proferidas por quem tinha como torna-las realidade.
      #quehomem

  • Bruno Fares

    Que texto! Que matéria! Que evento! Parabens Alexandre!

    PRIDE ETERNO!

  • Juan Macêdo

    Outras grandes rivalidades foram Royce Gracie vs Hidehiko Yoshida e a versão russa de Chute Boxe vs BTT: Red Devils vs Russian Top Team, que culminou com o combate entre Alexandr Emelianenko e Sergei Kharitonov, onde o primeiro venceu por TKO ainda no 1° round.

  • Marley Fortunato da Silva

    Boa tarde Senhores!

    Não tem como não se manifestar após ler um texto como esse!!! É por causa do Pride que existem os fãs hard core, pois somos apaixonados pela peleja!!

    • Sim, o PRIDE formou uma geração de fãs hardcore. E uma de gente que acha que luta é trocar porrada até cair e foda-se tudo hahaha

  • Kadu Rampazzo

    2018: ano do Tigre. Fear the return.

  • felipe

    Excelente texto. Parabéns Alexandre. Sem duvidas Wand é uma figuraça.

  • Rafael Oreiro

    Nunca tinha visto vídeo de backstage da treta da Chute Boxe e da Hammer House. Que época!

    • Juan Macêdo

      Pobre noob.

      • Oreiro entende mais de MMA do que muita gente que viveu a época do PRIDE.

    • Bruno Fares

      Eu também não Oreiro!

  • Danilo

    Tava revendo Rampage vs Wand 1 e 2 e Wand vs Hendo 1. Texto excelente pra relembrar as grandes rivalidades do passado. O PRIDE tem uma aura que não temos mais nos eventos de hoje em dia. É difícil de explicar.

    Esses dias tava vendo esse vídeo onde o Arona fala do conflito no café da manhã:
    https://www.youtube.com/watch?v=SfJBWPpPzMM

    Ele falando dá até pra imaginar a cena.

    • “Treinei pra caralho… ops, treinei muito” hahaha

      “Respeito todos eles, se tiver que lutar com um deles, vai ser profissionalmente, sem levar nada daquilo. Na verdade sempre leva” hahaha

      Aí ele acaba dizendo que não gosta de lutar com quem é educado com ele, que prefere lutar com quem irrita e tal. Aí o papo de profissionalismo cai por terra.

      • Danilo

        É, dava pra ver como era tudo extremamente profissional hahaha nunca levou nada pro pessoal.

        Esse primeiro papo é meio que um lenga lenga que eles tem que soltar, porque muita gente acha feio se eles mandarem a real.
        O segundo papo é que ele sente na real, que é o que muita gente prefere de verdade.

  • Edilson Dos Santos Júnior

    QueTexto maravilhoso, não se acha conteúdo tão bem explicado e detalhado como esses, produzidos pelo MMABrasil, vocês estão de parabéns sou fã do site/Podcast assíduo! Continuem assim!

  • Cássio Rafael Guimarães Nascim

    Excelente texto.

  • Marco antônio

    Que texto maravilhoso! Muito boa essa retrospectiva, confesso que me emocionei lendo.

    Ps1; Leitura obrigatória para aqueles que não viveram a época e não entendem porque o Wanderlei é tão respeitado.

    Ps2; Se o UFC pegar a sua melhor categoria para montar um GP com os 16 melhores lutadores dela, conseguiria colocar tanto cara bom igual o Pride fez em 2005 no GP dos médios ? Pra mim, não! Portanto, MUITO RESPEITO AO SENHOR, MAURICIO “SHOGUM” RUA!

    • Eu acho que esse GP de 2005 é o ponto mais alto da história do MMA até agora, seja por quem eles eram e por quem se tornaram depois daquilo. Eu tô procurando o vídeo com a abertura da primeira rodada, acho que vou ter que editar da minha biblioteca e fazer o upload.

      Uma das ideias dessa homenagem ao PRIDE era exatamente mostrar pro pessoal mais novo os motivos que fizeram alguns decadentes de hoje terem sido idolatrados lá atrás. Teremos inclusive uma matéria dissecando as causas do insucesso de vários no UFC.

  • “Coleman sentiu hostilidade no ato e começou a gritar com o irmão de Shogun. Pra quê? A porrada estancou.”
    Me senti numa roda de amigos ouvindo um deles contando uma história hahahahahahahaha

    Sensacional o texto!

    Eu era moleque na época, mas pude acompanhar algumas lutas através de VTs graças a meu pai. Como só víamos lutas gravadas e depois de muito tempo, infelizmente acabei perdendo algumas histórias dessas ou o surgimento de alguns lutadores como o Shogun.

    Mesmo assim, lembro que eu ficava babando com a agressividade do Wand e a resistência do Minota nas lutas contra Rampage e Sapp, dois ídolos até hoje.

    Quando descobri no camelô perto da escola que tinha um jogo do Pride pra PS2, então, foi um sonho. Pena que o jogo era uma merda hahahahahahha

    • Hahahaha a intenção era fazer vocês se sentirem exatamente assim. Deu certo com pelo menos um :)

      Baita pai moralizador que você tem. Transmita meu abraço pra ele, por favor.

      Eu joguei o PRIDE pro PS1, era nojento hahaha. Mas o joguinho do UFC também era péssimo.

      • Hahahahha pode deixar!

  • Arthur Malaspina

    Esse texto *__*

    Acompanhei o Pride muito pouco, na época eu caçava umas lutas em baixíssima qualidade na internet (que era um MERDA). Lembro que vi Minotauro de Sapp num player Real Media num site que deve ter me rendido uns 20 vírus. Deixei um hora carregando e a qualidade era sofrível. Fiquei absurdamente impressionado com essa luta por muito tempo.

    Parabéns Alexandre. Trabalho de primeira aqui, como sempre.

    Melhor site de MMA do mundo esse, fácil!

  • Bruno carrer

    Faltou a frase do wand qd ganhou do sakuraba ” é disso que a família gracie perde? Ta de sacanagem.” Kkkkkkkkkk

  • Arthur Henrique

    Nasci em 96, o PRIDE é só um ano mais novo que eu :) .
    Por ser muito novo não acompanhei o evento, além disso minha família sempre foi contra lutas e artes marciais. Eu achava muito pesado um tiro de meta, por exemplo.
    Algumas cenas também foram bem chocantes, como aquela do Arona contra o Sakuraba, então me afastaram um pouco. Comecei a ver MMA na Rede Tv, porque era isso ou Zorra Total que passava na minha casa, depois disso foi descobrir o MMA Brasil e a paixão pelo esporte só cresceu. Hoje eu vejo o PRIDE, ainda com uma preocupação pelos traumas dentro do ringue, mas é muito fod# ver o crescimento e a evolução constante do esporte. Heyyyy hahaha

  • Ricardo Sedano

    ‘Que texto… Lembrava de alguma delas, principlamente da BTT Vs Chuteboxe. Lembro um pouco de Wand Vs Rampage que na época eu ficava bolado – no bom sentido – com a brutalidade e disposição dos sujeitos. E também lembro do meu avô e meu padrinho comentando que o Minotouro havia perdido para um tal de Shogum e que “esse cara era bom”.

    Admito que gosto bastante dessas rivalidades quando não são forçadas e quando não chegam a esse nível de nem pegar o elevador. Acho que esse envolvimento emocional é interessante.

  • Ricardo Sedano

    Alias, belissima escolha editorial na linguagem usada. Gostei muito do texto ser super informal.