Por Gabriel Carvalho | 01/04/2017 19:54

“Pain is temporary, but Pride never dies”.

Pra ser sincero, morreu, mas deixou um legado gigantesco na história não só do MMA, mas dos esportes de combate em si. Com 10 anos após o evento final do PRIDE Fighting Championships, o nosso especial em homenagem à organização japonesa relembrará os 10 momentos mais espetaculares acontecidos no lendário ringue branco do PRIDE.

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A lista foi difícil de fazer e provavelmente vários leitores relembrarão de outros momentos, mas acredito que as passagens escolhidas nesta matéria são bem justificadas. E é bom frisar que publicaremos uma lista de lutas inesquecíveis totalmente independente desta aqui. Ou seja, se você achar que esquecemos algo, aguarde pelas lutas históricas para ver se sua passagem estará lá.

Começo de Don Frye vs. Yoshihiro Takayama – PRIDE 21

No dia 23 de junho de 2002 aconteceu o PRIDE 21, que reuniu Anderson Silva e Fedor Emelianenko no mesmo card. Porém, o que ficou para a história mesmo naquela noite foi o épico combate entre os pesados Don Frye e Yoshihiro Takayama.

Conhecido pela carreira no telecatch japonês (chupa, CM Punk!), Takayama já tinha feito dois combates no PRIDE e foi derrotado em ambos. Na sua frente, foi colocado Don Frye, que tinha cartel de 14 vitórias e uma derrota, além de já ter vencido dois torneios do UFC. Sean Shelby provavelmente ficou orgulhoso quando o combate foi casado.

O jogo “Rock ‘Em Sock Em’ Robots” ganhou a sua versão live action nesta luta. Os dois se seguraram no clinch logo no início e protagonizaram uma das trocas de golpes mais insanas da história das artes marciais mistas. Apesar de Yoshihiro conseguir abrir um profundo corte na testa de Frye, a vitória foi para o americano por nocaute técnico ainda no primeiro round.

Bate-estaca de Rampage Jackson em Ricardo Arona – PRIDE Critical Countdown 2004

Em 20 de junho de 2004, as atenções neste evento do PRIDE estavam voltadas ao torneio no peso pesado que contava com Fedor e Rodrigo Minotauro, os dois melhores do mundo na ocasião, mas quem conseguiu as atenções primeiro foi o meio-pesado americano Quinton “Rampage” Jackson.

O adversário foi o brasileiro Ricardo Arona, que vinha em ótimo momento dentro do PRIDE, com vitórias sobre os ex-UFC Dan Henderson e Guy Mezger. Rampage buscava uma revanche contra Wanderlei Silva e precisava apenas de uma vitória para se credenciar ao posto.

Logo no início do combate, Arona levou a luta para o clinch e decidiu puxar para a guarda com o americano por cima. Ricardo não conseguiu trabalhar a posição por muito tempo e o árbitro recolocou os dois de pé, mas o lutador da BTT logo puxou para a guarda novamente, desconhecendo que passaria por um dos momentos mais brutais já vistos no MMA. Numa tentativa de triângulo de Arona, Rampage ergueu o brasileiro e o atirou com toda a força do mundo ao solo, apagando o rival instantaneamente.

Marcus Aurelio apaga Takanori Gomi – PRIDE Bushido 10

O dia era 2 de abril de 2006. Conhecido por ter nomes como Fedor Emelianenko, Wanderlei Silva, Rodrigo Minotauro e Maurício Shogun, o PRIDE decidiu dar uma chance também aos mais leves, criando a divisão peso leve (até 65kg) e logo criou uma estrela: Takanori Gomi.

Após assinar com a organização japonesa em 2004 e emendar sete vitórias consecutivas, Gomi se encheu tanto de moral que anunciou que desafiaria Fedor num torneio na categoria absoluto, sem limite de peso. Antes, o “Fireball Kid” participou do primeiro e único torneio do peso leve promovido pelo PRIDE. Gomi venceu Tatsuya Kawajiri, Luiz Azeredo e Hayato Sakurai para se tornar o primeiro campeão da categoria do PRIDE Fighting Championships.

Na sua primeira luta pós-torneio, Gomi foi marcado contra o brasileiro Marcus Aurélio, que vinha de dois resultados positivos, porém, nada que tivesse chamado muita atenção. Logo nos minutos iniciais de luta, Marcus surpreendeu Takanori e aplicou um belo double leg. O controle posicional de “Maximus” foi surpreendente: ele conseguiu avançar até a meia guarda e encaixou um belo katagatame, que, com um caminhão de pressão, apagou o campeão do PRIDE e quebrou uma incrível sequência de 10 vitórias. Na ocasião, Gomi era favorito com odds em -800, enquanto Marcus Aurélio era azarão em +500. A luta foi considerada a maior zebra até então no MMA.

Gogoplata de Nick Diaz em Takanori Gomi – PRIDE 33

Em 24 de fevereiro de 2007, na segunda e última edição do PRIDE nos Estados Unidos, o evento ficou marcado por dois momentos, um deles foi o duelo monumental entre Nick Diaz e Takanori Gomi.

Depois da surpreendente derrota para Marcus Aurélio, Gomi conseguiu vencer três combates em sequência, inclusive vencendo Aurélio na revanche. Após Diaz optar por sair do UFC e assinar com o PRIDE, a organização japonesa logo decidiu agendar o combate em um peso casado de 72kg.

No primeiro round de luta, Gomi conseguiu um knockdown em Nick, mas não se beneficiou de tal feito e deu margem para a recuperação do Bad Boy de Stockton. O japonês cansou e foi vítima do volumoso boxe de Diaz, que atacava com jabs e diretos no rosto. No segundo round, Gomi decidiu levar a luta para o chão, mas ele não sabia que padeceria a uma das melhores finalizações já feitas dentro do MMA, o gogoplata.

Dois meses depois, a Comissão Atlética do Estado de Nevada alterou a vitória de Nick para no contest por conta de um exame positivo para maconha (ah, vá), o que acabou manchando uma das mais emblemáticas vitórias da carreira do americano, mas o momento continua sendo épico.

Joelhada de Anderson Silva em Carlos Newton – PRIDE 25

Voltemos para 16 de março de 2003. O evento realizado em Yokohama era muito aguardado por causa da disputa de título entre Fedor Emelianenko e Rodrigo Minotauro, mas um brasileiro ainda não lendário foi quem roubou a cena na época: Anderson Silva.

Com menos de 15 lutas profissionais, Anderson foi campeão do Shooto e assinou com o PRIDE, vencendo as duas primeiras lutas e então colocado contra o ex-campeão do UFC Carlos Newton, que tinha acabado de deixar a organização americana para fazer o combate contra o brasileiro.

Michael Bisping não apagou com a joelhada voadora de Anderson, mas Carlos Newton, sim. Com mais da metade do primeiro round, o anguilhano radicado no Canadá entrou numa queda e viu o joelho de Silva voar na sua face num timing de contra-ataque perfeito – Newton ainda recebeu mais alguns socos até a interrupção do árbitro.

Tesoura voadora de Ryo Chonan em Anderson Silva – PRIDE Shockwave 2004

No dia 31 de dezembro de 2004, enquanto este que vos escreve estava na véspera de completar cinco anos de idade, Ryo Chonan protagonizou uma das maiores viradas e uma das melhores finalizações da história do PRIDE. Quem estava do outro lado do octógono era Anderson Silva, que já não tinha a mesma moral de antes com o PRIDE e já havia conquistado o cinturão da organização inglesa Cage Rage.

O combate contra Chonan estava totalmente nas mãos do brasileiro, que dominou a luta desde o início, aplicando o seu forte jogo de muay thai, característico da academia Chute Boxe. Eis que, no terceiro round, Chonan mudou a história. Com a vitória praticamente garantida para Anderson nas mãos dos juízes, o japonês aplicou uma tesoura voadora e forçou a desistência do “Spider” com uma chave de calcanhar. Uma das finalizações mais épicas da história do MMA.

Nocaute de Gary Goodridge em Oleg Taktarov – PRIDE 1

Vamos para o milênio passado, no começo de tudo, em 11 de outubro de 1997. O primeiro nocaute nunca se esquece, ainda mais quando ele acontece de forma mais do que espetacular.

Na segunda luta do PRIDE 1, os veteranos do UFC Gary Goodridge e Oleg Taktarov, vencedor do torneio do UFC 6, fizeram um confronto de estilos. Vencedor do campeonato mundial de queda de braço, Goodridge tinha acabado de vencer o torneio da primeira edição do evento brasileiro International Vale Tudo Championship (IVC), enquanto Taktarov lutava por eventos menores após sua saída do UFC, ocorrida em 1996.

A luta começou estudada até Goodridge explodir pela primeira vez e levar o russo a knockdown. Com a cara já ensanguentada, Taktarov queria a luta no solo, mas Gary não caiu no seu jogo e forçou o combate a retornar em pé. Bastou apenas uma direita de Goodridge para levar Oleg Taktarov ao solo pela segunda vez, agora apagado.

Dan Henderson campeão de duas categorias simultaneamente – PRIDE 33

Retornamos novamente ao dia 24 de fevereiro de 2007. Bem antes do tal Conor McGregor, Dan Henderson conseguiu o enorme feito de ser campeão de duas divisões de peso simultaneamente ao conquistar os cinturões dos meios-médios e dos médios do PRIDE, que eram relativos aos médios e meios-pesados nas Regras Unificadas de Conduta do MMA.

Após vencer o torneio e se tornar o primeiro campeão do PRIDE na divisão dos meios-médios, contra Murilo Bustamante, Hendo subiu para os médios e, após uma vitória sobre Vitor Belfort, foi escolhido para desafiar o então campeão Wanderlei Silva, detentor do título desde 2001. Wand já havia vencido Henderson naquele mesmo ano, o que tornou a ansiedade pelo combate ainda maior.

Silva chegou a ter um bom momento no início, mas a Bomba-H deixou mais uma marca no MMA, agora derrubando o brasileiro no terceiro round e consagrando um feito histórico de Daniel Jeffery Henderson, que atendia pela alcunha de “Hollywood”.

Finalização de Rickson Gracie em Nobuhiko Takada – PRIDE 1

Vamos de novo ao dia em tudo começou: 11 de outubro de 1997. O PRIDE começou para promover um combate entre o jiu-jiteiro Rickson Gracie e o astro do telecatch japonês e cofundador da organização Nobuhiko Takada. Foi naquele momento que o sucesso começou.

Muito melhor como atleta, Rickson iniciou o combate aplicando o clássico pisão de entrada de queda imortalizado pelos Gracie e não demorou muito para cravar as costas de Takada no solo. Chegando rapidamente à montada, Rickson trabalhou a posição até conseguir um armlock com menos de cinco minutos de luta, vencendo a primeira luta principal do PRIDE.

Este momento pode ser considerado em dose dupla. No PRIDE 4, Gracie e Takada voltaram a se enfrentar depois que o japonês disse que fora vítima de um acaso. Para comprovar que quanto mais ele treinava, mais sorte tinha, Rickson pegou Takada de novo no armlock.

Fedor Emelianenko vs. Kevin Randleman – PRIDE Critical Countdown 2004

Como se faz uma lista dessa sem inserir o maior de todos da história do PRIDE? No mesmo dia em que Rampage deixou os fãs boquiabertos com o brutal bate-escada que apagou Arona, todos também ficaram chocados e se perguntaram se Fedor Emelianenko era realmente um Homo sapiens.

Ex-campeão do UFC e wrestler de elevado gabarito, Kevin Randleman chocou o mundo quando nocauteou Mirko Cro Cop e impediu o duelo do croata contra a lenda russa. Nas quartas de final do torneio dos pesados, ele buscava abalar o MMA novamente – e momentaneamente conseguiu.

Sabe o momento em que seu herói de infância está em perigo? Deve ter sido a situação que Alexandre Matos e Pedro Carneiro passaram naquela hora. Randleman aplicou uma queda, Fedor se levantou, o americano mochilou e acertou um suplê violento no russo, de amplitude gigantesca. Fedor cravou a cabeça no chão. Alexandre me disse que achou que ele iria morrer. Por motivos desconhecidos, Emelianenko continuou acordado e, de quebra, raspou, encaixou uma kimura e venceu em um dos momentos mais colossais do MMA, pouco mais de 50 segundos após o estrondo no ringue causado pelo impacto de sua cabeça no tablado.

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