10 Anos Sem PRIDE: 10 lutadores que você não sabia que lutaram no PRIDE

Nossa homenagem aos 10 anos do fim do PRIDE continua com uma lista de lutadores famosos que a maioria dos fãs não sabia (ou lembrava) que tinham passado pelo lendário ringue branco japonês.

Tendo marcado época como a maior e mais icônica organização de MMA durante quase uma década, o PRIDE Fighting Championship teve boa parte dos melhores lutadores da época lutando em seu ringue. Dentre tantos nomes importantes que passaram pela organização japonesa, alguns lutadores que vieram futuramente a se tornar campeões do UFC, Strikeforce e Bellator acabaram passando despercebidos quando estiveram no PRIDE. Para os fãs mais novos, que tomaram conhecimento do esporte após 2007, alguns nesta lista causarão espanto.

Então, seguindo nossa programação de homenagem aos 10 Anos Sem PRIDE, o MMA Brasil elaborou uma lista de 10 lutadores que participaram do PRIDE e que muitos de vocês não faziam ideia (ou só viram no Sherdog).

Robbie Lawler

Muito antes de conquistar o cinturão do UFC e fazer diversas lutas memoráveis, Robbie Lawler fez parte de um evento do PRIDE.

Depois de terminar sua primeira passagem no UFC com derrotas para Nick Diaz e Evan Tanner, o Tinhoso voltou para o circuito regional de lutas antes de receber o chamado para atuar na primeira edição do evento japonês fora de terras nipônicas: o PRIDE 32, que aconteceu em Paradise, Nevada, em 2006.

Com a companhia de estrelas como Fedor Emelianenko, Maurício Shogun e Dan Henderson no card, o ainda pouco famoso Robbie Lawler recebeu a missão de abrir o evento enfrentando Joey Villasenor – antigo namorado e companheiro de treinos de Holly Holm na Jackson-Wink MMA – e fez isso da maneira mais rápida possível, nocauteando o oponente com uma joelhada dos infernos em apenas 22 segundos.

Sem vontade de lutar fora dos Estados Unidos, o Cramulhão continuou sua jornada rumo ao EliteXC, ao Strikeforce, e o resto é história.

Hector Lombard

Muito tempo antes de chegar aos octógonos do UFC, o cubano Hector Lombard fez sua jornada para o Japão ainda invicto, depois de conquistar cinco vitórias em eventos pequenos na Austália, país que o acolheu.

Ele foi chamado então para participar do GP dos meios-médios do PRIDE, em 2006, mas acabou perdendo sua invencibilidade logo na primeira rodada do torneio, derrotado por Akihiro Gono em uma decisão bastante apertada. Lombard, que era comparado por muitos a Kevin Randleman por causa de seu físico, impressionou com seu instinto matador inicial, mas já foi dando pistas de que seu condicionamento físico seria um problema.

Depois de mais duas vitórias no circuito regional, Lombard foi novamente chamado para subir ao ringue do PRIDE, desta vez para enfrentar Gegard Mousasi, que tinha acabado de ser eliminado do mesmo GP, nas quartas de final. Mais uma vez diminuindo muito o ritmo durante a luta, Lombard foi dominado por Mousasi, perdendo sua segunda luta no PRIDE e na carreira.

Dali para a frente, Hector conquistou 25 vitórias seguidas e se manteve invicto por quase cinco anos, conquistando o cinturão dos médios do Bellator no caminho, até finalmente ser parado por Tim Boetsch, em 2011, já no UFC.

Gilbert Melendez

Também em 2006, o americano Gilbert Melendez chegou invicto no PRIDE apenas dois meses depois de conquistar o cinturão peso leve do Strikeforce, quando venceu Clay Guida na decisão.

“El Niño” estreou na organização japonesa no PRIDE Bushido 12, ganhando tranquilamente do japonês Nobuhiro Obiya. Com a ótima primeira impressão, Melendez chegou a ter luta marcada contra Shinya Aoki, no PRIDE Bushido 13, mas acabou se machucando. Ele foi remarcado para encarar contra outro ídolo japonês, Tatsuya Kawajiri, no PRIDE Shockwave 2006, um dos famosos eventos de fim de ano da organização japonesa.

Melendez e Kawajiri trocaram porrada freneticamente no centro do ringue, fazendo uma excelente luta que acabou com mais uma vitória de “El Niño” na decisão.

Depois de ficar quase um ano parado, Melendez voltou continuou seu caminho no Strikeforce, perdendo o cinturão em 2008 para outro integrante desta lista.

Tank Abbott

O lendário Tank Abbott, conhecido principalmente por suas participações nos torneios dos primórdios do UFC, é um dos lutadores cuja a participação no PRIDE é menos conhecida pelos fãs.

Após voltar da aposentadoria, em 2003, e perder três lutas seguidas no UFC – para Frank Mir, Kimo Leopoldo e Wesley Correira – Abbott recebeu a oportunidade de enfrentar o judoca campeão olímpico Hidehiko Yoshida no PRIDE Final Conflict 2005.

No final, Yoshida usou o judô para se recuperar da derrota recente para Wanderlei Silva, finalizando Abbott no sétimo minuto do primeiro round com um estrangulamento característico da arte japonesa. Na mesma noite, Shogun viria a nocautear Alistair Overeem e Ricardo Arona para se tornar campeão do GP dos médios de 2005.

Tank insistiu em continuar sua carreira depois de perder para Yoshida. Ele foi nocauteado mais quatro vezes – com somente uma vitória nesse intervalo – antes de finalmente fazer sua última luta, em 2013.

Ernesto Hoost

Um dos maiores kickboxers de todos os tempos participou de um evento do PRIDE, mas não lutando MMA. Ernesto Hoost, que recentemente foi entrevistado pelo MMA Brasil, integrou um evento realizado em parceria entre o PRIDE e o K-1 – o PRIDE Shockwave 2002 – misturando lutas de MMA e kickboxing no formato Dynamite!!, que foi revivido em eventos do Bellator.

O “Mr. Perfect” enfrentou o único que no futuro igualou sua marca histórica de quatro World GP’s ganhados no K-1, o holandês Semmy Schilt. Em um confronto bastante apertado, os dois lutadores acabaram anotando o único empate de suas carreiras após cinco rounds muito equilibrados.

Hoost e Schilt voltaram a se enfrentar mais duas vezes, com Semmy saindo vencedor nos dois embates, com um nocaute e uma decisão – esta última foi a luta que decretou a aposentadoria de Hoost, em 2006.

Josh Thomson

Depois de ver sua invencibilidade na carreira ser destruída por um dos chutes mais fantásticos da história – único nocaute sofrido por ele na carreira até 2017 – Josh Thomson optou por deixar a organização dos irmãos Fertitta e se aventurou e tentar a glória no PRIDE, em 2005.

O “Punk” foi marcado para lutar contra o japonês Daisuke Sugie, no PRIDE Bushido 8, em uma luta que muitos descreviam pelo confronto de estilos entre o americano kickboxer e o japonês faixa preta de jiu-jítsu. No final, Sugie conseguiu levar Thomson para o chão e ameaçou finalizar, mas não estava preparado para a chave de joelho que Josh encaixou para acabar com a luta aos 4:35 do primeiro round.

Josh Thomson não voltou a lutar no PRIDE. Ele recebeu uma oferta melhor dos Estados Unidos para disputar o cinturão vago dos leves do Strikeforce contra Clay Guida.

Rulon Gardner

O confronto entre estilos de luta era muito frequente no início dos anos 2000. Foi com o intuito de promover uma dessas disputas que o PRIDE trouxe o wrestler Rulon Gardner para competir no Japão.

Gardner foi campeão olímpico em Sydney derrotando o russo Aleksandr Karelin – que nunca havia perdido em 13 anos de competição internacional – ganhando a primeira medalha de ouro de um americano no estilo greco-romano. Depois de sofrer alguns acidentes e perder um dedo do pé, Gardner voltou a competir em Atenas, mas não obteve o mesmo resultado de quatro anos antes, conquistando uma medalha de bronze e se aposentando das competições de wrestling.

Chamado pelo PRIDE poucos meses depois, Gardner treinou duro na Team Quest, onde teve a excelente companhia de Randy Couture em sua jornada para enfrentar o judoca japonês Hidehiko Yoshida – que era muito mais experiente no MMA – no PRIDE Shockwave 2004, na mesma noite em que Fedor e Minotauro se enfrentaram. Gardner, muito maior que o japonês, levou a melhor depois de castigar Yoshida por 20 minutos, vencendo sua única luta de MMA na decisão dos juizes.

Sean Sherk

O “Muscle Shark” é o segundo integrante da nossa lista que, depois da passagem pelo PRIDE, viria a se tornar campeão do UFC.

Logo depois de disputar o cinturão dos meios-médios e perder para Matt Hughes em uma luta equilibrada, Sherk teve que rodar novamente pelos pequenos eventos regionais e conseguir três vitórias até chamar a atenção de uma grande organização.

Sean fez então a viagem para o Japão para lutar contra o japonês Ryuki Ueyama, campeão peso médio do DEEP na época, no PRIDE Bushido 2, em 2004. Apesar da diferença de tamanho, Sherk não teve dificuldade nenhuma em usar o wrestling para dominar completamente o adversário, cravando diversas vezes o japonês no chão até conseguir a vitória na decisão dos juízes.

Sherk ficou bastante famoso no Japão (foi lá que ele ganhou a alcunha de “The Muscle Shark”), mas, depois desta luta, não voltou a atuar no PRIDE, por não ter se sentido confortável por ter que viajar para lutar tão longe de casa. O americano voltou então às disputas nos Estados Unidos, onde quase três anos depois se tornou o segundo campeão peso leve da história do UFC.

Yushin Okami

O judoca japonês Yushin Okami foi chamado pela primeira vez pelo PRIDE em 2002, quando tinha 22 anos e acabara de disputar sua primeira luta profissional de MMA.

Na estreia na organização, Okami foi marcado para enfrentar o americano Steve White, no PRIDE: The Best 3, evento que tinha como objetivo revelar talentos para participar dos eventos principais do PRIDE, sem a presença das estrelas. Okami passou por White com muita facilidade, usando o judô para controlar o adversário no chão e bater até fazê-lo desistir da luta.

O japonês continuou sua carreira em eventos menores do Japão até ser chamado, em 2004, para participar novamente do PRIDE, enfrentando o também japonês Ryuta Sakurai no PRIDE Bushido 2. Okami não teve tanta facilidade dessa vez, mas levou vantagem na luta de chão e conseguiu a vitória na decisão dos juízes.

Sem mais uma chance no PRIDE, Okami voltou ao circuito local até, dois anos depois, ganhar fama por vencer Anderson Silva após uma desqualificação do brasileiro por chute ilegal.

Carlão Barreto

Depois de uma passagem sem sucesso pelo UFC, perdendo para Dave Beneteau, o brasileiro Carlão Barreto voltou a competir no Brasil e conquistou o cinturão do peso pesado no lendário IVC, International Vale Tudo Championship, chamando a atenção de um PRIDE ainda muito jovem.

Com o PRIDE ainda engatinhando rumo à grandiosidade, Carlão foi chamado para enfrentar uma das estrelas que estavam começando a crescer na organização, o ucraniano Igor Vovchanchyn. Numa luta sem muita ação, os dois foram para o terceiro round – que na época era usado para desempatar um combate, com a decisão final levando em conta somente o último assalto. Carlão parecia levar vantagem após passar boa parte do round por cima no chão, mas, mesmo assim, dois dos juízes deram vitória para Vovchanchyn ao final da luta.

O brasileiro não ficou muito tempo sem ser chamado pelo PRIDE, somente voltando para o Brasil para conseguir mais uma vitória antes do PRIDE 9, quando enfrentou o boxeador americano Tra Telligman, também conhecido por ter perdido um dos músculos peitorais em um acidente. Em nova luta não tão movimentada, Carlão acertou bons golpes em pé e dominou boa parte da luta no chão, dessa vez fazendo todos os juízes concordarem em lhe dar a vitória na decisão.

Talvez por não ter desempenhos tão animadores, Carlão Barreto nunca mais lutou no PRIDE, mas ainda enfrentou nomes famosos como Gilbert Yvel, Ben Rothwell e Aleksander Emelianenko até se aposentar em 2005 após derrota para Vladimir Matyushenko.

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  • Bruno Moraes da Costa

    Eu não vi ao vivo os eventos do Pride e achei que tinha recuperado tudo de mais bacana que tinha acontecido nos eventos, mas não conhecia essa baita luta do Melendez com Kawajiri.

    Okami e Lawler eu tb não fazia ideia que tinham lutado por lá.

  • Gabriel Carvalho II

    Lista irada. Acho que o único que eu não sabia da lista era o Okami.

    • Okami lutou em cards pequenos quando não era ninguém, eram aquelas lutas pra fechar card. Só sabia quem viu no cartel dele.

  • Leonardo Paz

    q lista legal, alguns eu lembrava outros nem sabia!!!!
    segundo na linha do Hoost, outro kickboxing foda q apareceu por la foi o Ramon Dekker q alias perdeu para o Genki Sudo!!!

  • James sousa

    realmente não fazia ideia que esses nomes tinham lutado no pride